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Eduardo Moreira: Mercado de capitais e mudanças sociais

Por Redação

02 de setembro de 2021 : 15h32

Por Eduardo Moreira

O Brasil é medalha de ouro em desigualdade, aproveitando os tempos de Paralimpíadas para a metáfora. No Brasil, cerca de 1% dos donos de terra concentram 50% das terras agricultáveis, enquanto 1% dos mais ricos ficam com cerca de 30% da renda. Somente 0,16% dos investidores concentram mais de 1/3 dos investimentos. E apesar de muitos deles clamarem por mudanças, usar os instrumentos do mercado para financiar o sonho de um futuro mais justo parece algo inusitado.

Um vegano ao aplicar sua poupança pode estar financiando a construção de um frigorífico sem saber. Ou um militante pacifista pode estar investindo em uma fábrica de armas sem consciência. Um ambientalista pode colocar seu dinheiro em uma empresa que desmata e polui. Essa é uma realidade muito mais comum do que se poderia (ou gostaria) imaginar.

Foi pensando nisso que algumas instituições no mundo, como o Triodos Bank, passaram a incentivar a pergunta “que mundo você financia com seu dinheiro?”. O slogan do banco holandês não deixa dúvidas: “Financie a mudança, mude o mundo das finanças” (Finance change. Change Finance).. Esse questionamento deixa de cabelos em pé bancos e grandes corporações. Mais até do que armas e ameaças terroristas.Esse questionamento pode mudar a estrutura do sistema e empoderar toda uma população para escolher de verdade o mundo que deseja.

No Brasil, esse debate é bastante embrionário. A desigualdade social se expressa também no mercado de capitais. A distância entre os pequenos investidores, que têm aumentado em número, e os milionários, que sempre estiveram no mercado, é gigantesca. Enquanto os mais ricos diversificam as aplicações, investindo 60% da renda em ações e fundos, o correntista médio aplica mais de dois terços de seus investimentos na poupança (Anbima fev/2021).

No entanto, com a recente popularização dos investimentos, ampliando a competição entre bancos e corretoras pelos calouros, coloca-se a necessidade também de diversificar as possibilidades de instrumentos. No Brasil, por exemplo, foi inaugurado no ano passado o Finapop (Financiamento Popular da Agricultura Familiar) para reunir investidores que busquem investimentos que não serão julgados unicamente pela taxa de retorno financeiro que prometem, mas pelo mundo que constroem.

Na primeira operação que ajudou a impulsionar, o Finapop financiou a conclusão de uma agroindústria que fornece arroz orgânico e carne suína para quase 400 mil pessoas na região da grande Porto Alegre. Os investidores tiveram um retorno oferecido superior ao da caderneta de poupança; e os camponeses conseguiram pegar empréstimos com uma taxa inferior à oferecida pelos bancos comerciais. É um marco.

Chama a atenção que o MST, que se notabilizou como o maior movimento popular do mundo com as ocupações de terras, tenha aderido ao Finapop para fortalecer a produção de alimentos saudáveis em assentamentos e financiar a expansão das cooperativas, em um momento de desmonte das políticas públicas para a agricultura familiar.

“Mas cooperativas de agricultores familiares ligados ao MST acessarem o mercado de capitais não seria um contrassenso?”, perguntam alguns. Contrassenso é ter um sistema financeiro que nada produz e tem os maiores lucros no mundo. Contrassenso é ter pessoas que trabalham e têm a renda corroída por juros de 300% ao ano. Contrassenso é ter programas multibilionários para estimular a produção de commodities que vão virar ração de animais no exterior. Contrassenso é não fazer nada e esquecer os agricultores familiares que produzem alimentos saudáveis para nossas refeições. Contrasenso é não reagir a lógica atual do sistema.

Eduardo Moreira, empresário, engenheiro e ex-banqueiro de investimentos, é autor dos bestsellers Desigualdade, O que os donos do poder não querem que você saiba e Encantadores de Vidas.

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4 comentários

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Alexandre

03 de setembro de 2021 às 21h23

Paulo, pra quem tem o teu nível de conhecimento é bom ficar de fora mesmo.

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Paulo

02 de setembro de 2021 às 21h43

Esse mercado financeiro, pra mim, seja quem for o investidor, é um Jockey Club…Ainda mais para o pequeno investidor, que não sabe em que ações amarrar seu burro e acaba pagando comissão para os abutres das “consultorias”, verdadeiras arapucas que vivem dessa promiscuidade e que não correm riscos, todos transferidos para os aplicadores…

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Alexandre

02 de setembro de 2021 às 20h25

Textinho da inveja. Todo esse blá-blá-blá da desigualdade é pura inveja.
Pobres nao investem mais em RV por ignorância pois o acesso e simples e barato para qualquer um. Seria alias o jeito mais fácil de se saber aonde se está investindo, pois se vc compra a ação da empresa A, é nela que se está investindo. E não, não é contrassenso o mst aderir ao mercado financeiro, é inteligente. Investe neles quem quer.

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    Luciano Santos

    12 de setembro de 2021 às 17h59

    Parasita, Eduardo Moreira é ex-banqueiro e multimilionário. Certamente não tem inveja de quem tem dinheiro. Quem tem inveja são os pobres coitados, como você, que não têm aonde cair morto, mas que acha que algum dia terá tanto dinheiro quanto os bilionários que você passa o dia inteiro na internet a defender. Spoiler: nunca terá.

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