O governo federal abriu o prazo para que estudantes endividados com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) renegociem seus contratos com descontos que podem chegar a 99% do valor total da dívida. A medida, batizada de Desenrola Fies, integra o Novo Desenrola Brasil e deve beneficiar mais de 1 milhão de pessoas.
Segundo o Ministério da Educação, podem participar da renegociação todos os estudantes que firmaram contrato com o Fies até 2017 e que estavam na fase de amortização em 4 de maio de 2026. O prazo para adesão vai até 31 de dezembro deste ano.
Os descontos variam conforme o perfil do devedor. Para os inadimplentes, os abatimentos podem alcançar os 99% anunciados pelo Ministério. Já para quem está em dia com os pagamentos e deseja quitar o saldo total antecipadamente, o governo oferece desconto de 12% sobre o valor restante.
A renegociação pode ser feita exclusivamente pelos canais digitais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil — as duas instituições que operam os contratos do Fies. Conforme noticiou o portal Metrópoles, o processo começa pelo acesso ao aplicativo do banco onde o contrato foi firmado, seguido da seleção da modalidade de renegociação disponível para o perfil do estudante.
Após aceitar eletronicamente o termo aditivo, o estudante deve gerar o boleto ou autorizar o débito da parcela de entrada diretamente pelo aplicativo para confirmar a adesão. Caso haja fiadores vinculados ao contrato, o próprio sistema indicará os passos necessários para incluí-los no processo.
Um dos pontos mais relevantes da medida é o efeito automático sobre o nome do devedor nos cadastros de inadimplentes. Após a confirmação do pagamento da entrada, tanto o estudante quanto os fiadores têm seus nomes retirados dos registros de inadimplência de forma imediata, sem necessidade de ação adicional.
O Desenrola Fies representa uma das iniciativas mais abrangentes de alívio de dívida educacional já lançadas no país. O Fies foi criado para democratizar o acesso ao ensino superior privado, mas acumulou uma carteira expressiva de inadimplência ao longo dos anos, especialmente entre estudantes que firmaram contratos antes das reformas de 2017.
A inclusão do programa no guarda-chuva do Novo Desenrola Brasil sinaliza que o governo trata o endividamento estudantil como questão de política pública estrutural, e não como problema individual de cada devedor. Com mais de 1 milhão de contratos elegíveis, o impacto potencial sobre a economia doméstica é significativo. Famílias que saem da inadimplência recuperam acesso a crédito, podem retomar projetos e voltam a circular renda na economia real.
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Luizinho 16
13/05/2026
Ana Paula Conserva, vai estudar um pouco de sociologia antes de falar merda. 99% de desconto é o mínimo que o Estado deve pra quem foi enganado pelo Fies enquanto o ensino privado lucrava bilhões.
Ana Paula Conserva
13/05/2026
João Batista tem toda razão. Onde já se viu perdoar 99% de uma dívida? Isso é um absurdo e ensina os jovens a não terem responsabilidade. A educação começa em casa, com valores cristãos e compromisso. O governo deveria incentivar a honra e o trabalho, não dar esmolas com o dinheiro suado do contribuinte.
Julia Andrade
13/05/2026
Ana Paula, seu comentário me faz pensar em como certos discursos morais sobre “honra” e “responsabilidade” são mobilizados de forma seletiva quando o assunto é dívida de pobre. O Fies não é um empréstimo bancário comum, é um fundo público criado justamente para democratizar o acesso ao ensino superior num país onde a universidade sempre foi privilégio de elite. A taxa de juros real do contrato original já era alta, mas o problema se agravou quando o governo anterior, por opção política, parou de renegociar e deixou que os juros compostos transformassem dívidas de R$ 5 mil em passivos de R$ 50 mil. Isso não é “falta de valores cristãos”, é usura institucionalizada.
Você fala em “ensinar responsabilidade”, mas qual é a responsabilidade de um estudante que se formou, muitas vezes não conseguiu emprego na área por causa da precarização do mercado de trabalho brasileiro, e viu sua dívida crescer 400% ao ano? O jovem de periferia que fez Fies para ser o primeiro da família a ter diploma não estava fazendo um “mau negócio” por irresponsabilidade — estava apostando numa promessa de mobilidade social que o Estado brasileiro historicamente nunca cumpriu plenamente. Perdoar 99% de multas e juros não é “dar esmola”, é reconhecer que o próprio desenho do programa, com correção monetária abusiva e falta de renegociação sistemática, criou uma armadilha de endividamento perpétuo. A dívida real, o valor principal do financiamento, continua sendo paga.
E sobre essa ideia de que “educação começa em casa com valores cristãos”: o cristianismo que eu estudo tem uma tradição fortíssima de perdão de dívidas como princípio de justiça restaurativa. O Ano do Jubileu descrito em Levítico previa a remissão de dívidas e a devolução de terras justamente para evitar que desigualdades se perpetuassem por gerações. Talvez o problema não seja o perdão em si, mas quem é digno de recebê-lo no imaginário conservador: grandes empresários e bancos podem ser socorridos com bilhões sem questionamento moral, mas um estudante negro da Baixada Fluminense que tentou estudar é tratado como aproveitador. O “dinheiro suado do contribuinte” financia todo tipo de subsídio e renúncia fiscal — a questão é para quem ele é suado e para quem ele é generoso.
marcone santos
13/05/2026
a negociaçao ja foi suspensa: A Renegociação está suspensa e aguarda a regulamentação das novas condições pelo Comitê Gestor do FIES, em razão da conversão da Medida Provisória 1.090/21 em Lei.
Esclarecemos que as solicitações de renegociação finalizadas e com primeiro boleto de adesão pago até a data de vencimento, terão as condições mantidas.
Na regulamentação do CG-FIES será informada a data de liberação para novas renegociações.
Karina Libertária
13/05/2026
Ah, Clarice, querida, vc realmente acredita nesse papo de “corrigir distorção”? 99% de desconto é simplesmente jogar dinheiro fora, um absurdo. Quem não consegue pagar um financiamento estudantil deveria ter pensado duas vezes antes de fazer a dívida. Aqui em Miami a gente aprende que investimento tem que ter retorno, não esmola. Brasil é o país do jeitinho, sempre dando desconto pra quem não se planeja.
Mariana Alves
13/05/2026
Karina, seu comentário revela uma compreensão bastante superficial do que é o Fies e do papel social de um fundo público de financiamento estudantil. Você parte de um pressuposto liberal clássico — o de que o indivíduo é um átomo isolado que faz escolhas racionais num mercado perfeito — e aplica essa lógica a um programa que foi deliberadamente desenhado para corrigir desigualdades estruturais de acesso ao ensino superior. Dizer que “quem não consegue pagar deveria ter pensado duas vezes” ignora que a maioria dos contratos do Fies foi assinada por jovens de famílias com renda de até 1,5 salário mínimo, que não tinham nenhuma outra alternativa de financiamento bancário privado — porque os bancos, ao contrário do Estado, não operam com taxas subsidiadas nem aceitam risco de crédito tão alto. A “escolha” desses estudantes não foi entre Fies e um plano de pagamento mais vantajoso; foi entre fazer um curso superior com dívida futura ou simplesmente não fazer. Essa é a famosa “liberdade de escolha” do neoliberalismo: a liberdade de quem já está encurralado.
A sua referência a Miami e ao suposto mérito americano é particularmente reveladora. Nos Estados Unidos, a dívida estudantil ultrapassa 1,7 trilhão de dólares e é a segunda maior categoria de endividamento das famílias, atrás apenas de hipotecas. Lá, o governo também faz perdões parciais — o programa de perdão de empréstimos para servidores públicos (PSLF) já perdoou bilhões, e o atual governo Biden aprovou descontos de até 20 mil dólares por mutuário. Ou seja, até no “país do mérito” o Estado intervém para evitar que uma geração inteira fique financeiramente inviabilizada. O que o Brasil está fazendo com o Desenrola Fies não é “jeitinho”, é a mesma lógica de política pública que países centrais adotam: quando o desenho original do programa gerou inadimplência massiva — 1,2 milhão de contratos —, o Estado corrige a rota para não perder o investimento social já feito. Perdoar 99% de multas e juros não significa perdoar o principal da dívida; significa reconhecer que o sistema de juros compostos do Fies era usurário e impedia qualquer possibilidade de pagamento.
E aqui entramos no ponto central que você e João Batista Alves parecem ignorar: o dinheiro do Fies não é “esmola” nem “dinheiro do contribuinte” jogado fora. Ele é um investimento público em capital humano que retorna para a sociedade na forma de maior arrecadação tributária futura, menor dependência de programas assistenciais e aumento da produtividade econômica. Cada estudante que se forma e entra no mercado de trabalho formal paga mais impostos do que pagaria se tivesse ficado sem diploma. Estudos do Ipea mostram que o retorno fiscal do Fies é positivo no médio prazo. O que o Desenrola faz é justamente evitar que esse investimento se perca por completo: se o estudante continua inadimplente, o Estado não recebe nada; se ele paga o principal com desconto nos juros, o Estado recupera ao menos parte do valor e ainda mantém o benefício social do diploma. Não é “jogar dinheiro fora” — é recuperar o que pode ser recuperado, em vez de insistir numa cobrança irrealista que só gera litígios e mais inadimplência.
Por fim, Karina, acho curioso que você, que se autodenomina “libertária”, defenda tão ardentemente a punição de quem não conseguiu pagar uma dívida contraída num sistema com juros que beiram a usura. O libertarianismo clássico, de Hayek a Friedman, sempre defendeu contratos livres e transparentes — não contratos em que uma das partes (o banco gestor do Fies) opera com informações assimétricas e taxas que tornam a quitação impossível para a maioria dos tomadores. Se o mercado fosse realmente eficiente, como seus colegas de Miami gostam de pregar, os juros do Fies nunca teriam chegado a 400% ao ano. Esse número não reflete risco real de crédito; reflete a captura do fundo por interesses bancários que lucravam com a inadimplência. O Desenrola Fies, nesse sentido, é uma medida corretiva de um mercado que falhou — e falhou por desenho, não por acaso. O “jeitinho” brasileiro, se existe, está muito mais nos contratos leoninos que foram assinados do que na tentativa do Estado de consertar o estrago.
João Batista Alves
13/05/2026
Amém, mais uma esmola do governo com o dinheiro do contribuinte! Onde já se viu perdoar 99% de uma dívida? Isso não é incentivo à educação, é ensinar o jovem a não honrar seus compromissos. Cadê a responsabilidade e o temor a Deus nessa história?
Clarice Historiadora
13/05/2026
João, temor a Deus e responsabilidade fiscal são coisas distintas. O Fies tem juros que chegam a 400% ao ano, e o governo anterior deixou 1,2 milhão de estudantes inadimplentes justamente por não renegociar. Perdoar 99% de multas e juros não é esmola, é corrigir uma distorção criada por um sistema que transformou educação em produto bancário.