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Delegados de SP rebatem Flávio Bolsonaro e negam perseguição em operação do ‘Dark Horse

0 Comentários🗣️🔥 A estratégia de vitimização do clã Bolsonaro ganhou uma resposta direta dos próprios delegados da Polícia Civil de São Paulo. A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo (ADPESP) rejeitou categoricamente as acusações de perseguição política lançadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) contra […]

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A estratégia de vitimização do clã Bolsonaro ganhou uma resposta direta dos próprios delegados da Polícia Civil de São Paulo. A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo (ADPESP) rejeitou categoricamente as acusações de perseguição política lançadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) contra a operação que atingiu a produtora do filme ‘Dark Horse’. A entidade afirmou que a investigação seguiu o rito legal e não teve motivação eleitoral.

A ofensiva dos delegados veio logo após Flávio Bolsonaro e Nunes tentarem desqualificar uma apuração robusta sobre contratos milionários. Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, os mandados de busca e apreensão da última segunda-feira (1º) miraram a Go UP Entertainment, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo. O centro da investigação é um contrato de R$ 108 milhões firmado para instalar wi-fi gratuito em bairros carentes da capital paulista.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) já havia apontado 20 irregularidades no edital e sugerido a suspensão do certame. A gestão Nunes, contudo, ignorou o alerta e manteve o contrato questionado. Essa decisão agora coloca a prefeitura no centro de um escândalo que mistura dinheiro público, marketing político bolsonarista e recursos de um banqueiro investigado.

Flávio Bolsonaro reagiu ao cerco judicial com a velha retórica de perseguição eleitoral. ‘Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições’, disse o senador, pré-candidato à Presidência. Já Nunes afirmou que há ‘perseguição política’ e ‘desrespeito à democracia’, como se a apuração de irregularidades fosse um atentado ao Estado de Direito.

O presidente da ADPESP, delegado André Santos Pereira, rebateu frontalmente a tese conspiratória. ‘Não se trata, a meu ver, de uma perseguição política. Trata-se do cumprimento do dever constitucional de apurar eventual irregularidade no âmbito de contratos públicos’, declarou à Folha. Ele lembrou que a investigação segue ‘o rito processual e penal estabelecido na lei’ e que ‘ninguém está acima da lei’.

A operação desenrola os fios de um enredo que conecta o poder público à máquina de propaganda bolsonarista. A Go UP, produtora do ‘Dark Horse’, e o ICB foram arrastados para o centro do escândalo do Banco Master depois que o The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vorcaro repassou R$ 61 milhões, que saíram do Brasil via offshore e chegaram a um fundo nos EUA administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A proprietária da produtora e presidente do ICB, Karina Gama, nega ter recebido recursos do banqueiro. Sua carreira, no entanto, foi alavancada justamente quando se aproximou do deputado federal Mário Frias (PL-RJ), ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro. O ICB, além do contrato questionado, também recebeu R$ 700 mil em emendas parlamentares, segundo a apuração.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) manteve distância da linha de defesa adotada por Flávio e Nunes. Ele afirmou que a Polícia Civil tem ‘autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações’ e que a corporação é ‘uma instituição de Estado’. Tarcísio lembrou que a ação atendeu a uma demanda do Ministério Público, reforçando o caráter técnico da investigação.

A insistência em politizar a apuração de malversação de dinheiro público revela mais nervosismo do que indignação cívica. Os fatos mostram uma trama em que recursos municipais e milhões de um banqueiro investigado convergem para o marketing político do bolsonarismo. Enquanto os líderes da direita tentam desviar o foco com acusações vazias, a teia contratual e financeira expõe a profundidade dos elos entre o clã e esquemas que agora a Justiça começa a desembaraçar.

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