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Holanda desafia EUA em Washington para proteger gigante de chips ASML

0 Comentários🗣️🔥 A disputa global por semicondutores abriu uma nova frente de atrito entre Washington e a Europa. O ministro do Comércio Exterior da Holanda, Sjoerd Sjoerdsma, viajou a Washington para contestar um projeto de lei que ampliaria as barreiras dos EUA contra fabricantes chineses de chips, medida que atingiria diretamente a ASML, a joia […]

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Bandeira da empresa holandesa de semicondutores ASML em frente a um de seus edifícios. (Foto: techcrunch.com)
Bandeira da empresa holandesa de semicondutores ASML em frente a um de seus edifícios. (Foto: techcrunch.com)

A disputa global por semicondutores abriu uma nova frente de atrito entre Washington e a Europa. O ministro do Comércio Exterior da Holanda, Sjoerd Sjoerdsma, viajou a Washington para contestar um projeto de lei que ampliaria as barreiras dos EUA contra fabricantes chineses de chips, medida que atingiria diretamente a ASML, a joia tecnológica europeia.

A proposta legislativa, conhecida como MATCH Act, busca impedir que fabricantes chineses de semicondutores acessem equipamentos ocidentais. Na prática, a medida pressionaria uma das empresas mais estratégicas do continente em nome da guerra tecnológica conduzida pelos EUA contra a China.

Sediada na Holanda, a ASML é a companhia mais valiosa da Europa e ocupa uma posição única na indústria mundial. A empresa é a única fabricante global das sofisticadas máquinas de litografia usadas na produção dos chips mais avançados, essenciais para aplicações de inteligência artificial.

Sjoerdsma se reuniu em Washington com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e com integrantes do Congresso para apresentar a oposição holandesa ao projeto. O objetivo foi alertar para os riscos econômicos e industriais que a medida representa para a Holanda, segundo reportagem da Bloomberg.

Após os encontros, o ministro holandês classificou sua ida ao Congresso dos EUA como um movimento “excepcional”. Sjoerdsma afirmou que os interesses em jogo para a Holanda “podem ser muito altos”, sinalizando a gravidade que o governo atribui à ofensiva legislativa americana.

O centro da disputa está no alcance das restrições propostas. A China foi o destino de 19% das vendas líquidas de sistemas da ASML no primeiro trimestre de 2026, uma fatia de mercado relevante para a empresa que se tornou peça-chave na cadeia global de semicondutores.

As regras atuais já impedem a ASML de vender à China suas máquinas mais avançadas, de litografia ultravioleta extrema (EUV). O MATCH Act, no entanto, iria além e estenderia as barreiras também às máquinas de litografia ultravioleta profunda por imersão (DUV), uma geração anterior de equipamentos.

Essas máquinas de DUV são menos avançadas que os sistemas EUV, mas continuam sendo cruciais para a fabricação de chips em larga escala. O ponto sensível para a ASML é que o projeto americano transformaria em item proibido uma linha de produtos que a China ainda pode comprar sob as regras vigentes.

O presidente-executivo da ASML, Christophe Fouquet, já havia declarado que os equipamentos atualmente acessíveis à China são ferramentas de geração mais antiga — máquinas que começaram a ser comercializadas há cerca de uma década.

Washington tenta fechar o que considera brechas na sua política de contenção tecnológica, enquanto a Holanda vê o risco de uma legislação americana impor custos diretos a uma empresa europeia. O governo holandês critica o caráter “extraterritorial” da lei, que impõe restrições às políticas comerciais soberanas de outros países.

A ofensiva dos EUA tem sido apresentada como parte de uma estratégia de segurança econômica. Para parceiros industriais como a Holanda, porém, a medida expõe a disposição americana de projetar sua disputa com Pequim sobre empresas de nações aliadas.

O projeto foi apresentado em abril e ainda não passou por votação final na Câmara ou no Senado dos EUA. Analistas observam que, para avançar, a proposta provavelmente teria de ser incorporada a um pacote legislativo mais amplo, o que mantém a disputa em aberto, mas não reduz sua importância política.

A visita de Sjoerdsma a Washington mostra que a Europa começa a reagir com mais firmeza ao uso de leis americanas para redesenhar o comércio global de tecnologia. O caso revela uma contradição crescente no bloco ocidental, onde empresas europeias podem arcar com os custos da rivalidade entre EUA e China.

Com informações de TECHCRUNCH.

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