A décima edição da Maratona Internacional da Palestina reuniu 13 mil corredores de diversas partes do mundo nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026.
O evento principal ocorreu na cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, com largada às 6h em frente à Igreja da Natividade. A competição marcou o retorno da corrida paralela na Faixa de Gaza após dois anos de interrupção causados pela guerra.
Cerca de 2.523 participantes completaram o percurso de 5 km que começou na Ponte Wadi Gaza e seguiu em direção ao norte da região. Uma versão virtual da maratona aconteceu entre 17 e 21 de abril e envolveu mais de 5 mil pessoas de 88 países.
Essa modalidade ampliou a participação internacional no evento que promove o esporte e a causa palestina. O Conselho Superior Palestino para Juventude e Esportes, o Comitê Olímpico Palestino e a Prefeitura de Belém organizaram a programação com distâncias variadas.
A coordenadora do evento, Itidal Abdul Ghani, destacou a mensagem de unidade da pátria que conectou corredores de ambos os lados do muro de separação israelense. Os atletas puderam escolher entre a maratona completa de 42 km, a meia maratona de 21 km e as provas de 10 km e 5 km.
Profissionais, amadores e famílias inteiras participaram da atividade sob forte simbolismo nacional. A maratona transcorreu em meio à violência que marca os territórios palestinos desde outubro de 2023.
Autoridades palestinas reportam mais de 1.155 mortos, 11.750 feridos e 22 mil prisões registradas na Cisjordânia nesse período. O Ministério da Saúde de Gaza registra pelo menos 72 mil mortos e 172 mil feridos na Faixa de Gaza em razão da ofensiva israelense.
Os ataques prosseguem e geram devastação humanitária mesmo diante de iniciativas de cessar-fogo. Corredores em Belém passaram por ruas cercadas por postos de controle e pelo muro de separação israelense.
Muitos carregavam bandeiras palestinas e vestiam keffiyehs em gesto de solidariedade com os habitantes de Gaza. O evento transcendeu o esporte para se afirmar como demonstração coletiva de resiliência palestina.
Participantes reforçaram a importância de manter viva a luta por justiça e soberania nacional. A presença de atletas estrangeiros deu visibilidade global à causa palestina.
Organizadores celebraram o sucesso da edição que superou os desafios impostos pela ocupação militar. A Igreja da Natividade, como ponto de partida histórico, reforçou o caráter cultural da maratona.
O evento anual busca incentivar o esporte entre jovens palestinos e projetar sua realidade internacionalmente. Conforme destacou o portal Al Jazeera, a maratona representou um ato de afirmação nacional. Milhares transformaram a corrida em instrumento de unidade entre palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!