Os ataques de Israel no sul do Líbano seguem gerando preocupação internacional pelo alto número de vítimas civis. Entre as vítimas estão jornalistas e socorristas, cujas mortes levantam questões sobre possíveis crimes de guerra.
Desde outubro de 2023, mais de 21 jornalistas e 330 socorristas foram mortos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e autoridades libanesas. A tática de ataques sucessivos, que alveja equipes de resgate, tem sido amplamente documentada na região.
Em abril, uma ambulância do Comitê Sanitário Islâmico foi atingida em Mayfadoun durante um segundo ataque enquanto socorria vítimas. O incidente resultou na morte de quatro socorristas e ferimentos em outros seis, conforme relato de Mohammad Souleymane, chefe dos socorristas de Nabatieh.
Souleymane denunciou que as forças israelenses adotaram essa prática como método sistemático. A estratégia, que consiste em bombardear alvos e depois atacar socorristas, foi comparada por Guillaume Ancel, ex-oficial francês, a táticas usadas pelos EUA no Afeganistão e pela Rússia na Síria e Ucrânia.
Outro caso ocorreu em Beit Yahoun, onde um veículo da Cruz Vermelha Libanesa foi atingido, matando o socorrista Hassan Badawi. A Cruz Vermelha havia comunicado previamente a missão à Força Interina da ONU no Líbano, mas Israel alegou que o alvo era um membro do Hezbollah, sem apresentar provas.
A jornalista Amal Khalil, do jornal al-Akhbar, foi morta em al-Tiri durante um ataque duplo. Khalil e sua colega Zeinab Faraj foram atingidas enquanto se abrigavam em uma casa abandonada, evidenciando os riscos enfrentados por profissionais de imprensa na região.
A morte de Khalil reforçou a indignação internacional com as operações israelenses. Pelo menos 19 civis foram mortos em ataques sucessivos nos últimos dois meses e meio, segundo registros locais.
Israel alega que suas operações seguem o direito internacional, mas a comunidade global questiona a legitimidade de ações que resultam em tantas vítimas civis. Para mais informações, acesse a reportagem no portal da RFI.
Leia também: Bombardeios israelenses matam seis no sul do Líbano apesar de cessar-fogo
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Pedro Neto
16/05/2026
Vai pra Cuba, jornalista comunista!
Ricardo Almeida
16/05/2026
Pedro, mandar alguém pra Cuba como xingamento é um atalho mental preguiçoso: não refuta o fato de que jornalistas mortos continuam mortos independente da ideologia que você projeta neles. O problema não é se a vítima é comunista ou não, é que você precisa desumanizar alguém pra justificar o silêncio cômodo.
Marina Silva
16/05/2026
Pedro, Cuba não é desculpa pra genocídio, amigão.
Zé do Povo
16/05/2026
MORREU PORQUE ERA COMUNISTA! ISRAEL ESTÁ LIMPANDO O MUNDO! 😡🔥🇮🇱 VOLTA MILITAR JÁ!
Alice T.
16/05/2026
Zé, jornalista não morre por ser comunista, morre porque estava cobrindo um genocídio em tempo real enquanto você aplaude de casa. Israel já matou mais de 100 jornalistas em Gaza e no sul do Líbano — dados do CPJ — e nenhum deles tava portando fuzil, só câmera e caderno. Passa vergonha na internet não, amigão.
Paulo Ribeiro
16/05/2026
Zé do Povo, seu comentário carrega uma simplificação brutal que a própria realidade trata de desmentir. Não se trata de “comunismo” ou “limpeza”, mas de algo que o filósofo Achille Mbembe conceituou como necropolítica — a gestão calculada de quem pode viver e quem deve morrer. Quando Israel bombardeia ambulâncias e equipes de reportagem identificadas, não está “limpando” ideologias; está eliminando testemunhas. O jornalista não morre por sua filiação partidária, morre porque sua câmera é o último obstáculo entre o bombardeio e o esquecimento. O Estado de Israel sabe disso: desde 2001, a ONU já aprovou dezenas de resoluções condenando a violência contra jornalistas em zonas de conflito, e Tel Aviv simplesmente as ignora, amparada pelo veto dos EUA no Conselho de Segurança. Não há “limpeza” de comunistas — há eliminação de quem documenta a limpeza.
O que me preocupa em seu discurso é a naturalização da violência como purificação. Gramsci já nos alertava que o senso comum pode reproduzir a hegemonia do opressor sem sequer perceber. Quando você comemora mortes com bandeiras e gritos de “volta militar”, está reproduzindo a mesma lógica fascista que queimou livros e silenciou vozes na Alemanha dos anos 1930. Não é coincidência que regimes autoritários sempre comecem atacando jornalistas — não importa se em Beirute, em Gaza ou no Brasil. O jornalista morto não é “comunista” por acaso; ele é alvejado porque testemunha, e testemunhar em tempos de genocídio é um ato revolucionário. Mariátegui dizia que o mito da revolução é a fé dos que não se resignam; pois o mito do “inimigo comunista” é a desculpa dos que querem matar sem culpa. Você caiu nesse mito.
Por fim, ao pedir “volta militar já”, você revela uma nostalgia autoritária que desconhece a história do nosso próprio país. A ditadura brasileira também matou jornalistas — Vladimir Herzog foi assassinado dentro de um quartel, e a versão oficial foi “suicídio”. O mesmo padrão de criminalização da vítima. Hoje você aplaude a morte de jornalistas no Líbano sob o pretexto ideológico; amanhã, se a extrema-direita retornar ao poder aqui, quem garante que a bala não vai encontrar um repórter brasileiro cobrando seus próprios crimes? O colonialismo sempre começa com a desumanização do outro. Você está, talvez sem consciência, repetindo o roteiro. Reflita antes de comemorar cadáveres.