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O abandono de Eduardo Cunha

Por Pedro Breier

15 de julho de 2016 : 09h52

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

Eduardo Cunha parece finalmente ter entrado em uma inexorável trajetória descendente. Na madrugada de quinta-feira o candidato do centrão e da ala do PMDB aliada a Cunha, Rogério Rosso (PSD), perdeu a eleição para a presidência da Câmara. Rodrigo Maia (DEM) ganhou com folga no segundo turno. O líder do PTB, Jovair Arantes, apoiador de Rosso, disse que o governo interino estava atuando pela vitória de Maia. Certamente não foi o que Cunha e Temer combinaram na reunião privada que tiveram em um recente domingo à noite.

Nessa reunião foi acertada a renúncia de Cunha à presidência da Câmara, como parte da estratégia para tentar salvá-lo. Após a renúncia veio a contrapartida acertada com Temer: o relator do recurso de Cunha na Comissão de Constituição e Justiça, Ronaldo Fonseca (PROS), apresentou parecer defendendo a anulação da votação favorável à cassação de Cunha no Conselho de Ética, logo após o governo golpista nomear um aliado de Fonseca, José Ricardo Marques, para a presidência do Arquivo Nacional.

Mas na votação do parecer do relator, na CCJ, não teve jeito. O relatório favorável a Cunha foi rejeitado por 48 votos a 12. Novo parecer, desta vez rejeitando os recursos do ex-presidente da Câmara, foi aprovado por 40 votos a 11, fazendo com que o processo de cassação não volte para o Conselho de Ética e seja encaminhado ao plenário, onde os prognósticos são sombrios para o marido de Cláudia Cruz.

O que chama a atenção na votação na CCJ é que Cunha foi abandonado inclusive por alguns dos seus mais fieis aliados. Paulinho da Força (SD) e André Moura (PSC) nem compareceram à sessão. Dos seis deputados do PMDB que participaram da votação apenas dois votaram a favor de Cunha. As bravatas de E.C. durante a sessão na CCJ – “A covardia que podemos ter hoje pode ser o precedente que vai condenar amanhã muitos” – não surtiram efeito.

Com o cerco a Eduardo Cunha se fechando aumenta a expectativa sobre uma eventual delação premiada. Seria “a maior delação premiada da história da humanidade”, nas palavras do deputado Silvio Costa (PT do B). De fato, não é nada desprezível a hipótese de um homem acuado, vendo a mulher e filha investisgadas e abandonado pelos antigos aliados resolver delatar para diminuir os danos a si e sua família. O problema é que Cunha conhece o jogo da república de Curitiba. O especialista em negociatas provavelmente passaria a atuar no mercado das delações, vendendo as informações desejadas pelo MPF e talvez o seu silêncio para alguns ex-comparsas, por que não? Pessoas como Cunha levam a sério aquelas frases de autoajuda no estilo “transforme as crises em oportunidades”.

 

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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14 comentários

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Zé Tavares

16 de julho de 2016 às 16h58

Já li e muitos de nós já leram que o Cunha cobrava – e com firmeza – para realizar os mais variados “pedidos”, nada saia de graça.
Até agora não soube de alguém perguntando ao E. Cunha quanto ele cobrou pelo serviço do impeachment. E quem o pagou. Vale uma reportagem investigativa.

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Sales Machado Mota Machado

16 de julho de 2016 às 09h43

A boiada estourou. Vai ter chorinho agora Eduardo?

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Fabio Rodrigues

15 de julho de 2016 às 19h53

Eu desejo que o Temer vá tomar no Cunha.

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Sérgio Silveira

15 de julho de 2016 às 19h39

SE cunha for acusado e resolver delatar, adivinhem quem será o delatado (para agradar moro)? LULA…

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gilberto

15 de julho de 2016 às 19h38

Cunha conhece muito bem Temer e sabe que lealdade não é seu forte, por isso bem feito.

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Flavio Wittlin

15 de julho de 2016 às 19h02

MORTE & EDUARDO CUNHA.

No livro “Sorria, você está na Rocinha”, de Julio Ludemir, MORTE é o nome dado a um pistoleiro vil e cruel, que agiu ali a soldo do tráfico.
Permanentemente armado, temido por todos, ninguém ousava por-se no caminho de MORTE. Aconteceu, porém, um dia que ele discutiu com alguém, por bobagem, e em plena via pública sacou da pistola. Os chefões do tráfico souberam e passaram um esporro no MORTE, o que o deixou borrado. No monopólio da matança na comunidade, só os capos, bem entendido?
EDUARDO CUNHA é o MORTE do Congresso Nacional. Agiu sempre a mando dos seus chefes maiores, quase invisíveis. Enquanto serviu, arrotou e tratorou os inimigos. Mas, não servindo mais, corre o risco até de virar carne para urubu. No final, terá valido tudo se o pulha tiver gerado filhotes capazes de exercer semelhante papel para seus capos. Rodrigo Maia, por exemplo.

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Maria Thereza G. de Freitas

15 de julho de 2016 às 17h50

onde o projeto golpista nos levou. todos os comentários, até agora, apontam para uma descrença absoluta no MP, nos/as deputados/as, no STF. Faço coro e todos temos razão.

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Pedro Pedro

15 de julho de 2016 às 17h09

Engano: o acunhado acertou com o temerista a vitória do maia. o rosso, mera isca. a cassação do acunhado não acontecerá nunca. nem se o stf (o que também duvido) o condenar…

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rogeriobezerra

15 de julho de 2016 às 16h54

Cunha será sugado e desidratado, mas não será moído. Preço do golpe pago para a Justiça(rarraar): Aumento de mais de 62% para os ativos do judiciário (não 41,47%, se informem). Tá bom prá vocês?

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João Ostral

15 de julho de 2016 às 15h43

Uma coisa é certa, se abandonaram o Cunha, é porque tá tudo arranjado. Delação dá o que o MPF quizer que dê. O resto, não vem ao caso.

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CARLOS C

15 de julho de 2016 às 13h33

Com o desprezível quilate de nosso MP e Justiça, caso Cunha resolva fazer uma delação premiada, tudo que venha a interessar de fato ao país, será omitido. Nossas instituições não possuem nenhum compromisso com a cidadania brasileira, muitos gostariam que fôssemos apenas mais uma estrelinha naquela bandeira azul, vermelha e branca.

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Jose Francsico Francisco

15 de julho de 2016 às 11h05

E o Cunha vai aceitar um acordo da seguinte maneira: Vou mentir descaradamente acusando o Lula e a Dilma e vocês me deixam com minha família com prisão domiciliar e em paz.
Sabe o que os Fanfarrões vão dizer de bate pronto: “Topamos”

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Maria Aparecida Lacerda Jubé

15 de julho de 2016 às 10h55

Se o MPF resolver aceitar uma delação do Cunha, ela será duplamente premiada, ele ganhará muitas benesses da justiça por delatar aqueles que o MPF deseja que sejam delatados, os petistas, e vai vender a não delação aos antigos aliados, podendo garantir um bom patrimônio, o que será de muita valia se, o MPF resolver incluir na delação, a devolução de parte do que foi roubado.

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eto

15 de julho de 2016 às 10h38

Realmente, a delação de Cunha iria ser recheada de itens para prejudicar o PT e omitir a maior massa, seus aliados políticos. O pior, é que aposto que não seria totalmente uma decisão dele, mas dos “republicanos” do MPF… da república de Curitiba.

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