O consórcio HPH avança na construção da Linha 3 do Metrô do Panamá, que já alcança 81% de conclusão geral. Os testes operacionais ocorrem no trecho elevado que liga Patio y Talleres a Ciudad del Futuro.
A linha completa mede 25 quilômetros e possui 14 estações ao longo do percurso. Ela conectará o terminal Albrook da Linha 1 à região de Ciudad del Futuro, a oeste da capital.
O trecho subterrâneo de 5,3 quilômetros entre Albrook e Panamá Pacífico registra 42% de execução. A travessia sob o Canal do Panamá atingiu 53% de progresso.
O projeto foi concedido em fevereiro de 2020 ao consórcio HPH, integrado pelas empresas Hyundai Engineering and Construction, POSCO e Hyundai Engineering Co. O valor total do contrato principal é de 2,5 bilhões de dólares.
Um contrato suplementar de 883 milhões de dólares foi firmado com a Hitachi Ltd, a Hitachi Rail STS e a Mitsubishi Corp. Essas companhias são responsáveis pelo fornecimento dos trens e de todos os sistemas ferroviários.
A Hitachi Ltd entregará 28 trens com seis carros cada, junto com sistemas de sinalização, telecomunicações, suprimento de energia, portas de plataforma e equipamentos de manutenção. A empresa ainda implementa o sistema B-CHOP de armazenamento de energia, que recupera a eletricidade gerada durante a frenagem.
A Mitsubishi Corp cuida da gestão geral do projeto conforme definido no acordo. A inauguração da Linha 3 está prevista para 2028.
Uma segunda fase foi planejada para estender a linha de Ciudad del Futuro até a cidade de La Chorrera. A ampliação vai melhorar a mobilidade para milhares de usuários na região oeste do Panamá.
O consórcio mantém o cronograma previsto para a nova linha. Mais informações podem ser consultadas no portal oficial do Metrô do Panamá.
Com informações de RAILWAYGAZETTE.
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Major Ricardo Silva
12/05/2026
81% e testes em andamento? Enquanto isso, no Brasil, obras públicas viram cabide de emprego pra militância do PCdoB. Panamá tá mostrando que com gestão séria e sem essa palhaçada de ideologia de gênero dá pra entregar resultado.
Mariana Oliveira
12/05/2026
Major Ricardo, permita-me tensionar seu raciocínio por um ângulo que talvez não esteja no seu radar. Quando você diz que o Panamá entrega resultado “sem essa palhaçada de ideologia de gênero”, está operando com uma premissa que a teoria crítica urbana já demonstrou ser falsa: a de que infraestrutura é um campo neutro, meramente técnico. Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade nos anos 1980-90, mostrou que as políticas públicas — inclusive obras de transporte — nunca afetam todos os corpos da mesma forma. Um metrô que ignora as necessidades específicas de mulheres que carregam crianças, de pessoas negras que moram em bairros periféricos ou de trabalhadores informais que precisam de múltiplas conexões não é “gestão séria”; é um planejamento cego ao seu próprio contexto social.
O nó da questão é que você está contrastando duas realidades que não são excludentes. O Panamá ter 81% de conclusão não prova que o Brasil deveria abandonar políticas de gênero para ser eficiente; prova, no máximo, que regimes autoritários de centro-direita conseguem acelerar obras à custa de participação democrática e transparência. bell hooks, em “O Feminismo é para Todo Mundo”, lembra que a verdadeira eficiência não se mede só por cronogramas, mas por quem é incluído no processo decisório. Um metrô construído sem ouvir mulheres sobre iluminação em estações, sem rampas para cadeirantes e sem pensar em assédio nos vagões não é “sério” — é excludente, e essa exclusão tem custos sociais que aparecem depois em violência, evasão escolar e precarização do trabalho feminino.
O Brasil tem problemas gravíssimos de corrupção e clientelismo em obras públicas, e isso precisa ser combatido com controle social e transparência, não com silenciamento de pautas identitárias. Achar que “ideologia de gênero” atrapalha a entrega de metrôs é como achar que a presença de mulheres engenheiras diminui a resistência do concreto. Estudos do Banco Mundial e da própria ONU Mulheres indicam que projetos de infraestrutura com perspectiva de gênero têm maior adesão comunitária, menos retrabalho e maior durabilidade, justamente porque consideram variáveis que o planejamento tecnocrático ignora. O Panamá pode ter concluído 81% da Linha 3, mas a pergunta que fica é: esses 81% atendem igualmente a mães que deslocam três conduções por dia, a trabalhadoras domésticas que precisam chegar antes das 6h, a meninas que deixam a escola por medo de assédio no trajeto? Se a resposta for não, então “gestão séria” virou propaganda de quem acha que democracia atrapalha obra. E obra sem democracia não é progresso — é apenas concreto sobre desigualdade.
Bia Carioca
12/05/2026
Major Ricardo, você mistura alhos com bugalhos: a corrupção no Brasil é fruto de falta de controle público e lobby privado, não de debate sobre gênero. Comparar gestão de obra com pauta identitária é cortina de fumaça pra não encarar que o Panamá avançou porque tratou mobilidade como direito, não como cabide eleitoral da direita.
Adalberto Livre
12/05/2026
ESSE METRÔ SÓ SERVE PRA ENCHER O BOLSO DOS COMUNISTA, 81% É MENTIRA!!!
Letícia Fernandes
12/05/2026
Adalberto, a raiva que transborda em suas maiúsculas não é sobre o metrô, é sobre a angústia de quem intui que o mundo material escapa ao seu controle. Quando você grita que 81% é mentira, está na verdade denunciando o fetichismo da mercadoria: os números, as obras de concreto, os testes em andamento — tudo isso parece um fetiche burguês que você não consegue decifrar. O metrô do Panamá, como qualquer grande infraestrutura sob o capitalismo tardio, é ao mesmo tempo uma conquista das forças produtivas e um palco da luta de classes. A engenharia segue sua lógica objetiva (afinal, trens ou andam ou não andam), mas o discurso que a envolve é sempre atravessado pela ideologia. A acusação de que “comunistas” estão enchendo os bolsos com metrôs é uma projeção clássica: a direita, incapaz de criticar a acumulação privada, desloca o conflito para um suposto complô estatal, como se a corrupção não fosse um sintoma estrutural do capital, e não um desvio de “esquerdistas”.
O que você chama de “bolso dos comunistas” é, na verdade, o circuito de mais-valia que passa por empreiteiras, bancos multilaterais e governos — todos operando dentro da mesma lógica de valorização do capital. Um metrô no Panamá não serve para “encher o bolso” de ninguém ideologicamente identificado; serve para encurtar o tempo de deslocamento da força de trabalho, aumentar a taxa de exploração e, de quebra, gerar dividendos para acionistas. Se há desvio ou superfaturamento, isso é regra do jogo, não exceção. Sua fúria, no entanto, é sintoma de uma consciência que se sente impotente diante da complexidade técnica e econômica, e por isso recorre ao espantalho vermelho. É a mesma pena que sinto ao ver um paciente projetar no outro aquilo que não pode elaborar em si.
Permita-me um exercício dialético: se o metrô fosse mesmo uma obra “comunista”, ele seria gratuito, gerido por conselhos populares e integrado a um plano de desmercantilização do transporte. Ora, não é isso que vemos. O que vemos são PPPs, financiamento privado, tarifas que extraem renda dos trabalhadores panamenhos. O progresso dos 81% é real — as vigas, os trilhos, as estações —, mas a forma social desse progresso permanece burguesa. Você, ao negar o dado concreto (81%), termina por negar a própria materialidade da obra, caindo num idealismo reacionário que nada mais faz do que confirmar sua impotência. A esquerda, ao contrário, não nega o metrô: quer disputar seu sentido, sua gestão, sua finalidade. Enquanto você berra contra moinhos de vento, os trens continuam a ser testados. O real não se importa com seus afetos.