Deputadas federais do PSOL anunciaram medidas legais contra a operação da Polícia Militar na Universidade de São Paulo, classificando a ação como truculenta e ilegal por desrespeitar o direito constitucional ao protesto.
Erika Hilton informou que acionará a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo para responsabilizar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Militar e a reitoria da USP. A deputada afirmou que a operação foi marcada por violência desnecessária e resultou na detenção de quatro estudantes que exerciam seu direito de protesto.
Sâmia Bomfim levará o caso à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público. A deputada destacou que a tropa de choque utilizou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes contra os estudantes, provocando ferimentos e detenções.
Os estudantes ocupavam a reitoria da USP desde a última quinta-feira para reivindicar melhorias nas políticas de permanência estudantil, como moradia e alimentação. Segundo o Diretório Central dos Estudantes, a ação policial ocorreu por volta das 4h15, sem decisão judicial de reintegração de posse, e a universidade colaborou ao cortar água e energia desde a sexta-feira.
A USP comunicou a ocupação à Secretaria de Segurança Pública no dia 7 de maio, mas negou ter sido informada previamente pela Polícia Militar sobre a desocupação. A reitoria alegou que tentou dialogar com os estudantes, embora as negociações tenham chegado a um impasse diante de demandas consideradas fora de seu alcance administrativo.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo declarou que investigará denúncias de excessos cometidos durante a operação. Cerca de 50 agentes participaram da ação, e quatro pessoas foram levadas ao 7º Distrito Policial, onde prestaram depoimento e foram liberadas em seguida.
Erika Hilton questionou a versão da USP e apontou evidências de que a universidade teria articulado a operação com a Polícia Militar desde a sexta-feira anterior, inclusive com o corte de serviços essenciais. Para as deputadas do PSOL, a repressão violenta revela uma postura autoritária tanto do governo estadual quanto da administração universitária.
A mobilização estudantil na USP reacende o debate sobre as condições de permanência na educação pública superior e o papel das forças de segurança em manifestações sociais. O caso segue em investigação, com desdobramentos esperados nos âmbitos judicial e político.
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