Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

Data: 24/10/2014 Editoria: Politica Reporter: Vanessa Jurgenfeld Local: Rio de Janeiro, RJ Pauta: Foto do cientista politico Setor: Pesquisa Personagem: Wanderley Guilherme dos Santos, cientista politico, fotografado na sala do seu apartamento Tags: livro, cadeira, luminaria, computador, balanco, escrevendo, lendo, Fotos: Leo Pinheiro/Valor

Wanderley Guilherme dos Santos: “a esquerda não deveria agitar bandeiras cataclísmicas”

Por Theo Rodrigues

02 de fevereiro de 2018 : 12h05

Em artigo publicado agora no blog Segunda opinião, o professor Wanderley Guilherme dos Santos critica a ideia de que sem Lula a esquerda deva desistir do jogo democrático.

Em claro recado ao partidarismo estreito que grita “Lula ou nada”, Wanderley pergunta: “Que história é essa da esquerda agitar bandeiras cataclísmicas?”

Wanderley aposta que Lula saberá indicar um nome para substitui-lo. “O destino eleitoral da esquerda depende do tirocínio de Lula”, pois “é Lula quem monopoliza o condão de escalar os competidores reais”, defende o cientista político.

Embora não cite nomes, podemos lembrar que os principais candidatos que surgem no cenário político para substituir Lula são Manuela D´Ávila e Ciro Gomes.

Leia abaixo o texto na íntegra.

O falso cadáver

Por Wanderley Guilherme dos Santos

O destino eleitoral da esquerda depende do tirocínio de Lula. Ele sabe o que vai lhe acontecer e advinha o provável resultado da competição. Com certeza, sabe que o apocalipse retórico do PT não advirá nem antes nem depois da disputa pela presidência. E que a primeira pesquisa Datafolha depois de sua condenação em segunda instância não acrescenta grande coisa. É preciso amadorismo para acreditar que aquela distribuição de preferências expressa alternativas e porcentagens do futuro resultado eleitoral. Dito de outro modo: se a Lava Jato, hoje, tem poder de veto sobre quem irá aparecer na tela da urna eletrônica, é Lula quem monopoliza o condão de escalar os competidores reais. Tudo depende de seu tirocínio.

As caravanas de Lula reafirmam o que a serenidade permite compreender. É certo que a maioria da população detesta decisões obviamente seletivas de vários juízes menores e despreza outros, até supremos, mas não dispensa um Judiciário; envergonha-se com o papel de inúmeros deputados e senadores, larápios todos, mas rejeita a abolição do Parlamento; repudia ou faz troça do noticiário midiático enviesado, mas preserva a liberdade de imprensa. Ou seja, a maioria da população está profundamente decepcionada com o desdobrar do pastelão trágico que se arrasta desde abril de 2016, mas longe da solidariedade a catastróficas propostas antidemocráticas. Essa, a única informação aproveitável da pesquisa Datafolha: Bolsonaro é, de fato, um tigre de papel. Perderia para todo mundo em segundo turno, isto é, se por inconcebível acaso lá chegasse.

Uma coalizão antiparlamentar, contra o Judiciário e abaixo a imprensa seria claramente antipopular, vale dizer, uma coalizão antidemocrática. Que história é essa, então, de agremiações de esquerda agitar bandeiras cataclísmicas, esquecidas de já haver chegado ao poder e poder a ele voltar pelos caminhos que agora vilipendiam? Isso não é opção de salário mínimo, é figuração de candidatos de classe média, de intelectuais ou nem tanto, céleres a fugir da raia se o tempo fechar. Ou, com a derrota da esquerda, salvarem a própria pele elegendo-se à custa do grande “cadáver eleitoral”, isto é, o falso cadáver de Lula.

Cabe a Lula fazer abortar essa macabra procissão a velar um morto inexistente com inevitável desenlace em frustração. Cabe a Lula garantir a provável vitória eleitoral nas urnas. O hiato político em que adventícios usam tiranicamente as instituições democráticas deve ser superado pela reconquista da legalidade integral do poder. Essa virtualidade, contudo, tem data de validade. Além da astúcia, é urgente cultivar a virtude política.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

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6 comentários

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Elia M P B Oliveira

03 de fevereiro de 2018 às 17h41

Concordo. A esquerda deve retomar o caminho das virtudes. Erros alheios não justificam os nossos. É possível ser melhor.

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INGRID SCHNEIDER

03 de fevereiro de 2018 às 12h08

Outra vez. Sem som…

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Pablo

02 de fevereiro de 2018 às 23h54

O Povo brasileiro é formado em sua maioria pela genética dos descobridores portugueses e como sabemos foram grandes pensadores e grandes estudiosos da navegação ultramarina essa intelectualidade está impregnada no Povo brasileiro, dai a esperteza e a espantosa calma para dar início à reconstrução da sua nave (Brasil Continental) já vimos pelo seu passado histórico como algumas nações imperialistas tentaram o domínio principalmente pelo norte e nordeste e se deram mal, não vai ser diferente agora, e nesse ponto o professor Vanderlei Pereira tem toda razão, para que essas bandeiras cataclisticas, o núcleo intelectual dessa realidade a que foi jogada a Nação já tomou ciência da situação e será uma questão de tempo para ver novamente à Nave Brasilis tomar seu rumo desejado, esse é e será seu sagrado destino mesmo que se chore lágrimas de sangue.

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José Ricardo Romero

02 de fevereiro de 2018 às 17h12

A minha carreira de pesquisador em ciência, já encerrada porque estou aposentado, não permite considerar fatos que, quer gostem ou não, estão por demais óbvios. Sem contar que esta ilusão de se confundir desejo e idealismo com realidade é tudo o que a direita quer para empurrar com a barriga decisões radicais de última hora que retira da esquerda opções de candidaturas para esta próxima eleição. O pt e Lula estão mentindo para os eleitores. Lula não pode registrar a sua candidatura porque foi condenado em 2ª instância de acordo com a lei da ficha limpa. Se foi injusto ou não, se o objetivo deste judiciário asqueroso é prender o Lula de qualquer modo, nada disto muda este fato que só um idiota pode achar que a direita não vai usar esta lei para impedir o registro da candidatura, repito. O pt vende a ilusão de que o registro de sua candidatura, candidamente aceita pelo cartório eleitoral onde será apresentado, será caçado e então, ora veja a santa inocência, o pt estrará com recurso no STE e depois no STF e aí será tarde porque o Lula já estará eleito. É o mesmo que colocar o carro na frente dos bois. Não haverá, com certeza, o nome de Lula como candidato na urna eleitoral. Mas enquanto Lula e o pt enganam o povo (e a direita morre de rir porque o timing, o script programado está sendo seguido à risca pela esquerda, paralisada pela questão de ser Lula candidato ou não), restará cerca de dois meses apenas para a ficha cair e a esquerda correr atrás de um novo nome. Apoiado pelo Lula? Duvido. sua vaidade e falta de noção não permitirá que ele delegue seu prestígio a mais ninguém. Fiará lá no fundo da masmorra aos gritos de : vocês me devem desculpas… Enquanto isto, a direita emperequetada pela Globo vai fazendo a cabeça dos brasileiros para votar num “Hulck” qualquer. j

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    Miguel do Rosário

    02 de fevereiro de 2018 às 20h22

    José, a lei da ficha limpa, no artigo 26, traz a possibilidade de recurso para permitir a candidatura. É uma cláusula anti-perseguição.

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Messias Franca de Macedo

02 de fevereiro de 2018 às 12h35

O julgamento de Lula: a democracia no banco dos réus
IMPERDÍVEL!
01/02/2018
https://www.facebook.com/deputadofederal/videos/1809366499156298/

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