Menu

Relatório aponta que ditadura militar assassinou Juscelino Kubitschek

0 Comentários🗣️🔥 O ex-presidente Juscelino Kubitschek em registro fotográfico. (Foto: operamundi.uol.com.br) Um relatório de mais de 5 mil páginas elaborado para a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de atentado político. O documento sustenta que o desastre na Via Dutra em 22 de agosto de 1976 foi […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
O ex-presidente Juscelino Kubitschek em registro fotográfico. (Foto: operamundi.uol.com.br)

Um relatório de mais de 5 mil páginas elaborado para a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de atentado político. O documento sustenta que o desastre na Via Dutra em 22 de agosto de 1976 foi intencional e ocorreu em contexto de repressão do regime militar.

A tese diverge das conclusões oficiais da época e do entendimento da Comissão Nacional da Verdade, divulgado em 2014. A votação do parecer foi adiada para permitir análise mais profunda pelos conselheiros, embora exista expectativa de aprovação por maioria.

A relatora Maria Cecília Adão baseou sua conclusão principalmente no inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal entre 2013 e 2019. O procurador Paulo Sérgio Ferreira Filho destacou falhas graves nas investigações originais, como a ausência de exames toxicológicos no corpo do motorista Geraldo Ribeiro.

O engenheiro Sergio Ejzenberg revisou todos os laudos técnicos do acidente e descartou a colisão entre o Opala e o ônibus da Viação Cometa. Suas conclusões apontam inconsistências técnicas nos relatórios que embasaram a versão oficial por décadas.

Juscelino Kubitschek havia sido cassado logo após o golpe de 1964 e permaneceu como figura central da oposição ao regime. O movimento da Frente Ampla havia reunido Carlos Lacerda e Jânio Quadros contra a ditadura antes de ser proibido pelo Ato Institucional número 5, em 1968.

O relatório detalha ainda o papel da Operação Condor como aliança repressiva entre ditaduras do Cone Sul com apoio dos Estados Unidos. Uma carta do chefe da polícia secreta chilena, Manuel Contreras, ao então chefe do SNI, João Figueiredo, identificava Juscelino Kubitschek como ameaça aos governos militares da região.

O caso guarda semelhanças com o de Zuzu Angel, cuja morte foi inicialmente registrada como acidente automobilístico. A alteração das certidões de óbito de Juscelino Kubitschek e Geraldo Ribeiro poderá registrar a perseguição política como causa da morte, caso o parecer seja aprovado.

Essa retificação não permitirá, porém, o pagamento de indenizações, porque os prazos legais para tais pedidos já expiraram. Representantes do Ministério Público Federal e do Ministério da Defesa manifestaram resistência à reabertura do caso.

O representante do Ministério da Defesa, Rafaelo Abritta, alertou para o risco de questionamentos judiciais caso o reconhecimento ocorra sem embasamento sólido. A relatora Maria Cecília Adão preferiu não comentar o conteúdo do parecer antes da votação definitiva.

Conforme revelou a Folha de São Paulo, o parecer reforça as inconsistências técnicas e o contexto político dos anos finais da ditadura. O ex-presidente mantinha articulações contra o regime mesmo depois de uma década com direitos suspensos.

As investigações iniciais atribuíram o acidente a uma colisão com ônibus, mas peritos posteriores questionaram essa narrativa. O relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos acumula evidências que apontam para sabotagem ou ação deliberada contra Juscelino Kubitschek.

Com informações de UOL.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes