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Notas anti-apocalípticas: mortalidade infantil cai 90%

Por Miguel do Rosário

01 de dezembro de 2015 : 11h44

Leitores me pediram para transformar essas “notas anti-apocalípticas” em coluna diária. Achei ótima ideia.

A nota anti-apocalíptica de hoje não poderia ser melhor e compensa, em larga escala, as notícias negativas sobre o PIB do post anterior.

Segundo pesquisa divulgada hoje pelo IBGE, o brasileiro está vivendo muito mais, e morrendo muito menos.

A expectativa média de vida de um cidadão brasileiro, que era de 45 anos em 1940 subiu para mais de 75 anos em 2014!

As mulheres brasileiras, em especial, estão registrando uma longevidade média digna de países avançados, 78,8 anos!

Outra boa notícia: a mortalidade infantil continua desabando: em 2014, é 90% menor à de 1940.

Esses números destroem absolutamente qualquer argumento saudosista em prol do passado brasileiro.

Nosso passado é triste.  As pessoas viviam menos, e as crianças morriam como moscas.  

Nosso presente é difícil e desafiador.

Mas nosso futuro, se continuarmos ampliando direitos, ensinando deveres e aprimorando nossa democracia, ainda é cheio de esperança!

***

No site do IBGE.

Em 2014, esperança de vida ao nascer era de 75,2 anos

Em 2014, a esperança de vida ao nascer no Brasil era de 75,2 anos (75 anos, 2 meses e 12 dias), um incremento de 3 meses e 18 dias em relação a 2013 (74,9 anos). Para a população masculina o aumento foi de 3 meses e 25 dias, passando de 71,3 anos para 71,6 anos. Já para as mulheres o ganho foi um pouco menor (3 meses e 11 dias), passando de 78,6 anos para 78,8 anos. A taxa de mortalidade infantil (até 1 ano de idade) em 2014 ficou em 14,4 para cada mil nascidos vivos e a taxa de mortalidade na infância (até 5 anos de idade), em 16,7 por mil. Essas e outras informações estão nas Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2014, que apresenta as expectativas de vida às idades exatas até os 80 anos e são usadas pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

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A unidade da federação com maior expectativa de vida ao nascer para ambos os sexos, em 2014, foi Santa Catarina, com 78,4 anos. Santa Catarina também apresentou a maior esperança de vida para os homens (75,1 anos) e para as mulheres (81,8 anos). No outro extremo está o estado do Maranhão, com uma esperança de vida ao nascer para ambos os sexos de 70,0 anos. Para os homens, a menor esperança de vida estava em Alagoas (66,2 anos), e para as mulheres, em Roraima (73,7 anos). Assim, Alagoas apresentou a maior diferença entre as expectativas de vida de homens e mulheres (9,5 anos a mais para as mulheres), e a menor diferença foi observada em Roraima (5,3 anos a mais para as mulheres). Em relação à mortalidade infantil, a maior taxa foi observada no Amapá (23,7 por mil nascidos vivos), e a menor no Espírito Santo (9,6 por mil).

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De 1940 a 2014, mortalidade infantil cai 90,2%

De 1940 a 2014, a esperança de vida ao nascer para ambos os sexos passou de 45,5 anos para 75,2 anos, um aumento de 29,7 anos. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil passou de 146,6 óbitos por mil nascidos vivos para 14,4 óbitos por mil, uma redução de 90,2%.

O comportamento das séries de expectativas de vida para os anos de 1940 e 2014 é bastante diferente até os 5 anos de idade, devido aos altos níveis de mortalidade na infância observados em 1940: se a criança completasse o primeiro aniversário, sua expectativa de vida seria 6,7 anos maior do que ao nascer, vivendo em média ao longo de sua vida 53,2 anos. Em 2014, após completar o primeiro ano de vida, a esperança de vida da criança aumentaria somente em 0,1 ano em relação à esperança de vida ao nascer, e o indivíduo viveria, em média, 76,3 anos.

Todas as idades foram beneficiadas com a diminuição dos níveis de mortalidade entre 1940 e 2014, principalmente as idades mais jovens, onde se observam os maiores aumentos nas expectativas de vida, e com maior intensidade na população feminina.

O declínio dos níveis de mortalidade também beneficiou a fase adulta (15 a 59 anos). Em 1940, de mil pessoas que chegavam aos 15 anos, 535 atingiriam os 60 anos. Já em 2014, de mil pessoas que atingiram os 15 anos, 855 chegariam os 60 anos, isto é, no período, foram poupadas 320 vidas para cada mil pessoas nesta faixa de idade.

A partir dos 60 anos, os aumentos nas expectativas de vida foram significativos. Em 1940, ao atingir 60 anos um indivíduo esperaria viver em média 13,2 anos, sendo 11,6 anos para os homens e 14,5 anos para as mulheres. Em 2014, a esperança de vida para essa idade passou a 22 anos, sendo 20,1 para homens e 23,6 anos para mulheres. De cada mil pessoas que atingiam os 60 anos de idade, em 1940, 788 não atingiriam os 80 anos. Em 2014, essa taxa passou a 421‰, 367 óbitos a menos que em 1940.

Para o grupo de 80 anos ou mais de idade, a esperança de vida passou de 4,3 anos em 1940 para 9,3 anos em 2014. Por sexo, em 2014, as expectativas de vida ao atingir 80 anos foram de 9,9 para mulheres e 8,3 anos para homens; em 1940 esses valores eram de 4,0 anos para homense 4,5 anos para mulheres. Enquanto a expectativa de vida dos homens aumentou 4,3 anos no período, a das mulheres cresceu 5,4 anos, indicando um maior aumento da longevidade da população feminina em relação à masculina.

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Sobremortalidade masculina é maior entre 22 e 23 anos de idade

A mortalidade dos jovens de 15 a 24 anos de idade também diminuiu entre 1940 e 2014, no entanto, o diferencial entre os sexos aumentou. Em 1940, de cada mil jovens que completavam os 15 anos, aproximadamente 59 jovens do sexo masculino e 51 do sexo feminino não completavam os 25 anos, ou seja, uma diferença de oito óbitos a mais para os homens. Em 2014, essa taxa era de 21‰ para os homens e de 5‰ para as mulheres. Enquanto o declínio desta probabilidade na população feminina foi de aproximadamente 90,0%, na população masculina foi de apenas 60,5%. Assim, o diferencial entre os sexos aumentou, chegando a 16 óbitos em 2014, principalmente função dos óbitos por causas externas, que atingem com maior intensidade a população masculina.

A maior mortalidade da população masculina em relação à feminina pode ser observada desde o instante do nascimento. A probabilidade de um recém-nascido do sexo masculino não completar o primeiro ano de vida foi de 15,6 para cada mil nascidos vivos. Para o sexo feminino, este valor foi de 13,2 por mil, uma diferença de 2,4 óbitos. Assim, a mortalidade infantil para os meninos é 1,2 vez maior do que para as meninas.

Entre 2 e 3 anos de idade, este valor passa para 1,3 vez, mantendo-se neste nível até os 7 anos. A partir dessa idade, cresce até atingir o valor máximo entre os 22 e 23 anos: um homem de 22 anos tem 4,7 vezes a chance de não atingir os 23 anos de idade em relação a uma mulher, e a seguir decresce conforme aumenta a idade.

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Comunicação Social
1 de dezembro de 2015

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Fatima Paris

01 de dezembro de 2015 às 17h49

Eba !!! Notícia boa adoro. A idéia de divulgar tudo que for bom, com frequencia é saudável ! Parabéns Cafezinho e parabéns aos leitores que fizeram a sugestão.

Responder

Fatima Paris

01 de dezembro de 2015 às 17h49

Eba !!! Notícia boa adoro. A idéia de divulgar tudo que for bom, com frequencia é saudável ! Parabéns Cafezinho e parabéns aos leitores que fizeram a sugestão.

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Daniel Ladeira

01 de dezembro de 2015 às 15h52

Vamos dar o troco também com notícias boas, a mídia esgoto e os tucanos não suportam isso.

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Cláudia Versiani

01 de dezembro de 2015 às 14h06

Realmente é uma ótima notícia. O problema é que as mortes por confronto com a policia sobem vertiginosamente. Já ouvi profissionais de saúde dizer que as mortes que eles evitam na infãncia a polícia se encarrega de executar na juventude. É triste.

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    O Cafezinho

    01 de dezembro de 2015 às 14h12

    Sim, e isso é culpa também desse judiciário infame, que não pune policiais homicidas. E culpa de todos nós, claro.

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    Cláudia Versiani

    01 de dezembro de 2015 às 14h15

    Além da estrutura militarizada das PMs, orientadas para o confronto e não para a proteção dos cidadãos.

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