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Sao Paulo, 16 de janeiro de 2014. Acao da prefeitura de sao paulo na regiao da luz-centro promove trabalho para viciados em crack. FOTO: FABIO ARANTES/SECOM

Fim “De Braços Abertos” preocupa especialistas

Por Redação

04 de outubro de 2016 : 18h15

(Foto: Fábio Arantes/ Secom)

Intenção de Dória de acabar com “De Braços Abertos” preocupa ativistas e entidades

no Justificando

O prefeito recém eleito na cidade de São Paluo, João Dória (PSDB), afirmou na semana passada, durante campanha eleitoral, que se fosse eleito acabaria com o programa De Braços abertos. Criado em janeiro de 2014, pela gestão de Fernando Haddad (PT), o programa diminui consideravelmente o consumo de crack de seus beneficiários.

Dória afirmou que abandonará o programa adotado por Haddad para investir no programa Recomeço, baseado na abstinência da droga e capitaneado pelo Governo Estadual de Geraldo Alckmin.

“Nós não vamos continuar com o programa Braços Abertos, não é um bom programa para a cidade. Nós vamos adotar o programa Recomeço, que o governo do Estado realiza nesta área, com a participação de duas secretarias: a de Promoção Social e da Saúde. Este programa propõe a internação daqueles que são vítimas do crack, que são psicodependentes, para que eles nesta internação, com tratamento clínico, eles podem ficar afastados das drogas”, disse.

A intenção do candidato preocupa muito especialistas no tema. Para Nathália Oliveira, da Iniciativa Negra Por Uma Nova Política de Drogas (INNPD) e do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), o de Braços Abertos representou avanços ao priorizar direitos para pessoas que não tinham. “Esse é o maior êxito do programa, enquanto que a maioria dos outros programas querem barrar direitos, internando pessoas a força e retirarando elas do convívio com a sociedade”.

Nathália afirma que acabar com o programa é uma ameaça a todo um trabalho que vem sendo desenvolvido com os usuários do território.

“Vamos continuar ali na resistência, tanto no Conselho Municipal de Política de Drogas e Álcool, como em outros espaços que a gente participa. Buscando encontrar uma melhor maneira de acomodar esses usuários e fazendo um enfrentamento de não permitir que o de Braços Abertos seja simplesmente desmontado.”

Além disso, ela considera que a preocupação de Dória não é com os usuários, e sim em acabar com um dos símbolos da gestão Haddad e criar a sua. “Esse é o jeito do PSDB de governar”, conclui.

Entidades de Direitos Humanos também prometem resistência ante a intenção de abandono do programa. Na última quinta-feira (28), em reação aos candidatos que estavam se posicionando contra o de Braços Abertos, movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos humanos lançaram o manifesto “Defesa do Programa De Braços Abertos, do Cuidado em Liberdade e da Democracia”.

Já o manifesto defende que o programa “trata-se de propostas que visam a garantir interesses econômicos de donos de comunidades terapêuticas e instituições asilares, fortalecendo a diminuição do SUS e o sucateamento da saúde pública, pela produção de farsa, sofrimento e segregação”.

Assinado pela Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo (Feasp), CUT-SP, Levante Popular da Juventude, Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Rede de Médicos e Médicas Populares e Sindicatos dos Psicólogos de São Paulo (Sinpsi-SP), a nota defende que:

“O programa acolhe pessoas e oportuniza, com a transdisciplinariedade, resultados na reconstrução de sujeitos a partir do respeito aos seus direitos humanos fundamentais, contrariando a lógica higienista e militaresca das operações de dor e sofrimento, das internações compulsórias, do financiamento público de comunidades terapêuticas e de entidades pseudorreligiosas para institucionalização de quem se cuida, da manutenção e ampliação do número de leitos em hospitais psiquiátricos e em instituições asilares, incrementando apenas seus lucros, sem se importar de fato com a saúde pública.”

Programa é adotado como exemplo pela ONU

Através de moradia em hotéis, oportunidades em frentes de trabalho e alimentação aos moradores de rua e frequentadores da Cracolândia, o programa tem sido referência no Congresso Mundial sobre Drogas nas Nações Unidas como uma das políticas de redução danos com melhores resultados. A atuação em frentes de trabalho como varrição de ruas, jardinagem e reciclagem, aliadas a atividades culturais como a publicação do fanzine, tem trazido benefícios que superam os 568 reais recebidos mensalmente para cada inscrito.

Em maio desse ano, uma pesquisa da Secretaria Municipal da Saúde levantou que 88% beneficiários do programa afirmaram ter reduzido o consumo de crack. Segundo a pesquisa, antes de entrarem no de Braços Abertos, 65% dos usuários diziam permanecer sob o efeito da droga o inteiro. Agora, apenas 5% dos beneficiários permanecem nessa situação.

Além disso, o número de pedras consumidas pelos beneficiários reduziu 60%, caindo de 42 por semana para 17. Embora não seja uma exigência do programa, 84% dos que participam garantem que estão em tratamento de saúde contra a dependência.

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11 comentários

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Adyneusa Moura Oliveira

06 de outubro de 2016 às 23h27

São Paulo virou o Texas do Brasil, onde pessoas ficam sentadas com uma espingarda, esperando o primeiro imigrante aparecer para atirar.
São Paulo virou reacionária, fundamentalista, ignorante, retrocesso geral.
Texas do Brasil.

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Roberto

05 de outubro de 2016 às 11h42

Se a abstinência não funcionar ele copia o presidente das Filipinas.

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Welbi Maia

05 de outubro de 2016 às 10h07

O programa De Braços Abertos, ao contrário que o prefeito Fernando Haddad diz, não reduz danos. Aliás, aumenta. Ele mantém os dependentes químicos perto das drogas e até ajuda a financiar o tráfico, ao dar dinheiro a pessoas ainda não recuperadas. Isso dificulta ainda mais o trabalho das polícias no combate ao tráfico de drogas na região. O governo Alckmin, além de ajudar os dependentes químicos e familiares com o programa Recomeço, combate ao tráfico de drogas com as polícias civil e militar.

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    Adyneusa Moura Oliveira

    06 de outubro de 2016 às 23h24

    Ele não dá dinheiro, ele dá emprego, dignidade a pessoa, excluída pela droga.
    Quem o reduziria a droga, seria o governador fazer seu papel, com a PM combater o tráfico na região.
    Mentira que o governo combate as drogas, senão, de onde vem essa droga, se ele combate, na sua opnião.
    Conta pra nós, já viu alguma operação da PM do Alckmim contra as drogas?
    Mostra pra nós esse trabalho dele, que não conhecemos.
    O que conhecemos, é pacto que fez com o PCC.

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André Zanin

04 de outubro de 2016 às 23h07

“88% afirmam ter reduzido o consumo da droga (eles falam oq querem)”, ou seja, continuam consumindo ea prefeitura ainda paga pra eles comprarem a droga. Seria efetivo se uma grande parcela deixasse de consumir a droga. Pagar pra eles consumirem é brincadeira, ainda mais na situação econômica que o país passa. Não deu certo, logo deve-se procurar outro método.

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    Eder

    17 de outubro de 2016 às 08h55

    Quanta bobagem

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boronov

04 de outubro de 2016 às 22h34

PITACO DO BORÕ: A POPULARIDADE DO DÓRIA VAI SE DISSOLVER COM MENOS DE 100 DIAS DE GOVERNO. IGNORAR PROPOSTAS HUMANISTAS TEM SEMPRE UM EFEITO DEVASTADOR PARA O CHEFE DO EXECUTIVO.

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Jst

04 de outubro de 2016 às 21h50

Presumo que muitos dos beneficiários do programa votaram neste “gestor”, afinal foi o mais votado em regiões pobres.
Então, tem que acabar mesmo. Se votaram nele é porque concordam com o fim do programa.

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Charles

04 de outubro de 2016 às 20h53

Na boa, São Paulo é a pior cidade do Brasil, e seu povo que humilha e xinga tanto nordestino e nortista por serem “incautos” não tem moral nenhuma pra falar nada.

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    Adyneusa Moura Oliveira

    06 de outubro de 2016 às 23h28

    São Paulo virou o Texas do Brasil.

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Tiago Bevilaqua

04 de outubro de 2016 às 19h09

No Brasil a descontinuidade de programas, mesmo daqueles com
êxito, é muito comum. Mas neste caso sem dúvida, como afirmado no post, Doria tem de botar seu selo e enxotar algo do PT, “Esse é o jeito do PSDB de governar”. Doria recordo que em debate já havia anunciado isso e citada a maldita da Folha. Como se um estudo (será que pode ser assim denominado) apenas tem conclusão definitiva.
Como quem é prejudicado são drogrados, mesmo que estejam em processo de melhoria – não importa. E provavelmente tem apoio de muita gente de “bem” e que se acha bem pensante.

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