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Notas internacionais (por Ana Prestes) 08/02/19

Por Ana Prestes

08 de fevereiro de 2019 : 10h50

– Como tudo que envolve a Venezuela anda espinhoso, não foi diferente ontem na reunião do Grupo Internacional de Contato em Montevideo, no Uruguai. O bode no meio da sala era: o grupo pedirá ou não novas eleições na Venezuela? O primeiro comunicado emitido não falava em eleições, mas na conferência de imprensa e declaração final se falou em eleições. No meio da confusão ainda apareceu o “Mecanismo Montevideo”, apresentado por Uruguai, México e o Caricom (comunidade de países do Caribe), com a proposta de um diálogo imediato. A questão é que os europeus querem “eleições já”, México, Bolívia e Caricom querem “diálogo já” e o Uruguai, anfitrião, pendeu para os europeus. E a possibilidade de que a Venezuela vire um novo Vietnam vai se aproximando.

 

– A porta voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse ontem em pronunciamento que é realizado semanalmente, que a Rússia possui informações de que os EUA já tomaram a decisão de efetuar uma “intervenção enérgica” na Venezuela. Durante sua fala, Zakharova disse: “gostaria de recordar que este tipo de declaração da boca dos funcionários estadunidenses é uma violação direta do artigo 2º. da Carta da ONU, que ordena a todos os seus membros a se absterem de ameaças ou uso da força nas relações internacionais”.

 

– O tempo fechou de vez para Theresa May após o presidente da Comissão Europeia ter afirmado ontem (7) que as negociações do acordo para o Brexit não serão reabertas. O que pode ser negociado, segundo ele, é o documento anexo, que acompanha o documento principal do acordo, e no qual se trata da relação comercial pós-brexit entr as partes. O maior ponto de discórdia continua sendo a fronteira entre a Irlanda (membro da UE) e a Irlanda do Norte.

 

– A Rússia anunciou na última quarta (6) que concederá um crédito equivalente a R$ 160 milhões a Cuba. Segundo Yuri Borisov, vice-primeiro-ministro russo, o financiamento visa “assegurar o desenvolvimento sustentado do setor de Defesa de Cuba nos próximos anos” e que a cooperação dará a Cuba a oportunidade de “desenvolver seu complexo militar-industrial a longo prazo”.

 

– Macron convocou seu embaixador na Itália de volta pra casa. Segundo ele, os líderes italianos têm desferido “ataques sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra”. Trata-se das manifestações de apoio, além de encontros, de Di Maio e Salvini aos coletes amarelos e declarações de membros do governo italiano em apoio ao movimento que ocorre há doze semanas na França. O embate ocorre às vésperas das eleições para o Parlamento Europeu.

 

– O gasoduto Nord Stream 2, que deverá transportar gás da Rússia pelo mar Báltico voltou a ser foco de tensão entre os membros da União Europeia. Em votação marcada para hoje (8) em Bruxelas para revisão de diretrizes de gás da UE, a Alemanha pode perder o apoio da França. Merkel defende o gasoduto. A França pode votar contra. Os EUA fazem muita pressão contra esse gasoduto que contraria interesses deles na região, além da preocupação de que a Rússia pode ganhar mais influência na UE. Países do báltico, a Polônia e a Ucrânia também temem pelo transito de gás russo na Europa.

 

– O gasoduto russo-alemão Nord Stream 2 está projetado para transportar 55 bilhões de metros cúbicos de gás por ano da Rússia para a Alemanha. A previsão é de que a obra esteja pronta até o final do presente ano. Em artigo publicado no DW e assinado por dois embaixadores e uma embaixadora dos EUA, que ocupam os postos na UE, Dinamarca e Alemanha, se diz: “que não haja equívoco: o Nord Stream 2 trará mais do que gás russo”.

 

– O serviço meteorológico do governo britânico, Met Office, que possui registros desde 1850, afirmou que podemos estar na década mais quente já registrada e que nos próximos cinco anos as temperaturas estarão até 1 grau celsius mais altas do que as observadas no período pré-revolução industrial, podendo chegar a 1,5 graus celsius de aumento.

 

– O presidente do Haiti, Jovenel Moise, declarou “emergência econômica em todo o país” em reunião do conselho de ministros durante esta semana. Ontem (7) ocorreram imensas manifestações que já estavam convocadas antes do anúncio presidencial. No dia 7/2 se recorda o aniversário de queda de Duvalier. Jean-Claude Duvalier (“baby doc”) presidiu o Haiti entre 1971 e 1986, substituindo seu pai, François Duvalier (“papa doc”), que presidiu entre 1957 e 1971. Duvalier filho é lembrado no Haiti por mergulhar o país no caos com aumento da taxa de analfabetismo, queda da expectativa de vida e aumento da epidemia de aids, além da fome.

 

– Um comunicado do Observatório Consular e Migratório de Honduras informou que somente em janeiro de 2019 um total de 12.576 migrantes centro-americanos, entre guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos, foram deportados dos EUA e do México para onde haviam ingressado em sequentes caravanas organizadas em 2018. O número de deportações em 2018, segundo a agencia, foi em torno de 200 mil pessoas.

 

– Irã e Iraque devem passar a usar o euro e o dinar em suas transações comerciais, segundo o presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati.

 

– Em evento dos 40 anos da Revolução Islâmica do Irã, o secretário geral do Hezbolá, Sayyed Hassan Nasralá, disse que o Irão não está só frente aos ataques israelenses.

 

– Palestinos denunciam que a Conferencia sobre a Segurança no Oriente Médio que está sendo preparada pelos EUA e ocorrerá na Polônia nos próximos dias 13 e 14 de fevereiro é parte de mais um ataque à Palestina.

Ana Prestes

Ana Prestes Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

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3 comentários

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Luiz

11 de fevereiro de 2019 às 14h12

Entendo que em Marx não há opção entre o indivíduo e a coletividade, é por isso que soa típico o capitalismo escolher os “polacos” para se inserir numa coletividade que não aprova.

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    Luiz

    11 de fevereiro de 2019 às 14h38

    Não sou historiador, mas tento jogar algumas luzes sobre o evento na Polônia. Entendido como sistema político, o socialismo seria o sistema que tenta resgatar a dignidade do indivíduo. Se é admissível nesse contexto considerar a distinção entre moral e ética, eu diria que o capitalismo, através do liberalismo, sobreleva a moral, tornando-a indistinta da ética. A ética encontra fronteiras metafísicas comuns a todos os indivíduos. As religiões extrapolam. Entendido como crença, o capitalismo vai às últimas consequências na opressão do indivíduo. Limites como “nação” e “religião” são permeáveis ao capitalismo, que se vê agora querendo trabalhar por analogia. A teoria da troca mostrando suas garras funcionais.

    Responder

Paulo

08 de fevereiro de 2019 às 22h26

Não há que haver diálogo, na Venezuela; há que ter eleições livres!

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