Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

Os erros políticos de Marcelo Freixo

Por Miguel do Rosário

17 de maio de 2020 : 18h29

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) anunciou, via Globo, que desistiu de ser candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.

Em seguida, explicou, também ao Globo, as razões de sua desistência.

Em minha humilíssima opinião, Marcelo Freixo cometeu uma série de erros políticos, e muitos deles podem ser identificados em sua entrevista, que gostaríamos de comentar em detalhe. 

Também fiz comentários em vídeo:

Vamos reproduzir as perguntas e respostas em itálico, e fazer os comentários em seguida. 

Globo: Por que o senhor está desistindo de ser candidato à prefeitura?

Freixo: Não é uma notícia que dou com alegria. É uma decisão em formato de gesto, mais do que de palavras. É doído, mas é preciso que a gente sacuda um pouco esse processo para tentar a construção de um projeto no Brasil. Estou fazendo isso em nome de algo que é maior do que qualquer coisa. Considero o governo Bolsonaro uma ameaça à democracia. E por que tanta gente competente está assistindo a um incompetente no poder? Algum erro todos nós cometemos e estou me incluindo. Estou tendo um gesto de chamar para a unidade. No Rio, coloquei minha candidatura, que era supostamente natural. Tive muito apoio de imediato do PT, de quem não tenho uma vírgula para falar. No Rio, não houve nenhuma crise de hegemonismo do PT do qual ele é acusado em outros lugares. Também estava tendo diálogo com o PCdo B. Mas o PDT não aceitou essa composição, mesmo com muito diálogo com o (Carlos) Lupi. Mas, ele entende que o PDT tem que lançar candidato porque tem projeto para 2022. O PSB sequer quis fazer reunião, mesmo eu tendo solicitado inúmeras vezes.

*

Freixo comete dois erros básicos logo no início da entrevista. Primeiro erro: o tom lamuriento, choroso, derrotista. Se não quer disputar a candidatura, então não dispute. Mas sem chororô! Diga que tem outros planos e engate um discurso de luta!  Segundo erro: culpar outros partidos por sua própria incapacidade de articulação. A própria entrevista já deixa entrever facilmente porque outros partidos não quiseram se aproximar. Freixo se colocou, desde o início, como um “candidato natural”. Ora, aí temos uma contradição. Se Freixo não tinha interesse em montar uma frente com outros partidos de esquerda, ele era, de fato, o candidato “natural” do PSOL. Mas se tinha interesse, então o debate tinha que ser feito sem falar em candidatura. 

Freixo não é um candidato tão “natural” assim. A vitória de Wilson Witzel nas eleições para governador em 2018 (ele teve 39% dos votos na capital, no 1º turno) mostra que o eleitorado carioca está numa fase conservadora. O Rio tem, provavelmente, o maior eleitorado evangélico do país, o que explica a vitória de Crivella em 2016. Nessa conjuntura, não está certo que um candidato do PSOL, identificado de maneira tão forte com os aspectos mais polêmicos do identitarismo, seria a melhor estratégia para “derrotar o fascismo”. 

Se é verdade que a esquerda precisa ser “madura”, como pede Freixo, e ter consciência de que Bolsonaro é uma ameaça ao regime democrático, e à própria existência do Brasil como país, esse recado deve ser também recitado ao espelho. 

Freixo inicia um esboço de autocrítica, ao dizer que “algum erro todos nós cometemos e estou me incluindo”.

Pois bem, Freixo, mas que erros foram esses? De que adianta falar que houve “erros” e se calar?

Então Freixo faz um elogio terrivelmente ingênuo ao PT: “Tive muito apoio de imediato do PT, de quem não tenho uma vírgula para falar. No Rio, não houve nenhuma crise de hegemonismo do PT do qual ele é acusado em outros lugares”.

Essa foi a cooptação mais fácil do mundo. O PT sinalizou apoio e, com isso, não apenas neutralizou qualquer independência que Freixo pudesse apresentar em relação aos governos petistas, para criticá-los com imparcialidade, aproveitando-se ainda do fato de que o PSOL foi, de fato, oposição ao PT, como ainda, ao cabo, tirou-o do jogo. 

A pergunta que se deveria fazer é a seguinte: se o PT é tão poderoso, porque o seu apoio não bastou a Freixo? 

Nas eleições para o governo do Estado, em 2018, o PSOL teve apoio apenas do PCB, e não desistiu por causa disso. Nas eleições presidenciais, idem. Boulos tinha apoio apenas do mesmo PCB, e isso também não foi um problema. 

Freixo parece não querer enxergar o óbvio. O apoio que recebeu do PT para sua campanha constituiu, em verdade, um beijo da morte, porque para outros partidos de esquerda, e para setores do próprio PSOL, o PT  é parte do problema, e não a solução. 

Por que os outros partidos de esquerda não querem entrar numa aliança com o PT? Será porque eles não tem “maturidade” ou não entenderam a gravidade da situação? Será apenas porque “tem projeto para 2022”, como diz Freixo, com um toque de maldade? 

Ou seria exatamente o contrário? Não seria justamente por entender o drama da conjuntura que esses partidos entendem a necessidade de fazer uma série de autocríticas e críticas ao passado, tentando se reconciliar com o eleitorado, e, assim, abrir caminho para que o campo progressista volte a oferecer uma liderança moral ao país?

E não seria a recusa terminante do PT em fazer qualquer autocrítica que acabou por afastar definitivamente as outras legendas?

*

Globo: Há alguma chance de voltar atrás na decisão?

Freixo: Não. Não faz sentido. Repetiríamos uma situação como em 2016 e não vejo cabimento, diante de uma ameaça fascista e de um governo autoritário como o do Bolsonaro, nós nos comportarmos como sempre nos comportamos: divididos e fragilizados. Se é para isso, eu, antes de pedir para alguém tomar esse gesto, tomo uma atitude.

*

Não sei bem que é esse “nós” da frase. Se for a esquerda, nem sempre ela ficou dividida e fragilizada. Ao contrário, ganhou 4 eleições presidenciais com muita união e força. Infelizmente, o PT não entendeu que coalizações partidárias apenas são possíveis de durar se houver um mínimo de rodízio entre os partidos que a compõem. Em 2010, era o momento de abrir para outro partido. Não o fez. Em 2014, também. Não o fez. Em 2018, o PT preferiu lançar uma candidatura mesmo com seu seu candidato na cadeia e inelegível. 

*

Globo: O medo de sair da eleição menor do que entrou pesa na decisão?

Freixo: Não. Quando disputei 2012, quem acreditava que eu chegaria a 28%? Fui para 2016 no pior momento para ser candidato pela esquerda, que era o momento do golpe. É importante que eu tome essa decisão agora, em que as pesquisas apontam chance de irmos para o segundo turno. Mas, ir para o segundo turno com a esquerda dividida? Para quê? Vamos tentar ganhar o Rio, mas vamos perder o Brasil e a democracia, com o campo democrático se enfrentando e se engolindo, correndo o risco de não ter eleição em 2022.

*

O campo democrático não está “se engolindo”, e sim fazendo um debate duro mas necessário sobre o seu passado, presente e futuro. A pretensão de que o campo se unifique artificialmente, através do asfixiamento da discussão, isso sim nos deixará ainda mais fragilizados. Apenas os autoritários, os fracos e os que não tem convicção de suas ideias tem medo do debate, porque não tem segurança de que possam sustentá-las por muito tempo. 

*

Globo: Por que a dificuldade de união da esquerda?

Freixo: O Bolsonaro é tosco, violento e autoritário. Para derrotar o bolsonarismo é preciso mais que responder as crises que ele provoca. Tem que ir além. Temos que vencê-lo com um projeto que seja melhor que o dele. Qual é o nosso projeto? E aí acho que o desafio que está colocado é construir uma proposta calcada no combate à desigualdade e na garantia de direitos. Temos que retomar a Constituição de 1988. Precisamos de um projeto que não seja meu, do (Fernando) Haddad, do Ciro (Gomes), de quem for. Estou pedindo uma unidade tanto no Rio quanto em outros lugres. Vou dar um exemplo: acho importante apoiar a Manuela D’Ávila em Porto Alegre. É uma candidata compatível com o que estamos debatendo e não tem unidade lá também. Em Pernambuco, a gente teve uma situação delicadíssima e não podemos correr o risco de perder nenhuma capital do Nordeste.

*

Freixo pergunta: qual é o nosso projeto? Mas sua resposta é vaga: é um projeto calcado no combate à desigualdade e na garantia dos direitos. Ora, não é com esse café com leite que iremos despertar qualquer entusiasmo na população! Isso aí é mais do mesmo!

As pessoas anseiam por mudanças profundas. O projeto precisa, portanto, ser revolucionário. Os grandes potenciais do povo e da nação precisam ser liberados. Há necessidade urgente de um projeto nacional infinitamente mais ambicioso do que “garantia dos direitos”.  O Brasil precisa fazer uma revolução em sua infra-estrutura, em sua educação, em seu modelo produtivo, em sua estrutura de crédito. Tudo precisa ser profundamente transformado. 

Freixo está correto ao dizer que o projeto não é de Haddad ou Ciro. Mas o projeto não pode ser secundário. O deputado menciona o tema projeto, diz duas ou três palavrinhas bonitas sobre isso, mas logo abandona o assunto para falar em “unidade tanto no Rio quanto em outros lugres. Vou dar um exemplo: acho importante apoiar a Manuela D’Ávila em Porto Alegre”. Ué, mas não falávamos de projeto? Se o Freixo apresentar um grande projeto para o Rio de Janeiro, tenho certeza de que terá muitos votos. A mesma coisa vale para Porto Alegre. Os eleitores brasileiros não são partidários.

*

Globo: Acha que tem partidos da esquerda que não veem essa ameaça que o senhor fala?

Freixo: Acho que até vê, mas entre ver e fazer uma coisa que seja mais coletiva vai uma distância. Dou o exemplo do impeachment. Quantos projetos de impeachment tem na casa? Mais de 20. Por que não conseguimos construir um projeto de impeachment coletivo, sociedade civil e partidos? Porque ficou um correndo na frente do outro para ver quem dá mais entrevista. Fica um querendo dizer que é mais contra Bolsonaro que o outro.

*

Isso é uma besteira, Freixo. Não é possível controlar o ritmo da chegada da primavera. Esses pedidos são espontâneos, e vieram inclusive de seu proprio partido. Originam-se em setores muito diferentes entre si para que fosse possível uma articulação coletiva. 

Cada investida contra Bolsonaro deve ser bem vinda. A articulação pelo impeachment acontecerá naturalmente, e  pode ser perfeitamente realizada ao largo do processo. Basta o PSOL puxar um seminário sobre impeachment de Bolsonaro, e todos estarão juntos. 

*

Globo: Tem uma disputa de ego na esquerda então?

Freixo: É mais do que de ego, é uma disputa de espaço ali, só que não vai ter vitorioso de pedaço. A gente precisa ter maturidade. Muitas vezes conseguimos no Congresso. Mas a maturidade precisa sair dessas relações congressuais para as relações estratégicas de disputas eleitorais nas cidades. Não pode as pessoas se matarem nessas disputas. É muito ruim. Tenho muito respeito pelas diferenças. As diferenças que existem entre o PT e o PDT, eu respeito. Mas, não é possível que o tamanho dessas diferenças sejam maiores do que a ameaça do fascismo.

*

É inegável que Freixo amadureceu politicamente de maneira esplêndida nos últimos anos, mas agora falta dar o último passo: entender que as diferenças não atrapalham a luta contra o fascismo. Ao contrário, as diferenças são a nossa maior arma, por uma razão muito simples: os diferentes obtêm apoios diferentes. O PT obtêm um tipo de apoio. O PDT obtém um outro tipo de apoio. Se os dois estivessem juntos, não teríamos a soma dos dois, mas antes um conjunto muito menor de apoiadores  A força da coalizão que venceu o nazismo estava na diferença: de um lado, Churchill, o conservador; de outro, Roosevelt, o keynesiano; de outro, Stálin, que dispensa apresentações. Não houve “união da esquerda” para vencer Hitler. Houve coordenação de esforços de guerra, mas cada uma das partes preservou sua personalidade, sua diferença, sua tática própria. 

*

Globo: O senhor citaria algum exemplo específico dessa diferença?

Freixo: Existe um conflito entre o PT e o PDT. Esse conflito tem uma razão de ser e um histórico. Mas, seja qual for esse conflito, ele não é maior do que a ameaça que o bolsonarismo coloca sobre todos nós.

Globo: A origem desse confronto entre PT e PDT não foi a insistência na candidatura do Lula em 2018?

Freixo: No entendimento do PDT, sim. No do PT, não.

Globo: E no entendimento do senhor?

Freixo: Todos deveriam estar juntos no projeto para derrotar o Bolsonaro. Não tem cabimento nesse momento ataque entre nós. Não tem nenhum sentido, diante do risco à democracia, um conflito nesse ponto.

*

Aqui, Freixo tira o corpo fora. Isso não ajuda. Além disso, demonstra insegurança e falta de independência. Se o deputado entende que existe uma diferença e se ele quer ajudar a desatar esse nó, então é preciso franqueza. O que Freixo achou da candidatura de Lula em 2018, mesmo inelegível e preso?

*

Globo: O Lula ajuda ou atrapalha nessa unidade?

Freixo: O Lula, quando ganha a liberdade, sai numa ofensiva de rua. Vem a pandemia e ele perde muito espaço. Nas redes sociais, Lula não é o mesmo que num palanque. Ele tem uma capacidade de dialogar com o povo pobre desse país que talvez só o Bolsonaro tenha neste momento. Não acho que o Lula seja uma força que atrapalha essa unidade. Ele pode ajudar muito. Se ele tiver o mesmo entendimento da necessidade de unidade, acho que ajuda muito. Com todas as criticas que se possa ter ao PT, aos erros e acertos, não vamos construir um campo capaz de derrotar o bolsonarismo sem eles.

*

Lula pode ajudar. Mas também pode atrapalhar, pois ainda carrega muita rejeição, toma decisões erradas, como a de ser candidato mesmo inelegível e preso, e não parece nenhum pouco interessado em ajudar a esquerda a focar em “projeto” e não em nomes. Na entrevista, Freixo fala que o projeto não pode ser de Haddad ou Ciro. Pois bem, ontem o PT lançou, com enorme estardalhaço, sua mais nova iniciativa: “Plano Lula para o Brasil”. 

Tá bom assim?

PS: No vídeo abaixo, Freixo dá mais explicações sobre sua decisão:

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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41 comentários

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foo

19 de maio de 2020 às 10h03

Enquanto isso, Ciro reitera que estará para sempre em campo oposto ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Vocês vão assinar juntos o impeachment? Não vamos não. Você nunca mais vai ver minha assinatura em nenhuma tarefa com o Lula. Nunca mais”, disse Ciro.

Ao dizer que jamais assinará qualquer documento em conjunto com Lula, o presidenciável Ciro Gomes está interessado objetivamente em derrubar Bolsonaro, mas em demarcar seu território, e ele é o da centro-direita, em aliança com o DEM, de Rodrigo Maia, e outros partidos conservadores-liberais.

Ciro Gomes já desistiu há muito tempo de ser representante da esquerda ou da centro-esquerda. Sua ida para Paris no segundo turno das eleições presidenciais, se negando a declarar apoio a Fernando Haddad por puro ressentimento, ajudou na eleição de Jair Bolsonaro. É hora da esquerda desistir de uma unidade do campo progressista com a participação de Ciro. Ele já está do outro lado.

https://www.brasil247.com/blog/ciro-pulou-para-a-centro-direita

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James

19 de maio de 2020 às 07h10

O Miguel chegou no fundo do poço mesmo.
Chama de erro um gesto nobre, de renúncia pessoal do Freixo, buscando abrir caminhos para a construção de uma frente ampla frente progressista e vê uma grande estratégia política na loucura do Ciro que pretende unir a esquerda batendo mais no PT do que no próprio Bolsonaro.
Como disse o Felipe Neto no Roda Viva, ontem: “Quem se cala perante o fascismo é fascista”.
Todos temos que fazer nossos sacrifícios para a construção urgente dessa frente ampla que nos dê condições mínimas de lutar contra o Bolsonarismo e quem não for capaz de entender isso, vai perder o bonde da história.

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    Wagner

    19 de maio de 2020 às 16h47

    Ok. Melhor fazer igual o ciro e desistir de uma união das esquerdas? Acho que o Freixo é um dos que tem a melhor clareza política nesse momento. É hora de unir contra a direita, depois dividimos o poder entre a esquerda

    Responder

    Waxner

    19 de maio de 2020 às 16h47

    Ok. Melhor fazer igual o ciro e desistir de uma união das esquerdas? Acho que o Freixo é um dos que tem a melhor clareza política nesse momento. É hora de unir contra a direita, depois dividimos o poder entre a esquerda

    Responder

Joaquim Araújo

18 de maio de 2020 às 18h48

Sobre autocrítica, porque o PSB, cujo deputados federais, na sua totalidade, votou pelo golpe? E o PDT, que 50% dos parlamentares também votou também pelo golpe?

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Miramar

18 de maio de 2020 às 15h21

Agora a parte engraçada: sabem o bacana de ter um segundo turno entre Paes X Crivella?

Os dois já foram aliados de governos petistas…

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    Nelsonz

    18 de maio de 2020 às 17h28

    Ciro não quis se aliar com ninguém, né? Namorou o DEM e o centrão em 2018.!

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      Miramar

      19 de maio de 2020 às 10h41

      Que bom que ele não “namorou” o PT, não é mesmo?

      Responder

    Alexandre Neres

    18 de maio de 2020 às 21h15

    Esse cara não me esquece. Vive debatendo comigo, de bandinha, não tem peito pra bater de frente. Um analfabeto político é um analfabeto político. Tu não tem a mínima noção da realpolitik. Tua sorte vai ser que nunca vai ver seu ídolo na presidência, pra não se sentir traído e decepcionado. Ciro tem a façanha de ter circulado por quase todo o espectro político, da direita a centro-esquerda e ainda tem a pachorra de não saber como as linguiças são feitas. Tu não vai ver Ciro unir ninguém em torno de si devido à falta de habilidade política, pois até hoje não construiu um projeto coletivo, tampouco tem base social, o lance dele é eu, eu e eu. Haja ego! Não aprendeu até hoje que o Congresso seguinte é pior do que o anterior, como dizia o saudoso Dr. Ulysses. Ciro acha que vai conseguir industrializar o país no gogó, impondo de cima para baixo, acha que as instituições vão aderir as suas teses sem nada em troca, que o Centrão não vai barganhar para ofertar os votos necessários pra aprovar o que quer que seja. Para surfar na antipolítica, Ciro criou o homem decente, primo-irmão dos camisas amarelas marchadores, parece que ambos os grupos necessitam de lideranças autoritárias. Você é tão raso, que fica autoproclamando suas virtudes morais, quer coisa mais jeca? Se tivesse lido mais, se tivesse escutado Vinicius, saberia que “o homem que diz ‘sou’ não é/porque quem é mesmo é ‘não sou'”. Passar bem.

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      Miramar

      19 de maio de 2020 às 00h31

      Não há nada de desvirtuoso em ser virtuoso. Realpolitik é conversa de canalhas. Não estou interessado em debater com canalhas. Não preciso ter peito, pois não sou homossexual (nada contra quem é ). Quem não me esquece é quem vive invadindo esse site para reclamar da sua linha editorial.

      Quanto a leituras, lamento dizer, mas não faço outra coisa desde os oito anos de idade.o
      O que me livrou das prisões mentais coletivistas de esquerda e de direita.

      Quanto ao Ciro (de novo!), estou me lixando se ele vai chegar à presidência um dia ou não. Voto nele por identificação ideológica, o que me torna um ser humano superior a todos os esquerdistas brasileiros juntos. Principalmente você. Passe bem e por favor, longe de mim.

      Responder

      Miramar

      19 de maio de 2020 às 01h02

      Agora, o mais divertido é ver como pessoas de inteligência mediana associam hábito de leitura a se tornar um militante bobão. Deve ser por isso que meus ídolos Dostoievski, Machado de Assis, Jorge
      Luís Borges e Guimarães Rosa eram todos esquerdistas militantes…

      Responder

Miramar

18 de maio de 2020 às 15h00

A verdade é clara: a “esquerda brasileira” não existe. Existe uma líder demcrata e progressista chamado Ciro Gomes. Agora, o conjunto da esquerda é uma cambada de desonestos, antipatrióticos, interesseiros que mentem como respiram. Lendo os comentários, encontrei até gente que cita a hidrófoba e xenófoba que comparou Ciro a um jagunço.

Francamente, quando afirmamos que os únicos culpados pela eleição do Bolsonaro são os petistas ( eu pessoalente acho que são os culpados por tudo que aconteceu de ruim no Brasil nos últimos quarenta anos) é preciso que isso seja encarado em toda a sua amplitude: eu nunca votei nem votaria em um autoritário e analfabeto como o senhor Jair Messias Bolsonaro. Mas é muito fácil entender que o faz. O Brasil não tem um conjunto de 57 milhões de fascistas e bolsominions. Mas têm dezenas de milhões de pessoas que até poderiam ser atraídos pela defesa da democracia, da soberania, dos direitos trabalhistas e da emancipação do indivíduo. Mas que nem por isso deixam de se sentir enojados por essa malta suja e canalha.

A rigor, cada vez mais, e excluindo as exceções óbvias, as únicas pessoas progressistas ou, se quiserem, de “centro-esquerda” estão se aproximando do Projeto Nacional de Desenvolvimento de Ciro Gomes. Do outro lado só sobram os canalhas. E, tirando o fascistinha que por hora nos governa, não há maior canalha que o que pede união das esquerdas. Nunca mais, canalhas. Nunca mais.

Responder

    Nelsonz

    18 de maio de 2020 às 17h29

    Um líder q agride os outros da esquerda?? Então ele quer ser líder da direita!!

    Responder

      Miramar

      19 de maio de 2020 às 10h44

      Estou me lixando para a “esquerda”. E não existe nenhuma “agressão” que não seja a verdade pura e cristalina.

      Responder

    Alexandre Neres

    18 de maio de 2020 às 21h23

    “A verdade é clara: a “esquerda brasileira” não existe. Existe uma líder demcrata e progressista chamado Ciro Gomes. Agora, o conjunto da esquerda é uma cambada de desonestos, antipatrióticos, interesseiros que mentem como respiram.”

    Qual a diferença entre o discurso desse cirista e o dos bolsominions? Nenhuma, por óbvio. O objetivo desses quintas-colunas é delenda esquerda, ver a esquerda sucumbir. Deveria pelo menos fundamentar melhor seus pseudoargumentos. Esse falso moralismo é cacete! Tô desconfiado que o Wellington tá assinando Miramar.

    Responder

      Miramar

      19 de maio de 2020 às 00h40

      Você de novo?

      É fácil parar de se incomodar com o que eu escrevo: basta ver um comentário assinado com meu nome, não ler e pular para o seguinte. Seu dia ficará melhor.

      É quanto aos meus pseudoargumentos, eu não tenho obrigação de fundamentar nada. Não vejo diferença entre a ralé petista e a ralé bolsonarista, excetuando a cor da camisa. É, sou antiquado assim.

      Responder

Rodrigo

18 de maio de 2020 às 14h13

Ciro, abandonou a luta no segundo turno porque teria sido traído pelo PT em Pernambuco. Por que também não faltou ali a articulação política que era dever dele? O PDT está fazendo pior do que radicalizar em busca de uma saída à esquerda. Está apoiando candidaturas de Tábatas e Lasiers enquanto promove antipetismo e dificulta união programática da esquerda . Pode passar pano. Mas tu e o gado bolsonarista estão com uma tarefa complicada. A vergonha só aumenta.

Responder

    Cezynha

    18 de maio de 2020 às 18h08

    Acorda pra vida, o PT não pensa no Brasil, ele prefere atacar o Ciro Gomes, em vez de pedir impitmam

    Responder

      Rodrigo

      19 de maio de 2020 às 13h53

      Exato. E no que o PDT é diferente que eu não entendi?
      Ah…tem uma diferença teve vários parlamentares que votaram pelo impeachment da Dilma.
      Promoveu a candidatura do boçal do Lasier Martins que ganhou a vaga do senado, com todo o apoio da RBS/Globo contra o Olivio Dutra.
      Sim PT e PDT, e PSOL tem um passado não recomendável. Por isso ninguém deveria argumentar que é mais digno a ponto de não se submeter a um acordo, que é exatamente o que o artigo afirma. Fazendo crer que o PDT teria uma reserva moral para não ceder a uma aliança. Basta saber ler. Como eu disse, passar pano pro PDT/Ciro é tão complicado quanto para o JB. E isso que eu gosto do Ciro. Mas ele tá fazendo um jogo burro (de novo).

      Responder

Helena

18 de maio de 2020 às 13h34

ADEUS, CIRO

Ciro Gomes é um homem inteligente e tem posições muito corajosas, sob diversos aspectos. Mas, há muito, se perdeu.

Dizer que a eleição de Jair Bolsonaro é culpa de Lula e do PT não é só desonestidade intelectual, é mau caratismo mesmo.

Ao abarcar essa tese, Ciro passa a se alinhar, definitivamente, com a raia miúda de ressentidos da direita brasileira que tenta fugir de uma responsabilidade que é exclusivamente dela. Porque foi ela, junto com a mídia criminosa do Brasil, que desencadeou um processo devastador de desconstrução da política para, como efeito colateral, destruir a imagem do Partido dos Trabalhadores e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, finalmente, apear o petismo do poder central.

A dose do veneno antipetista, no entanto, foi demasiada. Na falta de um Fernando Collor, a classe dominante pensou em colocar na Presidência da República um boneco inanimado como Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, do PSDB. O retorno dos tucanos, sonho dourado de banqueiros, barões da imprensa, grandes empresários e especuladores do mercado financeiro se transformou no pesadelo chamado Jair Bolsonaro.

A ferramenta usada foi a Operação Lava Jato, sob comando do bem treinado Sérgio Moro, talvez o único realmente beneficiado, no fim das contas. Sem provas, mas incensado pela mídia e pelos setores mais reacionários envolvidos no golpe de 2016, Moro conseguiu colocar Lula na cadeia, a tempo de tirá-lo da disputa de 2018 e garantir, mais adiante, uma boquinha de ministro no governo Bolsonaro.

Foi esse movimento político que elegeu o demente que, por ora, nos governa. Não há qualquer culpa do PT e de Lula, nisso, e Ciro Gomes, entregue ao vale tudo para se cacifar entre os futuros órfãos do bolsonarismo, sabe muito bem disso.

Sempre soube, aliás. Ainda assim, fugiu para Paris, no segundo turno das eleições, ao invés de ficar e enfrentar a besta fera que ele, agora, ataca e critica confortavelmente sentado no camarote da covardia.

Jornalista Leandro Fortes

Responder

Mateus Nogueira

18 de maio de 2020 às 13h34

Acho que não se faz política sem erros e analizarmos os erros é parte fundamental. Freixo tem seus equívocos assim Lula Manuela etc… agora, acho surreal o Miguel apontar como erro de Freixo a falta de articulação quanto a aglutinação de apoios, exatamente isso que Ciro não conseguiu e pior, culpou o PT (pra variar) por tais negativas engrossando o antipetismo na sua forma mais superficial e muito longe das reais e necessarárias críticas que devem analisadas. Uma questão simplória de adesão a um movimento que vem matando o debate tanto dentro da esquerda quanto no ambito geral das ciências políticas em si. Falar que o Freixo tira o “corpo fora” é outro avaliaçao diferente do que de fato está acontecendo, Freixo é claro quanto a importância da figura de Lula para a busca não só de uma unidade, mais do que isso, a unidade hoje represena uma luz no fim do túnel. Não é possívl que diante de tudo que está acontecendo partes isoldas dos setores prgressissatas optem ainda pelos velhos cliches antipestistas.

Responder

Paulo Cesar Cabelo

18 de maio de 2020 às 07h33

Só a má fé explica Miguel enxergar os “erros” de Freixo e não os de Ciro.
Como Ciro vai herdar votos do PT e acabar com a suposta hegemonia na esquerda se tudo o que ele faz irrita o eleitorado petista?
Ataques como esse do Cafezinho também afastam o eleitorado do PSOL.
Não tem espaço pra Ciro crescer pela direita também , com Bolsonaro , Moro , Doria , Huck ,Amoedo etc.
Ciro e Miguel me lembram o General Hux do novo Star Wars , atrapalham os aliados por mera inveja infantil , mesmo que isso custe a derrota.
Isso se vocês ainda forem de esquerda , tenho lá minhas dúvidas quanto a isso.

Responder

    Miramar

    18 de maio de 2020 às 15h05

    Não estamos interessados nos votos dos petistas. Não estamos interessados nos petistas. Não estamos interessados na vitória. Não estamos interessados na “esquerda”. Estamos interessados na democracia e o bem estar do nosso povo. Além de valores burgueses como lealdade e decência.

    Responder

Alexandre Neres

18 de maio de 2020 às 00h25

Salta aos olhos a grandeza do gesto do Freixo, bem analisada nos comentários sempre lúcidos do Ricardo Cappelli. Gigantes ou pigmeus? Não dá mais para num momento grave como este, em meio a uma pandemia, ficar perdendo tempo com os obsessivos com o PT. Basta de ego e de questões pessoais. É uma turba irracional que se alastrou pela sociedade desde que a Rede Globo tomou a frente e conseguiu várias caixas de ressonância Brasil afora. Os quintas-colunas não vão chegar a lugar algum, sabem disso, ficam felizes com a saída do Freixo, mesmo sabendo que não reúnem condições de disputar um segundo turno, que ficará entre Paes e Crivela. Vão comemorar o terceiro, o quarto ou o quinto lugar. Lula, a maior liderança popular brasileira, sofreu lawfare. Todos os candidatos, sem exceção, que concorreram nas mesmas condições que Lula, preso e inelegível, disputaram a eleição, ainda que depois possam ter sido cassados ou impugnados. Então, as pessoas deveriam tomar cuidado com determinados argumentos, tão inequívocos e taxativos, porém desprovidos de fundamento, ao menos ter uma noçãozinha a fim de não se arvorar a se posicionar como magistrado. Se a população brasileira é conservadora e não gosta de pautas identitárias, o que passou a ser um dogma, pelo menos serviu para alguns autoritários saírem do armário e escantearem esses segmentos, deixando os direitos fundamentais desses cidadãos meio de lado, esperando o tal momento oportuno, pois não convém chamar muito a atenção, sabe como é? Enfim, abaixo vão dois tuítes do dia de hoje, deixando evidente que a aversão a minorias é uma via de mão dupla, o primeiro da CNN, o outro da jornalista Barbara Gancia:

Em nota, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) afirmou que não é a primeira vez que Ciro dá declarações antissemitas https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2020/05/17/entidade-judaica-critica-ciro-por-declaracoes-sobre-comunidade-e-bolsonaro

✔@barbaragancia

Ciro Gomes tem muito em comum com Bolsonaro. Nenhum dos dois consegue abrir a boca sem causar confusão. Gente assim não serve para ter cargo público no Brasil atual. A era do jagunço foi-se.

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17:02 – 17 de mai de 2020

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José de Souza

17 de maio de 2020 às 23h43

Freixo cometeu, comete e cometerá muitos erros políticos. Como qualquer um que abrace a política como militância. Poderia enumera-los aqui, alguns em sintonia com o articulista, outros bem distantes. Mas abordagem do Miguel é nitidamente enviesada, pra desqualificar o cara ao mesmo tempo em que saúda o amadurecimento formidável do parlamentar, na lógica do famoso morde e assopra. Sinceramente, uma bola fora que não ajuda em nada. Mas, como boa provocação, levanta questões pertinentes para o debate.
1. para muitas forças políticas, o PT virou o leproso, que exige manter-se distante. Aliar-se ao PT hoje pode significar mais votos a perder do que do que a ganhar, dependendo da base eleitoral em disputa;
2. Frente ampla, quando a esquerda está nitidamente interditada pra ser uma protagonista relevante, nunca irá decolar. Qual foi mesmo o sucesso da frente ampla com o Lacerda? E olha que hoje o contexto é bem pior sob certos aspectos;
3. Frente de esquerda, também é outro sonho de noite de verão. Os projetos partidários não se submetem a alianças sem cobrar um preço alto por isso. Todos criticam o PT por ser hegemonista, mas no fundo querem ter essa hegemonia Seja rede, psb, pdt ou psol. Tipo: – petistas, voces tiveram a sua chance, vacilaram, agora tem que ceder o lugar. Por isso só que faz a frente de esquerda é o eleitorado, no segundo turno das eleições.
4. Se hoje sabemos da gênese do fascismo que nos ameaça, cujo projeto de poder se baseia em forças paramilitares urbanas organizadas em milicias, devemos isso ao Freixo. Quem tem um alvo colado na testa, que sabe que pode não sobreviver a um atentado no dia seguinte, é o Freixo. Me espanta nenhuma linha sobre o impacto disso na decisão do Freixo. Bancar o fodão jogando com um retroescavadeira na frente das câmeras é fácil. Articular pra botar mais de duas centenas de milicianos na cadeia, sendo parte de uma minoria parlamentar, é outra coisa. Se isso não fez do Freixo um articulador hábil, digam o que o fará. Claro, isso não o isenta de jogadas equivocadas, Saudar o amadurecimento pra criticar…pelamordedeus…desqualificação enviesada..
5. Por fim, a comparação com segunda guerra mundial é completamente descabida.
Mas o MIguel aponta a questão central: a falta de projeto, que não sejam essas palavras de ordem genéricas. Porque ninguém tem isso: porque isso não sai das cúpulaa e lideranças partidárias, mas do dialogo com a sociedade. Nossa esquerda perdeu a sociedade, como bem falou Mano Brown antes das eleiçoes e ganhou vaias num comicio por isso. Tirando MST e MTST, temos pouco. CUT não é nem sombra do que já foi. Tá feia a coisa.
Respeitosamente, fica aí a minha crítica, mesmo sabendo que ninguém pediu…rsrsrs

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Clever Mendes de Oliveira

17 de maio de 2020 às 23h13

Miguel do Rosário,
Outro ponto no seu texto que me chamou a atenção foi a sua crítica à falta de autocrítica do PT. Considero isso chororô de técnico. É preciso que o analista tenha capacidade de fazer aquilo que o PT se recusa a fazer. Sob o aspecto político o PT está certo, pelo menos eu nunca vi nenhum partido político fazendo autocrítica. E talvez um técnico, que esteja de fora, seja mais competente para isso.
De todo modo, alguns pontos foram mencionados. Há a questão da candidatura do PT em 2010. Sob o aspecto político foi um erro. A ex-presidenta Dilma Rousseff não era uma política. Infelizmente a esquerda é acadêmica e a academia é platônica e Platão foi, segundo Hannah Arendt, o grande responsável pelo cisma entre a academia e o político, desgostoso que ele ficou com o julgamento desfavorável ao Sócrates pela democracia (pela Política) grega.
Um erro, entretanto, que deve ser entendido sob este aspecto político, mas também levando em contas outros aspectos políticos que exigiam uma candidatura própria do PT. Primeiro era uma candidata mineira com vínculo com o Rio Grande do Sul e que restabelecia o elo perdido do PT com o getulismo. Elo que a academia paulista havia destruído.
Segundo, o PT se sabia como o partido mais de esquerda entre os partidos de esquerda viável e que, portanto, seria o partido que teria mais condições de manter para o eleitorado uma postura mais fiel a esquerda e com possibilidade de vitória. Foi um risco muito grande que o PT correu, mas que podia ter muitos dividendos para o Partido que precisava se construir como o partido representante da esquerda no país.
E apesar da má escolha política e ainda sofrendo toda a campanha contrária que a Ação Penal 470 no STF, sendo televisionada, proporcionava, a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff chegou a quase 70% de apoio popular em maio de 2013. E exatamente no período em que a economia tinha forte retomada com base nos investimentos. O que transformava a eleição de 2014 em favas contadas.
E a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff alcançava todo o sucesso, com a Ação Penal 470
no STF correndo a solta sem que ninguém fosse capaz de explicar para o eleitorado que, ao contrário do julgamento de Collor no STF pelo crime de corrupção em que se exigiu o ato de ofício, agora o crime passava a existir só no caput do Art 337 do Código Penal principalmente quando o agente público tinha na sua esfera de competência uma gama muito ampla de atribuições. O crime era formal. Bastava o recebimento da vantagem indevida.
E então após as manifestações de junho de 2013, a popularidade da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff desce para menos de 40%. E depois de três trimestres com crescimentos excepcionais dos investimentos, há uma queda abrupta dos investimentos no terceiro trimestre de 2013, jogando por terra todo um planejamento de uma política econômica que estava sendo conduzida por quem se tornava um dos maiores conhecedores da economia brasileira, o ex-ministro Guido Mantega.
A economia foi magistralmente conduzida para levar o país pelo crescimento em decorrência dos investimentos ao mesmo tempo que corrigia vagarosamente as distorções que apareceram na economia principalmente após a crescimento forçado em 2009 para evitar a recessão da queda da economia no quarto trimestre de 2008.
Embora de difícil correção, o governo conseguiu desvalorizar a moeda em percentual maior de que outros países da periferia do capitalismo. É claro que era pouca a desvalorização, mas era muito para ser realizada em países democráticos com eleição presidencial de regime presidencialista.
Entre as correções, alem do câmbio, vale apontar a bolha na construção civil que começou a se formar. Só que com a quebra do crescimento no terceiro trimestre de 2013, não se conseguiu manter a recuperação em 2014 e houve a partir de junho de 2014 a queda dos preços das commodities e com isso a receita que fora suposta para um país crescendo a taxa de 3% ano ano caiu não só por que a economia estagnou como também, pela forte queda dos preços das commodities.
Enfim, a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff não era política, não tinha eloquência nem carisma que mais das vezes está associado à eloquência, e sob este aspecto foi um erro ela ter sido lançada como candidata do PT em 2010.
No entanto, apesar do erro, ela foi de suma importância para o PT realizar o seu intento de hegemonia na esquerda. Hegemonia que qualquer partido de esquerda deseja manter. Aliás, qualquer partido deseja ser hegemônico no campo em que atua. Já, já iremos para 30 anos de domínio do PSDB na política de São Paulo. O partido deve ser criticado ou elogiado por esse domínio?
Quanto a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff, apesar das carências, soube suprir com uma administração bem racional e planejada e um posicionamento midiático muito bem elaborado para lhe assegurar popularidade.
Infelizmente no meio do caminho sofreu a divulgação da Ação Penal 470 no STF e, na sequência, e muito provavelmente em razão do julgamento da Ação Penal 470 no STF, houve as manifestações de junho de 2013 e também muito provavelmente em razão da quebra de expectativas que as manifestações causaram houve um revertério na economia.
E em um país desigual onde a representação fica mais desigual ainda em favor da direita, houve o crescimento da direita no mundo que se chegou ao ponto de a esquerda não ter um terço de votos para barrar um impeachment sem crime. Um impeachment com crime não acontecer é aceitável, mas um impeachment sem crime não deveria ser constitucionalmente exequível.
Além da falta de compreensão para a política econômica no governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff parece-me faltar no analista a percepção de que a esquerda é pequena no Brasil e, portanto, é válido a um partido sabidamente de esquerda fazer todo o esforço para aglutinar a esquerda em torno dele.
Um país como o Brasil muito religioso e portanto conservador e muito capitalista e portanto individualista a esquerda tende a ser pequena. E para piorar quanto mais desigual é um país mais sub-representada é a esquerda.
E mais, falta também ao analista mostrar que percebeu que o crescimento da direita no Brasil não é algo isolado, mas ocorre no mundo todo e é sempre mais acentuado este crescimento quando se encontra em momentos de baixo crescimento econômico. Nesse sentido eu tenho recomendado a leitura do post “O Grande Mal Estar, por Diogo Costa” de quarta-feira, 25/10/2017, de autoria de Diogo Costa e que foi publicado no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/opiniao/o-grande-mal-estar/
Bem, o post mostra a semelhança da década de 30 com o atual período no mundo com a predominância de políticos e políticas de direita.
Gosto de fazer menção ao post “O Grande Mal Estar, por Diogo Costa” porque, além do valor do post em si, eu enviei dois comentários para Diogo Costa, um enviado sexta-feira, 27/10/2017 às 16:16 e outro enviado terça-feira, 09/10/2018, às 03:44, portanto, quase um ano depois, trazendo ambos uma série de links que tratam desse crescimento da direita no mundo em períodos de crise econômica. Todos textos de ótima qualidade que bem merecem uma leitura mais circunstanciada de qualquer analista que pretende mais bem compreender a nossa realidade.
Abraços,
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/05/2020

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Tiago Silva

17 de maio de 2020 às 21h53

Esse texto parece que foi escrito pelo Rodrigo Constantino …. E se o amor cega, o ódio também cega.

É triste ver o cafezinho sendo “a esquerda que a direita gosta”…

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Gilberto Barros

17 de maio de 2020 às 21h06

Que decepção, lendo essa matéria é de ficar estarrecido. Porque vocês não muda o nome para comitê político do coroné Ciro?

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Rodrigo de Albuquerque

17 de maio de 2020 às 20h52

Marcelo FROUXO queria (e quer) era levar as esquerdas a mais uma vez para girar em torno do lulopetismo o qual faz parte – o PSOL petralha. Qualquer aliança com o PT já nasce morta. Por isso mesmo que a esquerda progressista quer uma coalizão alternativa que se distancie da utopia ilusionista e enganadora dos petralhas, para assim não ter que passar a mesma vergonha, ódio é rejeição que o PT passa hoje.

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Humberto Pereira Cavalcanti

17 de maio de 2020 às 20h40

Não concordo com O Cafezinho-Miguel do Rosário.
Ano passado , Haddad, Ciro Gomes, Tarso Genro assinaram um manifesto pela união etc etc. ( Note, “Assinaram”, ponto)
– Pergunte se alguém da Direção do PT compareceu ao lançamento do Manifesto, pergunte.
O PT aos poucos foi alimentando um culto à personalidade (e os trotskistas fazem cara de paisagem?), dando rasteiras, golpes (nada altos), p. ex., na vencedora de prévia Marília Arraes, Recife-Pernambuco, para apoiar a neo-oligarquia Campos e dar uma outra rasteira em Ciro Gomes obter apoio do PSB (falei 3ª?). Publicamente, na primeira tentativa como candidato a eleições presidenciais, as Direções do PT, hierarquia, filiados, militantes, simpatizantes disseminaram a fake-news de que C. Gomes era o novo Collor (o lado positivo é que o PT se antecedeu nas fake-news mais sitemáticas). A 2ª (pública) rasteira (até parecendo Blsonaro afastando quem quer que brilhe e ameace o personalismo (la Rochefoucauld, máximas, tem um aforismo que diz “A humildade muitas vezes não passa de uma forma de dominação”), vamos à 2ª rasteira (pública), convencer C. Gomes a transferir domicílio eleitoral pra São Paulo.
Até que começou a cair a ficha (mais claramente, e olhe que só citei as rasteiras públicas, os golpes não-altos).
https://www.ocafezinho.com/2020/05/17/os-erros-politicos-de-marcelo-freixo/
cordialmente,
Porto Alegre/Recife – Humberto.
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Clever Mendes de Oliveira

17 de maio de 2020 às 20h21

Miguel do Rosário,
Você aproveita uma decisão equivocada do Marcelo Freixo para atacar o PT. A decisão é equivocada porque não faz sentido para o PSOL não lançar um candidato forte à prefeitura do Rio de Janeiro. E ao que parece, Marcelo Freixo é o candidato mais forte do PSOL.
Então a crítica deveria centrar na falta de substância de Marcelo Freixo para desistir de lançar candidato a prefeito em 2020. Você faz a crítica basicamente à forma da desistência. Ao tom lamurioso e lançar a culpa nos outros partidos.
A forma é o que menos interessa. É claro que a sua análise de quem analisa a política deve ser técnica e não política, e pode-se questionar do sob o aspecto técnico o tom lamuriante de Marcelo Freixo e o jogar a culpa nos outros pela renúncia. Agora sob o aspecto político Marcelo Freixo está certo. Chorar e jogar a culpa nos outros são dois dos principais instrumentos de luta de um político.
Aliás, não chora e joga a culpa no PT, o eterno candidato Ciro Gomes? E ele faz muito bem. Como político, ele está mais do que certo em culpar o PT pela derrota da esquerda em 2018. Cabe ao analista apenas observar ao Ciro Gomes que se ele tivesse mais votos do que Fernando Haddad, ele iria para o segundo turno contra Bolsonaro. E e o analista também deve mostrar que os candidatos no estilo de Boilsonaro vêm ganhando eleição onde não há PT para culpar.
É claro que se o analista se engajar politicamente com uma candidatura ele não vai apontar falha técnica ali onde ele percebe que se trata de um posicionamento político do candidato dele.
Então, analista técnico pode apontar as falhas na fundamentação do discurso político, mas ele precisa ressaltar a razão política para o discurso. A declaração é de um político que pretende permanecer no campo de atuação política e é assim que ele tem mais possibilidade de angariar votos.
É claro que poderia ser também aventada a ideia de que Marcelo Freixo tenta se segurar para 2022, afinal, realmente não seria interessante candidatar-se agora correndo o risco de ter poucos votos e se tornar um candidato fraco do PSOL em 2022.
Abraços,
Clever Mendes de Oliveira
BH, 187/05/2020

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BRYAN DA FONSECA ARAUJO

17 de maio de 2020 às 20h18

Gostei muito do texto.
Acredito que seja ingênuo acreditar em uma composição em uníssono da esquerda, visto que, um partido que tem um agente político tão forte como o Lula vá abrir mão de uma certa hegemonia em prol de uma unidade. Não vejo o PT abrindo mão, por exemplo, de lançar candidato próprio a prefeitura de SP.
E de fato já há uma conjuntura para uma frente de esquerda, contando com PDT, PSB, Rede e PV.
A própria diretoria do PSOL carioca é reconhecidamente contrária a certas alianças com outros partidos de esquerda. E não esqueçamos que o Freixo conseguiu chegar ao segundo turno por duas vezes sem essas alianças ( PCdoB sempre lançou candidato, PT sempre apoiou Eduardo Paes).

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GESE

17 de maio de 2020 às 20h11

freixo é um quadro excelente , uma pena que parece ta caindo na conversa fiada do PT , eles prometeram apoio ao freixo na eleição da camara e não deram na ultima hora votando no Maia, quem não quer vê não verá, infelizmente pro freixo e pro rio de janeiro.

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Nelsonz

17 de maio de 2020 às 19h33

O Miguel e muito engraçado mesmo. Ele deixa claro q não quer o PT em nenhuma eleição neste país, ele condena no PT o q não condena no pdt! Este cafezinho e a esquerda do pdt! Me choca o Miguel tripudiar do muxoxo do freixo e passar a mão em toda truculência, arrogância e desequilíbrio do Ciro! Choro não pode, mas fugir de segundo turno e agredir quem vota no PT pode. E o q dizer do argumento de q freixo não soube fazer articulação política pra se viabilizar? O Ciro desceu o pau no acordo PT e psb em 2018!! Aprenda miguel q o PT e o maior partido de esquerda e q isto lhe dá o direito de disputar e ganhar ou perder! Em nível nacional e time de chegada e está em todas as finais desde 89!! Seu candidato reúne o pior de Bolsonaro e mais arrogância intelectual!! Ciro quer ser o novo boca suja no planalto!! Aposta no caminho truculento q Bolsonaro inaugurou! Nunca mais a presidência da República será a mesma, não com Ciro!!

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    GEASE

    17 de maio de 2020 às 20h13

    só uma coisa petista, vamos parar de espalha fake news , não teve acordo PSB PT , houve o lula fazendo de tudo pra isolar o candidato que vencia o bolsonaro no segundo turno e o PSB ficou nulo , não teve acordo com o PT, e essa arrogancia de voces , ainda vai custar muito caro pro pais, ontem estavam juntos PSB, PDT , PCDOB E REDE , enquanto o PT lançava o “plano lula” que não fez durante 15 anos de governo.

    Responder

      Nelsonz

      18 de maio de 2020 às 17h52

      Ou vc e ignorante, cego, cinico ou desonesta! Houve acordo entre psb e PT e a moeda de troca foi o PT não patrocinar Arraes no governo no nordeste! Psb seria neutro nacionalmente, o próprio Ciro acusou isto e vociferou sua violência intelectual e arrogância contra o q chamou de bloqueio petista a sua candidatura! Logo a ele a quem foi oferecida a vice de Lula, mas q sua arrogancia míope rechassou! Aí veio a cereja do bolo! Fuga pra Paris, um filme com roteiro assinado pelo cafezinho!! Cadê a critica do Miguel e é Ciro ao ativismo retroescavadeira da família Gomes?

      Responder

    JOHN

    17 de maio de 2020 às 20h27

    Tá ai a prova que o PT teme mais o Ciro que o Bolsonaro.
    Esquece inclusive que o PT do Rio sempre apoiou os adversários do Freixo, entre eles Eduardo Paes e Sergio Cabral.
    E sim, o PT ainda é o maior partido de Esquerda hoje no País, mas essa soberba foi o que fez o PSDB perder o espaço que possuía na centro Direita. Por enquanto certas permissões são dadas mas já há uma corrente forte na esquerda capaz de não só preocupar como incomodar.

    Responder

    Pedro Pereira

    17 de maio de 2020 às 20h54

    Amigo, Freixo fez um bom gesto, mas já havia apontado, nas pesquisas, sua falta de crescimento e sua eventual perda, no segundo turno, para Eduardo Paes. Nesse sentido, teve mais dignidade que o PT teve em 2018. Seguindo, qual crítica do Ciro é infundada? PT não assinou a CF 88, não apoiou Tancredo no Colégio Eleitoral, para o Maluf vencer e depois, explorar a desgraça do povo brasileiro; o PT votou contra o Plano Real, virou oposição a um presidente digno como Itamar Franco, o PT destruiu o Brizola, humilhou a Heloísa Helena e criou uma máquina de Fake News contra Marina; o PT criou o Mensalão, Petrolão, tem 3 tesoureiros presos e vários membros do governo Lula e Dilma condenados por corrupção, lavagem de dinheiro e etc. Ciro é limpo, não tem processos por corrupção, é um gestor público competente e não tem que subir em palanque de presos e condenados. O PT é um câncer para a esquerda brasileira.

    Responder

    Miramar

    17 de maio de 2020 às 20h56

    Quanto a arrogância intelectual do Ciro, leia o livro O próximo passo – uma alternativa prática ao neoliberalismo e mostre uma crítica melhor ao neoliberalismo escrita por um petista.

    Quanto a truculência, não sei do que você está falando. É porque ele chama os bolsonaristas e petistas de canalhas, é isso? Puxa, que pena.

    Quanto ao fato do PT ser o maior partido de esquerda do Brasil, isso explica a razão pela qual as pessoas sérias do Brasil têm cada vez mais ódio e nojo do termo “esquerda”.

    Quanto ao desejo do Ciro nunca ser presidente, isso preocupa mais os petistas do que a nós. Em último caso, posso me conformar com o
    PT nunca mais ganhar uma eleição presidencial, o que todo mundo sabe que vai acontecer pela simples razão de que mais de 60% da população é formada PR antipetistas de todas as ideologias. De qualquer forma, lembro-me que o PT não esteve em “todos as finais” desde 89, pela simples razão de que em duas eleições (94 e 98) a final foi no primeiro turno…

    Responder

      Miramar

      17 de maio de 2020 às 21h03

      Ah, esqueci de comentar a viagem (fuga) para Portugal (Paris). É que ele estava solto, sabe?

      Responder

    JOSE AIRTON OLIVEIRA CARVALHO

    18 de maio de 2020 às 01h48

    Peço, bandeira branca para todos da esquerda! Pelo amor de Deus!

    Responder

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