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Carlos Siqueira: “eu, pessoalmente, tendia a apoiar o Ciro”

Por Redação

03 de dezembro de 2019 : 08h48

Em entrevista ao jornalista Bernardo Mello, do Globo, publicada hoje, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, fez uma série de críticas ao ex-presidente Lula e ao PT. E afirmou que, nas eleições de 2018, ele, “pessoalmente, tendia a apoiar o Ciro”.

Abaixo, alguns destaques da entrevista:

[Sobre as declarações recentes de Lula, de que o PT não é partido ‘”de apoio”]: “Entre PT e Brasil, o PT sempre escolhe a si mesmo. Foi assim quando não apoiou a eleição do Tancredo Neves, quando chamaram a Constituição de “burguesa” em 1988 e quando foram contra o Plano Real. Acho estranho, no momento em que o país está ameaçado por retrocessos democráticos, que o PT queira limitar suas alianças.”

[Sobre a posição do partido em 2018]: “(…) o partido priorizou as alianças estaduais em relação à questão nacional. Eu, pessoalmente, tendia a apoiar o Ciro. Mas resolvemos liberar os filiados e garantir os apoios nos estados. As decisões se dão em função das circunstâncias. Talvez hoje tivéssemos que analisar em face do que acontece.”

[Sobre a posição do PSB no Rio]:Temos um diálogo muito bom com o PDT, com o PV e a própria Rede. Acho a deputada Martha Rocha (PDT) uma excelente candidata.”

No Globo

‘Entre o PT e o Brasil, o PT escolhe a si mesmo’, diz presidente do PSB

Carlos siqueira avalia que declarações do ex-presidente Lula fecham portas para unidade da esquerda e vê bom diálogo entre PSB e PDT por candidaturas

Por Bernardo Mello
03/12/2019 – 04:30

RIO — O presidente do PSB, Carlos Siqueira, avalia que declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a saída da prisão, fecham portas para unidade da esquerda. Siqueira vê bom diálogo entre PSB e PDT por candidaturas. Leia a entrevista:

A esquerda se unirá nas eleições de 2020?

Não sabemos. Foi estranha a declaração do ex-presidente Lula após sair da prisão. Se o PT terá candidato próprio em todas as cidades, e parece já ter decidido que em 2022 também, provavelmente está convencido que não precisa de alianças. Não vamos aderir a quem não quer apoiar ninguém, com todo o respeito ao PT.

O senhor concorda com a crítica de Ciro Gomes (PDT), de que o “fator Lula” faz o PT buscar uma “hegemonia”?

Talvez o PT esteja voltando às suas origens nesse sentido. Entre PT e Brasil, o PT sempre escolhe a si mesmo. Foi assim quando não apoiou a eleição do Tancredo Neves, quando chamaram a Constituição de “burguesa” em 1988 e quando foram contra o Plano Real. Acho estranho, no momento em que o país está ameaçado por retrocessos democráticos, que o PT queira limitar suas alianças. Uma pessoa que já foi presidente da República deveria ter a dimensão deste momento. É como se (Lula) tivesse ficado em isolamento, sem informações durante o período (em que ficou preso), o que não é verdade.

Em 2018, o PSB cedeu ao PT e aceitou não apoiar Ciro. Hoje o senhor faria diferente?

Tínhamos uma possível candidatura do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Com a desistência dele, o partido priorizou as alianças estaduais em relação à questão nacional. Eu, pessoalmente, tendia a apoiar o Ciro. Mas resolvemos liberar os filiados e garantir os apoios nos estados. As decisões se dão em função das circunstâncias. Talvez hoje tivéssemos que analisar em face do que acontece. Mas nunca tivemos problema em fazer aliança com o PT. Nunca tivemos estreiteza.

Após o ex-presidente Lula ser solto, o PT procurou falar de alianças com o senhor?

A deputada Gleisi Hoffmann insistiu na minha ida ao congresso do PT. Na véspera, dadas as declarações do ex-presidente Lula, eu desisti de ir, como forma de protesto. As forças de esquerda deveriam procurar um nome entre si e apelar ao PT que o fechamento verbalizado por seu líder é muito ruim. Até mesmo apostar em um nome suprapartidário, como tentamos em 2018 com o Joaquim Barbosa. Acho que faltou essa grandeza ao PT.

Joaquim Barbosa pode ser o candidato do PSB em 2022?

Ele era o perfil ideal em 2018, quando a população queria alguém de fora do sistema político. Em 2022, pode ser outra história. Ele é filiado, almocei com ele há dois meses, mas não tratamos de candidatura. Acho que ele teve receio em 2018, porque não se manifestou com clareza uma unidade no partido (pela candidatura), embora ninguém desse declarações contrárias.

No Rio, o PSB apoiará o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que tenta formar uma chapa com o PT?

Temos absoluta confiança no deputado (Alessandro) Molon, que é o presidente do PSB no Rio. Se não for candidato, o que ele decidir em termos de aliança nós vamos convalidar na executiva nacional. Vice não creio que Molon será, mas a possibilidade de apoio existe. Temos um diálogo muito bom com o PDT, com o PV e a própria Rede. Acho a deputada Martha Rocha (PDT) uma excelente candidata.

O PSB fechou questão contra a Previdência e 11 deputados votaram “sim”. Surpreendeu?

Todos estão punidos, já pedimos os mandatos e a reposição da verba partidária que usaram na campanha. Não surpreendeu. Felipe Rigoni (ES), por exemplo, é do movimento de renovação “Acredito”, cujos membros quiseram que eu assinasse um documento para permitir que votassem como quisessem. Recusei. Em 2014, acolhemos a Marina Silva e todo o seu grupo, por conta da falta de homologação do partido Rede, e mantivemos sua candidatura à Presidência após a morte do Eduardo Campos. Nós sabíamos que ela pertencia a outro partido. Já os deputados de movimentos de renovação não entraram no PSB nessa condição.

Qual será a posição do PSB sobre a prisão em segunda instância no Congresso?

Vamos respeitar a decisão da bancada, que me parece majoritariamente favorável aos projetos pela prisão na segunda instância. O que eu acho profundamente lamentável é que essa discussão se dê no entorno do caso de uma pessoa (o ex-presidente Lula). Em uma situação normal, eu sou favorável. Mas fazer isso em função de uma personalidade política cria um grau de complexidade e irracionalidade grande.

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9 comentários

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Bernardo

03 de dezembro de 2019 às 17h49

Francisco, estes partidos que você menciona deram uma minoria de votos pelo impeacment. Não faria diferença nenhuma.
Dilma e Lula cavaram suas próprias covas de tantas maneiras que chega a a ser ridículo acusar qualquer um, até mesmo a direita.
Eles escolheram a dedo este STF que aceitou o impeachment. Eles fizeram a a legislação que instrumentou a Lava Jato e Dilma apoiou a Lava Jato até 2015. Lula escolheu o ladrão Temer como vice duas vezes. Dilma nomeou Levy, fez ajuste liberal e tomamos uma queda de 4% no PIB!
Não tem uma pessoa que nao se ressinta da arrogância e grosseria de Dilma no trato pessoal. Até Haddad já falou sobre isso.
Neste quadro dantesco que deixaram a culpa é de meia dúzia de gatos pingados do PSB e PDT?
Acorda!!!

Responder

    Francisco

    04 de dezembro de 2019 às 02h43

    A maioria dos cidadãos brasileiros acha-se o último pedaço de bolo na assadeira, em qualquer tipo de informação, porém, a luz dos fatos, mostra-se invariavelmente desinformado factualmente, por basear-se no achismo e no ouvir dizer, sem falar que informa-se em órgãos de desinformação do monopólio familiar da mídia brasileira. Por ora deixemos de lado a incrível dificuldade que demonstram na intelecção de texto.

    Vamos aos fatos aritméticos:
    A câmara tem 513 deputados, sendo que o impeachment para ser aberto no senado necessita dois terços desses votos na câmara, ou seja, 342 votos, caso contrário não passa da câmara.

    Se o governo tivesse um terço dos votos, mais um, ou seja 172 (171 + 1) impediria a instalação de qualquer solicitação de impeachment, pois aos golpistas restariam no máximo 341 votos, portanto inferior aos dois terços dos votos necessários na câmara.

    Na votação do impeachment da presidente Dilma, foram 367 votos a favor e 137 contra.

    Então façamos as contas: 137 votos contra obtidos + 29 votos do PSB pró golpe + 6 votos do PDT pró golpe = 172 votos e o impeachment e o que aconteceu de péssimo para o Brasil a partir de então, não aconteceriam, podendo-se inclusive desprezar, 2 votos de ausências e 7 votos de abstenções, que completam o total de votos da câmara.

    Conclusão ‘aritmética’: politicamente o PSB e o PDT, dois partidos que se dizem de esquerda, foram os responsáveis diretos pelos golpistas conseguirem os dois terços necessários ao sucesso do golpe e a volta ao poder dessa ‘gente de bem’, via golpe político-jurídico-midiático substituindo o tradicional, mas fora de moda, militar.
    Acorda, quem?

    Responder

Sebastião

03 de dezembro de 2019 às 14h46

Ciro dá declarações arrogantes, tanto quanto Lula. O ego de ambos, não deixam serem coadjuvantes. Dizer que Ciro é opção, quando dar preferência à partidos de direita, e não a de esquerda?

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Ronaldo P Matos

03 de dezembro de 2019 às 11h07

O PSB e o PCdoB tem que se mancar e deixar de ser pau mandado do PT e do Lula; O Ciro Gomes é a melhor opção para o Brasil atualmente, não tem outro candidato a altura de Ciro Gomes para se candidatar a Presidente e representar a Esquerda e Centro-esquerda com chances de vencer as eleições de 2022, não adianta PSB, PCdo B e REDE lançar candidato próprio, é dividir votos, esqueçam, o Lula não poderá ser candidato mais, e o candidato que ele lançar para concorrer em 2022 para Presidente é perda de tempo; Se o Brasil não se unir agora para tirar essa facção que se instalou e está acabando com o País, amanhã pode ser muito tarde.

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    Clever Mendes de Oliveira

    03 de dezembro de 2019 às 13h14

    Ronaldo P Matos (terça-feira, 03/12/2019 às 11h07),
    A afirmação de que o “Ciro Gomes é a melhor opção para o Brasil” é só opinião. Ela também é válida não porque é comprovada, mas porque não pode ser refutada. É opinião semelhante a eu dizer que o melhor candidato é o Fernando Haddad. Não há como refutar cientificamente a minha opinião.
    De todo modo é preciso reconhecer que a escolha da opção, não necessariamente a melhor, mas a que tem validade demonstrável cientificamente pelos números é a das urnas. Até lá, então, a não ser que implantemos uma ditadura, teremos que aguardar o resultado da urna para saber que opinião tem validade numérica.
    Abraços
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 03/11/2019

    Responder

Alexandre Neres

03 de dezembro de 2019 às 10h01

Se fosse editor do Cafezinho, na condição de apoiador do cirismo, o que é legítimo, e ainda dá espaço para outros partidos, não republicaria essa entrevista.

Primeiramente, porque Siqueira é uma figura caquética. Tão dado a autocríticas, deveria fazer uma do seu partido que se tornou valhacouto de direitistas enrustidos que se abrigaram no partido num tempo em que pegava mal ser de direita (isso parece surreal hoje em dia), com isso obteve tempo nas campanhas eleitorais. Foi hospedeiro de várias figuras nefastas, vide Teresa Cristina, musa dos agrotóxicos e atual ministra da agricultura no desgoverno atual, Heráclito boca murcha Fortes, Danilo Forte, entre outros.

Não vou perder meu tempo de enumerar as votações em que o PSB fornece votos em demasia para o deleite dos cidadãos de bem. Impeachment, Reforma da Previdência, Intervenção no Rio etc. etc. e, pra coroar, quer neste momento obscuro discutir o tema da prisão em segunda instância. Na entrevista, a múmia se diz pessoalmente a favor. Desvela um desconhecimento comezinho da Constituição Federal, quer violar cláusula pétrea. Isso pra um presidente de partido que pretende ser assim, meio de esquerda.

Responder

    Redação

    03 de dezembro de 2019 às 10h03

    Alexandre, o Carlos Siqueira é o presidente do PSB, partido da centro-esquerda com maior número de prefeituras e 4 governos estaduais e muitos deputados estaduais e federais. O discurso dele no seminário da autoconferência foi muito lúcido. No seminário, a expressão mais usada foi justamente “autocrítica”. https://www.ocafezinho.com/2019/12/02/a-conferencia-nacional-da-auto-reforma-do-psb/

    Responder

      Clever Mendes de Oliveira

      03 de dezembro de 2019 às 13h39

      Redação (segunda-feira, 03/12/2019 às 10h03),
      Pela sua resposta, você usa o termo autocrítica como suficiente para dignificar uma pessoa ou um partido. Eu fico imaginando um presidente de um partido fascista dizendo: “eu tenho que fazer uma autocrítica e reconhecer que nós fomos muito mal, eu faço a autocrítica de reconhecer que nós não ganhamos, eu tenho que fazer a autocrítica e reconhecer que não conseguimos convencer a população dos valores que defendemos, etc, etc, etc.” E ai você vai incensar este presidente pelo número de vezes que ele utilizou a palavra autocrítica.
      Então, creio que há uma falha muito grande no entendimento do que representaria uma autocrítica e da própria relevância da autocrítica.
      De algum modo a autocrítica é um instrumento de gerência. E tem natureza principalmente estratégica e na maioria das vezes envolve questões internas. Vendo um partido como uma organização é salutar que ele faça com frequência uma autocrítica mostrando os pontos onde ele teve sucesso e os pontos onde ele fracassou. Agora um partido como uma organização em um modelo competitivo não precisa abrir os francos e explicitar todos os seus erros de tal modo que os outros partidos possam utilizar aquelas brechas para o enfraquecer.
      Assim, creio que não faz o menor sentido, e funciona apenas como um mantra de campanha, a exigência de exteriorização de autocrítica que se faz aos partidos políticos.
      Abraços,
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 03/12/2019

      Responder

      Francisco

      03 de dezembro de 2019 às 16h18

      “Muitos deputados estaduais e federais”, sendo que muitos desses federais, a quase totalidade, junto com 8 votos do PDT, é que deram o quorum para que o golpeachment conseguisse derrubar o governo legitimamente eleito de Dilma Rousseff do PT, colocando Temer no lugar para preparar o desmonte do Brasil rumo a colônia americana novamente, em 2016.

      Quem proporcionou o número de votos necessários ao golpeachment e consequentemente base para o surgimento de Bolsonaro candidato e o renascimento fascista no Brasil, foram exatamente esses votos de Troia no PSB, majoritariamente, e no PDT, minoritariamente.

      O resto é conversa mole pra boi dormir e o Ciro não sumir de vez.

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