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Estudantes da Unesp e Unicamp debatem greve após paralisação na USP

12 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Estudantes da Unesp e Unicamp debatem greve após paralisação na USP. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Estudantes das três maiores universidades estaduais de São Paulo — USP, Unesp e Unicamp — estão mobilizados em defesa de melhores condições de permanência, alimentação e moradia estudantil. Desde meados de abril, mais de […]

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Ilustração editorial sobre Estudantes da Unesp e Unicamp debatem greve após paralisação na USP. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Estudantes das três maiores universidades estaduais de São Paulo — USP, Unesp e Unicamp — estão mobilizados em defesa de melhores condições de permanência, alimentação e moradia estudantil.

Desde meados de abril, mais de 100 cursos da USP estão em greve. O movimento agora reverbera nas demais instituições, inspirando debates e ações conjuntas.

Alunos das três universidades realizaram um protesto em frente ao edifício onde o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) se reunia, no centro da capital paulista. Eles criticaram duramente a postura dos reitores e do governador Tarcísio de Freitas, que classificou a greve como uma ‘perda de oportunidade’ para os estudantes.

Na USP, os grevistas exigem aumento no valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Também cobram melhorias nos restaurantes universitários e no Conjunto Residencial da USP (CRUSP).

A reitoria declarou que as negociações foram encerradas após três reuniões. Os estudantes contestam, afirmando que não houve progresso real, e uma assembleia definirá os próximos passos.

Na Unesp, uma paralisação já foi iniciada, com a possibilidade de adesão formal à greve ainda em análise. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) apontou a precarização do ensino, da pesquisa, da extensão e das condições de permanência como questões centrais.

Na Unicamp, uma assembleia geral foi convocada para discutir a adesão ao movimento. Além de moradia e qualidade dos restaurantes, os alunos cobram a contratação de mais professores.

O governador Tarcísio de Freitas reiterou sua posição contrária à mobilização durante evento no Palácio dos Bandeirantes. Ele classificou a greve como tendo ‘cunho político’ e defendeu a autonomia das universidades na gestão de seus recursos.

Um ponto de tensão adicional é a recente aprovação de uma gratificação de R$ 4.500 para professores envolvidos em projetos estratégicos na USP, medida que custará R$ 239 milhões ao orçamento. Estudantes e funcionários reclamam que a iniciativa não contempla suas demandas, aprofundando o descontentamento com a gestão.

A reitoria da Unesp informou que está acompanhando as paralisações e que uma nova reunião do Cruesp está marcada para os próximos dias. A Unicamp ainda não emitiu posicionamento oficial sobre as discussões internas relacionadas à greve.

O movimento estudantil promete manter a pressão, com novas assembleias e atos públicos previstos para breve. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal oficial da USP.

Com informações de Metrópoles.


Leia também: Universidades estaduais paulistas realizam encontro em Campinas com foco na curricularização da extensão


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Vanessa Silva

06/05/2026

Márcio Torres, você tocou no ponto central: o debate realmente se perde em maniqueísmo. Mas a real questão é que greve estudantil, sem um plano claro de retorno e métricas de impacto, vira apenas um grito no vazio. Se o movimento quer ser levado a sério, precisa apresentar propostas objetivas de melhoria na permanência, não só paralisar aulas.

Márcio Torres

06/05/2026

Observo a thread e vejo que o debate, como de costume, escorrega para dois extremos previsíveis: de um lado, o moralismo ressentido do “vagabundo querendo greve”; do outro, a mística da universidade como espaço sagrado onde métricas de desempenho seriam heresia. Nenhum dos dois ajuda a entender o que realmente está em jogo.

A discussão sobre produtividade acadêmica precisa ser feita com honestidade intelectual, não com espantalhos. Ninguém está sugerindo que a universidade pública funcione como uma linha de montagem toyotista. Mas ignorar que o financiamento dessas instituições depende de recursos públicos — e que o contribuinte tem o direito de exigir contrapartidas mensuráveis — é um luxo que só quem nunca precisou gerenciar um orçamento pode se dar. O que o Caio Vieira chama de “vulgata gerencialista” é, na prática, o mínimo de responsabilidade fiscal que qualquer gestão pública deve ter.

Dito isso, a pauta dos estudantes não é descartável. Moradia estudantil, alimentação e permanência são condições materiais objetivas para que alguém possa estudar. Se a universidade não garante o básico para quem não tem rede de apoio familiar, ela está, de fato, reproduzindo desigualdade em vez de combatê-la. O problema é que misturar essa pauta legítima com uma greve generalizada, sem recortes claros de demanda e sem métricas de sucesso, transforma o movimento em um ritual político que cansa a sociedade e enfraquece a própria causa.

No fim, o que falta é um planejamento sério: dados sobre evasão, custo por aluno, taxa de conclusão e impacto das bolsas. Sem isso, o debate fica no nível do “acredito” versus “não acredito”. E a universidade pública, que deveria ser o bastião do pensamento crítico baseado em evidência, acaba agindo como qualquer outra tribo movida a fé.

Caio Vieira

06/05/2026

Caro Carlos Meirelles, permita-me oferecer uma mirada sociológica que transcende a vulgata gerencialista que o senhor reproduz com tanto vigor. Quando o senhor invoca a “produtividade” como se estivéssemos diante de uma planilha de custos de uma indústria têxtil, esquece-se de que a universidade pública, em sua gênese, não é uma empresa — é um espaço de disputa hegemônica, onde se forjam os quadros intelectuais que, espera-se, um dia compreenderão a totalidade contraditória do capitalismo periférico brasileiro. A paralisação na USP e os debates na Unesp e Unicamp não são, como o senhor insinua, um “oba-oba” de jovens ociosos; são a expressão concreta de uma crise de reprodução social que atinge, com particular virulência, os estratos populares que ousaram adentrar o templo do saber.

O comentário do Pedro Neto, infelizmente, ecoa um senso comum reacionário que confunde militância com vagabundagem, como se a luta por moradia estudantil e alimentação digna fosse um luxo e não uma condição elementar de permanência. Ora, caro Pedro, o senhor já leu Antonio Gramsci? Ou sequer os Cadernos do Cárcere? A greve não é um atestado de preguiça, mas um instrumento tático de pressão política quando os canais institucionais se mostram obstruídos. O “fazer o L” que o senhor ironiza é, na verdade, um gesto de solidariedade a um projeto de nação que, apesar de suas contradições, ainda tenta enfrentar o legado nefasto de séculos de exclusão. O que esses estudantes reivindicam é o direito de existir dentro da universidade, e não apenas de nela ingressar como se fossem convidados indesejados em um banquete alheio.

Já o Francisco de Assis, com sua verve profética, toca em um ponto nevrálgico: o sucateamento programado das universidades públicas. Não se trata de um acidente de percurso, mas de uma estratégia deliberada de desmonte do Estado, orquestrada por setores que veem no conhecimento crítico uma ameaça à sua hegemonia. Quando o governo anterior cortou verbas e atacou a autonomia universitária, não o fez por mera insânia administrativa; o fez porque sabia que uma universidade que forma cidadãos conscientes é o calcanhar de Aquiles de qualquer projeto autoritário. O movimento estudantil, com suas assembleias e cartazes, é a antítese do fascismo cotidiano que tenta reduzir a educação a um adestramento técnico.

E, por fim, uma palavra sobre a Beatriz Lima, cuja análise lúcida merece ser complementada. A “dança das greves” que ela menciona não é um ritual vazio, mas a coreografia tensa de uma luta de classes que se desenrola nos corredores acadêmicos. A produtividade que o senhor, Carlos, tanto venera, é um conceito fetichizado que esconde as relações de exploração que sustentam o “Brasil real” que o senhor defende. Esse Brasil real é o mesmo que expulsa jovens negros e periféricos da universidade antes mesmo que eles possam colar grau, por falta de um prato de comida ou de um teto para dormir. A greve, portanto, não é um desvio de percurso; é a tentativa desesperada de manter acesa a chama de um futuro que insistem em apagar. Solidarizo-me, portanto, com a coragem desses estudantes, que, mesmo sob o chicote da precarização, ousam parar para pensar — e, ao pensar, parar o mundo.

Pedro Neto

06/05/2026

Faz o L, mais um bando de vagabundo querendo greve pra não estudar.

    Francisco de Assis

    06/05/2026

    Pedro Neto, meu filho, você acha que estudante vai pra greve porque é vagabundo? Esses jovens estão lutando contra o sucateamento das universidades públicas que formam o povo brasileiro, enquanto o governo Lula trabalha pra reconstruir o país que vocês mesmos quebraram com esse discurso de ódio. Faz o L mesmo, e vai estudar um pouco de história do Brasil.

Beatriz Lima

06/05/2026

Ah, a clássica dança das greves estudantis nas estaduais paulistas. Sempre um espetáculo previsível, mas que rende boas discussões. Carlos Meirelles, você mencionou a produtividade como se ela fosse um conceito universal aplicável a qualquer contexto, inclusive à formação de cidadãos críticos em uma universidade pública. É uma visão interessante, mas um tanto limitada. Se formos levar sua lógica ao extremo, deveríamos medir a produtividade de um curso de filosofia pelo número de filósofos empregados no mercado financeiro, o que é um absurdo lógico. A função social da universidade vai muito além de ser uma linha de montagem de diplomas para o mercado.

O que me intriga nessa discussão é a ausência de dados concretos sobre a real situação da permanência estudantil. Greve é um instrumento legítimo de pressão, mas sem transparência sobre o orçamento dos restaurantes universitários, o número de vagas nos alojamentos e a inflação real dos custos para o estudante, fica difícil para quem está de fora avaliar se a paralisação é proporcional ao problema. A USP, por exemplo, tem um orçamento bilionário. Cadê a prestação de contas detalhada que justifique a necessidade de paralisar mais de 100 cursos? Sem essa radiografia financeira, o discurso da “luta por condições dignas” soa genérico.

E, falando em dados, Pedro Silva, sua observação sobre a frequência das greves tem um fundo de verdade que incomoda. Quando a greve se torna um ritual de início de semestre, ela perde poder de fogo. O movimento estudantil precisa se perguntar por que a sociedade, que financia essas universidades, reage com tanta indiferença ou hostilidade. Talvez falte uma comunicação mais estratégica, que mostre não só a crise da moradia estudantil, mas também como a precarização do ensino afeta a qualidade dos profissionais que formamos — e que, sim, vão para o mercado de trabalho.

No fim das contas, acho que a greve é um sintoma, não a doença. A doença é a falta de planejamento de longo prazo das reitorias e a dificuldade crônica de dialogar com a comunidade. Enquanto os dois lados ficarem trocando acusações morais — “você é um neoliberal insensível” vs. “você é um vagabundo profissionalizado” —, o restaurante universitário continuará servindo comida cada vez pior e mais cara, e o alojamento continuará caindo aos pedaços. Mas, convenhamos, a ironia de ver uma discussão sobre greve estudantil ser dominada por referências bíblicas dos dois lados do espectro político é um prato cheio para quem, como eu, só quer ver os números e as evidências.

Carlos Meirelles

06/05/2026

Pedro, você tocou no ponto certo. Enquanto essa turma perde semanas em assembleia e cartaz de papelão, o Brasil real está girando — pagando imposto, produzindo, trabalhando. Se a reitoria fosse uma empresa privada, esses alunos já teriam sido demitidos por baixa produtividade. Greve em universidade pública virou ritual de preguiça com dinheiro do contribuinte.

    João Batista

    06/05/2026

    Carlos, você fala em produtividade como se a universidade fosse uma fábrica de sapatos. O profeta Amós já denunciava quem transforma o ensino em mercadoria e esmaga o pobre com impostos. Esses estudantes estão honrando o mandamento de clamar contra a injustiça, enquanto o Brasil real que você defende é o que corta verba da educação e entrega o orçamento pro agronegócio.

Pedro Silva

06/05/2026

Pô, mais greve de estudante? Toda hora é isso. Enquanto tão parados, o Uber lota de passageiro reclamando de preço dinâmico e a cidade para. Se fosse pra cobrar eficiência da reitoria, beleza, mas parece que virou tradição: começa o semestre, para a faculdade.

Silvia Ramos

06/05/2026

Mais uma greve pra jogar fora o dinheiro do contribuinte. Enquanto esses estudantes perdem tempo com paralisação, deveriam estar estudando e honrando o sacrifício dos pais que pagam impostos. Em Provérbios 14:23 está escrito: “Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza”.

    Rubens O Pescador

    06/05/2026

    Sílvia, a Bíblia também diz que quem fecha os olhos pra injustiça é abominação. Lá no meu tempo de roça, quando o PT tava no governo, tinha merenda de verdade nas escola pública e os filho dos pobre conseguia entrar na universidade. Esses estudante tão lutando é pra não perder o pouco que conquistaram.

    Lucas Gomes

    06/05/2026

    Silvia, com todo respeito, sua leitura bíblica ignora que o trabalho sem justiça é exploração — e greve não é “ficar só em palavras”, é ação coletiva contra um sistema que precariza o ensino e devasta o meio ambiente. Enquanto o agronegócio e as mineradoras sugam o dinheiro público e destroem biomas, você critica quem luta por educação pública de qualidade e por um futuro que não seja de cinzas.


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