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Crânios de 2.000 anos no Vietnã revelam prática ancestral de dentes negros

0 Comentários🗣️🔥 Crânios antigos com dentes tingidos de preto, encontrados no Vietnã, revelam prática ancestral. (Foto: ecoticias.com) Uma descoberta intrigante no norte do Vietnã revela um padrão de beleza que desafia as convenções modernas. Crânios datados de 2.000 anos mostram que comunidades da Idade do Ferro tingiam os dentes de preto de forma permanente, usando […]

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Crânios antigos com dentes tingidos de preto, encontrados no Vietnã, revelam prática ancestral. (Foto: ecoticias.com)

Uma descoberta intrigante no norte do Vietnã revela um padrão de beleza que desafia as convenções modernas. Crânios datados de 2.000 anos mostram que comunidades da Idade do Ferro tingiam os dentes de preto de forma permanente, usando um processo químico sofisticado.

O estudo foi realizado no sítio arqueológico de Dong Xa, localizado no delta do Rio Vermelho e associado ao período cultural Dong Son. Essa prática estética, que sobreviveu por séculos, está vinculada a uma tradição que se estendeu até o século XIX em algumas regiões do Sudeste Asiático.

Pesquisadores usaram ferramentas não destrutivas, como fluorescência de raios X portátil e microscopia eletrônica, para analisar o esmalte dental. Os resultados revelaram compostos de ferro e enxofre, indicando o uso intencional de sais de ferro para criar pigmentos negros duradouros.

Essa química complexa combina ingredientes à base de ferro com materiais vegetais ricos em taninos, como noz de bétele e casca de romã. Quando os ácidos tânicos interagem com íons de ferro, formam compostos escuros estáveis, semelhantes aos usados em tintas de ferro-gálico resistentes ao tempo.

Embora o hábito de mascar noz de bétele também possa escurecer os dentes, os pesquisadores conseguiram diferenciar manchas alimentares de pigmentação deliberada. Para isso, recriaram a mistura ancestral e aplicaram-na em dentes modernos, obtendo resultados químicos idênticos aos encontrados nos restos antigos.

A prática de tingir os dentes pode ter sido uma forma de expressão cultural e identidade entre as comunidades conectadas da época. Estudos indicam que até 40% dos indivíduos em alguns locais do complexo Dong Son apresentavam dentes escurecidos, sugerindo uma adesão significativa ao costume.

A pesquisa levanta questões sobre as razões originais para essa escolha estética, que podem incluir substituição de práticas mais invasivas ou a valorização de tons associados ao uso de bétele. Além disso, o uso de minerais e plantas locais destaca uma conexão ambiental e cultural com os recursos disponíveis.

O estudo, publicado na revista Archaeological and Anthropological Sciences, oferece um vislumbre fascinante sobre a relação entre química, estética e identidade na antiguidade.


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