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fevereiro 2017

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As novas pataquadas golpistas da Lava Jato

Escrito por , Postado em Arpeggio, Assinante, Lava-Jato, Miguel do Rosário

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(Na foto, um juiz federal recebendo prêmio de um monopólio sonegador e criminoso)

O troll correu aqui para comunicar, todo pimpão, que a Lava Jato pediu a prisão de Paulo Roberto Costa, acusando contradições em sua delação: “olha só, Miguel, agora ninguém mais vai ter coragem de mentir na delação”.

Eu sou tão democrático, que respondo até troll em escreve em caixa alta. Vamos lá.

O pedido do especulador com imóveis do Minha Casa Minha Vida e especialista em Powerpoint, Deltan Dallagnol, apenas mostra a completa desmoralização da delação premiada, no Brasil.

Pior: a Lava Jato pediu a prisão de Paulo Roberto Costa e filhas.

Nem na ditadura, o Estado promovia ameaças a toda família. Estamos virando uma espécie de Estado Islâmico.

Aí você vai ver, e a procuradoria encontrou uma pequena contradição nos depoimentos de Paulo Roberto Costa.

A Lava Jato funciona assim: ela pede que corruptos falem a verdade, que honrem sua palavra, mas o Estado, não. O Estado não precisa honrar nenhuma palavra.

Provavelmente, a Lava Jato, desesperada com a falta de provas contra Lula, resolveu fazer uma “repescagem” entre a primeira leva de delatores, à procura de alguma coisa que possa usar como factoide midiático contra o ex-presidente, que está disparando nas pesquisas de intenção de voto para 2018.

A Lava Jato hoje amanheceu rica de pataquadas. Sergio Moro resolveu, ontem, diante de Tarso Genro, fazer uma análise das políticas do PT. E trouxe o mensalão à tôna. É um palhaço!

Não vou nem culpar Tarso Genro de não ter lhe dito umas verdades na cara, porque Sergio Moro é um Torquemada descontrolado que deveria estar num hospício, e por isso é tão perigoso, além do mais, Moro quis tirar uma casquinha das divergências domésticas do PT.

Se Genro fosse um pouco mais valente, poderia responder assim a Sergio Moro:

“Não, excelentíssimo, não punimos Delúbio ou Dirceu. Porque acreditamos que o judiciário brasileiro é golpista, reacionário e submisso à grande mídia e ao grande capital. O processo no mensalão contra Dirceu foi uma ridícula farsa. Assim como está sendo esta Lava Jato!”

Em post hoje em seu blog, sobre os esforços do PGR para destruir a Odebrecht, Nassif comenta que conversou com um procurador que “ele respeita” na área de cooperação internacional, o qual tentou contestar a acusação de que o MP seria “antinacional”: há procurador de esquerda e de direita, mas nenhum antinacional, disse a fonte do Nassif.

São sim. Profundamente antinacionais. E não só antinacionais como entreguistas e irresponsáveis. Mas a culpa não é tanto deles, procuradores, individualmente. A culpa é do sistema. O Ministério Público brasileiro é um monstro.

Nos EUA, na França, na Alemanha, na Inglaterra, o Ministério Público é controlado pelo governo. Assim não há possibilidade dele se tornar uma instância subversiva, golpista, destrutiva, antipolítica, e antinacional, como se tornou no Brasil.

O MP brasileiro é sinistro: é contra movimentos socias, contra direitos humanos, defende penas mais “severas” (ou seja, na contramão do humanismo e do “iluminismo” que um ministro do STF vive alardeando por aí), é contra empresas e contra a política.

As manchetes da grande mídia de ontem à noite e hoje trazem à tôna uma realidade ainda mais sinistra do nosso Ministério Público. Ele se tornou a ponta-de-lança de um ataque imperialista que visa destruir as democracias de toda a América Latina. E tudo isso pago com o suado e escasso dinheiro do contribuinte brasileiro!

Olha só esse trecho de reportagem publicada na Folha de hoje:

Leram bem? As ações da Grana, a única grande empresa de engenharia do Peru caíram 37%!

Por que?

Por causa das articulações da Lava Jato, que não satisfeita de criar uma enorme instabilidade política no Brasil, agora estende seus tentáculos para outros países do continente.

Claro, a operação não terá a mesma coragem para atacar nenhuma empresa de países ricos – e as investigações da Lava Jato identificaram, nos esquemas de corrupção, a participação de inúmeras grandes empresas americanas e europeias. Mas essas permanecem e permanecerão intocadas. Nenhuma “cooperação internacional” irá afetá-las.

Aí eu respondo aos comentários constantes dos trolls e coxinhas: ué, mas bastava a Odebrecht não ter praticado corrupção, e ainda estaria inteira.

Risadas diabólicas.

Esses coxinhas parecem nunca ter lido sequer o Novo Testamento. Tem uma parábola de Cristo sobre a “primeira pedra”, lembram? Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

Se você prender os presidentes e principais executivos de qualquer empreiteira, de qualquer lugar do mundo, e mantê-los encarcerados por tempo ilimitado, e sob ameaça de condenações medievais de 30, 40 anos em regime fechado, não vai sobrar uma firma de construção civil no mundo: eles vão contar todos os podres praticados por suas empresas, e ainda inventar outros.

Empresas de engenharia, construção pesada e construção civil, em todo mundo, obtêm seus principais contratos com agentes do governo e por isso estão expostas, mais do que qualquer outro setor, às negociatas da política.

Algumas negociatas são crimes, outras não, outras – a maioria, talvez – ficam nesse terreno dúbio, eticamente pantanoso, que caracteriza a relação entre os governos que financiam as grandes obras de infra-estrutura e as empresas responsáveis por elas.

Entretanto, o que realmente nos choca é que o Ministério Público tenha o descaramento de fazer “cooperação internacional” com o Departamento de Justiça dos EUA. Aliás, essa história de “cooperação internacional” só poderia ser feita entre presidentes da república, com legitimidade para tal. Como assim o Ministério Público brasileiro, que é absurdamente autônomo (deveria ser controlado pelo governo federal, como é nos EUA, na França, na Alemanha), pode participar de “cooperação internacional” com um órgão estritamente ligado ao governo americano e, portanto, é regido não por interesses “éticos”, ou de “combate à corrupção”, mas exclusivamente pelos interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos.

Outra coisa chocante é que as empreiteiras americanas e europeias são as mais corruptas do mundo. Como comparar o nível de corrupção de uma Odebrecht, que constrói países, com as empreiteiras norte-americanas, que financiam guerras para destruir nações inteiras, matando milhões e milhões de pessoas, apenas para depois ir lá e, com dinheiro do contribuinte americano, reconstruir tudo de novo – com obras superfaturadas e  sem licitação?

Qual é a mais corrupta?

Como o nosso Ministério Público pode estabelecer “cooperação internacional” e repassar informações sensíveis das nossas grandes empresas, privadas e estatais, para um governo assim?

Isso sem falar que o governo americano espionou as grandes empresas brasileiras. Sabe-se lá se, inclusive, não repassou informações ao Ministério Público brasileiro, como forma de manipulá-lo – o que acho bem provável, aliás.

E agora a Lava Jato vai para cima das hidrelétricas. Não pode fazer uma outra operação, controlada por outra equipe e outro juiz? Tem que ser tudo a Lava Jato?

O que a Lava Jato quer, na investigação contra Belo Monte, que acusa o “filho do ministro Lobão”, é muito simples: manter o governo sob seu controle. Enquanto isso, o governo vai vendendo tudo que os tucanos não conseguiram vender em sua gestão. As privatizações tucanas são curiosas: quem vende é que empresta dinheiro. Os gringos não precisam botar um centavo do próprio bolso. O BNDES paga tudo. Aí sim a grande mídia fica satisfeita. BNDES financiar obras de infra-estrutura? Crime! BNDES financiar obras de infra-estrutura em outros países, gerando milhares de empregos no Brasil? Crime! BNDES financiar a privatização às pressas de nossas principais empresas públicas? Aí pode!

O governo Temer tem um ótimo talento para demolição. Foi só pôr as mãos nos bancos públicos, que eles imediatamente começaram a ter prejuízos. A qualidade dos serviços do Banco do Brasil e da Caixa caiu brutalmente. O BB está fechando agências e demitindo funcionários a um ritmo alucinante. Até mesmo caixas eletrônicos estão sendo fechados. Não se esconde mais que é sabotagem pura e simples de um banco secular, apenas porque é público, e esse governo não quer deixar pedra sobre pedra.

A mídia é culpada, porque ela mantém o brasileiro isolado numa espécie de prisão política midiática. Ele não sabe que existe uma severa regulação da mídia nos EUA, que o primeiro mundo sempre cuidou de suas estatais. Que em nenhum lugar do mundo, a corrupção foi combatida com destruição de empresas.

Enquanto o desemprego avança, o PIB despenca, a miséria explode, no entanto, os especuladores ganham dinheiro e a bolsa bate recordes… Miriam Leitão, que outrora só vaticinava desgraças, hoje vê um mundo róseo e ensolarado!

O único problema dos golpistas é essa mania do povo de querer votar em quem ele quer, e não em quem a mídia quer que ele vote. Isso complica as coisas um pouco. Mas nada que o nosso Judiciário, que é aliado dos bandidos e dos golpistas, não possa resolver. Em último caso, se Lula ganhar a eleição, o TSE cassa o mandato dele, porque uma das gráficas contratadas pela campanha, conforme informação vazada pela imprensa,  teria impresso 25 santinhos a menos do que o informado nas notas.

[Arpeggio – coluna política diária de Miguel do Rosário – 17/02/2017]

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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