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O nada bom e muito velho entreguismo

Por Redação

17 de fevereiro de 2016 : 23h21

por Tadeu Porto, colunista do Cafezinho

Não é de hoje, nem de ontem.

Também não começou no tempo do walkman ou mesmo nos clássicos acirrados entre o Galo e o Flamengo. Não teve origem na ditadura militar, nem ouvindo Elvis Praslei ou em meio as revoltas da Chibata ou de Canudos, na Guerra da Farroupilha, Inconfidência Mineira ou Revolução de Beckman.

O entreguismo nacional é mais velho que a serra, como se costuma dizer aqui nas minhas Minas Gerais, sem perdão algum ao trocadilho que escrevi com muito prazer! ;)

Não importa em qual página vamos abrir o livro de história. Ou melhor, não importa que palavra vamos procurar na busca de um PDF que contenha a trajetória do Brasil (não quero parecer velho e me prender ao papel): sempre vamos encontrar algum exemplo de uma classe entreguista – geralmente uma elite – que não acredita num desenvolvimento local.

Do pau-brasil à cana de açúcar; das drogas do sertão ao café; da mineração à agropecuária; da borracha ao algodão houve oportunidades de impulsionar uma industria nacional que foi preteria pelo desejo de entregar nossas commodities nas mãos estrangeiras e viver exclusivamente da extração material sem agregar valor à nossa matéria prima.

Claro, existe exceções. Uma delas, que a nobreza parece não ter engolido até hoje, foi a Petrobrás.

Bancada por Getúlio Vargas, numa briga ideológica acirrada entre nacionalistas e entreguistas – que rendeu “o poço do Visconde”, um belo episódio do Sítio do Pica Pau Amarelo, de Monteiro Lobato –  a Petróleo Brasileiro hoje é pioneira na exploração e produção de águas (ultra) profundas, descobriu um dos maiores reservatórios da história recente, impulsiona aproximadamente 13% do PIB nacional e foi chamada, na década passada pela Carola Hoyos do Financial Times, como uma “nova irmã” das sete grande da geopolítica do petróleo atual.

Não resta dúvidas que Getúlio acertou, em cheio, quando enfrentou a sanha estrangeira pelo nosso óleo, até mesmo porque os fatos da Petrobrás versam por si só.

Mas o entreguismo é como como aquela gordurinha na barriga, basta faltar dois dias no crossfit e tomar uma gelada no final de semana que é batata (hoje estou no clima de trocadilhos).

Mesmo com toda a Petrobrás apresentando uma trajetória de mais de meio século de sucesso, e os resultados desastrosos que advindos do não investimento numa industria nacional quando era mais apropriado, não é de surpreender, portanto, que o desejo de entregar nossas riquezas para o estrangeiro ainda apareça por meio de argumentos superficiais e sofistas.

A tentativa de abertura do pré-sal é um exemplo claro disso: mal começou o regime de partilha em si e o senador José Serra, do PSDB-SP, lançou um projeto de lei que tenta fazer exatamente o que ele prometeu a Chevron na sua pré-candidatura à Presidência da República em 2010: deixar os estrangeiros virem explorar nossa óleo e gás, sem agregar valor algum às comoditties.

Claro, com toda essa receita em royaltie Serra, por mais antipático que seja, acabou ganhando a simpatia de políticos que adoram aumentar a arrecadação sem ter trabalho de investir em infraestrutura que gere empregos e renda fixa aos trabalhadores e trabalhadoras. Ademais, a elite local precisa que trabalhos na industria fiquem de lado, para que as pessoas sejam livres para executar os serviços, com baixo custo, que fazem os mimos da burguesia.

Todavia, a conjuntura atual do petróleo é de competição mundial e não de parcerias ou apadrinhamento, como quis colocar o presidente da Shell que quer “dividir os riscos” do pré-sal com a Petrobrás (bonzinho ele, não?). Na última grande crise do petróleo, na década de 60, só as empresas mais fortes sobreviveram a ponto da OPEP ser criada e as sete irmãs virarem quatro, ampliando o oligopólio do ouro negro.

Sendo assim, cabe a nação decidir o que queremos ser depois que sairmos dessa crise: um país que controla seus bens estratégicos ou entrega para os estrangeiro sem compromisso com a cadeia produtiva.

Se vamos ter uma empresa que possa suprir as demandas nacionais, mesmo que se trabalhe numa margem de lucro menos expressiva, ou se vamos criar novas “Samarcos” que colocam os dividendos acima da responsabilidade socioambiental.

Devemos escolher entre ter um amplo espectro de empregos gerados nacionalmente – industria naval, refinarias, termoelétricas, fertilizantes, logística e afins – ou se vamos deixar que apenas a arrecadação de royalties ditem o ritmo de aceleração dos mercados locais.

Enfim, no solteiros x casados da história nacional, vamos jogar ao lado dos entreguistas ou nacionalistas?

Façam suas escolhas!

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

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17 comentários

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leonardo couto

20 de abril de 2017 às 16h36

Fhc é agente da fundação Rockfeller e do departamento do estado dos Eua,e aqui no Brasil ele representa ideologicamente os setores mais conservadores do Brasil,e por trás deles se encontra uma imprensa superficial e sem idéias que servem muito bem a interesses de seus patrões que ainda acreditam que o comunista é aquele que come criancinhas,eu desprezo profundamente este setor conservador brasileiro que devem ser afastados do poder de vez e destruídos financeiramente,e adoro competição,o que falta ao nosso país mas permitindo com ética e respeito as diferenças.

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leonardo couto

20 de abril de 2017 às 16h27

Ora estou cansado da posição burra passiva entreguista e medíocre de certo setor da elite e classe média brasileira que são tolos e adoram dar um tiro no próprio pé não confundir os Estados Unidos nação este é até parecido com o nosso com o setor financeiro e militar que é asqueroso,este é inimigo até deles mesmos,então temos os estados Unidos que gosto de um lado que representa em parte os ideais dos pais fundadores com o Usa dos bancos e do complexo militar que é o pior modelo político que conheço,acredito que as Américas Unidas de modo justo e equilibrado respeitando valores realmente democráticos e não plutocráticos tem tudo para fazer o mundo melhor porque acredito na mentalidade inovadora do homem e não do negócio a todo custo,baseando o ganho financeiro a favor dos bens de consumo e a criatividade.

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Werickssen Motta

18 de fevereiro de 2016 às 21h39

Melhor que deixar o PT acabar com o resto da Petrobrás né ?

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Gugu Mello

18 de fevereiro de 2016 às 13h22

Agora, é a vez das autoridades fiscais, do Ministério Público e da Polícia Federal investigarem um presidente da República que usou uma lavanderia de dinheiro em um paraíso fiscal para mandar dinheiro para a amante que a TV Globo escondia na Europa.
E de onde vieram esses 100 mil dólares disponibilizados para Mirian Dutra.
Porque está cada vez mais claro que FHC, (…) tinha outras e maiores rendas que não provinham do salário de presidente.
Dessa vez, se o Ministério da Justiça não se movimentar, irá se configurar um caso de deboche contra o contribuinte, contra a nação.
Nação que acompanha, perplexa, uma perseguição implacável da mídia, da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal a um outro ex-presidente acusado de levar cervejas demais para um sítio em Atibaia. – por Leandro Fortes.

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Rozana Barros

18 de fevereiro de 2016 às 13h17

O povo brasileiro é o único que entrega as suas riquezas ao capital estrangeiro e vive de migalhas! Povo mais burro do mundo!

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Helio Eduardo Pinto Pinheiro

18 de fevereiro de 2016 às 13h06

O VELHO SONHO DOS ” ENTREGUISTAS”…VENDER TODO O PAÍS!!! O ÓDIO DELES PELO QUE ” OUTROS” CONSTRUÍRAM NÃO SÓ É VISÍVEL, COMO SEM EXPLICAÇÕES!!!

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Replicante Seletivo

18 de fevereiro de 2016 às 13h00

Um pouco da nossa história, com este entreguismo que sempre nos assolou pesadamente. Séculos de dependência, para manter uma minoria preguiçosa, privilegiada no imediatismo da boa-vida que a natureza confiscada lhes proporcionou. Atentos às oportunidades que a nossa miséria endêmica sempre lhes patrocinou, os entreguistas de carteirinha continuam em sua velha sina de desdenhar nossas riquezas para mais lucrar com a pobreza alheia.

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Bruno Scheuenstuhl

18 de fevereiro de 2016 às 12h41

Não conseguiram antes. O torpedo passou raspando. Será que agora vai?

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Kleber Silva

18 de fevereiro de 2016 às 11h33

#PovoComLula
#LulaEuConfio #ForaEduardoCunha #Nãovaitergolpe #Dilmafica

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Julio Avz

18 de fevereiro de 2016 às 11h22

Antigamente o submarino tinha outra bandeira kk

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Ricardo Edmundo Cecconello

18 de fevereiro de 2016 às 09h17

SENADOR ALOYSIO DO PSDB – PARTIDO SUPOSITÓRIO DA BUNDA – REQUER PETISTA LULA EXPLIQUE O SÍTIO EM ATIBAIA
Mas o ex comunista assaltante de trens, e motorista de ladrões, não consegue explicar as sacolas com COCAÍNA na sua fazenda, sequer explica direito com que recursos comprou a fazenda.
Além de tudo isso, ninguém consegue explicar a fortuna dos filhos do FHC e da filha do Serra, do mesmo Partido Suposítório do Brazil.
Além do mais, expliquem como se eu fosse um bebê DO QUE VIVE O ZE SERRA? No que trabalha? Como sobrevive sem trabalhar?
Senador Aloysio, a história de FURNAS e seu “xerador mineiro” ainda não está explicado quanto ao heliPÓptero com meia tonelada de cocaína.
E o caso do mensalão paulista, aliado do trensalão paulista, com o merendão paulista, tudo roubado pelos membros dos políticos atrelados ao PARTIDO SUPOSITÓRIO DO BRAZIL – PSDB
Repararam que o governador do estado terrorista político policial do MP paulista, que faz parte do PARTIDO SUPOSITÓRIO DO BRAZIL – PSDB, o tal Al ku min, diz que mesmo o PSDB estar no poder faz vinte e cinco anos reinando em SP com contas “marília” na Suiça, sempre Al Ku Min diz que “não sabia de nada” e que todos do PARTIDO SUPOSITÓRIA DA BUNDA – PSDB – são “santos”?

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    Helio Eduardo Pinto Pinheiro

    18 de fevereiro de 2016 às 13h08

    PARTIDO SUPOSITÓRIO DO BRASIL…. ” ÓTIMO” !!! DE RESTO, SÓ VERDADES! BOA!

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    Gugu Mello

    18 de fevereiro de 2016 às 14h33

    Agora, é a vez das autoridades fiscais, do Ministério Público e da Polícia Federal investigarem um presidente da República que usou uma lavanderia de dinheiro em um paraíso fiscal para mandar dinheiro para a amante que a TV Globo escondia na Europa.
    E de onde vieram esses 100 mil dólares disponibilizados para Mirian Dutra.
    Porque está cada vez mais claro que FHC, (…) tinha outras e maiores rendas que não provinham do salário de presidente.
    Dessa vez, se o Ministério da Justiça não se movimentar, irá se configurar um caso de deboche contra o contribuinte, contra a nação.
    Nação que acompanha, perplexa, uma perseguição implacável da mídia, da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal a um outro ex-presidente acusado de levar cervejas demais para um sítio em Atibaia. – por Leandro Fortes.

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Mirtes Costa Costa

18 de fevereiro de 2016 às 09h11

PSDB o Partido que só DÁ FOME e mais nada.

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Petralha Zuero

18 de fevereiro de 2016 às 09h08

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Pedro Lucas

18 de fevereiro de 2016 às 09h08

Começar um boicote a Shell

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antonio carlos martins

18 de fevereiro de 2016 às 00h35

bota o cerra pra correr!

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