História: Brizola na Unicamp em 1987

O protocolo de intenções foi assinado durante reunião a que compareceram os ministros Sérgio Moro e Wagner Rosário e o advogado-geral da União, André Mendonça, além de Vélez Rodríguez (Foto: Luís Fortes/MEC)

Visando controlar universidades e atingir Haddad, governo Bolsonaro cria Lava Jato da Educação

Por Miguel do Rosário

16 de fevereiro de 2019 : 11h12

Não é preciso ser nenhum gênio da análise política para entender que essa iniciativa de Bolsonaro e Sergio Moro visa cumprir dois objetivos estratégicos:

1) produzir factoides político-midiáticos contra as gestões petistas, talvez visando atingir o ex-ministro de Educação de Lula, Fernando Haddad, um dos nomes mais importantes da oposição e desde já potencial competidor em 2022;

2) lançar uma sombra de terror sobre todo o corpo acadêmico, onde estão os principais núcleos de inteligência crítica no país. Esta sombra já tem sido lançada nos últimos anos; um exemplo foi a ação que levou ao suicídio do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier (aliás, um posfácio triste dessa história é a morte recente, quase que por tristeza, de um de seus melhores amigos, o desembargador Lédio Rosa). A delegada Erica Macarena, responsável pela operação que provocou a tragédia, ganhou cargo de confiança no Ministério da Justiça de Sergio Moro.

Uma das funções principais de qualquer governo é combater a corrupção. Mas quando se apela para ações sensacionalistas e midiáticas, o objetivo é eminentemente político, como é o caso dessa nova “Lava Jato da Educação”, a expressão é usada, no áudio abaixo, pela própria assessoria do Ministério.

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No Portal do MEC

Vélez Rodríguez e Sérgio Moro assinam acordo para investigar indícios de corrupção no MEC

Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019, 15h35

Uma investigação feita pela nova gestão do MEC pode dar início à Lava Jato da Educação. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, 14, pelo ministro, professor Ricardo Vélez Rodríguez, em reunião de assinatura do protocolo de intenções que tem como objetivo apurar indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito do MEC e de suas autarquias nas gestões anteriores. O acordo é o marco inicial para uma ampla investigação interministerial.

Dos vários casos apurados até agora, foram apresentados exemplos emblemáticos, como favorecimentos indevidos no Programa Universidade para Todos (ProUni), desvios no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), envolvendo o sistema S, concessão ilegal de bolsas de ensino a distância e irregularidades em universidades federais. A audiência deu transparência ao funcionamento e atos do MEC, seguindo as orientações do presidente Jair Bolsonaro para todos os ministérios e instituições federais.

O documento foi assinado pelos ministros da Educação; da Justiça, Sérgio Moro; da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, e pelo Advogado-Geral da União, André Mendonça. Também participou da reunião o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que será peça fundamental na apuração dos fatos.

O ministro da Justiça, o advogado-geral da União, o ministro da Controladoria-Geral da União e o diretor-geral da Polícia Federal se colocaram à disposição para apurar todos os casos apresentados (Foto: Luís Fortes/MEC) A investigação é uma das principais metas em desenvolvimento pelo ministério dentro do plano de ações dos 100 primeiros dias. A partir de agora, o MEC encaminhará os documentos necessários para que Ministério da Justiça, Polícia Federal, Advocacia-Geral da União (AGU) e Controladoria-Geral da União (CGU) possam aprofundar as investigações, instaurar inquéritos e propor as medidas judiciais cabíveis.

O ministro da Justiça, o advogado-geral da União, o ministro da Controladoria-Geral da União e o diretor-geral da Polícia Federal elogiaram a iniciativa do ministro da Educação e se colocaram à disposição para apurar todos os casos apresentados. De acordo com Vélez Rodríguez, o intuito é ser totalmente transparente para a sociedade. “Queremos apurar todos os desvios praticados por pessoas que usaram o MEC e as suas autarquias como instrumentos para desvios.”

Assessoria de Comunicação Social

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Paulo

16 de fevereiro de 2019 às 21h51

É claro que o PT, por ter ficado tanto tempo no poder, aparelhou as universidades com nomes que lhe pareciam simpáticos. Vamos ver se Bolsonaro fará o mesmo! Mas é difícil, pois terá dificuldades em encontrar professores de direita na Academia…

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Alan Cepile

16 de fevereiro de 2019 às 19h37

Vale dizer que a iniciativa universitária foi quase nula ano passado, os universitários não foram às ruas, os DCE’s se calaram e a UNE ficou restrita a dar entrevistas para veículos da imprensa e participação em eventos universitários restritos às comunidades universitárias.

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Poste Apagado

16 de fevereiro de 2019 às 17h21

Se nada devem nada deveriam temer. A verdade é que é muito dinheiro investido em um sistema de ensino que entrega um resultado pífio à sociedade

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    ari couto

    17 de fevereiro de 2019 às 11h28

    Conhecendo o judiciário brasileiro só mesmo uma mente infantil acredita nessa baboseira de que se não deve não teme.

    Responder

    Rafael

    18 de fevereiro de 2019 às 14h00

    Qual o resultado da operação ouvidos moucos? Um reitor se suicidou sem culpa nenhuma, professores sem poder entrar na universidade e a criminalização com fim de extinção de um importante programa de educação. Não se comprovou nenhuma irregularidade que justificasse a operação. Agora esse tipo de operação será institucionalizado. Será com os mesmos resultados?
    Não sei o que esse cidadão chama de resultado para a sociedade. Milhares de pessoas formadas por ano, em nível de excelência, seria um resultado bom? Em todas as áreas do conhecimento. O Brasil trabalhando com pesquisa científica no nível das maiores instituições do mundo seria um bom resultado? Acorda pra cuspir amigo. Voltar pra realidade.
    A quem interessa essas ações? Cadê as forças armadas nacionalistas, vão deixar isso? É o fim da picada, não sei se nosso país se recupera desse tombo dessa nova gestão.

    Responder

Poste Apagado

16 de fevereiro de 2019 às 17h17

Inicialmente, parabens por permitir que aqueles que ocupam o outro lado do espectro politico possam expor aqui as suas opiniōes, ao contrario do que fza certos veiculos tipo Brasil171, digo 247.
Quanto ao tema em questao, se nada fizeram de errado, não há o que temer, nao é mesmo? Agora convenhamos: é muito dinheiro despejado em um sistema que entrega a um resultado tão pífio à sociedade.

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    Alan Cepile

    16 de fevereiro de 2019 às 19h32

    O brazil171 não permite comentários nem de quem é do lado de cá do espectro, porém, não-lulista…

    Sobre o assunto em questão, o que vc quer dizer com “um sistema que entrega a um resultado tão pífio à sociedade”?? Pois a produção universitária brasileira faz milagre.

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Edna Baker

16 de fevereiro de 2019 às 14h46

Socorro!!!

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Justiceiro

16 de fevereiro de 2019 às 11h32

1) produzir factoides político-midiáticos contra as gestões petistas, talvez visando atingir o ex-ministro de Educação de Lula, Fernando Haddad, um dos nomes mais importantes da oposição e desde já potencial competidor em 2022;
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HAHAHAHAHAHAHA

Você tá de sacanagem, Miguel. Addad potencial competidor em 2022?
Sei que ainda falta muito tempo, com um eleição municipal pelo meio, mas esse banana não chega a nada. Sem Lula é um aleijado e em 2022 Lula está no paraíso do esquecimento.

Acho que Ciro deverá prevalecer na esquerda, mas sem o PT, que se não estiver extinto estará quase sumido.

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    cláudio augusto parente

    18 de fevereiro de 2019 às 12h50

    Faz 39 anos que o PT vai ser extinto.

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