A crise aberta pela relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro já aparece em mais uma pesquisa nacional.
Levantamento da Vox Brasil divulgado nesta quarta-feira, 20 de maio, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 46,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O senador do PL aparece com 38,1%. A vantagem de Lula é de 8,7 pontos percentuais.
O dado reforça a leitura de que o caso Vorcaro deixou de ser apenas uma crise de imagem e passou a produzir dano eleitoral concreto. A pesquisa foi realizada depois da divulgação do áudio em que Flávio aparece pedindo dinheiro ao ex-controlador do Banco Master para financiar o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.
Segundo o Poder360, a conversa veio a público em 13 de maio, em reportagem do The Intercept Brasil. No diálogo, datado do início de 2025, Flávio negociou o pagamento de US$ 24 milhões com Vorcaro. O valor seria destinado ao financiamento do filme sobre a trajetória do ex-presidente.
A Vox mostra uma virada dura no ambiente eleitoral. Desde a eclosão da relação com Vorcaro, Flávio perdeu 5,7 pontos percentuais. No mesmo período, Lula cresceu 6,6 pontos. A combinação dos dois movimentos explica a abertura da vantagem petista no segundo turno.
O resultado confirma tendência já captada pela AtlasIntel. Na terça-feira, 19 de maio, a Atlas apontou Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio em uma simulação de segundo turno. A mesma pesquisa mostrou que 45,1% dos entrevistados consideram a candidatura de Flávio “muito enfraquecida” após os desdobramentos envolvendo o Banco Master, enquanto 19% a veem “um pouco enfraquecida”.
Outro dado da Atlas ajuda a explicar o tamanho do problema: 51,7% dos participantes avaliaram que a conversa entre Flávio e Vorcaro é evidência de envolvimento direto do senador no caso Master. Isso mostra que a explicação de “patrocínio privado” não conseguiu conter o impacto político da revelação.
A pesquisa da Vox também testou o primeiro turno. Nesse cenário, Lula lidera com 41,5% das intenções de voto. O número coloca o presidente em posição confortável na largada, enquanto Flávio tenta conter uma queda que ameaça sua condição de principal nome da direita para 2026.
O levantamento ouviu 2.100 pessoas em todo o país entre 17 e 19 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02416/2026.
O momento da coleta é decisivo. Diferentemente de pesquisas feitas antes do auge da repercussão do escândalo, a Vox mediu o eleitorado já sob o impacto do áudio, da mudança de versão de Flávio e das notícias sobre sua relação com Vorcaro.
A candidatura de Flávio vinha tentando se consolidar como herdeira direta do bolsonarismo. O problema é que o caso Master atingiu justamente o ponto mais sensível de uma candidatura presidencial: confiança.
Flávio não enfrenta apenas uma disputa de intenção de voto. Enfrenta uma crise de credibilidade. Primeiro, tentou se distanciar de Vorcaro. Depois, com os áudios revelados, admitiu contato e passou a defender que tudo se tratava de uma negociação privada para um filme privado.
A dificuldade é que Vorcaro não é um empresário comum. Ele é o ex-controlador do Banco Master, personagem central de um escândalo financeiro que já contaminou o debate político nacional. Ao aparecer negociando milhões com o banqueiro, Flávio passou a carregar uma associação difícil de neutralizar.
Para Lula, o cenário é o oposto. O presidente aparece em crescimento, amplia vantagem no segundo turno e vê o adversário mais competitivo da direita entrar em modo defensivo antes mesmo do início oficial da campanha.
A nova pesquisa também aumenta a pressão sobre o PL. Se Flávio continuar perdendo pontos, a direita terá de decidir se mantém a aposta no sobrenome Bolsonaro ou se começa a procurar uma alternativa menos vulnerável para enfrentar Lula.
O problema é que nenhuma substituição seria simples. Flávio ainda concentra parte relevante da base bolsonarista, mas a crise com Vorcaro cria um teto perigoso. Uma eleição presidencial não se vence apenas com militância fiel. É preciso conquistar centro, moderados, indecisos e eleitores menos ideológicos.
A Vox mostra que esse eleitorado começou a se mover. A queda de 5,7 pontos de Flávio e a alta de 6,6 pontos de Lula indicam que o escândalo reorganizou o tabuleiro.
O recado da pesquisa é claro: o caso Vorcaro já não é apenas uma pauta negativa. É um fator eleitoral. E, se novas revelações continuarem surgindo, Flávio Bolsonaro pode deixar de ser o candidato capaz de unificar a direita e se transformar no maior obstáculo do bolsonarismo contra Lula em 2026.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!