A corrida da computação quântica está prestes a se transformar em uma ameaça concreta para o Bitcoin e para os fundos de aposentadoria de milhões de trabalhadores.
Novos estudos científicos indicam que a capacidade de quebrar a criptografia que sustenta a moeda digital está muito mais próxima do que se imaginava. As estimativas apontam entre 10 mil a 500 mil qubits necessários para executar o ataque.
O alerta foi disparado por pesquisadores do Google, da Ethereum Foundation e de várias universidades em um extenso artigo. Um segundo estudo da startup Quantinuum reforçou a urgência, projetando que apenas 10 mil qubits poderiam romper a segurança do Bitcoin.
O maior conjunto de qubits já construído possui 6.100 unidades, o que torna a marca de 10 mil qubits perturbadoramente próxima. A trajetória de crescimento da tecnologia sugere que o chamado Q-Day, o colapso da criptografia atual, pode chegar antes do previsto.
A criptografia do Bitcoin se baseia em um problema matemático impossível para computadores convencionais. No entanto, cientistas sabem desde 1994 que um computador quântico potente pode decifrar essa proteção com o algoritmo de Shor.
Segundo reportagem da New Scientist, o Google recomenda a migração para criptografia pós-quântica até 2029. O Bitcoin, contudo, enfrenta a lentidão de sua governança descentralizada para implementar mudanças.
O pioneiro das criptomoedas Eli Ben-Sasson, da StarkWare, expressou preocupação com a paralisia no desenvolvimento do Bitcoin. O criptógrafo JP Aumasson concordou e afirmou que a comunidade precisa acelerar a transição, mesmo que o prazo real se estenda até 2036.
Um aspecto inquietante da ameaça é que a segurança das moedas depende tanto da tecnologia quanto da percepção do mercado. Bastaria a disseminação de rumores sobre a vulnerabilidade do Bitcoin para o pânico se instalar e as perdas financeiras se tornarem catastróficas.
A crise se torna devastadora pela contaminação silenciosa dos fundos de aposentadoria pelo Bitcoin. Em junho de 2025, o colunista de finanças do New York Times Jeff Sommer descobriu exposição à criptomoeda em sua própria conta previdenciária.
Gigantes como Fidelity, Vanguard, BlackRock e Morgan Stanley administram fundos que incluem ações da empresa Strategy, expondo milhões de trabalhadores ao Bitcoin. Vários estados dos EUA, incluindo Califórnia, Texas e Louisiana, mantêm ações da Strategy nos fundos de pensão de funcionários públicos.
A administração do presidente Donald Trump sinalizou a intenção de facilitar a inclusão de criptomoedas nas contas de aposentadoria. Setores do mercado já antecipam um ambiente mais permissivo para a especulação com ativos digitais nos fundos previdenciários.
Avihu Levy, pesquisador da StarkWare, desenvolveu um método para tornar o Bitcoin resistente a ataques quânticos. A solução, no entanto, tem um custo proibitivo, pois aumentaria o valor das transações em mais de 200 vezes.
A encruzilhada atual revela um entrelaçamento complexo entre tecnologia, matemática e as fragilidades da especulação financeira. A comunidade do Bitcoin, fragmentada, precisa superar suas divisões para implementar as atualizações de segurança necessárias.
Enquanto isso, milhões de trabalhadores descobrem que seu futuro financeiro está atrelado a um ativo vulnerável a um avanço tecnológico iminente. A convergência entre Wall Street e o universo cripto transformou o problema em uma ameaça sistêmica.
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