Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estão desenvolvendo uma vacina contra a variante Bundibugyo do vírus Ebola, que estará disponível para testes clínicos em dois a três meses. A iniciativa é uma resposta ao surto atual na República Democrática do Congo.
A variante Bundibugyo do Ebola, responsável pelo surto atual, é rara e ainda não possui vacinas validadas em testes clínicos. Sua letalidade preocupa as autoridades sanitárias, pois mata cerca de um terço das pessoas infectadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que o surto na República Democrática do Congo já contabiliza centenas de casos e mortes confirmadas. A entidade elevou recentemente o risco de um surto nacional de ‘alto’ para ‘muito alto’ e declarou emergência de saúde pública de interesse internacional.
A vacina desenvolvida pelos pesquisadores de Oxford utiliza a tecnologia ChAdOx1, a mesma plataforma empregada com sucesso durante a pandemia de Covid-19. Trata-se de um sistema altamente adaptável que pode ser rapidamente ajustado para combater diferentes infecções virais.
Os testes em animais já estão em andamento nos laboratórios de Oxford. Assim que o material estiver disponível em padrão farmacêutico, o Serum Institute, da Índia, iniciará a produção em larga escala do imunizante.
A OMS ressalta que, apesar do alerta elevado, o risco global representado pela doença ainda é considerado baixo. A entidade enfatiza que não se trata de uma possível nova pandemia, mas recomenda vigilância rigorosa diante da rápida disseminação local.
O Ebola é uma doença rara, porém mortal, causada por um vírus que infecta animais, geralmente morcegos frugívoros e primatas. A transmissão para humanos ocorre pelo manuseio de animais infectados ou pelo contato com fluidos corporais de pessoas doentes, como sangue e vômito.
Os sintomas levam de dois a 21 dias para aparecer e começam de forma repentina, semelhantes a uma gripe, com febre, dor de cabeça e cansaço intenso. Com a progressão da doença, surgem vômitos e diarreia severa, podendo evoluir para falência de órgãos e hemorragias internas e externas.
A nova vacina de Oxford representa um avanço significativo diante de uma ameaça que ainda não dispõe de tratamento específico. A rapidez na adaptação da plataforma ChAdOx1 demonstra a capacidade da ciência em responder a emergências sanitárias globais.
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