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Laerte

Impeachment e cadeia

Por Pedro Breier

15 de janeiro de 2021 : 14h31

Não sou um punitivista, nem o Cafezinho é um blog desta cepa, muito pelo contrário. Contudo, quando alguém que comete um crime oferece perigo para a sociedade caso permaneça livre, esse alguém deve obviamente ser afastado do convívio social.

É o caso do presidente do Brasil (e do seu capacho que faz as vezes de ministro da saúde). É pior, na verdade, pois não se trata de simples perigo, mas de dano contínuo, pesado e irreparável à sociedade: as mortes diárias aos milhares provocadas pela psicopatia de Jair Bolsonaro.

O crime de genocídio é definido pela Lei nº 2.889/56, e uma das formas do crime é quando alguém tem a “intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional”, submetendo o grupo “a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial”.

É uma descrição precisa para o que Bolsonaro vem fazendo com os brasileiros desde o início da pandemia.

O presidente deve, portanto, ser preso o quanto antes porque suas ações e inações estão matando pessoas todos os dias. Sua responsabilidade é direta, na medida em que, por exemplo, incita o descumprimento dos protocolos adotados em todo o mundo e recusa(!) uma oferta do laboratório Pfizer que pretendia disponibilizar a vacina para a população brasileira ainda em dezembro. (Estamos na metade de janeiro e a vacinação não começou.)

A situação de Manaus é mais um agravante no quadro. Próceres do bolsonarismo como Eduardo Bolsonaro (filho do presidente) e Bia Kicis comemoraram efusivamente quando o governador de Amazonas cedeu à pressão pela abertura do comércio no fim de 2020 – abertura defendida pelo presidente a todo o momento e para quaisquer circunstâncias.

Além disso, a Força Aérea Brasileira não entregou ao estado os cilindros de oxigênio que deveria ter entregue. E, como se não bastasse, o ministro da saúde Eduardo Pazuello estava, há pouquíssimos dias, tentando “resolver” a crise iminente em Manaus desovando o estoque de cloroquina adquirido e produzido pelo governo Bolsonaro por conta da sua submissão imbecil a Donald Trump. (Há consenso científico quanto à ineficácia da cloroquina para o tratamento da covid-19; o remédio ainda pode provocar efeitos colaterais graves.)

É crime atrás de crime. Todos letais. Bolsonaro transformou o país em um campo de extermínio, como definiu o juiz Marcelo Semer.

Antes de prendê-lo, contudo, é preciso tirá-lo da presidência. A derrota política criará condições… políticas para que o presidente seja julgado por seus crimes.

A esquerda é, até onde sei, unânime na defesa do impeachment. Na direita parece que começa a haver uma movimentação mais forte nesse sentido. É, de fato, um bom momento para os especialistas em impeachment que arrancaram Dilma Rousseff do cargo por causa das “pedaladas fiscais” – como eram prosaicos os nossos problemas, não? – arregaçarem as mangas e mexerem os pauzinhos que bem sabem mexer para derrubar o genocida.

Se não for por uma questão de ética, de bom senso ou de arrependimento, que seja por sobrevivência política e de reputação. Os responsáveis por este extermínio não serão esquecidos, assim como os que se omitiram. Jornalistas, empresas de mídia, políticos, influenciadores e todos os demais cidadãos que escolheram apoiar e votar em um defensor da ditadura, da tortura e da morte têm uma mancha indelével em suas vidas, sem dúvidas. Mas podem ao menos contribuir para acabar com o mal que ajudaram a criar.

Não vai ser fácil, é claro: Bolsonaro ainda tem uma considerável base. Uma base fiel e violenta. Mas a opção é deixá-lo acumular mais forças, armar ainda mais seus apoiadores e cooptar mais forças de segurança para tentar resistir à sua inevitável derrocada.

Só que isso é impensável. É hora de arrancá-lo da cadeira presidencial. E em seguida submetê-lo a julgamento por genocídio.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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7 comentários

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Heleno (o que NÃO é general)

16 de janeiro de 2021 às 06h48

DISCORDO DE BEMVINDO SEQUEIRA

É que ele apelidou o PAZUELLO de sargento GARCIA, aquele gorducho que era o arqui-inimigo do Zorro.

Não concordo. Sargento Garcia era meio abobalhado mas era um homem bom. Queria prender ou matar o Zorro, mas nunca pensou em torturá-lo, como está fazendo a dupla Bolsonaro+Pazuello com todo o povo brasileiro. Não só no caso específico de Manaus, mas principalmente pela falta de seringa e vacina para imunizar o povo de todo o país contra as covid-19. Bolsonaro e Pazuello são psicopatas e genocidas convictos. São doentes contagiosos, e por isso muita gente no Brasil tem adoecido por causa do comportamento criminoso desse dois crápulas. A quantidade de brasileiros com “síndrome do pânico” e outras doenças psicológicas se alastra como uma praga de gafanhotos.

O sargento Garcia era um tolo, um bonachão, mas não havia crueldade nos seus pensamentos e ações. Simplesmente achava que Zorro era um bandido, como ainda tem pessoas bobas no Brasil que acham que bandido é o Lula.

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Nelson

15 de janeiro de 2021 às 22h29

A mídia hegemônica fez, deliberadamente, uma longa campanha de denúncias de corrupção envolvendo a classe política. Seu objetivo era o de depurar a política brasileira, limpar os parlamentos? De forma alguma. O objetivo era difamar o quanto fosse possível os políticos e afastar ainda mais as pessoas da política.

Um dos efeitos foi o enorme aumento das abstenções ocorrido já na eleição de 2018 e que se repetiu em 2020. O outro efeito é a crença, que tomou conta de boa parte da sociedade, de que elegendo gente ligada a sua religião ou militares e policiais os parlamentos a corrupção e os vícios seriam eliminados dos governos e parlamentos.

Ao invés de se tornarem mais protagonistas, de influírem com mais contundência nas decisões políticas, muitas pessoas continuaram a repassar a responsabilidade, que é delas, de fazer com que a política funcione para o todo e não somente para um restrito grupo da sociedade, o grupo dos que têm maior poder econômico.

O resultado é o que estamos vendo. A política sendo inundada de militares, policiais civis ou militares, e religiosos, principalmente de igrejas neopentecostais.

Muita gente passou a acreditar que entregando novamente o poder aos militares, como ocorrera na ditadura civil-militar de 1964 a 1985, tudo ia se resolver pela mágica competência e honestidade desse grupo da sociedade.

Espero que o descalabro do atual governo, que é total, como podemos ver, sirva de lição, dura lição, para que os brasileiros se convençam, de uma vez por todas, a assumirem suas responsabilidades na condução da nação e a não continuarem a “passar cheque em branco” a quem quer que seja.

Afinal, os militares são, como qualquer um de nós, feitos de carne e osso e suscetíveis, sim, a cometerem as mesmas falhas e os mesmos erros que os civis cometem. Sáo mais de 6.000 militares ocupando postos nesse governo e o que vemos além de desmantelamento das estruturas do país?

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    Pedro Breier

    16 de janeiro de 2021 às 14h56

    Boa a análise!

    Responder

Alexandre Neres

15 de janeiro de 2021 às 18h14

Vou começar replicando o começo do excelente artigo da Maria Hermínia Tavares ontem na Folha chamado Roteiro para o Golpe: “A democracia começa a ter um sério problema quando os vencido s numa eleição contestam os seus resultados. Embora sejam muitas as condições que asseguram a estabilidade do sistema, a escolha dos governantes pelo voto – comas instituições garantindo a lisura do jogo – e a aceitação do desfecho por todos os competidores formam o alicerce da ordem democrática.

Em 2014, um desatinado Aécio Neves se recusou a ouvir a voz das urnas favorável a Dilma Rousseff e abriu caminho para a crise política que culminaria com a ascensão da extrema direita ao poder quatro anos depois.”

Agora aparece uma série de pessoas indignadas com a situação, arrependidos, como se Bolsonaro não tive sempre sido transparente e deixado muito claro quem ele era, como por exemplo João Amoêdo, Joice Hasselman ou Huck. Por óbvio, não é o seu caso, Pedro Breier. Um jornalão dizia em 2018 ser uma escolha difícil entre o professor e o misógino, homofóbico e racista. Um outro da mesma cidade se recusava peremptoriamente a dizer que Bolsonaro era de extrema direita. Um apresentador de telejornal que hoje posa de valente, não falou um “a” quando o capetão mencionou em pleno JN o kit gay. Ninguém na grande imprensa nem da oposição à época se manifestou acerca do discurso do infeliz defendendo o Ustra, o pavor da presidenta. Enfim, este é o mosso país.

Somos obrigados a ouvir de uma alta autoridade americana que vai ser difícil de lidar com uma pessoa que fica fazendo apologia de ditaduras e da tortura dia e noite. Dória, Maia, ACM Neto, Kassab. não podem querer fingir de égua e agora se esquivar, pois isso tudo estava incluído no pacote e Bolsonero não pode ser acusado de ter praticado estelionato eleitoral. Tudo era previsível, menos a pandemia. Temos também um ex-senador canalha que foi rejeitado nas urnas, que foi um péssimo ministro da educação, traidor da classe à qual representava. O que dizer sobre esta corja?

Para os analfabetos jurídicos, cabe a explicação. Dilma Roussef não foi impichada pelo conjunto da obra, isso não é permitido pelo direito, as acusações que pesaram sobre ela foram pedaladas fiscais e edição de decretos suplementares, que a título de exemplo era especialidade do ex-governador Anastasia que teve a pachorra de apontar o dedo de seta para Dilma, os quais não constituem nem nunca constituíram crime de responsabilidade. Inúmeros governantes já haviam praticado tais atos e nada acontecera com eles. Vou dar um exemplo para o caso ficar claro: 100 pessoas ultrapassaram o sinal e nada aconteceu com elas; uma passou depois disso e foi condenada; posteriormente, vários furaram o sinal, mas ninguém mais foi indigitado. Pergunto: isso é Justiça? Porque impeachment é um crime jurídico-político, não basta a legitimidade dos procedimentos para caracterizar o crime, além da questão política precisa se configurar um crime de responsabilidade.

Mas o que fazer no país em que as pessoas veem como normal a formação da Liga de Justiça, onde a justiça é instrumentalizada para perseguir adversários políticos? Juiz julga, procurador acusa e denuncia e polícia investiga, este é o princípio da segregação das funções. Aqui não, como ficou claro por meio da Vaza Jato que o chefe da força-tarefa era o juiz, considerando que a imprensa deixou de apurar os fatos para se tornar mera correia de transmissão da Lava Jato. Aliás, fingiu que não existia a Vaza Jato, à exceção da Folha, o restante não se pronunciou a respeito do assunto, só há pouco a CNN furou a bolha, já que a ligação entre a Globo, por meio de João Roberto Marinho, Merval e Vladimir Netto (filho da Leitão e autor de um livro laudatório sobre ladrão), e a Lava Jato por meio do Tantã Dinheirol era íntima e estreita. Há pouco também a Justiça atestou a integridade dos arquivos da Vaza Jato obtidos por meio da Operação Spoofing. O processo do Lula correu a jato para condená-lo em duas instâncias e para tirá-lo das eleições, o juiz foi ser ministro de quem ajudou a eleger, porém o habeas corpus para considerar o juiz parcial se encontra paralisado há mais tempo do que o processo demorou para ser julgado.

Então, o cenário é dantesco. Muitas pessoas não podem digerir tais fatos por terem de se assumir como golpistas e não dão conta disso. Eu também não conseguiria me olhar no espelho. Políticos velhacos querem aproveitar a oportunidade para se desvencilharem de Bolsonero, mas cabe a nós deixar claro que não venham posar de arrependidos, pois sabemos quem são e que nos trouxeram para essa situação vexatória. É dura a sina de quem nasceu numa republiqueta de banana!

Responder

    Pedro Breier

    16 de janeiro de 2021 às 14h59

    Boa. Tá foda mesmo.

    Responder

Sócrates

15 de janeiro de 2021 às 16h22

É preciso convocar uma campanha pressionando o congresso. Vinculando diretamente esses absurdos todos à conivência dos deputados de sua base.
É preciso escancarar:
#QuantosBolsonarosTemNoCongresso

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Marcio Cruzeiro

15 de janeiro de 2021 às 15h25

Genocida !!!!!

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