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Colômbia admite que Maduro não está para cair e pede mais 150 milhões para os EUA

Por Tulio Ribeiro

11 de fevereiro de 2019 : 19h46

Superado 20 dias da tentativa de golpe no último 23 de janeiro, o embaixador da Colômbia nos Estados Unidos admitiu algo que o Grupo de Lima ainda não havia verbalizado, Maduro não vai ser retirado imediatamente da presidência mesmo com o discursos e ameaças dos EUA e seus aliados.

Francisco Santos, embaixador da Colômbia, assegurou em diálogo com jornalistas da capital norte-americana que devemos dar tempo à estratégia diplomática na Venezuela. “Os resultados estão no plano diplomático”, disse ele.

Reclamando da migração venezuelana, sem citar os 6 milhões de colombianos que vivem no país de Simon Bolívar, explicou que a geração de custos é demasiadamente alta para para Colômbia e portanto precisa ser ajudada pelo americano do norte.

“Os venezuelanos têm gerado custos de saúde brutais, educação. Os municípios têm hoje uma carga gigantesca, por exemplo, ao hospital de Cucuta lhe devem 60 bilhões de pesos, apenas na atenção para os venezuelanos.”

Santos deixa vazar o mais importante, uma contradição a propensa vitória imediata divulgada por todos presidentes alinhados a política da Casa Branca na América do sul. Ele aponta que Maduro não está pra cair, e recorre à uma prática de governos colombianos que é exigir ajuda em dólares aos Estados Unidos para combater a produção de cocaína ou ameaçar os inimigos do governo estadunidense.

Ele explicou categoricamente aos jornalistas que está fazendo um trabalho com os congressistas dos Estados Unidos para conseguir os 150 milhões de dólares que o país precisa para enfrentar a crise.

“Um mês atrás, nos perguntavam se havíamos chegado ao ponto onde estamos hoje. Continuamos a tecer a rede diplomática, ainda estamos à procura de mais apoio, isso está apenas começando, está sendo construído diariamente e aqueles que acreditam que em um piscar de olhos o ditador Maduro vai sair, não vai ”

Completou ainda que defende as sanções, que na prática retira dos venezuelanos remédios e medicamentos. Santos deixa transparecer que a “ajuda” que seria humanitária não tem na verdade este objetivo. São recursos que somente tentam reforçar Juan Guaidó na sua auto-proclamação presidencial. É de difícil compreensão como dois caminhões de mantimentos podem superar os 150 milhões de dólares que a Colômbia pede apenas neste momento.

“Os EUA estão buscando recursos para Juan Guaidó, por isso a ajuda humanitária que vai da Colômbia e do Brasil aos venezuelanos que estão passando pelo momento mais difícil de sua história.”

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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12 comentários

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Nelson

12 de fevereiro de 2019 às 16h00

Conforme o Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica [Celag], a guerra econômica – terrorista, reafirmo – imposta pelos EUA e a Europa, causou uma perda de US$ 350 bilhões à Venezuela entre 2013 e 2017.

E os pretensos bem informados atribuem todas as mazelas do país a Nicolás Maduro e a Hugo Chávez; ao bolivarianismo, enfim.

O informe do Celag pode ser lido em https://www.celag.org/consecuencias-economicas-boicot-venezuela-resumen/.

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Nelson

12 de fevereiro de 2019 às 15h49

“Os venezuelanos têm gerado custos de saúde brutais, educação”.

Os Estados Unidos e a Europa, com total apoio de governos sabujos do Grupo de Lima – o da Colômbia incluído, talvez o mais sabujo deles – impõem uma guerra econômica brutal, terrorista, podemos afirmar, à Venezuela, e a seu povo, por conseguinte.

Não existisse essa guerra econômica – ilegal e criminosa sob qualquer viés que você enxergá-la – e não existiriam os imigrantes venezuelanos em outros países. Pelo menos não no número que é divulgado.

Portanto, não há do que esse governo sabujo reclamar. Ele é um dos culpados pelo processo.

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Alan Cepile

12 de fevereiro de 2019 às 09h35

É evidente que o regime Maduro apresenta problemas, mas daí achar que o poste americano assumir e fazer da Venezuela um Brazil será solução, é o cúmulo da síndrome do colonizado.

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Douglas

11 de fevereiro de 2019 às 23h35

Império e seus serventes sempre se metendo nos assuntos alheios, e os corruptos do governo colombiano se aproveitam para lucrar no processo.

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Tati

11 de fevereiro de 2019 às 23h24

Típico…sempre se metendo nos assuntos de outros paises sem olhar para o seu. E os milhões de colombianos na Venezuela todos esses anos enquanto o país não estava em crise? Quanto gastou a Venezuela todos esses anos? Rídiculo, pra dizer o mínimo.
E é obvio que o Maduro não está para cair, apesar do que dizem muito que não conhecem a realidade venezuelana, ele ainda tem muito apoio nas ruas.

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Paulo

11 de fevereiro de 2019 às 21h51

E o povo venezuelano continua sofrendo sob as mãos do ditador…

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    Nelson

    12 de fevereiro de 2019 às 16h11

    Quando tu escreves “ditador”, estás, certamente, te referindo a Donaldo Trump. É isto, meu chapa? Aliás, não só o povo venezuelano, mas povos vários de todo o mundo vêm sofrendo há muitas décadas “sob as mãos” de ditadores que têm assento no grande país do norte.

    Só nos últimos 20 anos, o povo venezuelano, bem como outros tantos, sofreu e/ou segue sofrendo “sob as mãos” de quatro ditadores: Bill Clinton, George Bush, Barack Obama e Donald Trump.

    Os governantes dos EUA se arvoram donos do mundo e acreditam que têm o direito de ditar como deve ser a vida de cada vivente deste planeta.

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brasileiro

11 de fevereiro de 2019 às 20h25

E eles dizem aqui que o comunismo acaba quando o dinheiro de quem ‘produz’ se esgota. Quero ver agora os capitalistas viverem sem capital.

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Naldo

11 de fevereiro de 2019 às 20h11

Estes pierros de Trump vivem por mesada para atacar países vizinhos

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Renata

11 de fevereiro de 2019 às 20h01

Incrível o cinismo destes colombianos ,agora que não derrubaram o maduro querem mais 150 milhões de verdinhas para continuar massacrando a Venezuela?

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    Julio

    11 de fevereiro de 2019 às 20h31

    E pior . O dinheiro deve ser do povo venezuelano que foi bloqueado pelo império.

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      Ernesto

      11 de fevereiro de 2019 às 20h54

      A fortuna bloqueado da Libia – Kadaffi – desapareceu, sumiu, escafedeu-se.

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