Pesquisadores da Universidade da Califórnia Riverside desenvolveram um modelo que estabelece o tamanho mínimo para exoplanetas sustentarem condições habitáveis.
O estudo conclui que corpos celestes com menos de 0,8 vezes o raio da Terra falham em reter uma atmosfera por tempo suficiente para a vida se desenvolver. O modelo foi denominado Smaller Than Earth Habitability Model, ou STEHM.
Dois elementos centrais determinam a habitabilidade planetária segundo o STEHM. A gravidade e o resfriamento interno definem se um mundo pode manter sua envoltória gasosa por bilhões de anos.
Planetas menores exibem gravidade fraca que permite o escape de partículas atmosféricas para o espaço. Seu interior também esfria mais depressa, impedindo o vulcanismo prolongado essencial à reposição da atmosfera.
Os autores simularam mundos com crosta sólida contínua e atmosfera baseada em dióxido de carbono, que auxilia na retenção graças ao peso molecular. Os cálculos revelam que exoplanetas a partir de 0,8 do raio terrestre preservam a atmosfera durante eras geológicas.
Já os com 0,7 vezes o tamanho ou inferiores perdem o envoltório gasoso de forma acelerada sob radiação ultravioleta extrema das estrelas hospedeiras. A pesquisadora Michelle L. Hill comandou o estudo, publicado no arXiv.
Hill enfatiza que as buscas por vida extraterrestre devem priorizar exoplanetas que superem esse limiar de tamanho. Exceções para planetas menores são possíveis, porém extremamente raras.
Condições como um grande orçamento de carbono, um núcleo pequeno que retém gases ou um início frio do planeta podem estender a vida atmosférica. Essas combinações específicas, no entanto, raramente ocorrem conforme demonstrado pelas simulações.
Conforme o portal Phys.org, a maior parte dos planetas abaixo do limite consiste em rochas estéreis sem qualquer atmosfera. Essa constatação orienta os astrônomos a descartarem alvos com baixo potencial de habitabilidade.
A nova métrica oferece uma ferramenta prática para alocar melhor os recursos de telescópios e missões espaciais. Cientistas podem concentrar esforços em candidatos mais viáveis para detecção de biossinaturas.
O estudo reforça a utilidade de modelos computacionais na astrobiologia contemporânea. Ele amplia o entendimento sobre os parâmetros físicos que permitem a existência de vida fora do sistema solar.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!