O presidente da Rússia, Vladímir Putin, realizará visita oficial à China nos dias 19 e 20 de maio. O Kremlin anunciou que o convite partiu do presidente chinês Xi Jinping.
A viagem ocorre no 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre os países. Putin e Xi analisarão o aprofundamento da parceria integral e da interação estratégica.
Os líderes discutirão questões internacionais e regionais de relevância. Está prevista a assinatura de uma Declaração Conjunta de alto nível e outros documentos bilaterais.
O programa inclui reunião com o primeiro-ministro chinês Li Qiang. O encontro abordará perspectivas de cooperação comercial e econômica entre as nações.
A visita reforça a diplomacia chinesa em um cenário global fragmentado. A China busca consolidar suas relações com as principais potências, conforme destacado pelo RT.
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Miriam
16/05/2026
Visita de Estado dentro do esperado, afinal são dois países com interesses mútuos. O que realmente importa é como isso afeta os acordos comerciais e a burocracia internacional, não a encenação ideológica que some com qualquer discussão produtiva.
Ana Paula Conserva
16/05/2026
É preocupante ver essa aliança cada vez mais forte entre Rússia e China, enquanto o Ocidente insiste em empurrar pautas que destroem a família e a moral. Pelo menos Putin e Xi ainda defendem valores tradicionais e a soberania das nações, algo que nossos governantes esqueceram. Que Deus ilumine os líderes do mundo para que priorizem a ordem e a decência, não a ideologia.
Lucas Pinto
16/05/2026
Ana Paula, sua leitura ecoa um discurso recorrente que opera por inversão ideológica pura. Você enxerga na aliança Putin-Xi uma defesa de “valores tradicionais” e “soberania”, mas ignora que esses mesmos regimes são campeões mundiais em exploração de classe e repressão política. O que você chama de “moral” e “ordem” é, na prática, a manutenção de uma burocracia estatal-capitalista que esmaga sindicatos independentes, persegue minorias e sustenta um patriarcado funcional ao acúmulo primitivo de capital. Não é coincidência que tanto Putin quanto Xi usem o discurso da “família tradicional” como cortina de fumaça para aprofundar a concentração de renda e a precarização do trabalho — o mesmo movimento que o Ocidente faz, só que com roupagem religiosa diferente.
Gramsci nos ensinou que a hegemonia não se sustenta só pela força, mas pela capacidade de fazer certos valores parecerem naturais e universais. Essa narrativa da “decência” e da “soberania nacional” que você invoca é exatamente o cimento ideológico que impede a classe trabalhadora de perceber seus interesses reais. A Rússia de Putin e a China de Xi não são baluartes contra a decadência moral — são duas faces da mesma moeda: a reorganização do capitalismo global em polos autoritários que competem entre si pela partilha do mundo, enquanto o proletariado em todos esses países continua pagando a conta. A invocação a “Deus” para iluminar líderes que usam a ortodoxia e o confucionismo como ferramentas de controle só revela como o religioso opera como aparelho de estado, desviando a luta de classes para um moralismo vazio.
Foucault, aliás, já alertava que o poder disciplinar se disfarça de “ordem natural”. O que você celebra como “defesa da soberania” é, objetivamente, a blindagem de regimes que praticam um imperialismo periférico: a Rússia na Ucrânia e na Síria, a China no Mar do Sul da China e na exploração neocolonial da África. Não há valores tradicionais que sustentem a invasão de um país soberano ou a eliminação de uigures sob pretexto de segurança nacional. A moral que você defende é a moral do opressor — e invocar Deus para abençoar isso é o ápice da astúcia ideológica: fazer acreditarmos que a dominação é virtude. Se queremos um mundo realmente livre, precisamos abandonar tanto a falsa dicotomia Ocidente versus Oriente quanto a nostalgia autoritária de um passado que nunca existiu para a maioria da humanidade.
Cristina Rocha
16/05/2026
Ana Paula, seu comentário me faz lembrar aquela velha armadilha ideológica que confunde autoritarismo com ordem e decência. Você celebra em Putin e Xi a defesa de “valores tradicionais”, mas esquece de perguntar: tradicionais para quem e a que custo? A tradição que esses senhores defendem é a mesma que coloca mulheres sob tutela patriarcal, que criminaliza dissidências sexuais e que usa a “família” como unidade de controle estatal, não como espaço de afeto e emancipação. Enquanto isso, o tal “Ocidente” que você condena, apesar de todos os seus limites e hipocrisias, ao menos produziu lutas históricas por direitos civis, pelo voto feminino, pela legalização do divórcio e por políticas de igualdade de gênero. A aliança Putin-Xi não é sobre soberania das nações — é sobre a soberania de uma elite burocrática que se perpetua no poder usando o discurso da “família tradicional” como cortina de fumaça para exploração de classe, repressão política e devastação ambiental.
Do ponto de vista da crítica marxista e pós-colonial, o que estamos vendo é uma reconfiguração do capitalismo global, não uma alternativa anticolonial genuína. Rússia e China são potências que operam por lógicas imperiais próprias — a Ucrânia, o Tibete, os uigures, os territórios bálticos não são exemplos de soberania respeitada, mas de violência estatal contra povos inteiros. A “ordem” que você invoca é a ordem dos campos de trabalho na Sibéria, dos campos de reeducação no Xinjiang, da perseguição a feministas e LGBTQIA+. Ora, minha cara, não existe decência onde mulheres são Estupradas como arma de guerra ou onde manifestantes pacíficos são sumariamente executados. Se Deus ilumina esses líderes, então que Deus explique por que sua luz brilha mais forte sobre corpos mortos e famílias destruídas por bombardeios russos e pela repressão chinesa.
A agenda progressista ocidental — com todos os seus defeitos e contradições, fruto de séculos de colonialismo e capitalismo — ao menos levantou questões fundamentais sobre justiça social, redistribuição de renda e autonomia dos corpos. Já a aliança Putin-Xi representa um pacto reacionário entre elites que precisam desesperadamente de bodes expiatórios: imigrantes, feministas, ativistas climáticos, minorias sexuais. Enquanto você clama por “ordem e decência”, populações inteiras na Faixa de Gaza, na Ucrânia, em Myanmar e no Congo são dizimadas com o silêncio cúmplice desses “defensores da tradição”. Sugiro uma leitura de Achille Mbembe sobre necropolítica para entender que soberania, quando não acompanhada de democracia radical e justiça social, é simplesmente o direito de matar em nome de deus, pátria e família. Essa é a verdadeira ideologia que deveria nos preocupar.