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Fonte da foto: http://novas.gal/povo-venezuelano-assume-a-assembleia-nacional-constituinte-para-blindar-a-revolucom-bolivariana/

O papel da esquerda na relação Brasil-Venezuela

Por Redação

11 de janeiro de 2019 : 12h03

A anacrônica superdosagem bolivariana: a relação Brasil-Venezuela e o papel da esquerda

Por João Hermínio

Durante os governos petistas, a relação de solidariedade com o povo venezuelano era delegada para forças políticas e lideranças de menor impacto. Os governos eram imensamente econômicos em suas manifestações acerca do tema, produziam algo simplificado, republicano e calculado friamente em nossa Constituição: respeito à autodeterminação dos povos e fomento a uma relação de mínima harmonia com o país vizinho (“não-intervenção” e “solução pacífica dos conflitos”, então expressões constantes nos incisos do artigo 4° de nossa Carta Magna).

Agora que não é mais governo; agora que a esquerda está na lona; agora que a própria Venezuela vivencia o seu mais nebuloso momento; agora que o debate sobre a Venezuela está totalmente arrasado em nossa sociedade com o pleno triunfo de uma visão imperialista e liberal sobre o país irmão, com uma possibilidade real de guerra, e até mesmo de possível participação brasileira; eis que agora o PT resolve assumir um bolivarianismo que nunca foi seu, com direito a uma participação entusiasmada na posse de Maduro por parte da presidente do PT.

Justamente o PT que não tomou qualquer remédio chavista contra os surtos financiados pelo imperialismo e contra o golpismo das elites locais; justamente o PT que não permitiu a entrada da Telesur no Brasil; justamente o PT que não apoiou o Banco do Sul, proposto por Chávez; justamente o PT que não fez qualquer ação relevante de disputa da opinião pública sobre a situação venezuelana, mesmo dirigindo o Governo Federal; enfim, é esse mesmo PT que hoje resolveu tomar uma anacrônica superdosagem de bolivarianismo, uma medicação sem lógica e cheia de efeitos adversos. Um teatro da presidente petista com foco na disputa fratricida (inócua e eterna) das correntes petistas.

Evidente que reconhecer o Governo Maduro, mesmo tendo ciência de seus limites e equívocos, é um ato inerente daqueles que sabem o significado do maldito imperialismo ianque e de seus títeres golpistas na luta dos povos da América Latina. Entretanto, a tarefa central atualmente é resistir ao Governo Bolsonaro, é reconquistar a ligação perdida com a maioria das massas populares, é equilibrar novamente a correlação de forças em nosso país. Portanto, o máximo que se pode fazer é forçar o cumprimento da Constituição Federal para garantir o respeito à autodeterminação do povo venezuelano, para assumir a posição pela não-intervenção e pela solução pacífica no conflito da Venezuela. Uma firme postura de solidariedade internacionalista dentro das nossas possibilidades limitadas pelo cenário nacional. Para além disso, é fazer espetáculo ao inimigo local, é dar munição ao bolsonarismo, é “jogar água no moinho da direita”, ora expressão que os petistas tanto diziam àqueles que tentavam sem sucesso salvar o trágico Governo Dilma.

A ampla divulgação da presença do PT na renovação do mandato do líder venezuelano, aliada a propagada ausência petista na posse do novo presidente brasileiro, junto com todos os fatores da conjuntura nacional e internacional, somente colocam o partido de Lula cada vez mais incapacitado de exercer o papel de liderança da oposição ao Governo Bolsonaro. Mas, por evidência, por tamanho social e força eleitoral, o PT buscará isso. É natural. Porém, o nosso papel é fazer o dever de casa… Recuar, ampliar, e superar o que precisa ser superado na disputa da esquerda e na batalha da sociedade.

Por João Herminio, membro do Comando nacional da Organização A Marighella – CPR, secretário-geral do Centro Cultural Camarada Velho Toledo e advogado

Publicado originalmente no Portal Disparada

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13 comentários

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Sebastião

12 de janeiro de 2019 às 03h24

E se Bolsonaro vir a ter a mesma popularidade que Lula teve, no seu melhor momento? O PT precisa se reinventar. É uma das coisas que ajudou na vitória de Bolsonaro, foi justamente a crise na Venezuela. Não é simplesmente o fato de, por ser um governo de esquerda, que se deva fazer vista grossa ou colocar panos quentes. Mas, procurar resolver e ajudar a crise que se encontra no país. O governo petista, em nada procura ajudar a conter a crise. Em nada se mostra crítico a inflação que se encontra no país. E em nada procura se comover com os sofrimentos do povo que migra pro Brasil, devido ao que vem acontecendo no país. Mas, eis que a PRESIDENTA(gosta de ser chamada assim), causa esse alvoroço todo ao viajar pra Venezuela, pra apoiar Maduro explicitamente. Bolsonaro pode se valer de atitude semelhante aqui no Brasil, caso faça referendos, se a população aceita que se aumente o tempo de presidência, e com direito a reeleição?! Quero ver se esses mesmo que apóiam Maduro, iriam concordar com esse tipo de atitude? Parecem fanáticos religiosos… A crise do petróleo foi que ajudou a agravar a crise, com a ajuda dos EUA. Mas, apoiar o governo de Maduro, não dá.

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    Paulo

    12 de janeiro de 2019 às 11h12

    O esquerdismo radical é o outro lado da moeda do radicalismo de direita…é paixão, não é razão.

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Vinícius

11 de janeiro de 2019 às 22h02

Miguel, a polêmica sobre a posse do Maduro está relacionada a ir/não ir ou passa muito mais pela forma de anunciar e também participar.
Fiquei com impressão que boa parte da turma não entendeu o post anterior sobre o assunto.

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marlene

11 de janeiro de 2019 às 20h55

Eis o texto de um Adesista que entrega os pontos e baixa a cabeça para um sujeito que alçou ao poder em razão de seus apoiadores impedirem Lula de ganhar as eleições.

#ForaGolpistas

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    ari

    13 de janeiro de 2019 às 12h05

    Infelizmente, Marlene, há toda uma dita esquerda que não percebe a importância de se apoiar um governo popular que luta com unhas e dentes contra o imperialismo norte-americano. E, no caso da matéria, com o argumento que sempre achei o mais desonesto possível, ou seja, se você não fez isto eu também não devo fazer.

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Paulo

11 de janeiro de 2019 às 17h48

Bem, na fundação do PT havia vários intelectuais (não que eu concordasse com eles, mas até fazia sentido, na época, a criação de um partido de esquerda independente do marxismo, tanto de viés stalinista quanto maoísta). Hoje, quem sobrou?

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Paulo Cesar

11 de janeiro de 2019 às 13h12

Que visão covarde e hipócrita.
É como dizer que se nosso time foi rebaixado devemos torcer para outro.
A vitória ilegítima de um fascista por meio de fraude tirando o líder disparado das pesquisas da disputa é motivo para abandonar a Venezuela para as garras dos ladrões de petróleo imperalistas.
Torço por uma guerra para ver esses milicos morrendo mas qualquer um sabe que isso não vai acontecer pois o Brasil seria massacrado pelos bombardeiros russos que a Venezuela possui.

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Justiceiro

11 de janeiro de 2019 às 12h35

Hum, hum…

Então o camarada, com um currículo de extrema-esquerda, não viu as tentativas de Lula implantar o bolivarianismo no Brasil? Não viu Lula tentar amordaçar a imprensa? Não viu Lula tentar por canga no Congresso? Não viu Lula querer implantar o regime de Chavez aqui?

Lula tentou, mas aqui não é Venezuela e nem Bolívia. Aqui ele viu que não ia conseguir. Mas tentou,

O ‘respeito’ que vocês, red mouses, querem que o Brasil tenha a Venezuela, Lula não teve a Honduras e Dilma ao Paraguai.

Lula se meteu no caso de Honduras por que seu amigo Zelaya foi expulso do país por tentar rasgar a Constituição de Honduras para fazer plebiscito.

Dilma se junto com Cristina louca e expulsaram o Paraguai do Mercosul porque Fernando Lugo foi impixado, mesmo isso tendo ocorrido respeitando a Constituição paraguaia.

Ora, calem a boca!

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    Paulo Cesar

    11 de janeiro de 2019 às 13h18

    Lição de democracia de um eleitor de um homem que defende a TORTURA e a MORTE de opositores e ainda manda os outros calarem a boca.
    Você é realmente um “democrata” hahaha
    E ainda não respondeu se sua mãe è feia ou se é bonita o suficiente pro Bolsonaro estuprar.
    Aliás nenhum bolsominion tem resposta pra isso hahaha

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    degas

    11 de janeiro de 2019 às 17h41

    Esses caras mentem tanto que acabam mentindo para si mesmos. O sujeito do Comando Mariguella (deve ser piada isso) acha que alguém esqueceu o que o PT fez e, como você bem lembrou, teria feito se não fosse impedido pela parcela sadia da sociedade.
    O negócio é não dar bola.
    E nunca mais deixar essa turma chegar nem perto do poder.

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    Alan Cepile

    13 de janeiro de 2019 às 09h33

    “Não viu Lula querer implantar o regime de Chavez aqui?”

    ALGUÉM CHAMA A AMBULÂNCIA, POR FAVOR, O CARA SURTOU!!!!!!!!

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    Sebastião

    14 de janeiro de 2019 às 01h22

    Bolsonaro e Moro que não se mostra ser dado a Democracia. Tanto que eles farão decreto, pra impedir que haja discussão no Congresso sobre a liberação das armas. Ah, se fosse Lula que fizesse um decreto… Embora, governos não chegado a democracia, se use dela pra se manter no poder, tipo o CHAVISMO. Faz referendos, e nisso aumenta-se o tempo no governo. Isso é a cara de Bolsonaro, e o decreto está aí pra mostrar que ele, diferente de Lula, não é chegado a pluralidade de ideias. É o chamado: PENSAMENTO ÚNICO. Onde o estado, tem que determinar até a cor da roupa.

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    Araujo

    14 de janeiro de 2019 às 13h26

    Existem 2 tipos de democracia, a da direita, com partidos multiplos como na Suécia, Suica, Alemanha, EUA e a da esquerda, com ultra intervencao da maquina publica na propaganda e na midia, fazendo uma concorrencia desleal; muitas vezes boicote de opositores e comumente extincao de partidos concorrentes e formacao de partido unico para eleicoes (Cuba, China, Koreia N.) e outros destaques da esquerda mundial

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