Câmara discute privatização da Eletrobras

Brasília - O Deputado Rodrigo Maia concorre à presidência da Câmara dos Deputados (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Perguntas aos parlamentares e dirigentes petistas

Por Redação

25 de janeiro de 2017 : 11h51

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Jornalista elabora questionário aos parlamentares petistas: “Faz algum sentido, em um momento no qual o maior problema do PT é de identidade e confiança junto ao povo, aparecer de mãos dadas com lideranças golpistas?”.

No Opera Mundi

Perguntas aos parlamentares e dirigentes petistas

Por Breno Altman

Vale a pena, para negociar espaço nas mesas da Câmara e do Senado, produzir mais confusão, divisão e desânimo na militância?

Faz algum sentido, em um momento no qual o maior problema do PT é de identidade e confiança junto ao povo, aparecer de mãos dadas com lideranças golpistas?

Tem alguma pertinência, diante da onda de ataque moral ao petismo, passar qualquer sinal de que o partido estaria disposto a trocar posições de princípio por migalhas de poder?

Não seria abissal incoerência, depois de tanta autocrítica sobre a excessiva institucionalização do PT, demonstrar que o parlamento continua a ser a chave central da política petista e que a revisão das alianças é da boca para fora?

Para abrir alguns espaços que não permitem qualquer controle sobre a pauta ou as comissões, regimentalmente de caráter presidencial e monocrático, é razoável atuar confundindo as fronteiras políticas, ao contrário de deixá-las cada vez mais definidas?

Há transparência e solidez quando se diz que o debate é sobre participar ou não das mesas, possivelmente para dar explicação palatável ao distinto público e pintar os críticos como empedernidos sectários, mesmo todos sabendo que a disjuntiva real é apoiar ou não uma candidatura golpista, único caminho para conquistar supostos nacos de poder no parlamento?

Quando as fichas políticas estão colocadas na narrativa do golpe, caracterizando o atual governo como usurpador e o processo em curso como de ruptura constitucional, qual a lógica de agir como se estivéssemos em uma situação normal, explicando o tema das mesas diretoras como se não passasse de mera querela parlamentar?

Sempre é mais importante lutar contra o isolamento do que combater por identidade? O PT errou, portanto, quando boicotou o Colégio Eleitoral de 1985? Ou quando votou contra a Constituição de 1988?

O PT teria se construído como alternativa de governo, separada dos partidos democrático-liberais, caso não tivesse boicotado o Colégio Eleitoral de 1985 e votado contra a Constituição de 1988, momentos nos quais, por mais identidade, aceitou cenário de profundo isolamento?

Por que uma decisão de tanta repercussão foi devolvida para as bancadas, ao invés de ser claramente adotada pela máxima direção do PT?

O PT, afinal, é um partido de massas ou uma agremiação parlamentar, como todas as demais, na qual deputados e senadores funcionam com autonomia e soberania sobre relevantes questões da vida política?

Não é um desatino a maioria da direção petista e da bancada, mesmo exercendo seu legítimo direito estatutário, conscientemente jogar o partido em uma guerra interna sobre algo historicamente irrelevante como participar ou não das mesas diretoras?

Não é outro desatino certas vozes da minoria partidária, contrárias a apoiar candidaturas golpistas, tratarem essa polêmica como se fosse a mais transcendental decisão de princípio?

Não há algo estranho quando, no mesmo dia em que centenas de milhares se incorporavam às marchas de mulheres contra Trump ao redor do mundo, um dos principais partidos de esquerda do hemisfério ocidental estivesse discutindo a segunda secretaria da Câmara dos Deputados?

Não é hora do PT reassumir seu papel de vanguarda do povo brasileiro, ao invés de se consumir em debates intermináveis sobre regras internas e manobras parlamentares erráticas?

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21 comentários

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João batista

25 de janeiro de 2017 às 19h18

A pergunta que não quer calar: Com qual moral o PT quer liderar as massas nas ruas contra o governo golpista do MT, se no parlamento faz acordos excusos com aqueles que deram o golpe? Não teram moral para contrapor aos golpistas. Se votam com golpistas, golpistas também são.

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mello

25 de janeiro de 2017 às 17h00

Não leem o documento ( ou não sabem interpretá-lo e são contra….Golpe dentro do Golpe ? Golpe suicida? Ou assassino ?
Não querem publicar ?

Censurado ?

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mello

25 de janeiro de 2017 às 16h58

Não leem o documento ( ou não sabem interpretá-lo e são contra….Golpe dentro do Golpe ? Golpe suicida? Ou assassino ?

Responder

Valdson

25 de janeiro de 2017 às 16h35

Eu esperava mais responsabilidade do O Cafezinho nesse momento, em uma discussão que foi pautada e envenenada pela grande mídia, com a matéria da Folha que antecipou de maneira totalmente enviesada essa discussão, com óbvios interesses espúrios. Dizia a manchete da Folha no dia 7 de janeiro: “PT ignora ‘golpe’ e deve apoiar nomes de Temer para Senado e Câmara”.
Se já é uma tristeza que a militância do PT não perceba a clara manipulação da mídia golpista e seus interesses, pior ainda é O Cafezinho, especialista em mídia e na forma como a grande mídia manipula a informação, ajudar a mídia golpista nesse trabalho, em vez de ajudar a esclarecer a esquerda e a possibilitar uma discussão sensata e responsável sobre tema tão delicado e importante.

Recomendo a leitura dos textos sobre essa questão da Tereza Cruvinel no 247, e do Gilberto Carvalho no blog De Canhota.

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    Vitor

    25 de janeiro de 2017 às 19h55

    Dói, né?

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Mauro

25 de janeiro de 2017 às 15h56

O pt cumpriu seu papel, errou muito mas acertou bastante (deu oportunidade para milhões de brasileiros que infelizmente não souberam aproveitar, e agora vão pagar pela ingratidão). O pt acovardado (desde o chamado mensalão) não me representa mais (hoje o melhor voto é o nulo e vamos ver no que dá). Presidente LULA pense em curtir uma aposentadoria mais que merecida, já fez mais do que devia, vá viajar pelo mundo, não vale a pena lutar por esse povinho de m…., agora é cada um cada um, quem pode mais chora menos.

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baltazar pedrosa

25 de janeiro de 2017 às 13h58

Tenho total certeza,que a intenção dos parlamentares do PT,tanto no senado como na câmara,precisamente aqueles que jamais dispensam uma boquinha livre,é tão somente de ocupar cargos comissionado em abocanhar aquelas verbas que se destinam atender a estes picaretas.Eles não estão nem ai,para o futuro do partido,eles não são diferentes em nada dos Severinos,dos Cunhas e dos Romeros

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darcy cruz

25 de janeiro de 2017 às 13h52

Temos que pensar muito a respeito. De cara, achamos um absurdo essa ligação imoral com golpistas; um primeiro julgamento soa assim, mas temos que pensar em algo como Brizola: engolir um sapo mesmo que não seja barbudo. A hipocrisia impera na nossa política ( aliás, pleonasmo puro: hipocrisia/política): Lula governou assim, engolindo seus sapos, ora enormes, difíceis de digerir, ora sapinhos de digestão mais fácil. Mas govenou e muito bem. Dilma não consegui, talvez tivesse cedido demais, não se sabe. A dura realidade é que o PT é um partido e para manter-se vivo tem que se valer dessas alianças espúrias. O que adianta o purismo de um PCB e outros partidos de esquerda esquerdíssima, chamados radicais? Não elegem ninguém, é só criticar a burguesia, etc. Lembrem-se que esses partidos, principalmente o PCB, criticava Dilma com uma linguagem, às vezes, muito parecida com a da pior direita. A não ser que queiramos correr esse risco e ficar vociferando o tempo todo contra a direita pelas esquinas da vida, e ir minguando cada vez mais como partido.

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    L@!r

    25 de janeiro de 2017 às 15h57

    Discordo! Não é questão de “engolir sapos”. Eles são GOLPISTAS! Não são adversários, são o INIMIGO. Não tem acordo. É guerra! O resto é firula hipócrita.

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    Des

    25 de janeiro de 2017 às 16h19

    Esse tipo de aliança não contribui em nada, pois não aplacará a perseguição da Lavajato ao PT, não permitirá emendas a leis, não possibilitará verbas ao partido.

    Apenas permitirá que a ala pragmatista (pelega) se mantenha na dança das cadeiras.

    Olha o impacto que isto está tendo na militância… perderam votos em 2016, perderam as eleições em SP, e agora entregam os eleitores em troca de quê?

    Essas cadeiras na mão dos que fizeram campanha os dará ao PT resistência a quê? Permitirá sobreviver a quê?

    Cederam internamente para não ter racha, permitiram que os pelegos tomassem posse das cadeiras para uso próprio e individual para que estes não saíssem do partido. Em troca de abandonar a luta contra o golpe, que já havia se transformado em diretas, que também foi abandonada, e que agora é apenas apoiar Lula para uma chance remota em 2018.

    O custo benefício não existe, pois a decisão foi tomada por quem não se interessa pelo partido.

    Responder

      Vitor

      25 de janeiro de 2017 às 19h58

      O PT está cambaleando.
      Agora é Ciro!

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Juma marruá

25 de janeiro de 2017 às 13h43

quero saber o que o Lula acha disso, talvez estes 45 que votaram a favor de apoiar o Maia e o Indio, estão torcendo pra serem expulsos do PT. Ou seja, querem sair do PT mas sem pedir pra sair .

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    Vitor

    25 de janeiro de 2017 às 19h56

    O PT não vai tomar nenhuma decisão dessa magnitude sem o aval de Lula.

    Responder

mello

25 de janeiro de 2017 às 13h17

Linchamento do PT serve a quem ? Lula fez sua vida sindical e política negociando, cedendo e conquistando, nunca aderindo. Querem ensinà-lo a liderar ? Ou é só inveja e despeito ?

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    Marcus Padilha

    25 de janeiro de 2017 às 15h10

    Tá precisando de uma boquinha como CC?

    Responder

      mello

      25 de janeiro de 2017 às 16h56

      Roubou do Garotinho a frase ? Do Garotinho ? É o teu guru ? A ele serve ? Quero o PT influindo, atuando, não ocupando uma posição estéril como os dissidentes como os que formaram o pstu, o psol, a rede e outros partidos nanicos e estéreis que só sabem protestar, protestar, e…realizar….zero.
      Negociar, abrir espaço NA MESA não é adrir, conciliar, se render…É alcançar o direito que o regimento dá á bancada do PT a condição de integrá-la.
      Se ler o documento , a orientação, ele não cria nenhuma obrigação á bancada, apenas a de tentar conquistar seu espaço sem abrir mão da ferrenha oposição ao governo golpista.
      Mas parece que há golpistas também na periferia do PT e até dentro do Partido…

      Responder

    Vitor

    25 de janeiro de 2017 às 20h00

    Só não quero ver esses pelegos batendo o pé contra reforma previdenciária depois. Os trouxas que engulam…

    Responder

vera lúcia conceição vassouras

25 de janeiro de 2017 às 13h09

Brizola tinha razão sobre o PT
Henrique Matthiesen23/01/2017
Se estivesse vivo, Leonel Brizola comemoraria 95 anos, pois nasceu no dia 22 de janeiro de 1922, e teve uma vida pública pautada pela coerência e pela ética.
Em sua existência, sofreu incompreensões, injustiças e perseguições devido a seu ideário trabalhista o qual nunca flexibilizou. Para ele, o trabalhismo foi avançando pelos caminhos da solidariedade, do humanismo, da justiça social, do igualitarismo, e dos direitos humanos que basearam as raízes de sua concepção.
Dentre suas adversidades, o PT de Lula, sempre foi uma força política divisionista do pensamento progressista brasileiro. Sua concepção ignorando as biografias pretéritas, conjeturando a luta de classe a partir de sua criação demonstrou toda empáfia em seu DNA.
Brizola dizia: “Quando cheguei do exílio fui visitar o Lula, que me recebeu como se fosse um imperador, existe uma incompatibilidade entre nós, ali vi que Lula é um homem do sistema.”
Profecia essa plenamente realizada pelo PT e por Lula, quando aderindo ao mercado, chegou ao poder. Ali abraçou as velhas oligarquias pátrias, como Sarney, Jucá, Renan, Michel Temer, Eduardo Cunha, dentre outros.
O discurso ético caiu como castelo de areia. Em vários aspectos demonstrou o PT ser mais do mesmo, confirmando outra profecia de Leonel Brizola, que ponderou: “o PT é que nem galinha: cacareja na esquerda, mas bota ovo na direita.”
Obviamente que o PT tomou o golpe das velhas oligarquias e do monopólio da mídia. Projetou freqüentar a casa grande, o que jamais seria aceito. Lula, apesar de sua cooptação, não faz parte dos endinheirados oligárquicos.
Mais uma vez, Brizola prova sua sensibilidade ao dizer que o PT é a espuma da história, pois nunca se aprofundaram na compreensão das diferenças ideológicas de um pensamento progressista com o anexim conservador, que não se misturam, são inconciliáveis.
Acintosos como broncos no mais puro pragmatismo impudico conjeturam apoiar uma chapa de golpistas nas eleições da mesa diretora do Congresso Nacional.
Denunciam o golpe publicamente, mas no privado fazem acordo com seus supostos algozes.
Horas, qual o PT é o verdadeiro, o público ou o privado?
Esta obsessão por boquinhas, por cargos, por poder sem lastro, talvez seja uma das principais patologias que o PT deva enfrentar. Não é no mínimo ético para os brasileiros que sofrem com o golpe verem o PT se aliar aos golpistas, afinal a democracia está sendo atacada, e direitos suprimidos.
Cadê a coerência?
Cadê a hombridade?
Cadê o discurso?
Cadê a dignidade de uma corrente política?
Talvez Darcy Ribeiro esteja com a razão, “O PT é uma droga. É a esquerda que a direita gosta.”
Como faz falta a coerência política.
Como faz falta Leonel Brizola que jamais se curvou a essa direita.
http://www.pdt.org.br/index.php/brizola-tinha-razao-sobre-o-pt/

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    Des

    25 de janeiro de 2017 às 16h08

    Quando que Darcy Ribeiro falou uma coisa assim? PDT reclamando do PT?

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    Valdson

    25 de janeiro de 2017 às 16h24

    Se o PT quiser se aliar com golpistas mesmo, tem que se aliar ao PDT, que teve 100% da bancada no senado votando a favor do golpe e pela aprovação da PEC 55.

    Responder

Armando Luis Tavares

25 de janeiro de 2017 às 12h14

Bom dia!

É com muita tristeza que vejo esta questão, o PT se comportar como um PMDB do Paraguai, isso Paraguai, onde se renegam as origens, desprezam a militância, é hora de assumir a sua identidade, parar de associar-se com tudo que existe de ruim no país, corremos o risco de submergir na história. As lutas, a ideologia, o povo são marcas do Partido dos Trabalhadores. NÃO VAMOS FUGIR DA LUTA, SEJAMOS GUERREIROS, A GUERRA NÃO ESTÁ PERDIDA NA PRIMEIRA BATALHA.

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