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Mesmo com banimento do Lula, oligarquia continua sem viabilidade eleitoral

Por Jeferson Miola

08 de fevereiro de 2018 : 22h02

 

Jeferson Miola

O banimento eleitoral do ex-presidente Lula parece ser uma realidade incontornável. Este desfecho somente não se confirmaria num cenário a essas alturas improvável, de reversão da farsa judicial arquitetada pela Lava Jato para retirar Lula da eleição.

Mesmo banindo Lula, contudo, o plano da oligarquia golpista de dar continuidade ao golpe via legitimação eleitoral, continua sem viabilidade. Algumas razões:

1] o absoluto fracasso de todas as candidaturas de direita – as testadas ou as ainda em testagem nas sondagens eleitorais – que perderiam a eleição para Lula no primeiro turno e perderiam também para o eventual candidato do Lula;

2] a crescente consciência do povo pobre e da classe média trabalhadora sobre a armação montada para perseguir Lula e impedir seu retorno à presidência do Brasil;

3] a percepção cada vez mais difundida nas camadas populares a respeito das reais motivações do golpe e a associação disso com os retrocessos sociais, o desemprego, a subtração de direitos e a piora da qualidade de vida;

4] a comparação entre a realidade dramática e depressiva do país no curto período de vigência do golpe, e os anos de desenvolvimento, progresso social e felicidade vividos durante os governos do PT, sobretudo no período Lula.

O impedimento eleitoral do Lula, além disso, principalmente se precedido de sua eventual prisão, aumentará a audiência e a influência dele na escolha das camadas populares.

Em vista dessa realidade, FHC, Globo, a direita e o grande capital se movem em desespero para salvar o golpe. A movimentação para viabilizar a candidatura do animador de auditório da Globo, Luciano Huck, é parte desta tentativa desesperada que também fracassará.

A questão que se coloca, diante da incapacidade da oligarquia golpista em concretizar uma saída eleitoral/institucional, é saber qual será seu comportamento.

O cardápio à disposição é diversificado; comporta um amplo espectro de opções: o cancelamento da eleição, a proscrição do PT, a proibição do candidato apoiado por Lula, a cassação da chapa [depois de] eleita e a aprovação do parlamentarismo.

De uma coisa não se pode duvidar. A oligarquia fará o impossível para assegurar a continuidade do golpe, mesmo que ao custo do aprofundamento autoritário da ditadura e de novas rupturas do Estado de Direito e das regras constitucionais.

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4 comentários

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Mirko Kraguljac

09 de fevereiro de 2018 às 13h04

Não concordo com autor! 1.A direita, infelizmente, TEM um candidato viável! Bolsonazi! Então, a direita precisa enfrentar essa possibilidade… 2.Para direita adiar eleições, entrar com parlamentarismo ou inventar alguma outra coisa, vai precisar ASSUMIR GOLPE!!! Uma vez assumindo golpe, governo golpista vai virar pária mundial e não pode durar por muito temo. Não existe felicidade nisso tudo…

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Maria Thereza

09 de fevereiro de 2018 às 09h32

concordo com o autor: considerando que as candidaturas testadas não colaram, farão de tudo para manter/aprofundar o golpe-entreguista. Está na hora da gente parar de olhar pra eles e apresentar nossas propostas. Urgente!

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Andre Rs T

09 de fevereiro de 2018 às 06h49

Em 64 acusaram JK de ter apto e o tiraram do jogo.
Depois indicaram Castelo Branco por via indireta

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Jose carlos lima

08 de fevereiro de 2018 às 22h11

No caso Lula o TRF4 não era Segunda Instância e sim um puxadinho da vara do Moro & Globo. Na pratica, Lula foi julgado sem direito a recurso…Lula foi julgado em apenas uma instância…nāo hå como considerar como Corte autonoma queles 3 patetas do TRF4…
alėm do mais todo o poder emana do povo e não desses juzecos corruptos. …não podemos permitir que esas traças fura-teto do dinheiro público continuem usurpando a CF….

…caso de asilo poltico por sofrer perseguiçao implacåvel dessa ditadura de toga: em 64 os titeres usavam verde oliva

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