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Mario Heringer: “o PDT ainda não está organizado”

Por Miguel do Rosário

29 de fevereiro de 2020 : 17h24

Para o deputado federal Mario Heringer (PDT-MG), o PDT não está fazendo jus às expectativas que se criaram em torno do partido após o seu desempenho na campanha eleitoral de 2018, quando ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais, com 13 milhões de votos.

“Nós precisamos melhorar muito, nos organizar muito”, admitiu o parlamentar, em entrevista exclusiva ao Cafezinho, concedida na última quinta-feira.

“Mas agora nós temos duas coisas fundamentais, que podem fazer isso funcionar. Uma é um pré-candidato à presidência da república, brigão, trabalhador, que dá a cara a tapa, que dá exemplo, o que é fundamental em política; e a outra, é a bandeira, um programa de desenvolvimento nacional. Nós temos o que mostrar: o que vamos fazer e quem vai fazer. O PDT não vai mais apresentar o passado, e sim o futuro! Nesse momento, o PDT tem condições de dar maior organicidade à sua base!”

Heringer é um dos maiores entusiastas, dentro do PDT, da candidatura de Ciro Gomes.

“Não fosse por Ciro, eu nem vinha candidato em 2018”, disse o deputado, que informou ter levado Ciro a Minas Gerais mais de dez vezes no ano passado.

As razões que o levaram a apostar em Ciro, segundo Heringer, foram sua crítica à dívida pública e ao processo de desindustrialização vivido pelo Brasil: “nós temos que partir para a engenharia reversa, fabricar os produtos que consumimos”.

Heringer contou histórias dos bastidores da campanha de 2018. Disse que estava com Rodrigo Maia no Chile, no dia em que os partidos de centro decidiram apoiar Geraldo Alckmin (PSDB), por pressão do DEM da Bahia, e de Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Segundo ele, o grupo de Maia estava inclinado a apoiar Ciro.

Outra história é sobre a intervenção do PSB no diretório estadual do partido, para anular a candidatura de Marcio Lacerda ao governo de Minas Gerais.

“Isso foi de uma má fé, de uma maldade. Levaram Marcio Lacerda até o último momento. Mas o objetivo era único: não dar estrutura para Ciro, que podia ter o PSB como partido parceiro, na eleição presidencial; e mais que isso, tirar um amigo dileto de Ciro, que era o Marcio Lacerda, de uma disputa onde Ciro teria o seu espaço na política estadual, aparecendo junto com o Márcio, que seria candidato ao governo. Foi uma pernada, no último dia. O PT estava tentando isolar o Ciro de uma maneira tão truculenta, em cima do PSB, a gente tem vários relatos de coisas que aconteceram, que o PSB teve que ceder. Foi de uma violência política que eu jamais vi. É por isso que não quero me aproximar do PT de maneira nenhuma. O PT vai ter que fazer sua autocrítica, rever sua história, como tratou seus parceiros…”

“Se em 2018, quase fizemos isso [quebrar a polarização], em 2022 a gente talvez consiga. Quem é o protagonista disso hoje chama-se Ciro Gomes. O próprio Luciano Huck tem muita deficiência a ser vencida. Ele diz que está se preparando… Desculpa, mas política não se prepara em banco de escola. Política se prepara com experiência, vivência, e quem tem mais vivência é Ciro Gomes”.

Sobre o processo no debate da Previdência, o deputado confessou que torce para que nenhum deputado seja expulso do partido. Ele mencionou especificamente o caso de Tábata Amaral: “não podemos perder o que temos de melhor”.

“Eu já fui dissidente”, lembrou, dizendo que votou pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, contra a orientação da legenda. Heringer voltaria a contrariar o partido em 2017, ao votar em favor do teto de gastos.

“Mas eu mudei para melhor, graças ao PDT”, justificou.

Para as eleições municipais deste ano, Heringer, que é presidente do PDT em Minas Gerais, disse que tem aumentado muito a procura pelo partido, o que é um sinal de que a legenda poderá crescer em 2020.

No campo governista, Heringer disse que tem observado um processo de distanciamento do eleitorado em relação ao radicalismo de Bolsonaro.

“Quem vai crescer é o meio, quem não está nessas duas pontas [Bolsonaro e PT]”.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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17 comentários

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Miramar

02 de março de 2020 às 17h34

Parece que os palhaços dos circos Bozolandia e Petezada estão disputando quem conta mais fake News e quem tem a platéia mais acéfala. Com todo respeito aos palhaços de circo.

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jose carlos rodrigues arana

01 de março de 2020 às 20h22

Mangabeira diz que Ciro perdeu eleição por arrogância ao recusar aliança com o PT e com Lula
Filósofo e um dos mentores do candidato do PDT afirmou que foi um erro recusar aliança com Lula e o PT.
Em entrevista a Luis Nassif.
Parece que o “guru” de Ciro Gomes é mais realista.

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NeoTupi

01 de março de 2020 às 17h49

Em entrevista, Mangueira Unger critica a tática arrogante de Ciro Gomes na campanha de 2018 e a falta de habilidade política de Ciro (o que bate com o que eu sempre disse durante de depois da campanha: Ciro erra demais por simples inabilidade).
Segundo Mangabeira: “a ira posterior de Ciro contra o PT, foi apenas uma tentativa psicológica de enfrentar a ideia insuportável de que foi ele próprio que jogou fora a presidência por um gesto mal pensado”.
Acho essa entrevista importante, porque cobra de Ciro um choque de realidade, coisa que ele está precisando muito se quiser entrar no jogo de 2022 com alguma chance. Só receio que ele tenha queimado pontes demais, e outros mais habilidosos, como Flávio Dino, já ocupam o espaço que antes era dele, de uma candidatura alternativa ao PT ou mesmo do PT (porque o PT pode apoiar se a conjuntura de uma candidatura própria for desfavorável, como teria apoiado Ciro se ele aceitasse começar como vice de Lula e depois virar cabeça de chapa).

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Alexandre Neres

01 de março de 2020 às 17h20

Conheço isso aí de longa data. É um deputado medíocre e de centro-direita. Não tem nada a ver com o saudoso trabalhismo de Brizola e Jango. Até me surpreendi porque não quis esconder seu passado nefasto. Com elementos como este o campo progressista não precisa de adversário.

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    Luis Campinas

    02 de março de 2020 às 11h55

    Interessante, ng fala da entrevista! O silêncio dá a sensação de que não cabe Tábata do Leman mas vale o lesa pátria teto dos gastos e o impeachment, pontos que o presidente do partido e candidato sempre se posicionaram como questões centrais. É por isso que na hora do “pega pra capar” sobram alguns do PDT e alguns do PSB. Quando mais sai do NE vai piorando o povo desses partidos!

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    CezarR

    01 de março de 2020 às 17h27

    Trata-se de uma análise feita pelo Nassif das entrevistas concedidas pelo Mangabeira em DEZEMBRO de 2018!!!!! E pior, o conteúdo é absolutamente contrário à manchete requentada. Essa blogosfera é uma vergonha!!!

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      Alan C

      01 de março de 2020 às 18h15

      Nassif é aquele que disse que só existe salvação com Lula, né?

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    Miramar

    01 de março de 2020 às 18h11

    A comparação entre a data da entrevista e a leitura do seu conteúdo são suficientes para desmontar mais essa maracutaia do chiqueiro Brasil 247.
    Resta saber se o requentamento das vazias críticas é uma coisa espontânea ou se atende a fins inconfessáveis. O professor Paulo Ghiraldelli têm sua dúvidas…
    Mas que a esgotosfera bandida – de esquerda e de direita – está incomodada com o aumento da exposição do Ciro na imprensa..há, isso está!

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Luis Campinas

01 de março de 2020 às 11h42

Quanto mais partidos progressistas tivermos melhor para o país. Um cara desses é progressista? Ciro embora na prática às vzs chute contra, é progressista sim. Agora, um cara que vota pelo impeachment de Dilma, a favor do teto dos gastos e diz que as restrições a Luciano Hulk são de falta de experiência…Este é o tipo de matéria que desanima!

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Marcos Videira

29 de fevereiro de 2020 às 22h16

Por que ainda não está ativo o canal de Ciro Gomes no WhatsApp ?
Por que não existem 2 grupos: uma rede nacional e outra rede estadual ?
Também acho que está faltando organização e comunicação.

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Alan C

29 de fevereiro de 2020 às 18h54

Estranho, numa entrevista em setembro/2019 ele disse ser terceiro secretário do PDT. Cinco meses depois ele é presidente do PDT/MG??

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    Alan C

    29 de fevereiro de 2020 às 18h57

    Ele é presidente sim, consultei outra fonte, ele é terceiro secretários apenas na câmara federal.

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