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Ferramentas cirúrgicas de 600 anos revelam a evidência química mais antiga de anestésico tópico na China Ming

0 Comentários🗣️🔥 Antigas ferramentas cirúrgicas da dinastia Ming, com resíduos de substância tóxica analisados como possível anestésico tópico. (Foto: livescience.com) Um conjunto de instrumentos cirúrgicos com seis séculos de idade, descoberto em uma tumba da dinastia Ming no leste da China, forneceu a primeira evidência química direta do uso de anestésico tópico na história da […]

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Antigas ferramentas cirúrgicas da dinastia Ming, com resíduos de substância tóxica analisados como possível anestésico tópico. (Foto: livescience.com)

Um conjunto de instrumentos cirúrgicos com seis séculos de idade, descoberto em uma tumba da dinastia Ming no leste da China, forneceu a primeira evidência química direta do uso de anestésico tópico na história da medicina. A análise de resíduos preservados em tesouras e pinças de ferro revelou a presença de aconitina, um alcaloide extraído de uma planta extremamente tóxica conhecida como Aconitum, popularmente chamada de acônito ou mata-lobos, que era habilmente detoxificado pelos médicos chineses para bloquear a dor durante procedimentos cirúrgicos.

A descoberta, publicada na revista científica Antiquity e detalhada pelo portal Live Science, representa um marco arqueológico e farmacológico sem precedentes. Segundo o arqueólogo Congcang Zhao, da Universidade do Noroeste da China, seis séculos atrás um cirurgião da dinastia Ming operou com tesouras e pinças de ferro, e agora lemos os vestígios do medicamento anestésico deixados nesses instrumentos por meio de um feixe de luz laser.

Os instrumentos foram encontrados há décadas na tumba de Xia Quan, na cidade de Jiangyin, cerca de 150 quilômetros a noroeste de Xangai, um sítio que data aproximadamente do período entre 1368 e 1644. Utilizando fluorescência de raios X, uma técnica não destrutiva que revela a composição elementar dos objetos, os pesquisadores confirmaram que tanto a tesoura quanto a pinça eram feitas de ferro. Em seguida, sob microscópio, a equipe selecionou três partículas minúsculas de resíduo de cor ferrugem com a esperança de identificar compostos orgânicos remanescentes.

A técnica empregada para decifrar a composição química foi a espectroscopia micro-Raman, na qual um laser incide sobre a amostra provocando o espalhamento de fótons cujo padrão gera uma impressão digital estrutural das moléculas presentes. A análise revelou a presença do grupo funcional ciano, encontrado no cianeto de hidrogênio, além de componentes orgânicos de óleos e gorduras, um conjunto que indica propriedades medicinais e potencialmente anestésicas nos resíduos. O alcaloide aconitina foi apontado como o composto provável desses vestígios.

A aconitina é extraída de plantas do gênero Aconitum, nativas da América do Norte, Europa e Ásia, cujas flores são extremamente venenosas, mas usadas há séculos na medicina tradicional asiática, sobretudo por suas propriedades analgésicas. Os praticantes da dinastia Ming sabiam como mitigar o veneno dessas plantas, recorrendo a substâncias ácidas como feijão-mungo, vinagre ou urina de meninos jovens para detoxificar o acônito e convertê-lo em um pó ou líquido anestésico seguro. Os resíduos estavam concentrados nas áreas funcionais das ferramentas, consistentes com a aplicação durante a cirurgia, e provavelmente o anestésico estava na forma líquida, tendo respingado nos instrumentos de ferro e escapado da limpeza, corroendo o metal com o tempo.

Os pesquisadores observaram que as ferramentas de 600 anos eram provavelmente usadas em cirurgias menores, nas quais o praticante primeiro aplicava o agente anestesiante na área e depois usava a pinça para segurar a pele e a tesoura para aparar a camada externa. Zhao destacou que os médicos Ming controlavam a toxicidade da aconitina por meio de aplicação tópica, prescrições compostas e controles processuais rigorosos, demonstrando


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