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Paulo Morceiro: Brasil volta à relação centro-periferia

Por Redação

01 de junho de 2021 : 18h54

Por Paulo Morceiro

No primeiro trimestre de 2021 o peso no PIB da agropecuária e indústria extrativa somados ultrapassou o da indústria de transformação (Gráfico abaixo). A última vez que isso aconteceu foi no final da década de 1950.

Desde o Plano Real a economia brasileira vem se reprimarizando num ritmo intenso, isto é, a parcela da agropecuária e da indústria extrativa no PIB vem crescendo enquanto a da manufatura está encolhendo.

Os gráficos mostram a tendência de reprimarização.

Até meados da década de 1950 o Brasil era conhecido pelo modelo primário-exportador, isto é, produzia-se produtos primários para exportar e importava majoritariamente produtos industriais dos países mais avançados (centro). O modelo centro-periferia foi superado com a industrialização de JK, Milagre Econômico e II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND).

Recentemente, essa relação centro-periferia voltou a ser observada nas estatísticas de comércio exterior. No entanto, agora é muito mais grave: ela está acontecendo também na estrutura de produção do país.

Isso tem consequências graves para a continuidade do crescimento e desenvolvimento econômico do país, pois as áreas agrícolas e extrativas estão localizadas em poucas regiões menos populosas que as áreas manufatureiras.

Além disso, a indústria de transformação costumou ser o carro-chefe do crescimento econômico na maioria das nações hoje avançadas, pois a manufatura tem várias externalidades positivas para o desenvolvimento. O Brasil perde.

Texto originalmente publicado no Valor Adicionado.

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2 comentários

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Paulo

01 de junho de 2021 às 22h23

Não há mais uma elite que pense o Brasil, nem na esfera econômica, nem na política, muito menos de forma geopolítica, estratégica, enquanto esse jogo é jogado, mundialmente, desde sempre e agora mais ainda e talvez de forma modeladora não de décadas, mas de séculos vindouros…Isso é muito preocupante. O Brasil, na minha modestíssima opinião, não pode abdicar de seu projeto de grandeza. Temos, desde os bandeirantes e o ciclo da cana, no NE, no nosso passado colonial mais remoto; passando pelo ciclo do ouro, em MG; por José Bonifácio e outros grandes nomes, nos primórdios da independência; pelos fazendeiros do café e elites regionais (e pelo Império dos Pedros, solução tão singular quanto o Poder Moderador, na esfera da divisão e centralização do Poder, nessa época, que tanto contribuíram para nossa unidade territorial), no século XIX; até início e meados do século XX, com nossa incipiente indústria, depois mais pujante, que moldou os sonhos de minha juventude, “pari passu’ com Getúlio, Juscelino, e, temporalmente, em certa medida, com o Regime Militar; o traçado de nosso projeto mais que esboçado, mas com início e meio de execução em andamento. E hoje, o que temos? O infeliz presidente atual, perdido, sem rumo, ignorante, boçal, tateando no escuro e sendo tutelado, ideologicamente, pelo “grande” Carluxo e por Olavo de Carvalho (embora este até tenha seus méritos), e, na economia, pelos banqueiros e pelo agronegócio; e, de outra parte, Luís Inácio, o primeiro operário a se tornar presidente, aquele que tinha tudo para ser paradigma, expoente político de inflexão de rumos, agente modelar de nosso desenvolvimento, mas que se quedou, diante das dificuldades de governança, aos agentes dos interesses sórdidos e pervertidos, de acordo com a escola do sindicalismo que frequentou e que lhe serviu de mestra, na qual os interesses permanentes e soberanos da nação foram sacrificados aos acordos de ocasião…

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Edibar

01 de junho de 2021 às 21h38

O agronegócio é o setor da nossa economia mais liberalizado. Por isso que sempre voa. O modelo da Embrapa na pesquisa tecnológica e a iniciativa privada produzindo liberalizadamente tem mostrado ótimos resultados. Com o dólar aonde está, as exportações bombando, não é de se surpreender com tudo isso.

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