Manuel Castells na FGV

Uma entrevista com Carlos Lupi, presidente do PDT

Por Redação

09 de julho de 2019 : 15h05

No blog SolidáRio

Um retorno ao trabalhismo histórico

2 de julho de 2019

Por Paulo Cezar Soares e José Pinheiro Júnior / Fotos: Paulo Araújo

Presidente nacional do PDT classifica governo de Jair Bolsonaro como desafio à democracia brasileira e ameaça real às conquistas populares no País

O atual governo federal, comandado pelo Sr. Jair Bolsonaro, representa um grande desafio à democracia brasileira, ameaçando conquistas dos trabalhadores e caminhando para um perigoso retrocesso. A afirmação é do ex-ministro do Trabalho dos governos Lula e Dilma Roussef e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Fiel ao legado trabalhista de Getúlio Vargas e Leonel Brizola, Lupi aponta a educação em tempo integral como fundamental para a transformação da sociedade, tornando-a mais justa e solidária.

O ex-ministro do Trabalho confirmou que a candidata do PDT à Prefeitura do Rio de Janeiro será a deputada estadual e ex-chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, e teceu comentários sobre a atual gestão no Executivo carioca, de Marcelo Crivella.

Solidário Notícias – Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre o seu trabalho como presidente do PDT

Carlos Lupi – O trabalhismo como um todo é uma corrente de pensamento que sempre está em movimento. Tem que se atualizar, se organizar e se preparar a cada dia para novos desafios. E o novo desafio agora é a luta pela democracia em nosso Pais. Nós julgamos que a democracia no nosso País. Nós julgamos que a democracia no País está sob ameaças graves. Nós estamos vendo que estas forças mais à direita, mais reacionárias no poder tentam simplificar as questões para o Brasil de uma maneira grotesca, achando que a solução para a violência e distribuir mais armas. Sabe-se que isso não resolve nada. A Reforma da Previdência não é a solução para a economia do País, pois retira direitos. Um dos maiores alimentadores da economia são os aposentados e pensionistas, porque quando recebem seus salário colocam o dinheiro para circular. E com dinheiro circulando, compra-se mais, fatura-se mais, mais emprego, mais renda.

Então, o governo que ai está, representado pelo senhor Bolsonaro, é um grande desafio, pois é uma ameaça permanente aos direitos do trabalhador. E a maior prova disso foi a extinção do Ministério do Trabalho, criado pelo presidente Getúlio Vargas. Fui o ministro que mais tempo ficou no ministério – cinco anos. Então, diante de toda esta ameaça, temos que esclarecer à população brasileira o que Bolsonaro representa, e os caminhos que a democracia precisa trilhar para evitar que o autoritarismo volte.

SN – Qual a sua análise em relação à CLT? Muitos dizem que os trabalhadores não perderam nada com as mudanças na CLT. Pelo contrário: até ganharam. O senhor concorda?

CL – Obviamente que não. Quem diz isso é porque nunca trabalhou. Só quem nunca trabalhou pode não dar valor a uma carteira de trabalho e uma legislação trabalhista que existe para proteger o mais fraco na sociedade. Quando você tem uma sociedade no sistema capitalista, que tem capital e trabalho, todos que possuem capital têm como se defender. A parte mais fraca é o tralhador, um oprimido que gera riqueza, que constrói a nação.

Então o trabalhismo, esta corrente de pensamento que o PDT representa, que está se atualizando a cada momento, é a mais profunda e forte ligação para o trabalhador brasileiro. Nós nos alimentamos na defesa de um projeto de nação desenvolvimentista, livre e democrática,cuja base principal seja o trabalhador, e a meta principal a educação com escola de tempo integral para tirar nossas crianças da ignorância.

SN – O Rio está passando por uma crise sem precedentes na sua história. Tem como superá-la a curto prazo, ou levará ainda algum tempo para a situação melhorar?

CL – O Rio está passando o seu pior momento desde a primeira eleição democrática após a ditadura, em 1982, quando Brizola venceu. O Rio vive um desmando comandado por um juiz que não tem experiência nenhuma, a não ser em Vara Cível e Criminal, em julgar, mas administrativamente – zero. E por um prefeito que acha que a solução é orar. Lógico que orar é bom, todo mundo deve ter a sua ligação de fé. Mas achar que só orar produz alguma coisa não dá resultado. O Rio está num momento muito difícil. Não conheço na história do Rio um momento tão difícil como o que estamos vivendo hoje. Mas sou um homem de muita fé, muita esperança. Penso que a solução para o Rio de Janeiro a começar nas próximas eleições municipais é retomar um projeto que defenda a cidade, defenda o Estado. Projetos que abriguem e se adequem a cada realidade municipal.

Por exemplo: O Rio é a porta de entrada do Brasil para o mundo. A maioria das pessoas no mundo acha que o Rio é a capital do Brasil, não Brasília. Por quê? Porque foi capital do Império, foi capital da República, é a cidade mais linda do mundo. Como a gente não desenvolve o potencial turístico mais fortemente? O Rio de Janeiro recebe, por ano, o número de turistas que Paris recebe por mês.Está errado! Tem que desenvolver esta grande fonte de riqueza, de economia, que é o turismo. A nossa vocação natural para serviços e alimentar a área do setor de petróleo, sua indústria petrolífera e todas as suas ramificações. Parou o projeto da refinaria aqui em Itaboraí.

Quando parou o refino, o que acontece? O Brasil produz um petróleo mais bruto, mais caro, e compra o refinado, inclusive dos Estados Unidos. Pode refinar aqui e ficar com este valor agregado no Brasil.

Nosso Estado tem que pensar em desenvolver o seu potencial, com competência administrativa. E acreditar neste Estado, nesta cidade, que é o berço a porta de entrada do Brasil.

SN – O PDT já decidiu o candidato para a eleição do prefeito do Rio?

CL – Será a deputada Martha Rocha. É uma mulher de fibra, a primeira delegada a assumir uma Delegacia de Mulheres, nomeada por Brizola. Mulher de coragem preparada, e com experiência. Com a vida honrada e limpa. É o nome que estamos colocando para retomar o crescimento, a geração de emprego, a autoestima do povo carioca.

SL – E para a Presidência da República? o PDT vai continuar com Ciro Gomes como seu candidato?

Já estamos trabalhando nisso, porque uma eleição, você não pode viver só o momento do processo eleitoral. Tem que viver um debate antes. Penso que o Ciro já deu uma grande contribuição quando ele tentou, trabalhou, usou todo o seu processo de campanha para esclarecer o que é a economia, o que é um projeto nacionalista, desenvolvimentista, como tem que investir na área de ciência e tecnologia para disputar o mercado mundial, àquilo que tem valor agregado. O chip que a gente usa no celular vale mais do que uma arrouba de boi. E um boi para estar pronto e gerar uma arrouba demora um ano. Desenvolver a cultura, um projeto de nação livre, independente.

Ciro tem lutado para desenvolver a inteligência e a capacidade do povo brasileiro. E nós vamos continuar fazendo isso, mesmo achando que tenha ocorrido um atropelamento do processo histórico, que foi a eleição do senhor Bolsonaro, pela raiva, pelo ódio, frases de efeito, um homem sem nenhuma preparo. Não sabe a que veio, não tem noção da cadeira que ele está sentado, de presidente da República. Tenho vergonha do que o Brasil está passando no mundo. Nós temos que preparar e apostar na inteligência do povo brasileiro. Que ele se esclareça, se informe, saiba que foi enganado. Todos nós estamos sujeitos a nos enganar, e errar.

A candidatura do Ciro está desde agora colocada. E ganhar e perder faz parte da vida. O que nós nunca podemos perder é a nossa esperança, a nossa crença num projeto de nação nacionalista, desenvolvimentista, que gere progresso, gere renda, gere emprego para o povo brasileiro. É a saída para a nossa gente.

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