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Mídia enganou o Brasil: Jango era super-popular em 64

Por Miguel do Rosário

30 de dezembro de 2013 : 17h19

Eu já tinha ouvido falar da pesquisa Ibope sobre Jango, mas só hoje li esse post do Nassif, que faz alguns comentários políticos sobre a conjuntura daquela época, e lembra que outros países viveram situações similares, com grupos políticos aliando-se a corporações de mídia para aplicar golpes de Estado. Foi o que aconteceu ao Brasil.

Neste ano de 2014 que se inicia, esperemos que as comissões de verdade, tanto a nacional quanto as regionais, se dediquem mais à estudar a origem do golpe de 64: a construção de uma opinião pública artificial, baseada em meia dúzia de colunistas de jornal, numa alquimia esperta para ludibriar a soberania de centenas de milhões de brasileiros.

Em outras palavras, a mídia enganou, deliberadamente, o Brasil. Mentiu descaradamente, porque participava das conspirações para o golpe, e depois continuou mentindo, dizendo ao povo que a “democracia estava sendo restaurada”, quando acontecia o contrário: a democracia dava lugar ao totalitarismo, ao arbítrio e à truculência política.

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Segundo o Ibope, Jango teria sido reeleito em 65

dom, 29/12/2013 – 06:00 – Atualizado em 30/12/2013 – 13:21

Por Luis Nassif, em seu blog

A primeira vez que ouvi falar nas pesquisas do Ibope sobre o governo Jango foi em um congresso da Wapor (a associação latino-americana de pesquisas de opinião) em Belo Horizonte. Participei de um debate sobre o novo papel dos blogs junto à opinião pública. Um dos papers apresentados mencionava dados gerais da pesquisa, localizada nos arquivos que o Ibope doou à Unicamp.

Nesta semana, na Carta Capital, há uma entrevista de Rodrigo Martins com o historiador Luiz Antônio Dias sobre as pesquisas. Os números são impressionantes:

· Em junho de 1963, Jango era aprovado por 66% da população de São Paulo, desempenho superior ao do governador Adhemar de Barros (59%) e do prefeito Prestes Maia (38%).

· Pesquisa de março de 1964 revela que, caso fosse candidato no ano seguinte, Goulart teria mais da metade das intenções de voto na maioria das capitais pesquisadas. Apenas em Fortaleza e Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek tinha percentuais maiores

· Havia amplo apoio à reforma agrária, com um índice superior a 70% em algumas capitais.

· Pesquisa na semana anterior ao golpe, realizada em São Paulo a pedido da Fecomercio, apontava que 72% da população aprovava o governo Jango.

· Entre os mais pobres a popularidade alcançava 86%.

· 55% dos paulistanos consideravam as medidas anunciadas por Goulart no Comício da Central do Brasil, em 13 de março, como de real interesse para o povo.

· Entre as classes A e B, a rejeição a Goulart era um pouco maior em 1964. Ao menos 27% avaliavam o governo como ruim ou péssimo na capital paulista.

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É o mais contundente documento até agora divulgado sobre o desproporcional poder político dos grupos de mídia na democracia brasileira e latino-americana no século 20.

Quase todas as ditaduras latino-americanas foram implementadas por meio de golpes de Estado legitimados por um suposto apoio da opinião pública. E esse apoio era medido exclusivamente pelo volume de notícias veiculados nos grupos de mídia, e pela mobilização que conseguiam em algumas classes sociais. Um enorme espectro da opinião pública passava ao largo desse jogo restrito.

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Depois da redemocratização, houve vários golpes de Estado institucionalizados no continente, não apenas contra governos ditos de esquerda – como o fracassado golpe contra o venezuelano Hugo Chávez – como contra governos tidos como de direita – Fernando Collor, no Brasil, Carlos Andrés Perez, na Venezuela.

Em todos os episódios, juntavam-se interesses contrariados de grupos políticos e de grupos de mídia. Levantavam-se denúncias sólidas ou meros factoides, criava-se a atoarda, passando a sensação de que a maioria da opinião pública desejava a queda do governante.

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O ponto mais relevante das pesquisas do Ibope é mostrar que a chamada opinião pública midiática sempre foi um segmento minoritário indo a reboque de uma aliança que incluíam os grupos de mídia, alguns partidos conservadores e alguns interesses do grande capital.

Esse modelo, que domina o debate econômico e político em todo século 20, chega ao fim com o advento das redes sociais.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Isabeau da Silva

30 de dezembro de 2013 às 21h43

books.google.com.br/books?isbn=8522506175

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Helton Braga

30 de dezembro de 2013 às 21h29

E estão tentando dar outro golpe, e tem asnos que compram esse peixe podre que o PIG e seus asseclas andam vendendo.

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Alberto Cazarin

30 de dezembro de 2013 às 19h40

A mídia vem enganando desinformando e atrasando o país há 512 anos.

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