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Empresas de Moscou impulsionam exportações para a África em 52 vezes

5 Comentários🗣️🔥 Contêineres empilhados formam um gráfico ascendente, simbolizando o aumento das exportações. (Foto: rt.com) Empresas sediadas em Moscou registraram crescimento extraordinário nas exportações para países africanos no primeiro trimestre de 2026. O volume exportado aumentou 52 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando cerca de 586 milhões de rublos — equivalente […]

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Contêineres empilhados formam um gráfico ascendente, simbolizando o aumento das exportações. (Foto: rt.com)

Empresas sediadas em Moscou registraram crescimento extraordinário nas exportações para países africanos no primeiro trimestre de 2026. O volume exportado aumentou 52 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando cerca de 586 milhões de rublos — equivalente a aproximadamente US$ 7,8 milhões.

Esse avanço reflete uma estratégia de longo prazo para ampliar a presença de companhias moscovitas no mercado africano. Vitaly Stepanov, chefe do Centro de Exportação de Moscou, destacou que programas de apoio a exportadores, implementados desde 2019, foram fundamentais para consolidar esses resultados.

Entre os destinos mais relevantes, a Argélia absorveu 89% das exportações de Moscou, com ênfase em produtos da indústria alimentícia. A Nigéria também ganhou relevância como parceira comercial, especialmente em tecnologia da informação, telecomunicações e bens relacionados à computação.

Os setores de eletrônicos e engenharia elétrica representaram fatia importante das exportações, contribuindo para o fortalecimento econômico das empresas locais. Produtos médicos, farmacêuticos e bens de consumo também registraram alta demanda nos mercados africanos.

Fora de Moscou, outras regiões da Rússia intensificaram suas relações comerciais com o continente. O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, apontou que 81 regiões russas — incluindo São Petersburgo, Astrakhan, Novosibirsk e Krasnodar — estão engajadas em parcerias com países africanos.

Um exemplo notável é o aumento das exportações de trigo para o Sudão, que mais que dobraram na temporada 2025/26, atingindo 1,7 milhão de toneladas. O comércio com a Etiópia quase triplicou em 2025, ultrapassando US$ 435 milhões, conforme o embaixador russo no país, Evgeny Terekhin.

O comércio total entre a Rússia e a África alcançou US$ 27,7 bilhões em 2025. Irina Abramova, diretora do Instituto de Estudos Africanos da Academia Russa de Ciências, reforçou a importância dessa parceria em expansão, conforme noticiado pelo Sputnik Globe.

Os dados demonstram o fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas entre a Rússia e o continente africano. A diversificação de mercados e a redução da dependência de economias ocidentais emergem como prioridades claras na política comercial russa.

Com informações de RT.


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Marcos Conservador

06/05/2026

52 vezes? E o Brasil parado, vendendo soja pra China e tomando calote. Mas claro, a culpa é do comunismo, não da nossa elite que desistiu de ter indústria e política externa própria.

    Mateus Silva

    06/05/2026

    Marcos, você acertou ao jogar a pá de cal no discurso fácil do “comunismo” como bode expiatório. O que estamos vendo é a Rússia operando como um Estado capitalista de tipo clássico, com planejamento central e subsídios estratégicos, enquanto o Brasil, sob a batuta da nossa própria elite, transformou o BNDES em mera financeira de commodities e trocou a África por uma relação de dependência com a China que nos reduz a exportadores de soja e minério. O problema não é ideologia, é projeto de nação — e o nosso, há décadas, é ser celeiro do mundo, não parceiro de desenvolvimento.

João Carvalho

06/05/2026

Pois é, 52 vezes mais exportação pra África, mas aqui no Rio o diesel só sobe e o bilhete único não cobre nem a condução. Enquanto isso, cadê o Brasil vendendo pra esses países? Só vejo a Rússia avançando e a gente perdendo mercado.

    Lucas Pinto

    06/05/2026

    João, você tocou num ponto que é sintoma, não causa. O drama do diesel a R$ 7 e do bilhete único que não cobre nem meia condução não é um acidente de percurso da economia brasileira; é a expressão concreta de um projeto de país que desistiu de ser nação industrial e virou plataforma de extração de commodities. Enquanto a Rússia, mesmo sob sanções, articula uma política externa deliberada de aproximação com a África — construindo infraestrutura, vendendo tecnologia, formando quadros — o Brasil terceiriza sua política externa para o agronegócio e a mineração. Não é que a gente “perdeu mercado” por incompetência técnica; a gente abriu mão de disputar hegemonia. O Estado brasileiro, capturado pelo rentismo financeiro e pela pauta neoliberal, desmontou bancos de desenvolvimento, fechou embaixadas e reduziu a diplomacia a escritório de negócios da Faria Lima.

    O que me incomoda no seu lamento é que ele ainda opera dentro da lógica do “mercado” como se fosse um campo neutro onde todos competem de igual pra igual. A Rússia não está “avançando” porque tem empresários mais espertos; está avançando porque o Estado russo, mesmo sendo um capitalismo de Estado autoritário, entende que comércio exterior é extensão da geopolítica. Eles vendem grãos, armas e energia para a África com financiamento estatal, com acordos de cooperação técnica, com construção de usinas nucleares. O Brasil, por sua vez, vende soja e minério de ferro a preço de mercado spot e ainda reclama que a China não compra mais. A diferença não é de eficiência, é de projeto político. Enquanto a burguesia brasileira achar que o problema é “burocracia” e “carga tributária”, e não a ausência de um Estado que planeje e execute uma inserção soberana no mundo, vamos continuar vendo a Rússia — e a China — ocuparem os espaços que a gente abriu mão.

    E mais: esse discurso de “perder mercado” esconde que o mercado africano não é um balcão de negócios onde se chega com catálogo. A África é o palco da nova partilha imperialista, e quem está chegando agora — Rússia, China, Turquia, Emirados — oferece o que o Brasil, preso ao receituário do FMI e à dívida pública, não pode mais oferecer: soberania energética, infraestrutura pesada, transferência de tecnologia. O Brasil dos anos 2000, com a Embrapa, a Fiocruz, a Petrobras e o BNDES atuando em coordenação, tinha cacife para disputar esse jogo. O Brasil de hoje, com a Petrobras virando empresa de distribuição de dividendos e o BNDES virando banco de mercado, não tem. Então, sim, o diesel sobe e o bilhete não cobre — porque a escolha foi essa: desmontar o Estado para que o capital financeiro possa girar livre, enquanto a Rússia, com todos os seus problemas, ainda tem um Estado que pensa em longo prazo. A questão não é “cadê o Brasil vendendo”, João. A questão é: que Brasil a gente quer que venda?

    Clarice Historiadora

    06/05/2026

    João, o Brasil não perde mercado pra Rússia na África por acaso: enquanto a gente desmontou a política externa Sul-Sul e a indústria nacional nos anos 90, Moscou manteve laços comerciais com regimes africanos desde a Guerra Fria, com financiamento estatal e logística integrada. O resultado é que vendemos soja e minério de ferro enquanto eles vendem tratores, fertilizantes e armamento — diferença brutal de valor agregado que se reflete no diesel caro que você paga.


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