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Unanimidades

Escrito por , Postado em Análise de Conjuntura, Eleições 2018, Pedro Breier

(Lula no ato com artistas e intelectuais ontem, em SP. Foto: Pedro Breier)

Por Pedro Breier

Mencionar Lula em qualquer conversa de boteco sobre política geralmente produz reações que oscilam entre o amor e o ódio – raros são os que tecem análises frias e racionais sobre o primeiro operário a ser presidente do Brasil.

Paradoxalmente ao fato de provocar emoções fortes opostas nas pessoas, Luiz Inácio também é objeto de unanimidade em alguns pontos.

Sua genialidade, por exemplo.

Aqueles que se informam apenas por meio da mídia hegemônica e seus incontáveis tentáculos devem ter certeza de que Lula é um gênio do crime. Afinal, chefiar um mega esquema de corrupção e ter sua vida completamente devassada pela “Justiça” sem que se obtenha uma mísera prova de enriquecimento ilícito, a ponto de seus perseguidores serem obrigados a usar como desculpa para condená-lo um apartamento no qual nunca dormiu, é coisa de deixar Don Corleone no chinelo.

Já os que tem um mínimo de capacidade de análise e acesso à informação fora da bolha da velha imprensa sabem que Lula é um gênio político, como atestam sua trajetória inverossímil, sua capacidade única de conciliar interesses e de conquistar plateias de todos os tipos e tamanhos.

Outra unanimidade em torno de Lula, também provocada pelo avassalador massacre midiático-judicial do qual é alvo há alguns bons anos, tomou forma recentemente. Partidos e quadros da esquerda que possuem grandes – muitas vezes inconciliáveis – desacordos com o ex-presidente têm se posicionado firmemente contra a condenação sem provas que tende a ser confirmada pelo TRF da 4ª Região.

Ontem, no ato com artistas e intelectuais em SP, Gilberto Maringoni, importante quadro do PSOL e com significativas diferenças em relação à política de Lula, falou com o Cafezinho e foi assertivamente cirúrgico:

O que eles (desembargadores do TRF) estão querendo é decidir se o povo brasileiro tem liberdade de escolha na democracia ou se a democracia vai ser restrita. Se a gente vai ter um regime em que alguns podem se candidatar e exercer a sua cidadania e outros não ou se nós vamos ter um regime aberto. (…) Se o Lula for inabilitado não é ele que vai ser preso, que vai ser cassado. É o povo brasileiro que vai ter cortada a possibilidade de exercer o regime democrático.

Guilherme Boulos, provável candidato do PSOL à presidência, também estava presente e foi categórico: defender o direito de Lula ser candidato é dever de toda pessoa de esquerda; é estar do lado certo da história.

Lula fez, por óbvio, o maior discurso da noite. Afiado e hipnotizando a plateia como de costume, falou que está tranquilo e a impressão é que está mesmo. Disse que, seja condenado pelo TRF ou não, permanecerá tranquilo “e a minha tranquilidade vai infernizar eles”.

Tem toda a razão.

Inocentado, só uma hecatombe impede sua vitória nas eleições.

Confirmada a condenação sem provas esdrúxula de Moro, Lula se torna um cabo eleitoral absurdamente poderoso. O desastre chamado governo Temer não ajuda em nada a direita na corrida por votos.

Aparentemente, sustentar um golpe em 2018 não é tão simples como nos anos 60.

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