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PF expõe ‘elevada coincidência temporal’ entre reuniões de Castro e repasses ao Banco Master

PF aponta sincronia entre encontros de Cláudio Castro e Daniel Vorcaro e liberação de R$3,69 bi do Rioprevidência para o Banco Master, abalando o PL nas eleições 2026.

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Imagem divulgada por g1.globo.com

Uma ‘elevada coincidência temporal’ entre encontros do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o banqueiro Daniel Vorcaro, e a subsequente liberação de bilionários aportes do fundo de pensão Rioprevidência para o Banco Master foi identificada pela Polícia Federal. A conclusão consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero e levou à busca e apreensão no apartamento de Castro, na Barra da Tijuca, na última terça-feira (26).

Segundo reportagem do G1, o documento do STF aponta ‘sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social)’. Os investigadores sustentam que a relação entre Castro e Vorcaro não se limitou a contatos institucionais, configurando ‘vínculo pessoal estreito’, com encontros frequentes em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro.

A PF argumenta que esse vínculo garantiu o ‘alinhamento político necessário’ para liberar os investimentos do maior fundo previdenciário estadual do país. O Rioprevidência, responsável pelos pagamentos de cerca de 237 mil aposentados e pensionistas civis e militares do estado, sofreu então profundas alterações em sua cúpula, com nomeações estratégicas para cargos-chave.

A investigação detalha que a nova gestão promoveu o credenciamento acelerado do Banco Master, sem análises técnicas estruturadas ou comparações com alternativas de mercado. As avaliações de risco foram consideradas insuficientes e os aportes continuaram mesmo após alertas de órgãos de controle.

Um dos dados mais reveladores do cronograma da operação ocorreu em outubro de 2023. No dia 4 daquele mês, Eucherio Lerner Rodrigues assumiu o cargo de diretor de investimentos do Rioprevidência; no mesmo dia, o Banco Master formalizou seu pedido de credenciamento junto ao fundo.

Desde então, o Rioprevidência destinou R$ 3,69 bilhões ao banco de Vorcaro, entre Letras Financeiras e fundos do grupo financeiro. A PF classifica parte dessas operações como irregulares e vincula-as diretamente ao relacionamento pessoal entre o governador e o banqueiro.

O banqueiro Daniel Vorcaro está preso em Brasília desde o início da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. A continuidade dos investimentos do fundo fluminense mesmo com o avanço das investigações reforça a tese de blindagem política.

O escândalo atinge em cheio o PL, partido de Castro e do clã Bolsonaro, que tenta pavimentar o caminho para as eleições de 2026. A proximidade do ex-governador com Jair Bolsonaro e especialmente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal articulador político da família no Rio de Janeiro, amplia o raio de contaminação eleitoral.

Flávio Bolsonaro, que já respondeu por suspeitas de ‘rachadinha’ em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, vê seu principal aliado estadual enredado em um novo caso de drenagem de recursos públicos para interesses privados. O uso de fundos previdenciários como instrumento de favorecimento político ameaça a credibilidade da campanha bolsonarista, que promete combate à corrupção.

Castro era apontado como um dos nomes fortes do PL para disputar o Senado em 2026, além de ter atuado como articulador das campanhas bolsonaristas no estado. A operação e o indiciamento previsível devem sepultar essas ambições, transferindo o desgaste para toda a chapa majoritária do partido.

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer relação pessoal indevida com Vorcaro e afirma que os investimentos do Rioprevidência seguiram critérios técnicos. Contudo, a cronologia apresentada pela PF e o volume de recursos envolvidos tornam difícil dissociar os encontros dos repasses.

A operação interrogou o domínio do PL sobre o fundo de pensão fluminense, considerado um dos maiores orçamentos previdenciários do Brasil. A nomeação de dirigentes alinhados politicamente, seguida de aportes bilionários sem as devidas cautelas, expõe um padrão que pode se repetir em outras administrações estaduais do partido.

O Rioprevidência, já pressionado por déficits atuariais, expôs segurados a aplicações de alto risco ao adquirir Letras Financeiras do Master sem os devidos estudos de viabilidade. A legislação previdenciária exige que tais investimentos respeitem limites prudenciais e sejam precedidos de análises rigorosas, o que não ocorreu.

O ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, foi o responsável por autorizar as medidas contra aliado de seu padrinho político, evidenciando que nem mesmo as conexões partidárias blindam o esquema. A decisão judicial abre um flanco de vulnerabilidade para o projeto de poder da família Bolsonaro em 2026.

Com a aproximação do calendário eleitoral, cada novo capítulo judicial do bolsonarismo enfraquece a aposta de que a direita poderá se apresentar como alternativa ética. A sangria do Rioprevidência, que deveria garantir aposentadorias de centenas de milhares de servidores, transformou-se em combustível para o fisiologismo que o discurso bolsonarista dizia combater.

Com informações do G1, a Polícia Federal agora examina o conteúdo dos dois celulares apreendidos na residência de Castro. Os investigadores esperam encontrar ali evidências adicionais sobre a profundidade do acerto entre a cúpula do governo fluminense e o banco de Vorcaro.

Leia também: Toda a cobertura dos escândalos da família Bolsonaro.


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