Pesquisadores identificaram o que pode ser uma marca de joelho deixada por um neandertal há cerca de 175 mil anos na caverna Bruniquel, localizada no departamento de Tarn-et-Garonne, no sudoeste da França.
A impressão foi encontrada ao lado de estruturas circulares misteriosas construídas a partir de estalagmites quebradas e rearranjadas. A paleontóloga Sophie Verheyden, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, considera a marca na argila uma hipótese que ainda necessita de confirmação científica.
Os especialistas planejam realizar comparações com impressões de joelhos humanos atuais em variados tipos de argila para validar a descoberta. A preservação da marca ocorreu sob uma fina camada de carbonato de cálcio, o mesmo componente que constitui as estalagmites presentes na caverna.
Essa proteção natural manteve a integridade da impressão ao longo de aproximadamente 175 mil anos. As estruturas circulares foram descobertas na década de 1990 e posteriormente descritas em estudo publicado em 2016.
O maior círculo mede cerca de 7 metros de diâmetro e foi formado por centenas de fragmentos de estalagmites organizados de forma deliberada. A datação realizada por meio da medição de isótopos radioativos no calcário revela que os neandertais manipularam esses fragmentos no exato período de construção das estruturas.
A localização a mais de 300 metros da entrada da caverna, em completa escuridão, desperta questionamentos sobre os métodos utilizados pelos construtores. Essa profundidade exigia necessariamente o emprego de uma fonte de luz artificial, e vestígios de fogo foram localizados no mesmo ambiente.
Os pesquisadores consideram pouco provável que o local servisse como moradia cotidiana, o que sugere uma função especial para as construções. A pesquisadora Mareike Stahlschmidt, da Universidade de Viena, salienta a possibilidade de extrair DNA neandertal preservado na marca de joelho.
O calcário que recobriu a impressão pode ter protegido material genético, viabilizando análises sobre os indivíduos que frequentaram a caverna. Estudos forenses apontam que impressões como essa podem conter resíduos de pele, cabelo ou sangue caso tenham sido mineralizadas de maneira rápida.
Essa característica amplia as perspectivas de novas revelações sobre a biologia dos neandertais. A equipe científica desenvolve métodos avançados para identificar a composição mineral exata dos fragmentos de estalagmites empregados nas estruturas.
Essa investigação determinará se o material foi coletado em diferentes setores da caverna Bruniquel ou mesmo em outras cavernas da região. As análises no local prosseguem gerando descobertas relevantes mesmo depois de várias décadas de pesquisas intensivas.
A pesquisa foi apresentada em um encontro da União Europeia de Geociências realizado em Viena, conforme informações do portal da EGU. O trabalho enriquece o debate científico acerca do comportamento e das capacidades culturais dessa espécie extinta.
Com informações de NEWSCIENTIST.
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