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O laconismo da UERJ e a aliança entre Barbosa e Bolsonaro

Por Miguel do Rosário

19 de julho de 2013 : 13h56

A UERJ respondeu ao blog O Cafezinho, de forma incrivelmente lacônica e arrogante.

Comunicado da Uerj: Não corresponde à verdade dos fatos a informação constante de supostos documentos com telas de sistema interno da Universidade, divulgados por um blog no dia 16 de julho de 2013.

ScreenHunter_2102 Jul. 19 12.52

Me desculpem, mas essa resposta não diz nada. O que não é verdade? A UERJ é uma empresa 100% pública, Joaquim Barbosa é um funcionário duplamente público: é presidente do Supremo Tribunal Federal e professor da UERJ. O salário do Joaquim no STF, disponível neste link, é este:

ScreenHunter_2103 Jul. 19 12.54

O Cafezinho teve acesso a documentos da UERJ aparentemente verdadeiros. Não sou nenhum perito Molina, mas minha fonte tem sido, até o momento, confiável.

Diferentemente da Folha, que publicou, na capa do jornal de maior tiragem no país, uma ficha criminal falsa da Dilma, colhida na internet, os documentos que publiquei foram enviados por uma fonte de dentro da UERJ.

Posso errar, claro. Se o Jornal Nacional pode publicar entrevista de 7 minutos com um ex-presidiário falastrão, acusando, sem documentos, o BNDES de lhe oferecer um financiamento de R$ 8 bilhões, O Cafezinho também pode cometer deslizes.

Mas não é o caso. Os documentos, até prova em contrário, são verdadeiros. Reproduzo novamente uma das telas do sistema interno da UERJ:

Segundo os documentos, Joaquim Barbosa está ativo, “por autorização expressa do Reitor”. Minha fonte me garantiu que ele recebe salários. E ontem me disse que a UERJ apertou o cerco lá dentro, para não haver mais vazamentos, dificultando a obtenção dos contracheques de Joaquim.

Quero ter a confiança de que a UERJ não vai fazer nenhuma modificação de última hora no sistema.

Os documentos mostram que Joaquim é funcionário ativo, e funcionário ativo, até onde eu sei, ganha salário. Quando ele estava em licença não-remunerada, essa condição estava bem especificada lá: funcionário em licença não-remunerada. Esclarecimentos mais consistentes seriam bemvindos.

As peripécias de Barbosa não páram por aí. Ontem mesmo, Barbosa fez outras das suas: 1) Feriu a Lei Orgânica da Magistratura e afrontou uma decisão soberana do Congresso, ao suspender a proposta de criação de mais tribunais; 2) aceitou um mandado de segurança contra o programa Mais Médicos expedido por Jair Bolsonaro. Sim, Barbosa – para bater num dos programas mais ousados do governo Dilma – se aliou a Jair Bolsonaro, o parlamentar mais reacionário do Congresso Nacional.

STF dá 10 dias para presidência prestar esclarecimentos sobre Mais Médicos

Informações serão usadas para embasar o julgamento de mandado de segurança, protocolado pelo deputado federal Jair Bolsonaro. Nota publicada no site da Veja.

A afinidade entre Bolsonaro e Joaquim Barbosa tem sido constante nos últimos tempos. O blog “Familia Bolsonaro” só tem referências elogiosas ao presidente do STF. Durante o julgamento do mensalão, Barbosa fez uma menção relativamente positiva ao deputado Jair Bolsonaro, que motivou um post eufórico no blog:

 

Para quem é o candidato dos sonhos do Partido Militar, não espanta nada que Barbosa seja o ídolo dos Bolsonaro:

 

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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zuleica jorgensen

19 de julho de 2013 às 18h42

Acho que o registro “Ativ.Administ.p/Autorização expressa do Reitor” significa que o professor, no caso, foi deslocado para Atividade Administrativa por Autorização expressa do Reitor. Não quer dizer que ele está ativo, no sentido de estar efetivamente trabalhando.
Agora se há pagamento de salários para um professor que na verdade está ocupando o cargo de ministro do STF, e não cargo administrativo na faculdade, isso me parece não ser correto. Especialmente porque são dois cargos públicos – ainda que em esferas diferentes – e ele, JB, já recebe, pelo STF o teto permitido no serviço público.
Por outro lado, é estranho que o professor, indicado para compor a STF tenha que ser autorizado expressamente pelo Reitor a exercer uma atividade administrativa. Ele pode – e deve – se afastar do cargo temporariamente, porque, se desejar sair do Supremo antes de completar 70 anos, poderá, se desejar, retornar à sua atividade de professor.
O que não pode, de maneira alguma, é receber pelas duas fontes, se o somatório excede o teto.
A manifestação da UERJ é, sim lacônica, e não esclarece absolutamente nada.

Responder

    Jorge Vieira

    19 de julho de 2013 às 23h14

    Comentário absolutamente correto.

    Responder

      Gir leiteiro

      27 de outubro de 2019 às 03h31

      Puxa vida devo agradecer vocês ganharam meu dia que site fantástico cheio de noticias não me canso de Elogiar já é a minha terceira visita por aqui absolutamente fantástico.

      Gir Leiteiro

      Responder

H.92

19 de julho de 2013 às 15h25

O JB é elogiado pelo Bolsonaro, não falta mais nada.

Responder

edson

19 de julho de 2013 às 15h14

Tenho uma dúvida, se por acaso o Batman fosse afastado do STF ele poderia ser candidato a presidente?

Ou o fato de ele estar no STF não impede q ele faça isso?

Responder

    Miguel do Rosário

    19 de julho de 2013 às 15h21

    Ele tem prerrogativa especial (juízes e militares) de poder sair apenas em abril do ano que vem. Se ele for afastado, aí pode cair na lei da ficha limpa, o que seria a maior ironia do mundo.

    Responder

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