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Starship v3 supera pane em dois motores e encerra voo em explosão controlada que redefine a rota para Marte

0 Comentários🗣️🔥 O foguete Starship da SpaceX decola em um voo de teste, deixando um rastro de fumaça no céu. (Foto: space.com) O mais poderoso foguete já construído pela humanidade rugiu novamente aos céus do Texas, inaugurando uma nova era para a exploração interplanetária. A SpaceX lançou na sexta-feira (22 de maio) a versão mais […]

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O foguete Starship da SpaceX decola em um voo de teste, deixando um rastro de fumaça no céu. (Foto: space.com)

O mais poderoso foguete já construído pela humanidade rugiu novamente aos céus do Texas, inaugurando uma nova era para a exploração interplanetária. A SpaceX lançou na sexta-feira (22 de maio) a versão mais avançada de seu colossal Starship, o modelo V3, em um voo de teste que combinou triunfo tecnológico e caos controlado.

O imponente veículo de 124 metros de altura deixou a plataforma do complexo Starbase, em Boca Chica, exatamente às 18h30 no horário da costa leste dos EUA, marcando o 12º teste suborbital do programa. Foi a primeira missão do Starship desde outubro de 2025 e o batismo de fogo da terceira geração do megafoguete, que incorpora um redesenho completo para missões operacionais.

A contagem regressiva já havia sido frustrada na quinta-feira anterior por uma falha técnica de última hora, adiando o espetáculo por 24 horas. Quando os 33 motores Raptor da primeira fase finalmente acenderam, um deles se apagou segundos após a ignição — prenúncio dos percalços que marcariam a jornada.

O CEO da SpaceX, Elon Musk, comemorou o feito em sua rede social X com uma frase que sintetizou o espírito do momento. ‘Vocês marcaram um gol para a humanidade’, escreveu Musk, saudando a equipe pelo primeiro lançamento e pouso do Starship V3.

O voo, no entanto, estava longe de ser impecável. O propulsor Super Heavy não conseguiu executar a manobra crítica de ‘boost back’ — a queima de motores que deveria redirecioná-lo de volta à base — e despencou descontrolado em direção ao Golfo do México.

Enquanto isso, o estágio superior, batizado de Ship 39, também perdeu um de seus seis motores principais durante a ascensão. ‘Eu não chamaria isso de inserção orbital nominal, mas estamos em uma trajetória que analisamos e está dentro dos limites’, admitiu o porta-voz da SpaceX, Dan Huot, durante a transmissão ao vivo.

A separação entre o booster e a nave ocorreu cerca de dois minutos e vinte segundos após a decolagem, utilizando a técnica de ‘hot staging’ — na qual os motores do estágio superior acendem antes da separação completa. O modelo V3 introduziu um design refinado nesse mecanismo, com uma estrutura semelhante a uma cerca ao redor do domo do tanque de combustível, projetada para dar espaço à exaustão dos motores superiores.

A SpaceX optou por não tentar a recuperação do booster com os braços mecânicos ‘chopsticks’ da torre de lançamento, uma manobra espetacular já executada em missões anteriores. Em vez disso, programou um pouso suave no mar, temendo que uma falha no equipamento inédito pudesse danificar a plataforma recém-construída.

Sem a queima de retorno, o Super Heavy caiu como uma rocha metálica de 70 metros, transmitindo imagens ao vivo de sua vertiginosa queda até que a tela ficasse negra. ‘O booster não completou seu boost back total e sua missão terminou um pouco mais cedo, mas caiu na área de segurança que havíamos estabelecido’, explicou Huot.

O estágio superior, contudo, seguiu adiante com sua missão primária: a liberação de 22 cargas úteis. Conforme detalhou o portal Space.com em sua cobertura completa do teste, vinte delas eram simuladores dos satélites de internet Starlink e duas eram naves reais equipadas com sensores de imagem.

Os satélites foram ejetados por uma porta semelhante a um dispensador PEZ ao longo de dez minutos, iniciando cerca de 17 minutos após o lançamento. As duas unidades modificadas, apelidadas de ‘Dodger Dogs’, tinham a missão de escanear os escudos térmicos do Starship antes da reentrada atmosférica.

Quando os últimos satélites se afastaram lentamente da nave-mãe, as câmeras transmitiram uma visão estarrecedora. ‘Aquilo é um Starship no espaço’, exclamou Huot, enquanto a silhueta prateada da Ship 39 flutuava contra a curvatura azul da Terra.

O plano original previa um teste crucial de reignição de um motor Raptor em órbita — demonstração necessária para manobras futuras rumo à Lua e a Marte. Devido à perda de um motor durante a decolagem, os controladores da missão abortaram esse procedimento no voo 12.

Cinquenta minutos após deixar o solo texano, a Ship 39 iniciou sua descida incandescente pela atmosfera terrestre, envolvida em plasma brilhante. A nave executou uma série de exercícios extremos para estressar partes da estrutura até seus limites, além de uma manobra de inclinação para simular a trajetória de um futuro pouso capturado pela torre.

Dois motores acenderam para a queima final de aterrissagem — um a menos que o planejado, já que o terceiro havia falhado na partida. O Starship tocou as águas do Golfo do México e, exatamente como previsto no roteiro, tombou e explodiu em uma magnífica bola de fogo que arrancou aplausos ensurdecedores nos centros de controle da SpaceX.

Nada do que o Starship realizou no voo 12 foi inédito individualmente, mas o sucesso coletivo representou um salto monumental por se tratar de um veículo completamente novo. A versão V3 encontrou percalços já em novembro do ano passado, quando a SpaceX perdeu o booster originalmente destinado a esta missão durante testes em solo.

Mais de seis meses separaram o voo 12 da missão anterior, um intervalo que pressiona o cronograma da SpaceX. A NASA depende do Starship como um dos módulos lunares tripulados do programa Artemis, que pretende estabelecer presença humana permanente na Lua.

Para sublinhar a importância estratégica do teste, o administrador da NASA, Jared Isaacman, voou pessoalmente até Boca Chica para acompanhar o lançamento. ‘Parabéns à equipe SpaceX e a Elon Musk por um lançamento incrível do Starship V3’, escreveu Isaacman no X, emendando um emblemático ‘um passo mais perto da Lua, um passo mais perto de Marte’.

Durante a transmissão, Isaacman projetou o encontro orbital que definirá o futuro do programa espacial tripulado. ‘Esperamos ver essa coisa voar, porque em algum momento não muito distante vamos nos encontrar na órbita terrestre’, vislumbrou o chefe da agência espacial americana.

O caminho até lá exige que a SpaceX demonstre o reabastecimento de propelente em órbita — operação que pode demandar uma dúzia ou mais de lançamentos de reabastecimento para cada missão lunar. A Ship 39 possui quatro portas de conexão passivas no lado sotavento, projetadas especificamente para acoplagem e transferência de combustível entre naves.

A cadência de lançamentos precisará aumentar vertiginosamente se a SpaceX quiser cumprir as metas da Artemis 4, prevista para realizar o primeiro pouso lunar tripulado em 2028. Em março de 2025, Elon Musk projetava lançar Starships V3 ‘uma vez por semana em cerca de 12 meses’ — previsão que ainda parece distante diante do hiato de sete meses entre os dois últimos voos.

O sucesso do voo 12, contudo, injetou ânimo renovado no cronograma. Resta saber se a SpaceX transformará o triunfo técnico em cadência operacional antes que a concorrência — como a Blue Origin, que também disputa o contrato lunar da NASA com seu módulo Blue Moon — consiga se antecipar na corrida pelo regresso humano ao solo selenita.


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