Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Brasília - DF, 02/02/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante Sessão solene destinada a inaugurar a 2ª Sessão Legislativa Ordinária da 55ª Legislatura do Congresso Nacional. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Volta à normalidade

Por Miguel do Rosário

02 de fevereiro de 2016 : 17h59

[s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]Análise Diária de Conjuntura – Tarde – 02/02/2016

A histeria anti-Lula da mídia parece ter murchado repentinamente, com certeza em virtude da reação negativa das redes sociais. [/s2If]

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A volta das atividades legislativas, por sua vez, foi marcada pela presença de Dilma Rousseff na sessão de abertura, uma novidade.

Assessores de parlamentares de oposição planejavam criar alguma cena para mostrar no Jornal Nacional, mas não conseguiram.

A presidente foi recebida com muitos aplausos pelos parlamentares e fez o seu discurso tranquilamente, interrompida por palmas ou vaias conforme anuncia os projetos que o governo pretende enviar ao Congresso este ano.

É sempre importante lembrar que, em 2015, a despeito da crise política e do ambiente extremamente polarizado na Câmara, o governo conseguiu vencer praticamente todas as batalhas. As votações perdidas na Câmara foram vencidas no Senado e, na volta à Câmara, chanceladas por número suficiente de deputados.

A natureza tende ao equilíbrio, e a política não foge à regra. Dilma não tem maioria na Câmara, mas tem votos suficientes para segurar seus vetos. Isso e mais a tranquila maioria no Senado garante a tão sonhada estabilidade do governo.

Dilma defendeu a volta da CPMF (neste momento principalmente é que foi vaiada por alguns gatos pingados da oposição), a reforma da previdência, e uma regulamentação para o setor de telecomunicações.

A Globo, com sua desonestidade de sempre, optou por dar destaque exclusivamente às vaias de parlamentares de oposição, e sem fazer nenhuma observação editorial sobre a falta de elegância do gesto – afinal não são “populares”, são deputados ou senadores cujo poder emana do mesmo voto popular que, em muito maior escala, elegeu Dilma Rousseff.

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A reforma da Previdência é a carta na manga da presidenta para lidar com o grande capital internacional, disposto a fazer investimentos de longo prazo no país, mas querendo algum tipo de sinalização de que as contas públicas se manterão equilibradas não apena no curto prazo, mas nos próximos cinquenta anos.

É uma reforma necessária, e que, tocada por uma coalização liderada pela esquerda, evitará que seja feita com truculência, desrespeitando direitos adquiridos ou cometendo excessos neoliberais.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, optou por uma agenda liberal, defendendo independência do Banco Central e a retirada da obrigatoriedade da presença da Petrobrás na exploração do pré-sal.

As duas iniciativas de Renan, porém, parecem apenas jogo de cena. A independência do BC já é praticamente uma realidade, e tem sido aliás um dos principais problemas, e não virtudes, da nossa política econômica.

Quanto ao monopólio da Petrobrás sobre o pré-sal, a iniciativa chega atrasada. Com a queda dos preços do barril, as petroleira do mundo inteiro estão quebradas. E devem continuar assim durante alguns anos, até os preços se normalizarem. Qual delas gostaria de arcar, sozinha, com os altos custos de explorar pré-sal na costa brasileira?

Bem melhor ter a Petrobrás como parceira, já que a estatal é a única que detêm tecnologia avançada para extrair petróleo a baixo custo.

Os discursos de Dilma e Renan Calheiros, apesar das divergências entre si, mostram Planalto e Senado mais unidos politicamente, como que pactuados em torno da governabilidade, e sinalizam um ano menos turbulento do que o que passou.

Michel Temer, o vice decorativo, não esteve presente na cerimônia. Renan Calheiros é o novo presidente virtual do PMDB. Ele é quem dá as cartas no partido a partir de agora.

O impeachment não deu certo.

Pelo jeito, não apenas não conseguirão prender o Lula como ele poderá emergir ainda mais forte da forte campanha de que é alvo.

O governo aprovou tudo que queria em 2015 e não deve encontrar obstáculos maiores para aprovar tudo que quer em 2016.

Com exceção da CPMF, que alguns setores pegaram como espantalho principal, mas que interessa talvez mais aos governdos estaduais e aos municípios do que ao Planalto, que tem encontrado, discretamente, outras fontes tributárias para cobrir o déficit fiscal.

Será um ano difícil por causa da conjuntura econômica, que é complicada, em virtude de um quadro internacional ainda incerto, com redução do crescimento chinês, queda excessiva dos preços de petróleo e recessão na Europa.

Dessa vez, porém, há pelo menos um horizonte à frente: o ciclo negativo encerra-se este ano. A partir do segundo semestre, os ajustes naturais ou forçados experimentados pela economia começarão a fazer efeito.

Politicamente, as eleições municipais servem para canalizar as energias politicas para o exercício saudável das campanhas eleitorais. As posições políticas na sociedade também tendem a ser mais transparentes, e por isso mesmo mais democráticas.

Só pelo fato de todos os golpes terem sido enterrados, e haver a perspectiva de que o governo possa trabalhar com mais tranquilidade, levando seu mandato até o fim, já faz o país respirar com mais regularidade.

Os movimentos mais extremistas são obrigados a recuar.

A mídia até tentou recriar, com auxílio de uma Lava Jato operando mais que nunca de maneira politizada, uma atmosfera de crise política e golpe.

Não conseguiu.

O tensionamento cresceu além do que se esperaria num período de pré-carnaval, mas não chegou aos parlamentares. Não a ponto de fazer o sentimento golpista crescer na Câmara mais do que existia antes.

O golpismo continua a refluir, apesar da histeria midiática.

Há espasmos de truculência, como o discurso do novo presidente da OAB – mesmo assim, se lermos esse discurso de maneira desapaixonada, compreende-se facilmente que não é um discurso golpista; pelo contrário, é um esforço quase doloroso para convencer os golpistas a aceitarem o resultado das urnas e encontrarem outra maneira para desafogar suas frustrações.

A luz volta a brilhar no fim do túnel, e não é um trem vindo do lado oposto.

O país pode voltar à normalidade.

O país quer voltar à normalidade.

O que não significa que teremos pasmaceira política.

O próprio estado de crise política parece ser a normalidade.

A crise produz soluções inventivas e criativas. Faz parte do processo democrático, em particular do nosso país.

Contanto que não degenera em soluções de força, tais como golpes de Estado, disfarçados ou não de impeachment ou cassação de mandato, a crise política faz parte do processo de aprendizado e experiência políticas a que todos estamos sujeitos.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Glauco Silva

02 de fevereiro de 2016 às 21h58

Não vai Mauricio Cardoso Bento, Dilma Rousseff só sai em 2018, vai se acostumando, lá na eleição o Lula volta ai teremos o Triplex que vocês tanto sonham em adquirir!! !

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    CVILELA

    02 de fevereiro de 2016 às 21h48

    Caro Maurício,
    Como bem disse o ministro Jacques Wagner, o momento de baixa popularidade não constitui crime.Portanto, grande parte da população insatisfeita diz besteira quando concordam com o impeachment sem a certeza do envolvimento direto da presidente, pois se fosse assim, prefeitos e governadores, inclusive de SP, deveriam sofrer o processo dado a enorme insatisfação com os políticos como um todo.

    Responder

Mauricio Cardoso Bento

02 de fevereiro de 2016 às 20h26

Vai…

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