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São Paulo, a grande armadilha para Eduardo Campos

Por Miguel do Rosário

05 de junho de 2014 : 21h51

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Eduardo Campos está numa situação difícil. Sua campanha se dissolvendo a olhos vistos. Ao que parece, ele cometeu um erro crasso: acreditou na mídia tucana, que o adulou descaradamente com o objetivo de produzir uma terceira via que impedisse uma vitória de Dilma no primeiro turno.
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O Cafezinho Espresso – Análise Diária de Mídia e Política – 05/06/2014 – Exclusivo para Assinantes, favor não reproduzir

Só que o PSB experimentou um grande crescimento eleitoral, sobretudo em 2010, a partir de uma aliança com o PT. Em 2010, PT e PSB estavam unidos em 14 unidades da Federação. Este ano, permanecerão juntos a um ou dois estados, e de eleitorado quase insignificante: Acre e Amapá.

Rompido com o PT, ao PSB restou uma aliança arriscada com o PSDB, porque os tucanos tem o seu próprio projeto político e partidário. A relação entre PSB e PSDB não é saudável, tanto é que está azedando.

Hoje, o “porta-voz nacional da Rede”, o deputado federal licenciado Walter Feldman, atacou duramente a estratégia de Eduardo Campos de se juntar aos tucanos em São Paulo e apoiar a eleição de Alckmin. Os argumentos de Feldman são objetivos:

“O PSB de São Paulo está dando uma chave de braço no seu candidato. Com essa aliança, ele volta a se assemelhar a Aécio Neves”, explica Feldman, acrescentando que se “o PSB for com o PSDB, perderemos nosso patrimônio, que é o tempo de TV. Não vai poder aparecer Eduardo  e Marina na televisão. Nós entregaremos nosso tempo estadual, um minuto. É muita coisa para Alckmin e é tudo para nós”, afirmou Feldman.

Os dois argumentos são demolidores. No entanto, como o PSB não tem candidato competitivo em São Paulo, os quadros do partido no estado apegam-se às suas necessidades fisiológicas. Com Alckmin, tem chance de obter espaço no governo, se os tucanos vencerem, é claro.

Entretanto, de fato, será impossível vender o discurso da “nova política” unindo-se a um conservador de quatro costados, ligado a Opus Deis, com um trensalão ainda apitando no horizonte, e um problema hídrico de proporções anti-diluvianas.

A situação de Campos em São Paulo poderia ser resumida naquela frase: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Ela é fruto, porém, das próprias contradições de seu projeto, que tem uma força muito mais midíatica do que real.

Tanto Campos quanto Aécio dividem o eleitorado de oposição. Como não houve o surgimento de um sentimento de “terceira via”, não na proporção que se precisava, PSDB e PSB passaram a viver uma relação autofágica. Os jantares partilhados entre Aécio e Campos, em restaurantes do Rio ou na casa do governador, em Recife, passaram a servir pedaços de carne dos próprios partidos.

A campanha se polarizou entre o voto no governo e o voto na oposição. Aécio e Campos dividem o eleitorado de oposição. Campos não conseguiu se emplacar como terceira via, dentre outras razões, porque passou a adotar um discurso igual ao do PSDB, um discurso essencialmente neoliberal, para agradar empresários.

A entrada de Marina, apesar de acrescentar, possivelmente, alguns pontinhos nas intenções de voto de Campos, produziu um fato político estranho, que acabou prejudicando ambos os políticos. Marina passou a ser vista como uma oportunista, que almeja o poder a qualquer preço, inclusive se aliando a um partido ultra-convencional e ultra-pragmático, como o PSB, e o Eduardo Campos passou a ser visto como um fraco e um deslumbrado. Fraco porque está deixando Marina desfazer alianças que ele construiu, com muita dificuldade, ao longo de vários anos. Deslumbrado porque reagiu de maneira um tanto provinciana a entrada de Marina em seu partido. Campos meio que perdeu personalidade, tornou-se um ser bicéfalo. Uma cabeça é de um político jovem, que fala bem, um quadro político de competência inegável; a outra cabeça é de uma figura dominada pelo ressentimento, intolerante, que não consegue esconder, por trás da voz suave, um rancor incomensurável contra a esquerda organizada. A prova é sua quase submissão política a figuras simbólicas do grande capital, como o dono da Natura e a herdeira do Itaú.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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20 comentários

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Delano

08 de junho de 2014 às 19h57

Miguel esse artigo é para assinantes, acho importante o blog ser patrocinado por nós leitores e espero que o conteúdo aberto continue com qualidade. Depois esse conteúdo será liberado no blog para todos que não tem assinatura?

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Antonio Torres

06 de junho de 2014 às 22h25

A prima do ET de Varginha e seu amigo são duas figuras fora do mapa político do Brasil.

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Antonio Torres

06 de junho de 2014 às 22h25

A prima do ET de Varginha e seu amigo são duas figuras fora do mapa político do Brasil.

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Ronaldo Braga

06 de junho de 2014 às 16h39

Pelo menos enquanto o Sr. Luis Inacio Lula da Silva estiver vivo e lúcido não tem pra ninguém!

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Manelito Magalhaes

06 de junho de 2014 às 14h04

Miguel, um detalhe que todos esquecemos, até VOCÊ. Todos os estádios que existiam no Brasil, foram construídos com 100% de recursos PÚBLICOS. Exatamente TODOS eles, à excessao de alguns dos particulares,talvez.
A única vez que os estádios no Brasil NAO foram construídos TOTALMENTE, com recursos PÚBLICOS, foi agora com a copa, quando a iniciativa privada entrou com a MAIOR parte dos recursos.
Vamos divultar isso!!

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fernando oliveira

06 de junho de 2014 às 12h17

Aécio, de tradicional família política mineira. Eduardo Campos, neto de tradicional político pernambucano. Será que o eleitor brasileiro está se livrando dos “tradicionais” e raciocinado em cima de idéias e ações mais materializáveis? Espero que sim.

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Leonardo

06 de junho de 2014 às 11h53

Ainda acho que Eduardo Campos fará um estrago tremendo. Este governo mudo, vassalo e imbecil não percebe que a mídia (que eles tanto acreditaram, mais até que Dudu) envenenou a população; aumentou a descrença em muitos e o ódio em tantos outros.

Como o PT se travestia de “ética” e não falava que saúde, educação, reforma-agrária, democratização dos meios de comunicação, transporte público, habitação, emprego e salários são a cara do PT e a razão dele ser e existir, uma parte da classe média despolitizada, leitora do pig acreditou no PT como alguém que até ajudaria aos pobres mas que não mexeria no seu dinheiro. Deu no que deu. O PT não mexeu no dinheiro deles negativamente, mas a campanha midiática mostrando que o PT é o fundador da corrupção, passou para estes que é o dinheiro deles que fez e faz o PT financiar vagabundos! É assim que pensam no fundo de suas almas já apodrecidas pelo ódio e preconceito que o pig competentemente elaborou.

Essa classe média sabem que Aécio é ruim (talvez pior), mas nada têm contra Eduardo e simpatizam com Marina!

Logo, é só algum instituto golpista destes arrumar uns pontinhos para Dudu e aproximá-lo de Aécio que vira um fato novo e fácil, fácil, Dudu passa a ganhar votos dos indecisos, dos desencantados e, pronto!… Perderemos as eleições, pois se no Nordeste, Lula derrotar Dudu, em contrapartida SP, MG, PR, SC, Centro-Oeste do agronegócio, parte significativa do RJ (uma outra – ligada a Picciani – votará em Aécio, tirando votos de Dilma), além de mais uns dois boatos contra o bolsa-família e o Minha Casa Minha Vida… votarão no anti-Lula! Tens dúvida disso?

E sabem o que vai acontecer? A globo mostrará denúncias contra o PSDB, o povo a virá como imparcial; Aécio perderá votos para Dudu; o fator “renovação” terá então, algo – digamos – palpável; a classe média que odeia o PT encontrará um candidato do qual ela não precisará se defender de apoiar um filhote de FHC; a Globo, Veja, Estadão e Folha mostrarão falhas tucanas e a “boa” gestão de Dudu, inclusive seus laços com Lula e… Perderemos as eleições e o projeto de país volta para eles.

Dudu: “novo” como Collor; “progressista” como FHC era em 1994 e – já ia esquecendo – o Serra feliz da vida por, inclusive, ter fornecido a mídia, dados sobre a vida de Aécio.

Portanto, se o governo não tiver uma postura mais altiva, pro-ativa e se comunicar melhor (e isso inclui, desmascarar a máfia midiática), vamos perder as eleições.

E para quem acha difícil Dudu se viabilizar, pergundo: Quem nunca viu um candidato com baixa ou baixíssima intenção de voto crescer e ganhar devido ao apoio da mídia? FHC começou com 2%, tinha 19% em maio/94 (Lula 42%) e Conde no Rio, são dois exemplos. Não quero ver outro.

Essa pesquisa datafalha mesmo que manipulada, aponta para o seguinte quadro, Miguel: Todos cansados do que está aí, mas poucos conhecem Dudu e não votam nele porque HOJE não tem chance.

Se este governo dissesse ao menos que foram investidos R$ 825 bi em saúde, educação e mobilidade entre 2010 e 2014, enquanto apenas R$ 8 (oito) foram EMPRESTADOS pelo BNDES para fazer obras nos estádios, já desmontaria o discurso coxinha, mas não… este governo imbecil e vassalo prefere perder a informar. Lamentável, mas acho que Dilma já perdeu e somente a militância ganhará essa eleição… e o país.

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    Valdeci Elias

    06 de junho de 2014 às 13h28

    Você está Cançado, ou com Medo ?

    Responder

      Leonardo

      06 de junho de 2014 às 15h09

      Com medo um pouco… mas cansado, com certeza. É muita vassalagem e idiotia deste partido e desta gestora para com nosso projeto de país.

      Responder

Maria Aparecida Jubé

06 de junho de 2014 às 11h43

Tá vendo Duduzinho, eu te avisei que você estava pulando numa rede de pescar peixe podre, entrou Eduardo Campos vai sair Duduzinho, bem feito, bem feito, bem feito.

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Traíras

06 de junho de 2014 às 09h44

A solução é Dudu ou Marina entrar na chapa de Aécio como vice. Traíra uma vez, sempre traíra.

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paulo

06 de junho de 2014 às 06h07

dava prá perceber desde o início que campos estaria cometendo suicídio político conscientemente ou por burrice ( ou excesso de sabedoria)….tudo piorou depois de aliar-se a marina silva, que também chancela seu ostracismo político. a oposição/PIG com aécio neves claudica, mesmo com o imenso poder de diuturnamente falar mal do governo, do pt e nenhuma voz discordante para contraponto.

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Marcos.

06 de junho de 2014 às 00h35

…e seu partido vai perder o governo de seu estado. Quem tudo quer, tudo perde.

Responder

Art Fact

06 de junho de 2014 às 02h11

Sobre a assinatura:
Se tiver uma versão acessível ao bolso furado, eu assino. 30 merréis é uma garrafa de vinho de combate a menos…
Ofereço uma garrafa palatável, desde que bebamos juntos.

Responder

Art Fact

06 de junho de 2014 às 02h11

Sobre a assinatura:
Se tiver uma versão acessível ao bolso furado, eu assino. 30 merréis é uma garrafa de vinho de combate a menos…
Ofereço uma garrafa palatável, desde que bebamos juntos.

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Rodrigo Jardim Rombauer

06 de junho de 2014 às 01h45

exatamente. periga se aliar a dilma em um eventual segundo turno. se ele existir.

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Jorge Carvalho

06 de junho de 2014 às 01h12

Caiu de patinho, mas, mesmo assim, não vai ter segundo turno, Dilma direto..!

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Hirto Gervásio

06 de junho de 2014 às 01h10

Acho que a candidatura dele não vinga. Muito fraco, sem graça. Um coitado.

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Otrebor Roberto

06 de junho de 2014 às 01h00

Armadilha? Campos levará uma surra retumbante em PE minando a base eleitoral dele, o resto é consequência. Ele não tem cacife de ser figura nacional sendo rejeitado no próprio estado (a base de esquerda e centro vota em Dilma, restando a ele catar votos da direita reduzida com o Aécio). O adversário real de Dilma continua sendo o PIG e o PSDB.

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