Lula e Trump estabeleceram um prazo de 30 dias para que as equipes ministeriais apresentem propostas capazes de resolver os impasses tarifários bilaterais.
Após reunião de mais de três horas na Casa Branca, que incluiu almoço oferecido por Trump, os líderes trataram de comércio, crime organizado e minerais estratégicos. Os detalhes foram divulgados pelo portal do Planalto.
O Brasil busca o encerramento da investigação comercial aberta pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que acusa o país de práticas desleais em temas como o uso do Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e propriedade intelectual. Lula reafirmou que instrumentos unilaterais como a Seção 301 são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio.
Lula afirmou que o assunto do Pix não foi abordado de forma direta durante o encontro. Trump ressaltou em suas redes sociais que a reunião foi produtiva e que já há encontros agendados entre representantes dos dois governos.
Lula demonstrou otimismo ao declarar que o Brasil está aberto ao diálogo sobre qualquer tema, desde que sejam preservadas a democracia e a soberania nacional. Os dois líderes discutiram ainda a cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional.
Lula anunciou que o Brasil vai lançar em breve um plano nacional destinado a asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais. O ministro da Fazenda Dario Durigan informou que as aduanas brasileira e americana trabalharão de forma integrada para impedir o contrabando de armas e drogas sintéticas.
A exploração de terras raras e minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, ocupou posição central na agenda presidencial. Lula atualizou Trump sobre a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que busca converter o Brasil em relevante ator global sem reproduzir o padrão de mera exportação de matérias-primas sem valor agregado.
O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, embora apenas 25% de seu território tenha sido mapeado até o momento. Esse dado indica grande potencial ainda inexplorado.
Na coletiva de imprensa, Lula entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras e seus familiares alvos de restrições de visto impostas pelo governo americano. Os afetados incluem ministros do Supremo Tribunal Federal e uma criança de 10 anos, filha do ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha.
Lula solicitou a revogação integral dessas sanções, que representam retaliação ao julgamento dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As relações comerciais entre Brasil e EUA registram tensões desde 2025, quando Trump retomou medidas protecionistas com tarifas sobre aço e alumínio.
O governo brasileiro tem recorrido à Organização Mundial do Comércio e a medidas de reciprocidade para defender seus interesses comerciais. A comitiva nacional, que contou com a presença de diversos ministros e do diretor-geral da Polícia Federal, retorna ao país com a perspectiva de obter resultados concretos nas semanas seguintes.
Com informações de Agência Brasil.
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