Menu

Irã avisa que pode enriquecer urânio a 90% se sofrer novo ataque

8 Comentários🗣️🔥 Mísseis iranianos são exibidos com bandeiras do Irã ao fundo. (Foto: actualidad.rt.com) A República Islâmica do Irã sinalizou que pode elevar o enriquecimento de urânio ao nível de 90% de pureza — limiar considerado apto para uso em armas nucleares — caso seja novamente alvo de ataques militares. O aviso partiu de Ebrahim […]

8 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Mísseis iranianos são exibidos com bandeiras do Irã ao fundo. (Foto: actualidad.rt.com)

A República Islâmica do Irã sinalizou que pode elevar o enriquecimento de urânio ao nível de 90% de pureza — limiar considerado apto para uso em armas nucleares — caso seja novamente alvo de ataques militares.

O aviso partiu de Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Parlamento iraniano, em publicação na rede social X. ‘Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de urânio a 90%. Vamos analisar isso no parlamento’, escreveu Rezaei.

A declaração representa uma mudança de tom relevante em meio ao agravamento das tensões com Washington e Tel Aviv, que conduziram ataques contra território iraniano em 2025. O contexto diplomático em que a advertência emerge é de extrema instabilidade.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo com o Irã está ‘em suporte vital massivo’, estimando em apenas 1% as chances de que a trégua se sustente. ‘Eu diria que o cessar-fogo está em suporte vital, onde o médico entra e diz: senhor, seu ente querido tem aproximadamente 1% de chance de sobreviver’, declarou Trump.

Trump foi ainda mais incisivo ao comentar a proposta iraniana para um acordo de paz. O presidente americano classificou a proposta como ‘um pedaço de lixo’ e afirmou que nem sequer terminou de lê-la, descartando qualquer saída negociada que preserve o programa nuclear iraniano.

Antes dos ataques de 2025, estimava-se que o Irã dispunha de mais de 400 quilogramas de urânio enriquecido a 60% de pureza, além de quase 200 quilogramas de material com nível de enriquecimento próximo a 20%. Especialistas em não-proliferação nuclear apontam que esse patamar pode ser elevado a grau bélico com relativa facilidade, tornando os estoques iranianos um elemento central nas negociações.

A sinalização de Rezaei deve ser lida como instrumento de dissuasão: o Irã comunica que qualquer nova agressão terá custos estratégicos crescentes para os países envolvidos. Teerã não anunciou uma decisão tomada, mas sim uma opção que o parlamento se dispõe a debater caso o cenário de ataques se repita.

Washington não descartou a possibilidade de uma operação terrestre caso o Irã não renuncie às suas reservas de urânio enriquecido. A exigência americana — que Teerã abandone o resultado de décadas de desenvolvimento tecnológico soberano como condição para a paz — é rejeitada pelo governo iraniano como incompatível com sua soberania nacional.

O impasse atual expõe a contradição central das negociações: Washington afirma querer um acordo enquanto rejeita qualquer proposta que não implique o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano. O Irã, por sua vez, mantém que não abrirá mão de suas capacidades de enriquecimento — e que cada novo ataque terá uma resposta proporcional à escala da agressão.

Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.


Leia também: Irã avisa que agressores ficarão surpresos com a escala da resposta militar


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Capitão Tavares 🇧🇷

12/05/2026

O Irã dá show de força, ameaça enriquecer a 90%, e o Brasil fica nessa palhaçada de STF perseguindo patriota e desarmando o cidadão de bem. Enquanto o Planalto brinca de geopolítica com tirano, as Forças Armadas deviam é intervir antes que vire bagunça generalizada. País entregue a verme e mulçumano radical, falta vergonha na cara e um cabo de guerra pra botar ordem no galinheiro.

    Mariana Alves

    12/05/2026

    Caro Capitão Tavares, seu comentário revela um diagnóstico tão explosivo quanto equivocado. A ameaça iraniana de enriquecer a 90% não é “show de força” de um tirano qualquer — é a resposta previsível de um Estado que vive sob cerco militar e econômico permanente, cercado por bases americanas, bombardeios israelenses e violações constantes de sua soberania. Ao transferir a raiva para o STF e para a suposta “perseguição a patriotas”, você opera um deslocamento ideológico clássico: projeta no inimigo externo o que não consegue enfrentar no debate interno. E, pior, pede intervenção militar num país cuja última experiência ditatorial deixou 20 mil mortos, hiperinflação e dívida externa recorde — algo que qualquer manual de história elementar desmente.

    Quando você afirma que “as Forças Armadas deviam intervir antes que vire bagunça generalizada”, está repetindo, com outros termos, a mesma lógica que o Irã denuncia: a de que a força bruta e a suspensão do direito podem resolver contradições políticas. A diferença é que Teerã ao menos tem a coerência de não esconder seu programa nuclear atrás de discursos de “ordem e progresso”. O Brasil, graças a uma Constituição de 1988 que custou décadas de luta democrática, ainda vive sob um regime civil — e é justamente essa arquitetura institucional (STF, Congresso, imprensa, eleições) que impede que interesses golpistas transformem o país num protetorado de potências nucleares. Querer “um cabo de guerra pra botar ordem no galinheiro” não é patriotismo; é a nostalgia obscena de quem nunca sentiu na pele a bota da ditadura.

    Por fim, a xenofobia contra “mulçumano radical” revela um desconhecimento profundo da geopolítica do Oriente Médio. O Irã não é uma abstração religiosa; é um país com 85 milhões de habitantes, uma das civilizações mais antigas do mundo, e que reage objetivamente às sanções unilaterais impostas pelos EUA desde 1979. Se o Brasil quer ter alguma relevância geopolítica — e eu, como marxista, acho que deveria romper com a subordinação ao capital financeiro internacional —, precisa tratar o Irã como Estado soberano, não como personagem de filme de ação. O seu chamado à intervenção militar, se levado a sério, colocaria o Brasil ao lado de Israel e da Otan na perpetuação da guerra infinita. E guerra infinita, meu caro, só aprofunda o abismo entre a minoria que lucra com armas e a maioria que morre por falta de arroz.

Cíntia Ribeiro

12/05/2026

O interessante é que esse tipo de sinalização do Irã segue uma lógica de dissuasão clássica: ao anunciar capacidade de escalada extrema, Teerã tenta justamente evitar o ataque que diz temer. O problema, como a Mariana bem apontou, é que o regime de não-proliferação sempre operou com dois pesos e duas medidas, e o Irã aprendeu a jogar esse jogo. Mas quando um Estado com baixa transparência institucional brinca com o limiar dos 90%, a margem para erro de cálculo fica perigosamente estreita.

Mariana Ambiental

12/05/2026

Que piada. Enquanto isso, Israel já tem bomba atômica sem assinar o TNP, e os EUA fazem guerra todo santo dia. Mas o problema é o Irã enriquecer? Essa narrativa só serve pra justificar mais sanções e bombardeio, enquanto o agro tóxico e o desmatamento seguem de boa.

Gabriel Teen

12/05/2026

Quem diria que o Irã tava guardando o “pó de café turbo” pra hora do aperto, e a gente aqui discutindo se o Lula vai resolver o preço do arroz.

João Batista

12/05/2026

Que tristeza ver nações inteiras se afastando do temor a Deus e ameaçando com armas de destruição em massa. Só o Evangelho pode trazer verdadeira paz, não acordos políticos baseados no medo. Enquanto a esquerda brasileira defende regimes autoritários como o Irã, esquece que a Bíblia nos adverte: “A soberba precede a ruína” (Provérbios 16:18).

    João Augusto

    12/05/2026

    João Batista, o problema é que sua crítica opera no mesmo registro teológico-político que a ameaça iraniana: ambos sacralizam a violência como instrumento da verdade. Walter Benjamin, nos fragmentos sobre a crítica da violência, já apontava que o direito natural e o direito positivo são faces da mesma engrenagem de dominação — e o apelo ao Evangelho como solução para conflitos geopolíticos não escapa dessa dialética, apenas a reveste de aura divina.

    Paulo Ribeiro

    12/05/2026

    Caro João Batista, sua consternação com a ameaça de enriquecimento a 90% é compreensível, mas a moldura teológica que você propõe — paz como fruto exclusivo do Evangelho, e o Irã como mero regime autoritário apoiado pela esquerda — ignora a materialidade histórica das relações de poder. Gramsci já nos ensinava que a hegemonia não se sustenta apenas pela força, mas pelo consenso e pela direção moral e intelectual. Quando você atribui a paz a um princípio transcendental, desloca o debate do terreno concreto das disputas imperialistas para um campo metafísico que, convenhamos, a história dos Estados nacionais — inclusive os cristãos — nunca respeitou. O próprio Irã que você critica foi desestabilizado por décadas de intervenção estrangeira, do golpe de 1953 contra Mossadegh ao apoio de Saddam Hussein na guerra dos anos 1980. A ameaça nuclear não nasce de uma suposta “soberba” teológica iraniana, mas de um cálculo geopolítico defensivo de quem vê o vizinho Israel — potência nuclear não signatária do TNP — destruir infraestrutura de países da região sem qualquer sanção efetiva. A esquerda brasileira, longe de “defender regimes autoritários”, reconhece que o direito à autodeterminação dos povos não se extingue quando um governo se torna incômodo ao Ocidente. É o mesmo princípio anticolonial que Mariátegui defendia ao articular a luta dos camponeses andinos com a crítica ao imperialismo: sem soberania econômica, não há paz possível.

    Você cita Provérbios 16:18 como advertência ao Irã, mas talvez devêssemos aplicá-lo também às potências que acumulam os maiores arsenais nucleares da história — os EUA com mais de cinco mil ogivas, a Rússia, a China, a França, o Reino Unido. Por que a soberba precede a ruína apenas para uns e não para outros? Althusser, ao analisar os Aparelhos Ideológicos de Estado, mostrou como a moral religiosa frequentemente opera para naturalizar a hierarquia internacional: o “temor a Deus” vira instrumento de submissão às ordens estabelecidas, enquanto a violência dos fortes é silenciada como “defesa da civilização cristã”. Se o Evangelho é a única via para a paz verdadeira, como você afirma, por que as nações que mais se proclamam cristãs são justamente as que mais produzem e comercializam armas? A paz bíblica que você invoca não se realiza no vazio das instituições; ela exige justiça distributiva, reparação histórica e desarmamento unilateral das potências que hoje ditam as regras. Enquanto o Irã for tratado como pária por ousar desenvolver tecnologia que o Ocidente já domina, estaremos apenas repetindo o ciclo que Walter Benjamin, na esteira do que João Augusto lembrou, chamou de violência mítica: aquela que funda e preserva o direito dos vencedores.

    Sugiro que você leia a encíclica Pacem in Terris, de João XXIII, que compreende a paz como “obra da justiça” e não como dádiva divina descolada das condições materiais. Ou, se quiser um autor marxista, o próprio Ernst Bloch, em O Princípio Esperança, que dialoga com a tradição profética judaico-cristã para defender uma utopia concreta, não mística. A esquerda brasileira que você acusa de esquecer a Bíblia pode não usar seus versículos, mas certamente não esquece que o imperialismo também crucifica — e o faz com a bênção silenciosa de quem confunde a teologia da libertação com regimes autoritários. O Irã não é uma democracia, e isso merece crítica de todos os lados, mas reduzir a complexidade do Oriente Médio a um confronto entre “o bem evangelizado” e “o mal teocrático” é repetir o manual do colonialismo que, sob a cruz e a espada, já dizimou populações inteiras em nome de Deus.


Leia mais

Recentes

Recentes