Despolarizando (11 h): o impacto da volta de Lula nas eleições de 2022. Convidado: Carlos Lupi

A opinião de FHC sobre os principais candidatos

Por Redação

27 de março de 2021 : 10h15

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tem sido uma espécie de conselheiro político de um grupo que reúne empresários e alguns setores do mercado financeiro que buscam uma alternativa de centro (que também faça um diálogo com a esquerda e direita) para 2022.

“Eu gostaria mesmo que não fosse nem Bolsonaro, nem Lula. Se eu puder, vou trabalhar nessa direção: ter um candidato de qualquer partido do centro que expresse sentimento positivo. Não pode ser um centro morto, tem que ser um centro que tenha lado.”

Para ele, é difícil o PSDB não ter candidato ao Palácio do Planalto em 2022 e citou “líderes competentes” no partido como os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e João Dória (São Paulo).

Só que até o momento, os três principais nomes que estão na mesa são o ex-presidente Lula (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o próprio Jair Bolsonaro que tenta sobreviver no cargo até o final de 2022.

Sobre Lula, o tucano ponderou em entrevista ao Estadão que o petista não vai assumir o papel de esquerda revolucionária e muito menos do sindicalista dos anos 80. Ainda segundo FHC, Lula nunca teve compromisso com agenda de extrema esquerda.

“Duvido que Lula queira assumir que é a esquerda revolucionária. Aí ele perde. Bolsonaro vai ficar onde está. Lula é esperto, vai para o centro. Vai agradar todo mundo. Lula vai ser construído por Bolsonaro como o perigo do comunismo, mas ele não tem nada a ver com isso. Nunca teve. Não creio que as pessoas vão optar entre esquerda e direita no sentido ideológico.”

Terceiro colocado nas eleições de 2018 com mais de 13 milhões de votos, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também está no radar de 2022. Para FHC, o pedetista sabe discursar mas ainda lhe falta um direcionamento ideológico.

“Não acho que seja a pessoa que o Brasil precisa neste momento para abrir um caminho de renovação. Ele sabe falar, mas não sabe para que lado vai. Tenho a sensação que ele pode ir para qualquer lado. Ciro não é de esquerda, de direita nem centro. Ele é ele.”

Questionado sobre Jair Bolsonaro, o tucano afirmou que o ex-capitão ainda tem apoio da classe dominante e que uma fração da classe média ainda se sente representada por ele. Desta forma, FHC ainda não vê razões para um impeachment.

“Não vejo razão para isso. Ele tem apoios. Você tem impeachment quando o Congresso para de funcionar. Não é o caso. Bolsonaro tem mais apoio que Dilma porque é mais competente em lidar com os interesses que o seguram lá”

Passando por um momento de derretimento na sua imagem, o ex-juiz Sérgio Moro ainda se encontra no jogo como possível candidato. Sobre ele, FHC foi objetivo ao dizer que o ex-ministro da Justiça não tem força política.

“Ele simboliza a classe média radicalizada que quer acabar com a corrupção. Não vejo que ele tenha força política real. Pode ser que tenha no Paraná. Esse governo não é especialmente corrompido.” 

No entanto, o ex-presidente ainda aposta no nome de Luciano Huck como alternativa de “renovação” mas fez algumas ressalvas sobre o apresentador.

“O que falta a ele é ser líder político, que é outra coisa. Ser líder político é ter comando sobre o Congresso.”

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23 comentários

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Ricardo JC

28 de março de 2021 às 12h00

Aqui, neste espaço, comentários incômodos são censurados. Que lástima…
O melhor é dar espaço para FHC, ACM Neto e Rodrigo Maia. Estes agora são os gurus do “Centro”. Políticos que nunca tiveram qualquer compromisso com o povo. Um camarada chama Lula de pilantra e aí pode. Defendo que ele possa fazer isso, apesar de discordar frontalmente. O duro é quando criticamos os queridinhos do outrora “blog sujo” e somos censurados. É essa a terceira via? Estamos ferrados.

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Helio

27 de março de 2021 às 18h37

“Ciro é autocrático por temperamento, e por ser incapaz de entender as contradições inerentes do jogo democrático e a grande necessidade da pacificação nacional. No exercício do poder, sempre se portou como o déspota esclarecido, incapaz de assimilar os embates políticos normais em uma democracia.”[Luis Nassif, jornalista]
Ciro está muito bem representado pelo Nassif, o que tenho traduzido como nova versão do Collor, no autoritarismo, na impossibilidade de dialogar. Para nós, após tanto tempo de guerra, imagem boa do Nassif, é insuportável viver sob novo governo autoritário. Precisamos de união e democracia, para assim alcançarmos os deserdados de nossa sociedade.
Ciro poderá cooperar nesse projeto, mas não como presidente. Não possui os atributos necessários que o momento requer.
Ao Huck falta a gestão, a vivência da política.
Para Lula sobram temperança e capacidade de articulação política (ouvir, ouvir…). É o homem para o momento

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Cândido Silva

27 de março de 2021 às 15h57

Foi o melhor presidente q oBrssil já teve! Pode não ter feito o melhor governo, mas foi o melhor presidente.

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carlos

27 de março de 2021 às 13h57

Essa tralha aí foi aquele perguntado pela repórter, o que se. Escreveu não tem coerência com o seu discurso, ele respondeu esqueçam os livros que eu escrevi, posteriormente foi descoberto que a esposa dele era quem escrevia as obras e ele assinava.

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Paulo

27 de março de 2021 às 12h31

Sobre Moro:

“Passando por um momento de derretimento na sua imagem, o ex-juiz Sérgio Moro ainda se encontra no jogo como possível candidato. Sobre ele, FHC foi objetivo ao dizer que o ex-ministro da Justiça não tem força política.

‘Ele simboliza a classe média radicalizada que quer acabar com a corrupção. Não vejo que ele tenha força política real. Pode ser que tenha no Paraná. Esse governo não é especialmente corrompido.’ “.

Ué, e Bolsonaro por acaso tinha força política, em 2018?

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    Galinze

    27 de março de 2021 às 21h59

    Moro não tem perfil político, é um cara introvertido, solitário, ninguém conheçe as opiniões dele, etc… nunca será candidato a nada.

    O único interesse dele era chegar ao STF.

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      Galinha Zé

      28 de março de 2021 às 15h46

      Era… a farsa dele com o bozo afundou hahahahahaha

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    Alexandre Neres

    28 de março de 2021 às 10h15

    Paulo, esqueça seu ídolo com pés de barro. Moro é morto-vivo, um cadáver insepulto do qual trescala um odor fétido. Ninguém quer chegar perto. Afora o fato de que não tem nenhuma habilidade política, é provinciano e usa uma linguagem arrevesada que se assemelha ao português, como bem disse Gilmar Mendes. Só pra se ter uma ideia, grampeou o escritório de advocacia do Lula por 21 dias. Olha os métodos adotados por um juiz safado e corrupto. Detalhe, não é a primeira vez que faz isso, da outra o decano Celso de Melo espinafrou com ele, tachando-o de parcial. Por fim, mas não menos importante, Paulo, gostaria de te perguntar quem aqui é defensor de ladrão? Quén!

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Batista

27 de março de 2021 às 11h56

“Não acho que seja a pessoa que o Brasil precisa neste momento para abrir um caminho de renovação [não é um Huck].
Ele sabe falar, mas não sabe para que lado vai. Tenho a sensação que ele pode ir para qualquer lado. Ciro não é de esquerda, de direita nem centro. Ele é ele [Narciro].”

E agora, Redação?

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    Jules

    27 de março de 2021 às 19h02

    Ou talvez você seja burro demais pra perceber as nuances da política e do mundo das ideias, e acha que a única política “legítima” é a das caricaturas simplificadas. Nessa visão primitiva, só existe o “Defensor do Mercado”, o “Homem do Povo”, o “Corrupto”, o “Insípido”, o “Oportunista”. É uma visão adequada para uma nação de analfabetos, mas daí vem os sujeitos presunçosos como você, fingindo que sabe mais do que sabem, e sem querer viram agentes do establishment, atacando tudo e todos que você não consegue simplificar. O Ciro é “narcisista” porque você não suporta ver uma figura pública distinta. Sabe aquele tipinho desprezível, fofoqueiro, que não pode ver uma pessoa “diferente” que já espalha rumores? É tipo aquele que você vê de frente no espelho.

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      Rimet

      28 de março de 2021 às 20h33

      Não diria que “seja burro demais pra perceber” que o texto do comentário, praticamente todo entre aspas, com exceção do último parágrafo adaptado do verso, “E agora, José?”, de Drummond, é de autoria do sujeito título no post, de nome, Fernando Henrique Cardoso, que acredito saber quem seja.

      Os entre colchetes acredito ser para lembrar que, em “caminho de renovação”, ele diz Huck, a quem apoia, e com a frase, “Ele é ele”, diz Narciso, que por não ser “burro demais”, até você entendeu, mesmo grafado Narciro.

      Acredito, quanto a razão do comentário, sucinto na última frase, como dito adaptada, não atentar ser direcionada à Redação, e atentar menos ainda, por certamente desconhecer, que questiona como fica agora a Redação, após o comentário critico de FHC, levando-se em conta os diversos posts que vimos aqui sugerindo certa sintonia, quase parceria, entre Ciro e FHC.

      Quanto ao resto expelido no comentário além de “talvez você seja burro demais”, lembra dileta e finada tia a dizer que ‘não se gasta vela com defunto que não presta’, pois revela-o devota alma gêmea do devotado criticado, ao se enxergarem no espelho os outros.

      Passando o traço, não diria que “você seja burro demais”, diria um tolo bufante ao menos.

      Responder

Alexandre Neres

27 de março de 2021 às 11h24

“Essa foi a maior baixaria que eu já vi a mídia cometer, e olha que não falta baixaria. Uma pesquisa que sai na capa do portal e do jornal escrito: 57% acham que Lula é culpado no caso do triplex; ou seja, não é nem de uma maneira conceitual, ampla, opinião, visão. Os caras estão fazendo um julgamento de um caso específico. Eles até tiraram essa manchete porque o negócio deve ter dado até algum tipo de preocupação. Não era uma opinião genérica. Eles estavam levando o ex-presidente Lula a julgamento em um caso específico. Eu nunca vi um absurdo desse na minha vida, eu nunca imaginei que pudesse chegar nesse ponto, estampar na capa do jornal um negócio desse. A gente está vivendo uma situação meio que surreal, tudo passando de qualquer limite aceitável”, disse o economista Eduardo Moreira sobre a infame pesquisa Datafoha repercutida aqui n’O Cafezinho.

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    alex

    27 de março de 2021 às 12h09

    Lula é um pilantra (era…agora é um coitado) e os brasileiros sabem muito bem.

    Nao fica mais facil aceitar isso e ir pra frente ?

    Responder

      Paulo

      27 de março de 2021 às 17h54

      Os comentaristas petistas e + à esquerda não podem aceitar a dessacralização de Lula. Ou estão em estado de negação – como os bolsonaristas em relação às práticas desonestas da família do Capetão, embora em muito menor escala que Lula e o PT (pelo menos pelo que se sabe até aqui) -, ou estão a serviço. Prefiro acreditar na primeira hipótese…E note que é fácil perceber o que ocorreu nos Governos petistas, nem precisa muito acuidade analítica. Mas seguirão com a narrativa, não há o que fazer!

      Responder

        Alexandre Neres

        28 de março de 2021 às 15h49

        Meu caro Paulo, achei seu comentário totalmente infeliz, mas devido ao respeito que tenho por você, não responderei à altura desta vez. O que me move a tecer qualquer comentário, sobretudo são questões que envolvem injustiça e o princípio da dignidade humana. Muito me espanta você falar em narrativa, justo você que caiu como um patinho na defesa do marreco, enquanto este orientava promotores, recomendava prova, escondia o documento que Dona Mariza não queria o tal tríplex, vazava ilegalmente conversas de presidente, de familiares do ex-presidente que nada tinha a ver com o objeto da investigação, grampeava escritórios de advocacia, vazou a delação do Palocci a uma semana da eleição e depois foi ser ministro do candidato que ajudou a eleger etc. etc. etc. Agora é muito fácil dizer que não sabia de quem se tratava o Bolsonaro, todo isentão tem um discurso pronto para se esquivar de responsabilidade por ter contribuído, de uma forma ou de outra, para a eleição de um genocida.Sobre o assunto que abordei antes, que você veio fazer sua gracinha, a ombudsman da Folha, que é séria e não age como moleque, também abordou o assunto hoje:

        “Maioria acha Lula culpado; candidatura divide eleitor”, estampou a Folha em manchete da edição impressa de segunda (22), em referência ao Datafolha sobre o tema.

        Leitores alegaram que a pesquisa extrapolou a política e promoveu um julgamento fora dos tribunais, baseado em uma cobertura acrítica da Lava Jato. Outros viram problemas na formulação da pergunta.

        É a segunda vez que o Datafolha afere se os brasileiros consideram ou não justa a prisão do ex-presidente Lula.

        Na primeira vez, em abril de 2018, foi perguntado: “No sábado passado Lula foi preso. Na sua opinião, a prisão de Lula foi justa ou injusta”?

        Semana passada, a pergunta foi: “Em 2017 o então juiz Sergio Moro condenou Lula à prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Na sua opinião, a condenação de Lula na época foi justa ou injusta?”.

        Muitos viram indução na questão. Diante das revelações da Vaza Jato, questionaram por que incluir o “à época” na pergunta, argumentando que faria mais sentido perguntar qual avaliação o entrevistado faz da prisão hoje.

        Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, disse à coluna que pesquisas têm por objetivo acompanhar as percepções que a opinião pública forma sobre determinados fatos. “Nesse sentido, na pergunta referida, o termo ‘na época’ foi incluído para situar o entrevistado de forma a não confundir com o julgamento atual do caso pelo STF. Trata-se de um recurso técnico para ajudar a padronizar o entendimento da questão por todos os entrevistados”, afirmou.

        Paulino disse que a percepção da população se dá para todos os assuntos públicos, sejam políticos, sociais, econômicos ou jurídicos. “Ou só deveríamos perguntar para economistas sobre expectativa de inflação ou para epidemiologistas se a pandemia está controlada? Pesquisas medem percepção e não conhecimento”.

        A dúvida dos leitores é legítima, afinal o modo como as perguntas são formuladas importa. O que o caso sugere é que as eleições de 2022 estão bem mais perto do que os muitos meses até lá indicam. E o leitor já deu mostras de que está atento à cobertura do jornal no que promete ser um longo período pré-eleitoral.”

        Responder

      Marcio Valley

      27 de março de 2021 às 19h25

      Opinião categórica, sem prova alguma. Opiniões categóricas podem ser produzidas ao sabor das subjetividades. Por exemplo, e meramente como demonstração, sem vinculação com a realidade:

      “Alex é um pilantra e desonesto, todos sabem muito bem disso. Não fica mais fácil aceitar essa condição e parar de escrever sandices?”

      Acho que ninguém aprecia ser alvo de coisas assim, não é mesmo?

      Responder

Tony

27 de março de 2021 às 10h46

O cara fala que Ciro “não sabe pra onde vai” e aposta em HUCK….

Como presidente: zero
Como sociólogo: zero
Como analista político -1

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    carlos

    27 de março de 2021 às 13h52

    Esse pulha entreguista, foi aquele q

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Ronei

27 de março de 2021 às 10h24

“Tenho a sensação que ele pode ir para qualquer lado. Ciro não é de esquerda, de direita nem centro. Ele é ele.”

Resumindo…é um destrambelhado !! Kkkkkkkkkkkkkkkk

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    Valeriana

    27 de março de 2021 às 12h11

    Mas tem partido como qualquer político normal.

    Ops! Nem todo mundo é normal… kkkkk

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Valeriana

27 de março de 2021 às 10h22

Esquerda e PSDB tem tudo a ver a muito tempo, a famosas duas faces da mesma moeda…sempre fingiram de brigar num jogo de cartas marcadas, um para nao incomodar o outro e cada um fazer os proprios interesses.

Responder

    Ronei

    27 de março de 2021 às 12h13

    Exato, é como bozo e PT, duas faces da mesma moeda como disse Mandetta esta semana.

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    Willy

    27 de março de 2021 às 12h43

    Concordo com Valeriana,

    De 1994 pra cà (em 2022 serao 28 anos) as eleiçoes sao disputadas entre PT e PSDB e pelo que a gente sabe o Presidente da Republica atualmente em carica nao é petista, nem tucano e ambos os partiods tinham candidatos proprios nas ultimas eleiçoes….os brasileiros jà escolheram a terçeira via em 2018.

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