Live do Cafezinho (18 h): Pós-verdade na política brasileira (uma conversa com Fabio Palacio)

Divulgação

Orlando Silva: união de forças para enfrentar Bolsonaro

Por Redação

26 de fevereiro de 2020 : 15h28

Proteger nossa frágil democracia, por Orlando Silva
A resistência anti-Bolsonaro ainda está dispersa e desorganizada

por Orlando Silva, no Vermelho
Publicado 26/02/2020 14:27

Deputado Orlando Silva defende a união de forças para enfrentar Bolsonaro e defender a democracia

Em “Argumento”, Paulinho da Viola nos aconselha sobre como agir diante das adversidades: “faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar.”

O presidente Jair Bolsonaro aprontou das suas ontem, somando-se a movimentos de extrema-direita que convocaram um ato político contra o Congresso Nacional para o próximo dia 15/03. Pode? Não! Não pode.

O artigo 85, inciso II, da Constituição Federal é explícito. “São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, os que atentem contra: o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação.”

O presidente da República conhece – ou deveria conhecer – a Constituição e sabe o que fala e faz. Sabe que poderia até ser afastado da Presidência. Seus movimentos são calculados. O fato é que a tensão no ambiente político, com Bolsonaro, é o novo normal. Ele opera no limite para manter o ímpeto de suas milícias digitais.

Bolsonaro navega no mar alto da antipolítica, fomentada por décadas, e que levará um tempo para voltar a níveis toleráveis – se é que voltará algum dia. Exercita seus planos autoritários numa conjuntura de crise da democracia liberal, tempos em que tudo está em questão.

Bolsonaro reage aos movimentos do Congresso Nacional. As novas regras do Orçamento trouxeram para o Brasil práticas de democracias maduras, em que cabe ao Parlamento pronunciamentos decisivos sobre as contas públicas. Mecanismos como esses não combinam com déspotas.

O ato do dia 15 será mais um round da luta de Bolsonaro contra o Parlamento e o Supremo Tribunal Federal. Esse embate é quase diário, basta ver as MPs, PLNs e os vetos. Ele multiplica suas frentes de batalha. Veremos até quando conseguirá lutar o tempo todo em tantas frentes.

A resistência anti-Bolsonaro ainda está dispersa e desorganizada. A divisão fundamental está na visão sobre a economia.

A entrevista de Edmar Bacha, na Folha de São Paulo, tem grande importância para esclarecer possíveis tendências. Quando ele aponta que “a agenda liberal deste governo não vale para empresários” e que em outras recessões a retomada foi “em forma de V” e atualmente “estamos patinando em L e não conseguimos sair”, quer dizer que a recuperação é incerta e não anima os agentes econômicos. Os resultados do agronegócio são bons apesar do governo, que atrapalha bastante; a indústria segue na UTI, acumulando resultados adversos. Só o capital financeiro segue intocável.

É preciso cautela, frieza e objetividade. Os ataques ao Congresso Nacional são golpes contra a democracia e necessitam de respostas à altura. O decano do Supremo, ministro Celso Mello, se posicionou de maneira enérgica quanto à convocação de ato hostil aos poderes feita por Bolsonaro. Diversas lideranças políticas e sociais, de diferentes matizes ideológicos, também condenaram prontamente o ataque.

O Parlamento precisa cadenciar suas iniciativas. Essa provocação de Bolsonaro cai como uma luva para que a agenda da Câmara e do Senado dialogue mais com a sociedade e vá além dos dogmas liberais.

Pacientemente, vamos fazer o degelo das relações que andavam interditadas. E encontraremos novas conexões para tecer uma rede, uma barreira intransponível para proteger nossa frágil democracia. À política também se aplica o ensinamento do velho marinheiro: “Sem preconceito, sem mania de passado, sem querer ficar do lado de quem não quer navegar.”

Deputado federal pelo PCdoB-SP

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

3 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Carlos Marighella

26 de fevereiro de 2020 às 16h07

PT e o partido do bozo querem a mesma coisa, a continuidade da polarização para depois decidir quem ganha em 2022, então não venham com esse lenga-lenga.

Responder

Abdel Romenia

26 de fevereiro de 2020 às 15h40

“resistência anti Bolsonaro”

Bolsonaro foi eleito democraticamente pelaa maioria dos brasileiros ao qual continuam dando apoio segundo as pesquisas. O Brasil hoje com todos os defeitos se encontra em uma democracia plena por tanto a única coisa a qual estão “resistindo” (kkkkkkkk) é a própria democracia.

Aceitem essa tal de democracia e aprendam a fazer oposição de verdade em vez de falar asneiras e fazer todo mundo rir de graça.

Responder

    Kotionkim

    26 de fevereiro de 2020 às 15h48

    Sou de esquerda mas infelizmente você disse tudo, não é assim que se faz oposição.

    Responder

Deixe uma resposta