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Cientistas de Yale descobrem que alho inibe a reprodução de mosquitos

5 Comentários🗣️🔥 Dentes de alho em close-up, ingrediente natural que pode repelir mosquitos. (Foto: wired.com) Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, realizaram uma análise fitoquímica de 43 frutas e vegetais para identificar compostos naturais capazes de interferir no comportamento reprodutivo de insetos voadores. A equipe utilizou moscas-das-frutas como organismo modelo, uma espécie que […]

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Dentes de alho em close-up, ingrediente natural que pode repelir mosquitos. (Foto: wired.com)

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, realizaram uma análise fitoquímica de 43 frutas e vegetais para identificar compostos naturais capazes de interferir no comportamento reprodutivo de insetos voadores. A equipe utilizou moscas-das-frutas como organismo modelo, uma espécie que frequentemente acasala sobre alimentos.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que algumas frutas e vegetais poderiam conter substâncias capazes de alterar os processos reprodutivos desses insetos. Após expor diferentes espécimes aos alimentos amassados incluídos no experimento, os cientistas observaram que nenhum dos produtos teve efeito afrodisíaco significativo. No entanto, descobriram que o alho bloqueou completamente o acasalamento e a postura de ovos.

Para determinar a origem do efeito, os pesquisadores concentraram sua atenção na influência do alho sobre os sentidos do paladar e do olfato das moscas. No primeiro experimento, colocaram o purê de alho de modo que os insetos pudessem apenas cheirá-lo, enquanto no segundo permitiram que também o saboreassem. Os resultados mostraram que o paladar foi o fator que realmente inibiu os comportamentos reprodutivos.

A equipe então realizou uma análise química do alho e determinou que o dissulfeto de dialila era o composto responsável pelo efeito. Na prática, essa substância atua sobre um receptor sensorial presente nos órgãos gustativos da mosca, conhecido como TrpA1, que funciona como um sensor que dispara respostas imediatas de rejeição ao detectar sabores potencialmente nocivos. Segundo artigo publicado na revista Cell e repercutido pela Wired, o alho ativa especificamente um grupo de neurônios sensíveis ao sabor amargo que contêm esse receptor.

Essa ativação não apenas provoca uma reação física de aversão, mas também altera a expressão de vários genes, incluindo um gene intimamente relacionado à sensação de saciedade. Os autores do estudo sugerem que o aumento da saciedade parece impulsionar comportamentos que limitam o acasalamento e a reprodução, principalmente nas fêmeas. Além das moscas-das-frutas, os experimentos foram replicados em outros insetos voadores, incluindo duas espécies de mosquitos transmissores de doenças como febre amarela, dengue e zika vírus, além de moscas tsé-tsé. Em todos os casos, os testes demonstraram que o alho pode atuar como um remédio eficaz para desencorajar a reprodução.

As descobertas sugerem que o Allium sativum poderia ser utilizado como ferramenta para controlar diversas pragas de insetos prejudiciais tanto à saúde humana quanto à agricultura. O professor John Carlson, da Universidade de Yale e coautor do estudo, destacou que a planta é barata e cultivada em todo o mundo, lembrando que a ideia de usá-la para afastar criaturas hematófagas foi proposta por Bram Stoker em seu romance Drácula, de 1897, e que talvez ele estivesse certo.

Leia mais sobre o assunto na wired.com.


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Luiz Carlos

24/05/2026

Pesquisa boa, mas já imagino o governo criando imposto do alho pra combater mosquito. Depois somem com o dinheiro e a culpa é do cidadão que não plantou na varanda.

    Célia Carmo

    24/05/2026

    Teu ódio por imposto é o sonho molhado da elite que mama nas suas costas, acéfalo!

Carlos Meirelles

24/05/2026

Alho inibe mosquito. Ótimo. Mas no Brasil isso seria desculpa pra mais um programa estatal desperdiçando nossos impostos. Deixem a indústria desenvolver repelentes naturais e o consumidor escolher.

    Julia Andrade

    24/05/2026

    Carlos, sua resposta opera dentro de uma lógica que frequentemente se apresenta como neutra e racional, mas que esconde uma hierarquia muito clara sobre quais corpos merecem proteção e quais podem esperar que o livre mercado resolva seus problemas. Quando você diz que o consumidor deve escolher o repelente, ignora que a escolha só existe de fato para quem tem acesso a farmácias bem abastecidas, informação qualificada e, sobretudo, dinheiro. Doenças transmitidas por mosquitos como dengue, zika e chikungunya não afetam igualmente todas as classes sociais — elas se concentram nas periferias, onde saneamento básico é precário, onde moram as empregadas domésticas, os entregadores, as mulheres negras que sustentam famílias sozinhas. Essas pessoas não são “consumidoras” nesse cenário: são vítimas de uma política de abandono que a retórica do mercado só aprofunda.

    Existe uma longa tradição de pensamento feminista e decolonial que denuncia como a saúde pública, quando deixada à lógica do capital, se torna um dispositivo biopolítico que administra a morte. A filósofa Achille Mbembe, ao falar de necropolítica, mostra como o Estado decide quem vive e quem morre justamente através da distribuição desigual de recursos. No Brasil, isso é ainda mais perverso: basta ver o histórico de epidemias negligenciadas, como a febre amarela no século XIX ou a própria dengue nas últimas décadas, para perceber que a indústria farmacêutica só investe pesado quando os corpos brancos e de classe média passam a ser ameaçados. A pesquisa de Yale sobre o alho pode sim ser instrumentalizada por um Estado ineficiente, mas o oposto — entregar tudo ao setor privado — significa condenar milhões a depender de patentes caras e da boa vontade corporativa.

    Você menciona “desperdiçar nossos impostos”, como se o dinheiro público fosse por definição mal utilizado quando direcionado à saúde coletiva. Essa é uma falácia liberal clássica, que finge que a iniciativa privada é sempre eficiente e o Estado sempre inchado, ignorando que foi exatamente o investimento público que financiou a base de quase todas as grandes inovações farmacêuticas do século XX, das vacinas aos antivirais. A diferença é que, ao socializar os custos da pesquisa, privatiza-se o lucro depois, e a população periférica só recebe os benefícios quando eles se tornam mercadoria. Uma política pública baseada nos achados de Yale não seria “desperdício”, seria redistribuição de um conhecimento que, inclusive, foi gerado em universidades que recebem farto financiamento estatal — inclusive nos Estados Unidos que você talvez admire.

    Por fim, a ideia de que o consumidor escolhe é uma abstração que não resiste a um olhar interseccional. Quem é esse consumidor? Uma mulher trans, negra, chefe de família na Maré, depois de um dia de trabalho extenuante, vai ter tempo e informação para comparar repelentes naturais em sites de e-commerce? Ou vai precisar que o poder público aja preventivamente, controlando a reprodução do mosquito no seu território? A defesa do mercado como único mediador das nossas escolhas é, na prática, a defesa de um mundo onde só sobrevive quem pode pagar. E isso, para uma feminista, não é eficiência: é crueldade com nome bem bonitinho.

    Lucas Pinto

    24/05/2026

    Carlos, sua confiança no mercado como entidade capaz de resolver problemas de saúde pública ignora um ponto central que nem a economia política clássica conseguiu esconder: o capital não opera pela lógica da necessidade, mas pela lógica da acumulação. Quando você diz “deixem a indústria desenvolver repelentes naturais e o consumidor escolher”, está pressupondo que a demanda por proteção contra mosquitos é uma demanda qualquer, como a escolha entre marcas de sabão em pó. Mas doenças transmitidas por vetores como dengue, zika e chikungunya não são experiências de consumo — são experiências de classe. O mosquito não pica corpos abstratos; ele pica corpos situados em territórios com saneamento precário, sem coleta de lixo adequada, sem água encanada, corpos que já são, de antemão, descartáveis para o circuito do valor. O mercado não tem interesse em desenvolver soluções baratas e acessíveis para esses corpos, porque eles não constituem um nicho lucrativo. A indústria farmacêutica e de repelentes visa o consumidor com poder aquisitivo, aquele que pode pagar pelo produto mesmo que o preço seja inflado pela lógica da patente e da escassez artificial. O resto — a periferia, as populações ribeirinhas, as favelas — fica à mercê da caridade ou da negligência.

    O que você chama de “programa estatal desperdiçando nossos impostos” é, na verdade, a única instância que pode agir segundo uma racionalidade não-mercantil. O Estado, mesmo o Estado burguês que conhecemos, é um campo de disputa — Gramsci já nos ensinou isso. Ele não é um bloco monolítico a serviço do capital, mas uma arena onde a hegemonia é constantemente negociada. Políticas públicas de saúde coletiva, como o controle biológico de vetores usando substâncias acessíveis como o alho, são conquistas de setores que conseguiram impor, ainda que temporariamente, uma lógica de cuidado em vez de uma lógica de lucro. Tratar essas iniciativas como “desperdício” é reproduzir o discurso neoliberal que mede toda ação humana pela métrica da eficiência econômica, como se vidas salvas fossem itens de planilha. É o mesmo discurso que, historicamente, se opôs ao SUS, às campanhas de vacinação obrigatória, ao saneamento básico universal — sempre com o argumento de que é “caro demais” proteger quem não pode pagar. Mas caro para quem? E barato para quem?

    Há ainda uma dimensão biopolítica que você desconsidera completamente. Foucault mostrou como o poder moderno se exerce não mais apenas sobre o corpo individual, mas sobre o corpo-espécie, a população. O controle de epidemias, a gestão da natalidade, da morbidade, da longevidade — tudo isso constitui o que ele chamou de biopolítica. Delegar essa gestão ao mercado é, na prática, permitir que a decisão sobre quem vive e quem morre seja tomada por conselhos de acionistas. Quando o Estado desenvolve uma tecnologia simples e potencialmente barata como o uso do alho para inibir a reprodução de mosquitos, ele está exercendo uma forma de soberania que, apesar de todas as suas contradições, ainda pode ser pressionada a se orientar pelo bem comum. A indústria, por definição, está isenta dessa pressão: sua única responsabilidade é com o lucro. E se para maximizar esse lucro for mais interessante vender repelentes caros para a classe média do que distribuir um composto natural em larga escala para comunidades pobres, adivinhe qual escolha será feita.

    Portanto, não se trata de opor “Estado ineficiente” a “mercado eficiente” — essa dicotomia é ela mesma uma armadilha ideológica. Trata-se de reconhecer que certas esferas da vida humana não podem, sem consequências brutais, ser submetidas à forma-mercadoria. A saúde pública é uma delas. O alho pode até ser uma metáfora irônica para a simplicidade da solução, mas a questão de fundo é séria: a diferença entre tratar a proteção contra mosquitos como um direito garantido coletivamente ou como um privilégio acessível via consumo. E essa diferença é, literalmente, a diferença entre a vida e a morte para milhões de pessoas que o mercado já descartou como inviáveis.


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