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Jorge Araújo/Folhapress)

DCM mostra as marcas de batom na cueca de Dallagnol

Por Miguel do Rosário

18 de outubro de 2021 : 12h28

A reportagem do DCM, escrita por Vinicius Segalla, revela que o cadáver exumado da Lava Jato continua nos oferecendo surpresas mal cheirosas.

Antes de passar à análise de suas consequências, vamos aos fatos.

A matéria traz mensagens trocadas, via Telegram, entre os procuradores federais Deltan Dallagnol e Athayde Ribeiro Costa, nas quais Dallagnol, um dos chefes da Lava Jato, pede a Athayde que intervenha junto aos réus Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa, ex-diretores da Petrobras, para que suas delações sejam reescritas de modo a incluir o Partido dos Trabalhadores.

Ponto.

Se fosse um roteiro de vídeo, poderíamos trazer aqui a imagem de uma bomba atômica explodindo.

As mensagens foram trocadas em novembro de 2014. O “pedido” de Dallagnol seria atendido nas semanas seguintes.

As delações seriam reescritas, os réus ganhariam uma série de vantagens, e a imprensa brasileira receberia, no início de 2015, o “furo” cuidadosamente escrito pelo próprio Ministério Público.

A capa do Globo de 6 de fevereiro de 2015, disponível no acervo online do grupo, e que seria praticamente a mesma em todos os grandes jornais e revistas, mostra que o esforço de Deltan Dallagnol, para reescrever as delações de Pedro Barusco, foi bem “recompensado”.

As revelações forjadas da Lava Jato cairiam como ácido sobre o espírito amargurado da classe média que votara contra Dilma Rousseff em 2014, e que ainda lambia as feridas de uma derrota apertada no segundo turno.

As “bombas” da Lava Jato seriam as grandes responsáveis por construir, junto a esse público, a convicção de que era preciso não apenas derrubar o governo eleito, como eliminar definitivamente o Partido dos Trabalhadores do cenário político nacional.

Meses depois, em março de 2015, a campanha – criminosa, como hoje está claro – do Ministério Público e da grande imprensa resultariam em grandes manifestações pelo impeachment.

Alguns setores do jornalismo independente, todavia, já haviam farejado a tramoia. Ainda não tínhamos todos os elementos, mas as contradições e exageros nas denúncias do Ministério Público, e a maneira açodada – ou melhor, dizendo, entusiástica –  com que a grande mídia comprava as versões da acusação, já eram evidentes para olhos mais experientes.

As contradições foram se avolumando ao longo dos anos, gerando uma atmosfera repleta de gás inflamável.

Até que apareceu um hacker disposto a riscar um fósforo e explodir tudo.

A chamada Vaza Jato surgiu como deus ex-machina no drama político nacional, trazendo à luz mensagens privadas entre procuradores e juiz, que revelavam uma quantidade tão grande de crimes e irregularidades que o jogo mudou.

Os herois passaram a ser os bandidos. E um dos “vilões”, no caso Lula, passou a ser o heroi.

A Vaza Jato foi inicialmente veiculada pelo site The Intercept, à época pilotado por Glenn Greenwald, que havia ganho prêmios por um outro vazamento, o de Edgar Snowden, o ex-agente da NSA que denunciou um monstruoso esquema de espionagem ilegal organizado pelo governo americano.

Entendendo o alcance gigantesco, e até perigoso, dos arquivos que tinha em mãos, Glenn toma a decisão de partilhá-lo com outros órgãos de mídia. O escândalo ocupa, por meses, as manchetes e editorias dos principais jornais e revistas do país.

Posterioramente, o hacker seria preso e os arquivos acabariam em mãos da Polícia Federal, durante a operação Spoofing, o que seria até interessante, pois os peritos da PF assegurariam a sua autencidade, neutralizando o esforço dos procuradores e juiz de negar que eles fossem reais.

O portal Diario do Centro do Mundo, o DCM, editado pelo jornalista Kiko Nogueira, teve acesso a parte desses arquivos, e foi lá que desenterrou algumas histórias escabrosas, que ainda permaneciam inéditas.

A história que comentamos hoje é a terceira da série. A primeira e a segunda reportagens, igualmente boas, podem ser lidas nesses links: 1 e 2.

Para melhor saborear a importância dessa última novidade, recapitulemos alguns fatos: a Lava Jato foi uma investigação iniciada em março de 2014, liderada por procuradores federais de Curitiba, e que ganhou notoriedade por ser a primeira vez que se fez uso, em grande escala, do recurso da  “delação premiada”.

A lei da delação premiada havia sido sancionada poucos meses antes, ao final de 2013, pela presidenta Dilma Rousseff, que hoje se arrepende de tê-lo feito sem ter esgotado os estudos sobre seus possíveis impactos no sistema nacional de justiça, e sobretudo sem prever que uma lei desse tipo, antes de ser devidamente regulamentada, poderia ser objeto de manipulação por parte de procuradores mal intencionados.

De qualquer forma, a lei é muito clara quanto à necessidade de que as colaborações sejam espontâneas.

Juiz e procuradores devem sempre cuidar para que as delações sejam coerentes e ancoradas em provas materiais.

Esses cuidados, todavia, foram ignorados pelos procuradores que tocavam a Lava Jato.

A “espontaneidade” das delações foi o primeiro escrúpulo a ser posto de lado.

Aos presos preventivamente pelo juiz Sergio Moro, a pedido de Dallagnol e outros procuradores, eram concedidas duas alternativas:

1) em caso de recusa de um acordo de delação, encarceramento em regime fechado por tempo indeterminado, a perseguição a membros da família, confisco de todos bens, congelamento de contas de empresas que empregavam milhares (em alguns casos, centenas de milhares) de pessoas;

2) se aceitasse o acordo, tudo seria diferente: o réu poderia voltar para a casa, cumprindo uma rápida prisão domiciliar, recuperar seus bens, inclusive os valores depositados ilegalmente no exterior, além de alimentar a esperança de que suas empresas não seriam destruídas por confiscos e multas brutais.

Não havia espontaneidade nenhuma.

Como os réus não tinham disposição para o martírio, nem podiam antecipar que, um dia, todas as ilegalidades da operação seriam expostas à luz do dia,  e como alguns eram realmente corruptos e, como tal, já tinham perdido suas travas morais há muitos anos, eles cederam aos caprichos dos procuradores da Lava Jato.

Os réus entenderam qual era o jogo: fazer com que suas delações se encaixassem perfeitamente na narrativa já decidida pelos procuradores e pelo juiz, todos profundamente reacionários, e dispostos a fazer de tudo para se tornarem “herois políticos” na cruzada para derrubar o primeiro governo dos trabalhadores da nossa história.

Sergio Moro, por exemplo, tornou-se ministro da Justiça do governo Bolsonaro e hoje é pré-candidato a presidente da República.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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15 comentários

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Alexandre Neres

21 de outubro de 2021 às 02h50

Antes de tudo, faz-se mister deixar claro que não houve durante a Lava Jato cobertura jornalística, tampouco investigativa, de sorte que a chamada imprensa profissional foi mera correia de transmissão do que emanava da cosmopolita Curitiba.

O que costuma ser chamado capciosamente de “questão processual” é a suspeição do juiz, uma das mais graves nulidades processuais. E que, no caso de Sergio Morto, decorreu da produção ilegal de provas para processar e condenar um cidadão. A suspeição, a propósito, tem repercussão no processo, mas não pode ser considerada uma “questão processual”: justamente por ocorrer fora dele e por motivos estranhos à lide.

O fato é que o ex-presidente Lula não teve um julgamento imparcial, como é dever do Estado garantir a todo cidadão. Ao contrário, sofreu um massacre, foi vítima de uma grande armação, tratado como inimigo político, julgado e condenado injustamente, afastado da vida pública, preso durante 580 dias. Um escândalo que envergonha nossa democracia. Os leigos deveriam compreender que a concepção de que o processo é forma, em contraposição à substância, é ultrapassada e arcaica. Só por meio do devido processo legal, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é que qualquer cidadão pode ser julgado e condenado se for o caso, tendo a sua disposição todas as garantias fundamentais, inclusive a de que o julgador mantenha equidistância em relação às partes, senão as provas não serão válidas e não podem ser consideradas, conforme no caso vertente por terem sido produzidas por um magistrado parcial, em consonância com a decisão transitada em julgado prolatada pela Suprema Corte. Nesse sentido, “rasgar as provas” é a única opção possível, sob pena de malferir o estado democrático de direito.

Declarar suspeito um juiz, anulando todos os atos por ele produzidos é, sem sombra e acima de qualquer dúvida e para qualquer corrente jurídica, a prova da inocência de um condenado.

Responder

EdsonLuiz.

20 de outubro de 2021 às 22h32

Bem, Tiago Silva,
(Respondo aqui emcima porque poucas vezes o espaço de comentário abre no local correto).

Antes de responder quero manifestar meu apreço por vocē. Do que você escreve, geralmente concordo com pouca coisa, mas você sempre mantém em relação a pessoas a quem responde a educação devida. Meu apreço por isto!

Quanto ao que você observa hoje, eu concordo com algumas das observações. Em relação à maioria das observações com as quais eu concordo, eu acho que nåo têm as consequências que a elas você – e os blogues do PT – atribui; mas algumas têm, sim, as consequências atribuídas por você e precisam de correçåo. Quanto às demais observações, eu acho improcedentes.

Mas, divergências à parte, o fato ė que a Lava Jato nåo inventou as provas que foram arrecadadas e juntadas ao processo para serem julgadas. Quando estas provas foram julgadas por juízes depois de Sėrgio Moro, houve condenaçåo à unanimidade: 3×0 no TRF-4 e 5×0 no STJ.

Mas, e eu sempre observei isso, o devido processo legal precisa acontecer acima de qualquer dûvida que o rėu possa ter sobre a outra parte, e mesmo não vendo conseguências malėvolas da outra parte, Dallagnol ou Sėrgio Moro, e mesmo também que o processo jä havia passado pelos julgamentos seguintes, eu concordo que os atos decisórios deviam mesmo ser anulados e outro julgamento ser propiciado. Para mim esse era um direito do rėu.

Mas eu estou falando de haver um outro julgamento MESMO, sem que haja nenhuma situação de dûvida para o rėu! Mas tambėm sem que haja nenhuma situação de dúvida contra a sociedade e contra o paįs!

O que fizeram foi anulação absoluta! Rasgaram as provas e o réu nåo foi julgado!

Eu acho que seria mais digno se Lula e o partido dele, e tambėm os outros que o apoiam cegamente, exigissem mesmo um novo julgamento. Garantido esse novo julgamento, o digno ė exigir também que não rasguem nada, que nåo rasguem as provas. que não escondam nada! O digno ė falar: obrigado por terem feito justiça, anulado a primeira decisão e garantido outro julgamento. Agora estão querendo rasgar as provas também, o que me favorece. Mas eu não quero que rasguem as provas. Não quero esse benefício rastaquera! Quero que julguem as provas que tēm contra mim!

Agora, se Lula foge do julgamento das provas, entåo…

Do mesmo modo que o devido processo legal exige que não paire dúvidas sobre o processo, em um processo eleitoral tambėm nåo pode pairar dúvidas sobre o candidato. Ainda mais se for para presidente da repûblica!

Eu nåo apoiaria nem contra bolsonaro um candidato sobre quem pairam dûvidas e ele nåo pede para julgar essas provas! Pelo conträrio, pede para rasgar as provas! Vocē apoia?

Responder

Lourinildo Santo

19 de outubro de 2021 às 09h11

LUla vai ser julgado pelo o povo, vamos esperar o resultado.

Responder

JULIANA BATISTA

19 de outubro de 2021 às 09h08

Moro e DD foram pegos com batom na cueca, não tem como se defender.

Responder

Alexandre Neres

18 de outubro de 2021 às 21h18

A Justiça apenas começou a ser feita.

O Conselho Nacional do Ministério (CNMP) decidiu nesta segunda-feira (18) pela demissão do procurador Diogo Castor de Mattos, responsável por um outdoor em homenagem à operação Lava Jato.

https://www.conjur.com.br/2021-out-18/cnmp-decide-demissao-procurador-encomendou-outdoor

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Milton F.

18 de outubro de 2021 às 20h10

Cafezinho e DCM a esquerda. Terça livre a direita. Irmaos gêmeos de pais trocados.

Responder

fala sério

18 de outubro de 2021 às 20h06

DCM??? Quem é DCM???

Responder

Alexandre Neres

18 de outubro de 2021 às 18h04

Dallagnol dizia que quem não deve, não teme. Não à toa adiou seu julgamento no CNMP 42 vezes.

O princípio da segregação das funções foi pro saco. A Liga da Justiça foi formada sob o tacão de Sérgio Morto, incluindo ministério público e polícia federal. Juiz acusava, procurador redigia delação premiada e assim por diante. Que belêêeza!

Qualquer liberal que se preze teria que manifestar seu repúdio a esse estado de coisas. Todos têm o direito de ter um julgamento justo, inclusive meus inimigos.

Jejunos em direito querem utilizar as provas produzidas por um juiz reconhecidamente parcial em decisão proferida por instância máxima que não está sujeita a recurso. Tal juizeco malferiu o bem mais nobre a ser tutelado pela magistratura, qual seja, a imparcialidade. Nunca conseguiu adotar uma postura escorreita, equidistante em relação às partes. Um juiz com partido. Não procurou nem disfarçar e foi ser ministro da justiça do desgoverno que ajudou a eleger. Primeiro definiu o alvo e depois as setas foram encaminhadas naquela direção, construindo a narrativa que ao findar fosse dar em Lula. Com PowerPoint, com tudo

Eu me divirto lendo sedizentes progressistas querendo subverter o princípio da presunção da inocência. Qualquer cidadão que não for condenado em decisão irrecorrível é inocente. Eis o pulo do gato, a imprensa dita profissional que abdicou de investigar e passou a ser mera correia de transmissão da força-tarefa, sob o comando de Merval Pereira e Vera Magalhães, inventou a esdrúxula tese de que Lula não fora absolvido ou inocentado. Ou seja, pelo fato de Lula ter sido submetido a um processo penal destituído de legitimidade, eivado de vícios, Lula ficaria eternamente em um limbo, já que as acusações prescreveram e os santarrões do pau oco forjaram uma série de processos desprovidos de substrato. Então, para essa turba, diferentemente de todos os mortais, Lula seria o homo sacer de Agamben, pronto a ser sacrificado, não podendo ser declarado inocente, a não ser quando for submetido a escrutínio novamente em um julgamento impossível de acontecer por questões de ordem prática, pouco importando se quem deu causa a tamanhos absurdos foi a República de Curitiba. Os mesmos que por meio de métodos heterodoxos atraíram a competência para o ex-presidente ser julgado na cidade de Leandro Narloch.

Surgiu o batom na cueca de Dallagnol. Montou um serviço de delação premiada customizado. Parece com aquele episódio do Porta dos Fundos em que o investigado declarou ter comido lula, sendo o bastante para incriminar o ex-presidente. A vida real não está muito distante da ficção. Até quando abusará de nossa paciência, ó Dallagnol!

Responder

Stalingrado

18 de outubro de 2021 às 14h53

Lula Magno voltando para recolocar o Brasil no rumo do crescimento!

Responder

EdsonLuiz.

18 de outubro de 2021 às 14h44

Olha! O DCM é o DCM, um desses blogs… Bem, já sabemos que tipo de blog é o DCM.

Pode aparecer alguma coisa realmente grave em gravações de conversas ao telefone? Sim, pode! Mas eu fui acompanhando todos os vazamentos feitos por estes blogs e até agora não vi nada que sustente as narrativas que eles fazem. Tem alguma coisa, mas eles fazem muito barulho.

O Devido processo legal deve se dar sem suspeição acima de qualquer dúvida! Não é que o suspeito necessariamente tenha cometido alguma irregularidade. Trata-se, sim, de não haver dúvidas quanto a essa isenção.

Os procuradores e o juiz trocaram impressões e informações. Pronto! Isso é suficiente para sanear o processo de qualquer descumprimento acessório. É suficiente também para trocar o juiz. Ė o que eu acho é já manifestei isso aqui em ‘ocafezinho’.

É porque o juiz é “ladrão”?
Não! Ladrão é quem roubou dinheiro público!

Mas, se houve troca de impressões e orientações entre investigadores e juiz, não importa se essas interações tiveram ou não tiveram influência no julgamento; importa que, dadas as interações, não há mais garantia acima de qualquer suspeita de que o julgamento é isento. Não é que as partes não tenham isenção, mas que foi quebrada a garantia absoluta dessa isenção. Isso só se corrige com novo julgamento das provas.

Então, troque-se o juiz, saneie-se o processo e faça-se o julgamento do mérito das provas!

Estou dizendo: “faça-se o julgamento das provas”, não das firulas que quebraram as garantias do julgamento. Essas simples firulas processuais podem e devem ser saneadas.

Eu acompanhei com cuidado os vazamentos do Intercept. Não vi nada além de indicativos de que se o réu alegasse dúvidas sobre seu julgamento ele teria um grau de razão suficiente para pedir o saneamento dos ritos e o processo deveria então passar por saneamento e novo julgamento por outro juiz.

Eu sempre me posicione assim aqui em ‘ocafezinho’.

Mas eu falava mais uma coisa: eu falava que eu acho que o processo deve ser saneado e feito novo julgamento, mas sem rasgar as provas! O julgamento deverá prosseguir com o julgamento de mérito das provas e não com o julgamento de firulas jurídicas meramente processuais, sem julgar as provas e ainda rasgando-as.

Era assim que eu me posicionava. Continuo me posicionando assim: sou a favor do saneamento dos processos e de um novo julgamento, que é o que acho o justo em defesa dos direitos do réu; mas sou a favor também de que as provas não sejam rasgadas e o novo julgamento do mérito das provas aconteça, que é o que acho o justo em defesa dos direitos do país e de seus cidadãos.

Bom! Essa é e sempre foi a minha posição em relação a cada um desses processos. E eu escrevi essa minha posição aqui mesmo, em mais de uma vez.

Agora, e quanto à bateção de bumbo do DCM?

Bom, só pela grannnnnnndeeee imparcialidade do DCM e das tatiquinhas desse blog, de tratar um grão de milho como se fosse uma espiga toda, só essa prática do DCM já exige olhar as coisas com cuidado, que é o que eu sempre fazia e faço ainda mais quando a fonte são esses blogs e seus primos.

Quando você houve alguém falando ao telefone e a pessoa está dizendo para outra, por exemplo: “peça ao denunciante que reescreva a denúncia e inclua isso, isso é inclua isso também”

O que é possível inferir de tal fala?

Podem ser várias coisas. Inclusive sempre tem alguma chance de ser uma coisa suspeita. Ou pode ser apenas uma complementação. Pode ser uma coisa, mas também pode ser outra.

Tanto eu quanto o DCM ou qualquer outro blog ou pessoa, ao ouvirmos uma conversa desta ao telefone, só podemos especular sobre o que essa conversa pode ser. Pode ser, por exemplo, que o réu delatou em conversa, mas depois, ao colocar no papel, ‘protegeu’ os amigos. Aí o agente público pode ter voltado a ele e falado: “O que você denunciou não ė só isso que você botou no papel. Se você escolher o que documenta e não documentar tudo o que disse antes, a sua delação não é relevante tanto quanto da primeira conversa e não vai servir como delação”

Daí então, o denunciante pode ter falado: “Então tá, eu vou colocar o resto que escondi ao escrever”

E o agente público determinou que a denúncia fosse reescrita para complementar o que o réu falou, mas não escreveu. E o DCM está especulando como bomba atômica.

Eu só quero o justo. Quero o justo para o réu; mas também quero o justo para o país.

O DCM e seus primos sempre fazem assim. O bichinho pode ser só uma lagartixa, mas quando ė conveniente eles repetem cem vezes que é um dinossauro do tipo mastodonte.

O fato é que Pedro Barusco devolveu milhões e milhões de dinheiro de corrupção. Outro fato, e aqui eu coloco também minha opinião, é que se alguém participou do roubo de tantos milhões, como o Pedro Barusco, por mais que tenha delatado e não escondido informação, o que me parece um pouco ser o que estava fazendo antes para proteger o PT, talvez, mesmo com a colaboração à justiça ele e outros não deveriam ter a pena pela corrupção de que participaram tão diminuída.

E, independentemente de Intercept’s ou DCM’s, acho que todo indiciado deve ser julgado no mérito, sem rasgar as provas se aproveitando de firulas jurídicas.

Edson Luiz Pianca
edsonmaverick@yahoo.com.br

Responder

    Tiago Silva

    19 de outubro de 2021 às 08h18

    Caro Edson Luiz,

    Parece-me que foi flagrante a utilização política e politiqueira de cargos públicos no Poder Judiciário e Ministério Público… E que infelizmente macularam a imagem dessas instituições e inclusive com perigo de perda de legitimidade social.

    Quando a semanas ou dias das eleições o MP “deixa vazar” delações (mesmo sem comprovação dessas narrativas) para se criar factóides a influenciar eleições, quando se modifica intencionalmente delações para prejudicar determinado candidato, quando há dois pesos e duas medidas em relação ao PSDB e PT, quando se faz articulação com a mídia para expor narrativas também sem lastro probatório, quando se utiliza cargos públicos para se criar um “Partido da Lava-Jato” e passa a perseguir partidos e candidatos de ideologia opositora, quando um processo criminal “acelera-se” em razão de uma pessoa que iria ser julgada mais para se retirar sua candidatura eleitoral (que liderava pesquisas de opinião) e o tempo desse processo é único em relações a outros processos da justiça brasileira (inclusive análogos)… Já se deveria ter a suspeita de que algumas laranjas podres estariam a contaminar instituições públicas e a democracia.

    Já com a “Vaza-Jato” tudo se escancara! A politicagem, desvio de função e nulidades emergem de forma bem evidente que aliás em países desenvolvidos… Todos os envolvidos seriam objetos de processos de até prisão perpétua por subverterem a democracia e lesa pátria (nos EUA seria capaz de estarem em Guantânamo sem direitos mínimos).

    E quando se fala que Sérgio Moro é um “juiz ladrão”, faz-se esta alegoria pois o politiqueiro que se utilizou do cargo público para fins pessoais deveria ser processado em crime próprio de servidor público: corrupção passiva!!! E apenas aceitar promessa de vantagem (vaga de ministro, vaga no STF, pensão após demissão, etc) já seria possível enquadrar como “juiz corrupto”!!! E mesmo que saibamos que no Brasil incorre em maior impunidade para fantoches do capital (Sérgio Moro ainda não foi processado, Deltan teve adiado 42 vezes seu julgamento no CNMP e demais envolvidos na Vaza-Jato continuem ilesos)… Caso estes sejam demitidos de seus cargos públicos, não vai ser surpresa trabalharem para os espólios das empresas que faliram ou até irão assumir de vez as aspirações políticas desde muito flagrantes ao se candidatarem por partidos políticos (Podemos, PSDB, DEM, Novo muito provavelmente).

    Macularam instituições públicas, tornaram cargos públicos a fins politiqueiros, promoveram a suas imagens para lucrarem e ainda desempregaram milhares de trabalhadores e contribuíram para estarmos nesse buraco neofascista (neoliberal autoritário + fascista) que estamos afundados hoje.

    Pense nisso!

    Responder

Kleiton

18 de outubro de 2021 às 14h42

A lava Jato desmantelou o castelo de estrume que PT e Comparsas construíram em Brasilia.

Responder

Galinzé

18 de outubro de 2021 às 14h36

A tentativa de limpar a ficha do PT, Lula e comparsas em vista das eleições é clara, não precisam desfarcar esse tanto.

Não conseguirão obviamente pois os heróis da lava jato nunca foram heróis mas juízes e promotores e os bandidos continuam sendo bandidos.

Não mudou nada, os brasileiros não são os idiotas que vcs acham.

Responder

dcruz

18 de outubro de 2021 às 13h21

O que estarrece é a simplicidade como essa monstruosidade foi montada, um embuste com engrenagens tão simples que não enganaria uma criança, como essa farsa tão fácil de ser desmontado passou pelas autoridades competente e, principalmente, pela mídia? Como a criança que não seria enganada pode concluir agora, é que todos foram cúmplices, inclusive a mídia, não foram ludibriados coisíssima nenhuma, só que não deu certo, não esperavam colocar um louco genocida no poder, extrapolou à expectativa, fosse o nome escolhido menos celerado, digamos, um louco manso,, menos assassino e estaria no poder ( como está) incólume, com todos esses hipócritas fingindo que acreditaram, numa boa, no maior embuste judiciário do país em todos os tempos.

Responder

Marco Vitis

18 de outubro de 2021 às 12h59

Moro e Dalagnol são criminosos que merecem ser julgados e presos.
Porém, caro Miguel, não dá pra transformar Lula de vilão em herói, como vc afirma.
Não aceito chamar de herói um político que usa a corrupção como ferramenta de governabilidade. Pior: corrupção com dinheiro público. Mas cada um de nós tem seus valores.

Responder

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